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Rio, 15/8/2008
 

Liderando com a b˙ssola (Stephen R. Covey )

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"Princípios corretos são como bússolas: estão sempre apontando o caminho. E, se soubermos lê-las, não nos perderemos, não ficaremos confusos nem seremos enganados por vozes e valores conflitantes".

Princípios dispensam explicações, são leis naturais que se validam a si mesmas. Eles não mudam nem se alteram. Eles nos fornecem o norte verdadeiro quando navegamos nas "correntes" de nosso ambiente.

Freqüentemente, pensamos em mudanças e melhorias como vindo de fora para dentro, e não o contrário. Mesmo que reconheçamos a necessidade de mudança interna, costumamos pensar em termos de aprendizado de novas habilidades, em vez de mostrarmos mais integridade a princípios básicos. Mas mudanças significativas quase sempre representam rupturas internas com formas tradicionais de se pensar. Refiro-me a isso como mudanças de paradigma.

A liderança centrada em princípios introduz um novo paradigma – o de que nós centramos a vida e a liderança de organizações e pessoas em certos princípios. Nesse artigo, explicarei o que são esses princípios, porque devemos nos centrar em princípios e como conseguimos isso.
Por que centrar-se em princípios? A liderança centrada em princípios é baseada na realidade de que não podemos violar leis naturais impunemente. Acreditemos ou não nessas leis, elas continuam operando porque são universais, evidentes em si mesmas, eternas; são princípios básicos de interação e desempenho humano que provaram sua eficácia através dos séculos de história da humanidade. Não se trata de soluções fáceis e rápidas para problemas pessoais e interpessoais. Mas, quando aplicados consistentemente, tornam-se hábitos comportamentais, permitindo a transformação de indivíduos, relacionamentos e organizações.

Práticas dizem respeito a "o que fazer", são aplicações específicas para circunstâncias específicas. Princípios referem-se a "por que fazer", são os elementos através dos quais aplicações e práticas são construídas. As pessoas são mais eficazes e as organizações mais fortalecidas quando guiadas e governadas por princípios filtrados pelas grandes sociedades, pelas civilizações responsáveis através dos séculos. Os princípios se aplicam a toda hora e em todos os lugares. Eles aparecem na forma de valores, idéias, normas, costumes e ensinamentos que exaltam, enobrecem, satisfazem, fortalecem e inspiram pessoas. A lição da história é que as pessoas e civilizações que operaram em harmonia com princípios corretos prosperaram. O declínio das sociedades tem, na sua raiz, práticas tolas que representam violações dos princípios corretos. Quantos desastres econômicos, conflitos interculturais, revoluções e guerras poderiam ter sido evitados, se tivesse havido um maior comprometimento social com princípios corretos?

Líderes centrados em princípios são homens e mulheres que trabalharam em "fazendas" com "sementes e solo" sobre a base de princípios naturais e tornaram esses princípios o centro de sua vida, de seus relacionamentos, acordos, processos administrativos e de sua missão.

Quando fornecemos treinamento em habilidades e práticas sem concomitantemente ensinar os princípios, tendemos a tornar as pessoas dependentes de outros a fim de obterem mais instrução e direcionamento. Se as pessoas não compreendem os princípios de uma determinada tarefa, elas se tornam incapacitadas quando a situação muda e outras práticas diferentes são necessárias para se obter sucesso. O verdadeiro fortalecimento (empowerment) é ter ambos – tanto os princípios quanto as habilidades para o trabalho.

Valores (mapas) X Princípios (bússola)
Princípios, ao contrário de valores, são objetivos e externos. Eles operam segundo leis naturais, independentemente das condições. Valores são subjetivos e internos. São como mapas. Mapas não são os territórios, mas apenas tentativas subjetivas de descrevê-los ou representá-los. Quanto mais nossos valores ou mapas estiverem alinhados com os princípios corretos – com as realidades do território, com as coisas como elas realmente são – mais corretos e úteis eles serão. Entretanto, quando o território muda constantemente, quando mercados sofrem variações constantes, qualquer mapa logo se torna obsoleto.

Um mapa baseado em valores pode fornecer uma descrição, mas a bússola centrada em princípios oferece-nos visão e direção. Um mapa correto é uma boa ferramenta administrativa, enquanto que uma bússola baseada em princípios de "norte verdadeiro" é uma ferramenta de liderança e fortalecimento. Quando a agulha aponta para o "norte verdadeiro", ela reflete o alinhamento com leis naturais. Se estamos presos ao gerenciamento "através de mapas", desperdiçamos muitos recursos vagando sem rumo ou perdendo oportunidades.

Nossos valores freqüentemente refletem as crenças de nosso passado cultural. Desde a infância, desenvolvemos um sistema de valores que representa a combinação de influências culturais, descobertas pessoais e enredos familiares, formando os "óculos" através dos quais vemos o mundo. Nós avaliamos, priorizamos, julgamos e nos comportamos baseados em como vemos a vida através desses óculos.

Um modelo reativo comum é viver a vida em compartimentos, onde o comportamento é, em grande parte, produto de expectativas centradas em certos papéis: cônjuge, pai/mãe, filho(a), executivo(a), líder comunitário, etc. Mas, porque cada um desses compartimentos carrega seu próprio sistema de valor, as pessoas encontram-se, muitas vezes, tentando corresponder a expectativas e valores conflitantes de acordo com o papel ou o ambiente no qual estão inseridas.

Quando as pessoas alinham seus valores pessoais com princípios corretos, elas são liberadas de percepções e paradigmas antigos. Uma das características dos líderes autênticos é a humildade e habilidade de tirar os óculos e examinar bem de perto as lentes, analisando quão bem seus valores, comportamentos, percepções e crenças alinham-se a princípios de "norte verdadeiro". Onde há discrepâncias (preconceito, ignorância ou erro), eles fazem ajustes para realinhar mais sabiamente. Centrar-se em princípios imutáveis traz permanência e poder à vida.


Quatro dimensões

Centrar nossa vida em princípios corretos é a chave para o desenvolvimento desse rico poder interno, com o qual podemos realizar muitos de nossos sonhos. Aquilo que está no centro da nossa vida torna-se a fonte primária do nosso "sistema de suporte". Grosso modo, esse sistema é representado por 4 dimensões fundamentais: segurança, orientação, sabedoria e poder. Vida e liderança centradas em princípios cultivam essas quatro fontes internas de força.

Uma análise de diversos centros alternativos – trabalho, prazer, amigos, inimigos, cônjuge, família, si mesmo, igreja, posses, dinheiro, etc. – revela-nos isso e porque centrar-se num conjunto de princípios comprovados fornece segurança suficiente para não se sentir ameaçado pelas mudanças, comparações ou críticas; orientação para tomar decisões sábias, e poder para comunicar e cooperar sob condições de estresse e fadiga.

Segurança. A segurança representa nosso senso de valor, identidade, ancoragem emocional, auto-estima e força pessoal. Naturalmente, podemos observar vários graus de segurança, desde um profundo senso de alto valor intrínseco até uma extrema insegurança, onde a vida da pessoa é golpeada por todas as forças instáveis a que está sujeita.

Orientação. A orientação é a direção que recebemos na vida. Envolvidos por nosso mapa – a estrutura interna de referência que interpreta o que está acontecendo "lá fora" – encontram-se padrões ou critérios que governam as decisões e os atos. Com o tempo, esse monitor interno torna-se nossa fonte de orientação, nossa consciência. No extremo inferior do continuum da orientação, encontram-se vícios e dependências fortes, condicionados por termos nos centrado numa vida egoísta, sensual ou meramente subsistente. O meio do continuum representa o desenvolvimento da consciência social, a consciência que foi educada e cultivada, centrando-se em instituições, tradições e relacionamentos. No extremo superior do continuum está a consciência espiritual, onde a orientação vem de fontes inspiradas ou inspiradoras – uma bússola centrada em princípios verdadeiros.

Sabedoria. A sabedoria sugere uma perspectiva prudente da vida, um senso de equilíbrio, uma compreensão aguçada de como as várias partes e princípios se aplicam e se relacionam entre si. Engloba julgamento, discernimento, compreensão. Trata-se de uma unidade, uma totalidade integrada. No extremo inferior do continuum da sabedoria encontram-se mapas imprecisos que levam as pessoas a basear seus pensamentos em princípios distorcidos, discordantes. O extremo superior representa uma bússola exata e completa da vida, em que todas as partes e princípios estão relacionados propriamente entre si. Conforme nos movemos em direção ao extremo superior, temos um senso crescente do ideal (as coisas como elas deveriam ser), assim como uma abordagem sensível e prática da realidade (as coisas como elas são). A sabedoria também inclui a habilidade de discernir a pura alegria do prazer temporário.
Poder. O poder é a capacidade de agir, a força e coragem para conseguir algo. É a energia vital para fazer escolhas e tomar decisões. Representa também a capacidade de ultrapassar hábitos profundamente incrustados e cultivar hábitos mais elevados e eficazes. No extremo inferior do continuum do poder, encontramos pessoas essencialmente sem poder, inseguras, produtos do que acontece ou aconteceu a elas. São dependentes das circunstâncias e dos outros. São reflexo das opiniões e do direcionamento de outras pessoas; não têm uma compreensão real do que são a alegria e a felicidade verdadeiras. No extremo superior, estão pessoas com visão e disciplina, cuja vida é um produto funcional de decisões pessoais, ao invés de condições externas. Essas pessoas fazem as coisas acontecer. São pró-ativas, escolhem suas respostas às situações com base em princípios eternos e padrões universais. Assumem responsabilidade por seus sentimentos, humor e atitudes, bem como por seus pensamentos e ações.

Esses quatro fatores – segurança, orientação, sabedoria e poder – são interdependentes. Segurança e uma orientação bem fundada trazem sabedoria verdadeira, e a sabedoria torna-se a faísca ou o catalisador para liberar e dirigir o poder dentro de nós. Quando esses quatro fatores estão em harmonia, eles criam a grande força, uma personalidade nobre, um caráter equilibrado, um indivíduo muito bem integrado.
Quando centramos nossa vida em princípios corretos, nós nos tornamos mais equilibrados, uniformes, organizados, ancorados, enraizados. Encontramos uma fundação e pedra angular de todas as nossas atividades, relacionamentos e decisões. Temos um senso de administração sobre tudo em nossa vida, incluindo tempo, talentos, dinheiro, posses, relacionamentos, nossa família e nosso corpo. Reconhecemos a necessidade de usá-los com bons propósitos e, como administradores, de sermos responsáveis pelo seu uso.

Se estamos ancorados em espelhos e modelos sociais, damos poder às circunstâncias para que elas nos guiem e nos controlem. Nós nos tornamos reativos, ao invés de pró-ativos, apenas refletindo o que nos acontece. Reagimos às condições externas e a estímulos em vez de escolhermos nossas próprias respostas e fazermos as coisas acontecer.

Devido à falta de sabedoria, nossas reações freqüentemente terão um caráter reativo, seja pelo exagero ou pela insuficiência, ao invés de constituírem-se em ações apropriadamente pró-ativas. Uma posição pró-ativa significa que nós agimos com base em nossas próprias decisões e valores, e não baseados em condições externas ou nossos humores. Nós subordinamos o humor e os sentimentos a valores e compromissos mais elevados.


Aplicações Organizacionais

Quando colocamos princípios no centro de nossa organização, percebemos que o único caminho para lidar com os funcionários é como gostaríamos que eles lidassem com os nossos clientes. Vemos a concorrência como fonte de aprendizagem, como amigos que podem nos manter perspicaz e ensinar quais são nossas fraquezas. Nossa identidade não é ameaçada por eles ou por condições e competências externas, porque temos uma âncora e uma bússola. Mesmo num mar com mudanças turbulentas, conseguimos manter a perspectiva e o julgamento. E o nosso fortalecimento vem sempre de dentro.
Um centro assegura, orienta, dá poder. Como o centro de uma roda, ele unifica, integra. É o núcleo das missões pessoais e constituições organizacionais. É a fundação da cultura. Ele alinha valores, estruturas e sistemas compartilhados.

Centros organizacionais alternados (lucro, fornecedor, funcionário, proprietário, cliente, programa, normas, concorrência, imagem e tecnologia) são falhos quando comparados a um paradigma centrado em princípios. Pessoas e empresas centradas em princípios desfrutam de um maior grau de segurança, orientação, sabedoria e poder.
Quando a nossa segurança ou imagem vem de comparações externas ou de opiniões alheias, tendemos a ver a vida e os negócios como uma situação em que todo ganho necessariamente corresponde a uma perda da outra parte; a ser ameaçados pelo sucesso e reconhecimento dos outros e a nos deleitar secretamente com seus infortúnios. Se focarmos nossa vida emocional nas fraquezas dos outros, nós estaremos, na verdade, contribuindo para que essas fraquezas nos controlem. O desafio é ser a luz, não um juiz; ser um modelo, não um crítico.


Princípios Diretivos

A liderança centrada em princípios é praticada de dentro para fora nos quatro níveis. Cada nível é "necessário, mas não suficiente", ou seja, precisamos trabalhar cada um dos quatro níveis baseando-se em certos princípios básicos. Esses "metaprincípios" são compostos por vários outros princípios.

Confiabilidade no nível pessoal. A confiabilidade baseia-se no caráter – o que somos como pessoa – e na competência – o que conseguimos fazer. Sem competência e caráter, não seremos confiáveis nem capazes de julgar com sabedoria. Mesmo tendo caráter, sem competência não seremos confiáveis. Se não dermos continuidade ao nosso desenvolvimento profissional e não nos mantivermos atualizados com a tecnologia, perderemos alguns graus de competência com o passar do tempo. Acordaremos um dia e descobriremos que estamos obsoletos, a menos que tenhamos um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento sistemático baseado no feedback correto de outras pessoas.

Confiança no nível interpessoal. A confiabilidade é o alicerce da confiança. A confiança é a conta bancária emocional que produz o poder para acordos de desempenho ganha-ganha.

Se duas pessoas confiam uma na outra, baseadas na confiabilidade de cada uma, elas podem aproveitar os frutos dessa confiança: comunicação mais clara, maior empatia, sinergia e interdependência produtiva. Se uma delas for incompetente, treinamento e desenvolvimento podem ajudar. Mas, e se for uma questão de caráter? A pessoa pode precisar de uma chance para decidir quais são seus valores e viver de acordo com eles. Se ela aprender a fazer e manter promessas, elevará seu caráter, aumentará sua segurança interna, aprimorará suas habilidades e construirá relacionamentos de confiança.

Fortalecimento (Empowerment) no nível administrativo. Se temos pouca ou nenhuma confiança, como administramos outras pessoas? Se achamos que falta caráter ou competência ao nosso pessoal, como os administramos? Precisamos controlá-los. Quando não temos confiança, precisamos controlar as pessoas, "ficar no pé delas".
Agora, como administramos as pessoas quando temos uma confiança elevada nelas? Nós não as supervisionamos – elas se supervisionam. Passamos a ser mais uma fonte de ajuda do que de julgamento. Estabelecemos um acordo de desempenho. Definimos claramente o que é esperado e responsabilizamos as pessoas. Sobrepomos as necessidades da organização às necessidades delas. E se houver confiança, as pessoas supervisionarão e julgarão a si mesmas de maneira justa, porque o conhecimento que possuem de seu desempenho transcende qualquer sistema de mensuração. Quando temos uma cultura de baixa confiança, precisamos usar métodos de mensuração porque as pessoas dirão o que acham que nós queremos ouvir ou o que elas querem que saibamos.

Alinhamento no nível organizacional. Numa cultura de baixa confiança, como são as organizações? Muito hierárquicas. Qual é o estilo de administração? Controle. Qual é a extensão do controle? Muito pequeno, pois só podemos controlar um determinado número de pessoas. Qual é o método para delegar tarefas? "Faça isso, faça aquilo". Acabamos prescrevendo métodos em vez de resultados conforme diretrizes. Ficamos muito voltados para o gerenciamento de métodos e sem o fortalecimento necessário (empowerment). Que tipo de informação obtemos? Informações rápidas sobre resultados para que possamos prosseguir com ações decisivas e corretivas. Qual é o sistema de motivação? A cenoura pendurada na vara. Tais sistemas primitivos podem nos permitir sobreviver, pelo menos até que nossos concorrentes tenham um maior grau de alinhamento baseado numa cultura de confiança na equipe. Depois disso, não há como competir.

Quando há confiança elevada, como é a nossa organização? Plana, extremamente flexível. Qual é a extensão do controle? Extremamente larga. Por que? Porque as pessoas supervisionam a si mesmas. Nossos funcionários realizam o trabalho animadamente sem que precisemos lembrá-los, porque construímos uma conta bancária emocional com cada um deles. Há comprometimento e fortalecimento (empowerment), pois todos compartilham a mesma visão, a mesma missão e a mesma crença em certos princípios fundamentais. E todos estão constantemente se esforçando para alinhar estratégia, estilo, estrutura e sistemas com a missão e as realidades do ambiente (as correntes).
Em resumo, líderes centrados em princípios devem trabalhar nos quatro níveis de dentro para fora e com base nos quatro metaprincípios.

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