IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 30/8/2008
 

A Necessidade da Conversão (Stalney Jones)

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Dividimos a humanidade em muitas classes: brancos e de cor, ricos e pobres, educados e não educados, americanos e não-americanos, orientais e ocidentais. A juventude japonesa atual divide as pessoas em "molhadas" e "enxutas". As "molhadas" são aquelas que observam os costumes e a moralidade e as "enxutas" são as que se comportam como querem. Mas Jesus traçou uma linha através de todas estas distinções e dividiu a humanidade apenas em duas classes: os não convertidos, e os convertidos, os que nasceram uma vez e os que nasceram duas vezes. Todos os homens vivem num ou no outro lado dessa linha. Nenhuma outra divisão tem importância; esta é uma divisão que divide; é uma divisão que vai através do tempo e da eternidade.

"Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus. (Jo 3.3). "Se não vos converterdes e não vos tornardes como criancinhas, de modo algum entrareis no Reino do Céu." (Mt 18.3).

Que queria Jesus dizer por "nascer de novo" e “converter-se”? Ele, certamente, queria dizer alguma coisa muitíssimo importante, pois, o tê-la ou não tê-la divide os homens, todos os homens, no tempo e na eternidade. Faremos num outro capítulo uma exposição sobre a conversão e o novo nascimento. Antes de prosseguirmos precisamos desfazer uma confusão que existe em muitas mentes entre proselitismo e conversão. Eles são a mesma coisa para muitas pessoas, mas, no pensamento de Jesus, não se pode ir além disto: Ele rejeitou um e insistiu sobre a outra. Ele disse aos líderes religiosos daquele tempo "Rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós". Ele rejeitou esse esforço por conseguir números que apenas se somavam ao seu egoísmo coletivo - um processo essencialmente irreligioso. Pois o proselitismo é o mudar-se de um grupo para outro sem qualquer mudança necessária de caráter e de vida. É uma mudança de rótulo e não de vida. A conversão, do outro lado, é mudança de caráter e de vida seguida por outra mudança exterior de fidelidade correspondente à transformação interior. Um hindu me disse um dia: "Eu me batizarei se o senhor me der 20 mil rupees e um bom emprego". Então lhe respondi: "Meu irmão se o senhor me colocasse 20 mil rupees nos pés e me dissesse: batize-me, por favor, eu o recusaria; mesmo o senhor!". Proselitismo e conversão são pólos opostos, e o confundi-las é degradar a conversão - a coisa mais preciosa que a vida mantém. É o mesmo que confundirmos o amor com a lascívia, a beleza com a feiúra, a vida com a morte.

Além disso, o confundirmos o se ser convertido com o estar dentro da Igreja e o não ser convertido com o estar fora da Igreja é cairmos no mesmo erro fatal. Pois Jesus frisou esta necessidade de nascer de novo a Nicodemos, um altamente respeitável "professor de religião de Israel". Por que disse Ele isto tão diretamente: "Necessário vos é nascer de novo"? A razão era obviamente que Ele viu Nicodemos vir sorrateiramente, à noite, olhando deste e daquele lado, com medo de que as pessoas espalhassem que ele havia vindo ver este jovem perturbador do "status quo". Nicodemos tinha como centro o povo ao invés de Deus. Alguns estão centralizados em si mesmos, alguns no povo e alguns em Deus. Nicodemos pertencia a uma combinação dos dois primeiros e não ao último. De modo que Jesus teve de colocá-lo, com gentileza, no lado daqueles que não vêem o Reino de Deus.

Mas foi essa uma divisão arbitrária imposta sobre a vida, imposta por um Fanático Gentil? Ou não impôs Jesus alguma coisa sobre a vida, mas expôs alguma coisa que está fora da vida? Diz a vida também: "Necessário vos é nascer de novo" e "se não vos converterdes não podereis entrar no Reino de Deus?”. Está a vida pronunciando o mesmo veredito que Jesus pronunciou há dois mil anos? E com uma insistência e um a pelo crescente?”. Vá você escutar o que é revelado nos consultórios médicos onde os desmantelados estão transferindo as doenças de suas mentes e de suas almas para os seus corpos; ao que os pacientes estão dizendo aos psiquiatras aos lhes revelarem a sua confusão mental, emocional e espiritual; ao que jaz atrás da fachada de respeitabilidade nos lares onde os conflitos maritais levam os cônjuges a gangorra à beira da exaustão e da separação; ao que os patrões e os empregados estão dizendo à medida que as suas relações pioram até atingirem a hostilidade e o conflito aberto; ao que pais e filhos dizem quando os pais não-convertidos ficam irritados até o descontrole ao verem os filhos praticarem os pecados que eles mesmos praticam; ao que os representantes de nações, centralizados em si mesmos e egoístas, estão dizendo inconscientemente à medida que tropeçam de fracasso em fracasso procurando acordos - acordos esses que afetam o destino de todos nós; ao que estão dizendo silenciosamente muitos que estão com o coração cheio de uma caceteação aterrorizante produzida por uma vida vazia; ao que a consciência está dizendo, à medida que é roída dia e noite por um senso de separação através da culpa. Escute a vida como é realmente. E você ouvirá num crescendo: "Necessário vos é nascer de novo. . . Se não vos converterdes não podeis viver agora nem depois".

A vida como um todo é um comentário daquilo que acabo de dizer. Precisamos chamar o rol das testemunhas do fato de que a vida fracassa sem a conversão?

Eis o que H. G. Wells escreveu um pouco antes da morte: "Está existindo uma terrível esquisitice sombria. Até agora os eventos têm sido sustentados por uma certa consistência lógica, assim como os corpos celestes têm sido mantidos pela corda áurea da gravitação. Agora as coisas estão como se aquela corda se tivesse desvanecido e tudo seja dirigido de qualquer maneira e para qualquer direção numa velocidade firme e crescente. O escritor está convencido de que não há saída fora, ao redor ou através do impasse. É o fim".

Aí estava uma grande mente sem uma conversão interior sustentadora, colocada contra o muro branco da futilidade: “É o fim”. Mas esse fim; através da conversão, podia tornar-se num começo, como tem acontecido a muitos, a todos quantos o tem tentado.

Um dos maiores estadistas do nosso tempo me disse: "Estou cheio". O seu patriotismo e a sua devoção, sem a conversão, haviam percorrido o seu curso e não eram suficientes para sustentá-la. Um outro grande estadista me disse recentemente: "Alcançamos o fundo". A vida sem a conversão não possui esperança sustentadora. Um outro, de missão elevada, disse: "A minha religião e a minha filosofia me desapontaram. De maneira que odeio o meu trabalho e a vida". A sua "religião" e a sua "filosofia" não lhe proporcionaram a conversão e assim o desapontaram.

Um governante japonês me apresentou com estas palavras: "Sou um homem aqui, nesta noite, sem fé. Eu gostaria de ter fé. Tenho inveja daqueles que dentre vós têm fé. Mas sou uma ovelha perdida. Vim aqui, nesta noite, para ganhar fé, se possível, através do pregador. E espero que vós a recebais também". E ele era um dos oficiais de um templo budista.

Um médico japonês me disse que a tuberculose havia sido classificada como sendo o matador número UM no Japão vencendo as doenças do coração e a alta pressão arterial. Quando lhe perguntei qual era a causa, ele respondeu: "Intranqüilidade espiritual". No final da guerra, a filosofia de um grande povo havia entrado em colapso - não era um povo divino com um imperador divino que governava por destino divino. Essa concepção de vida se desmoronou em sangue e ruína e deixou um vácuo. Desse modo, esse senso de vácuo tem elevado a pressão arterial de uma nação toda.

Carl Jung, o grande psiquiatra, disse: "A neurose central do nosso tempo é o vazio". A natureza humana simplesmente não suporta o vazio e a falta de sentido. Ela se torna saltitante, amedrontada e se desmorona.

O que é trágico é que esse senso de falta de significado tem se tornado a característica do nosso clima atual. O professor W. T. Stace, da Universidade de Princeton, disse: "A essência da mente moderna é que o universo não tem sentido e objetivo". A mente moderna nos tem dado conhecimento e utilidades - e o vazio!

Um estudante de uma das nossas grandes universidades disse a Sam Shoemaker: "Não sei o que há comigo, mas me sinto perdido". O doutor Shoemaker citou a um certo número dos seus contemporâneos, e nove em 10 responderam: "Sou eu".

Esse senso de se estar perdido tem produzido um senso de cinismo e uma falta de fé em tudo e em todos. Um moço perguntou a um professor de história: "Qual é a sua profissão?”. O professor lhe respondeu que era professor de história, e então, lhe perguntou se ele não estava interessado em história, ao que o moço replicou: "Não, quero deixar que as coisas passadas fiquem no passado". Ele não estava interessado em coisa alguma, pois nada lhe dava um sentido básico e um alvo para a vida. Ele precisava de conversão.

Leigh Hunt, falando das semanas finais de Napoleão quando escapou de Elba e foi vencido em Waterloo, disse: "Nenhum grande princípio ficou com ele". Isso está no fundo do senso de pedra na alma do homem moderno. Nenhum grande princípio o ajuda. Ele sente-se órfão, separado, a sós - terrivelmente a sós. Tem-se definido um ateu como sendo "um homem que não tem meios invisíveis de sustentação". Mas muitos que não gostariam de ser chamados de ateus têm esse mesmo senso de falta de sustentação invisível. Afundam-se sob a pressão das circunstâncias, pois não possuem meios de sustento invisíveis.

Vi um homem andar por uma estação férrea, no Japão, curvado sob o peso de um enorme cartaz às costas, no qual se liam estas palavras: "O Universo". Um indivíduo curvado sob o peso do universo! Isso descreve graficamente o que aconteceu ao indivíduo. Através de livros, de jornais, do rádio e da televisão, o "universo" e os seus problemas são colocados diariamente as costas de indivíduos que ficam inquietos devido ao peso. Eles têm, além disso, de suportar o fardo existente dentro do seu coração. Não é de se estranhar que, sem uma conversão sustentadora, muitos se desmoronem sob esse peso.

Na Índia, um homem falou no Rotary, durante uma hora, sobre o "Nada". Pois este Nada (sunyavadi) tornou-se uma filosofia. Nada tendo para sustentá-las, capitalizaram o nada e se refugiam no mesmo. De maneira que o vazio se refugia no vazio, mas você não pode mudar o vazio em plenitude simplesmente capitalizando-o. O vazio tem de transformar-se em plenitude pela conversão. Um cristão hindu disse de certo homem: "Ele está sofrendo do nada". Muitos estão.

Um filho brilhante de um pastor, que trabalhava numa grande firma, disse a seu pai: "Estou lutando para ser ateu, mas tenho sido provado por isso!” Ele e a sua esposa estão gastando, cada um, 40 dólares por semana, com o mesmo psiquiatra. A conversão tiraria os seus pés dessa areia movediça da preocupação e os enviaria pela vida regozijando-se porque seriam libertos.

Uma irmã contou a respeito do seu irmão que não ia à Igreja e que havia dito que não precisava de dinheiro, mas que trabalhava apenas para fugir de si mesmo, e que a sua esposa havia dito que o fazia para evitar de cometer suicídio. A conversão lhes daria novamente sentido, valor e alvo à vida. Sem ela eles andam confundidos.

O senhor Thomaz Salt, inventor da Alpaca e fundador de Saltaire, ouviu um pregador dizer que vira uma taturana arrastar-se por uma vara pintada acima em busca de um broto cheio de caldo apenas para voltar atrás pelo mesmo caminho. Há os caniços pintados do prazer, da riqueza, do poder e da fama. Os homens sobem por eles apenas para terem de voltar atrás. No dia seguinte o Barão visitou o pregador e lhe disse: "Eu tenho estado subindo naquelas varas pintadas. Sou um homem cansado. Há descanso para um milionário cansado?". Ele encontrou descanso e libertação através das palavras de Jesus: "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).

Um ateu hindu me disse que ele era como um aparelho receptor de rádio quebrado procurando captar a extensão da onda. Um interessado entrou ao ter eu terminado a minha palestra com este homem, e, então lhe pedi que servisse de intérprete para o que eu ia dizer ao interessado que falava uma língua que eu não conhecia. Ele acedeu alegremente. Um ateu interpretando a mensagem cristã para um interessado! Ele o fez entusiasticamente, enfatizando as minhas idéias. Pela primeira vez na sua vida, entrou em contato com alguma coisa positiva, esperançosa e construtiva. Ele estava apenas transmitindo, mas o sentimento que, ele teve do que transmitia foi bom. O descobrimento disso seria aquilo de que ele estava realmente querendo, no meio de todo o seu ateísmo.

Que diremos daqueles que se refugiam em narcóticos? É uma tentativa para escapar-se da futilidade.

Conversei com um alcoólatra e senti que ele estava concordando comigo em tudo; de maneira que lhe sugeri que nos ajoelhássemos pensando que ele depositaria alegremente a sua vida perturbada aos pés de Cristo. Mas ele recusou, ficou sentado ereto e disse com os dentes cerrados: "Serei um remendado se o fizer". De modo que orei sem ele. Mas fui interrompido por um barulho e abri os olhos e o vi entrar sorrateiramente no banheiro para tomar um trago que o sustentasse na prova de resistir à salvação. Ele havia sempre voltado ao álcool como um meio de saída, e nas grandes crises da sua vida, volta-se para o mesmo novamente. Ele queria um refúgio para esconder-se da salvação! Mais tarde, no seu leito de morte, ele voltou-se de maneira franca para Deus, submetendo a sua vida arruinada para salvar a sua alma arruinada. E o amor que o havia seguido durante todos os anos abraçou-o e permitiu regozijo no céu. A conversão teria salvado a sua vida tanto quanto a sua alma.

Estavam numa cidade dois letreiros lado a lado: "Vá à Igreja. Ache força para a sua vida". Ao seu lado estava este: "Onde há vida, há cerveja Budwelzer". Esses dois letreiros representam duas maneiras de considerarmos a vida. Uma vai do interior para o exterior; a outra do exterior para o interior. Uma se apóia na salvação interna da culpa, dos temores e dos conflitos; a outra se apóia nos estimulantes externos - refrigerantes que o desapontam. O aumento no consumo de narcóticos e de calmantes é o sintoma exterior de uma necessidade profunda de conversão. É o substituto pagão da conversão, com resultados patéticos.

Quando nos voltamos para os filósofos, para os psiquiatras, para os escritores e novelistas, ouvimos o mesmo senso de não haverem alcançado aquilo que é adequado, freqüentemente alcançando o desespero.

O doutor William E. Hocking, filósofo da universidade de Harvard, disse na Conferência de Jerusalém, que o homem se eleva até certo ponto e, então, descobre que não possui os recursos para completar-se a si mesmo. Ele precisa completar-se com alguma coisa de fora, alguma coisa além de si mesmo. Fiquei com a respiração suspensa para ver se ele diria a palavra, mas não o fez. No encerramento eu lhe: disse: "Doutor Hocking, por que não disse o senhor a palavra?". "Que palavra?", perguntou ele. Respondi-lhe: "Quando o senhor disse que o homem não tem recursos suficientes para completar a si mesmo, e que precisa fazê-lo com alguma coisa que está fora de si, por que não disse o senhor: "A conversão, o novo nascimento, o nascimento de cima?". Ele respondeu, de maneira pensativa, que era um filósofo, que não podia dizer a palavra e que eu era um missionário e evangelista e podia dizê-la. Mas eu lhe respondi que não estava querendo que ele transferisse para mim a responsabilidade de fazê-la mas, que, se ele a reconhecia, devia dizê-la. A filosofia diz a palavra, quer por silêncio implicador, quer por um revelador e aponta para a necessidade da conversão, de se ser nascido de cima.

Escute esta palavra desesperadora de um filósofo oriental: "Uma tartaruga cega e uma canga estão flutuando num vasto oceano, a tartaruga tem tanta possibilidade de colocar a sua cabeça naquela canga como você tem de nascer de novo como um homem ou como um animal". Bertrand Russel, filósofo ocidental, pensa do mesmo modo quando sugere "um desespero constante" como remédio.

Os homens aceitam o que dizem estes filósofos do desespero porque isso representa o seu modo de vida. "Quem, então, fala de maneira a mais poderosa aos homens desta geração e por eles? Aqueles poetas, artistas e filósofos que pregam o desespero e cantam Aqueles poetas, artistas e filósofos que pregam o desespero e cantam um encontro frio, desértico, com o silêncio, a futilidade e o não-ser". (1)

Estes escritores podem dizer:
Nas minhas narinas há o odor
Da Morte e da Dissolução;

Mas somente a fé cristã com a sua crença na conversão pode terminar dizendo:
Mas há também a fragrância
De uma eterna Primavera. (2)

Quando nos voltamos para a psiquiatria pagã, encontramos esse mesmo senso de futilidade final – o homem não tem recursos para completar-se a si mesmo. Ao estabelecer um centro de Psiquiatria Cristã, o Centro de Psiquiatria Nunnanzil, em Lucknow, na Índia, definimos a relação entre a Psiquiatria e o Cristianismo, nestes termos: "A Psiquiatria levada a efeito sob os auspícios cristãos e com o motivo e o espírito cristãos tem como seu objetivo ajudar os pacientes a se tornarem mental e emocionalmente livres suficientemente para se submeterem, de modo inteligente, a Deus, e providenciar técnicas para a nova vida". O fim de todo o processo é tirar o paciente das suas próprias mãos e colocá-la nas de Deus, pois, a causa básica do seu desajuste mental e emocional é a preocupação centralizada no eu. A Psiquiatria pagã não tem meios para conseguir essa libertação, pois ela não possui o propósito nem o método da rendição a Deus. Espera-se que o paciente se cure por um conhecimento próprio, o que é uma falácia. Se o conhecimento próprio não o leva a render-se a Deus, então o leva a girar em torno de si mesmo, o que é a própria doença, esteja cheia de conhecimento quanto possa estar. Freud, o sumo sacerdote da Psiquiatria pagã, disse: "A verdade religiosa pode ser abandonada, segundo o nosso ponto de vista. Poderes obscuros, fora do sentimento e do amor determinam o destino humano". Suspeito de uma premissa que me leva à conclusão de que "poderes obscuros e fora do sentimento e do amor determinam o destino humano", pois se eu crer nisso, então isso corta o nervo da minha fé na possibilidade de a natureza humana ser transformada. Lança-se fora a conversão, e feito isto, nada mais há a fazer senão mergulhar-se na fatalidade das forças sem sentimento e sem amor residentes no subconsciente.
Um psiquiatra chamou um ministro amigo meu e lhe perguntou: "Pode o senhor ajudar-me? Estes pacientes dependuraram-se no meu cinto como se eu fosse Deus. Chamam-me às duas, três ou quatro horas da madrugada para conversar comigo. Isso está me fazendo ficar nervoso. Não posso suportá-lo". O ministro sugeriu-lhe o livro "O Caminho". O psiquiatra leu sete páginas e converteu-se, ficando gloriosamente convertido. Contou ao pastor que cobrava 50 dólares por hora de tratamento e que quando os pacientes estavam prontos, a terem alta, ele arranjava um outro motivo e lhes cobrava 50 dólares por hora! Depois da sua conversão, ele baixou o preço para oito dólares a hora e ainda não cobrava de muitos. Ele ficou tremendamente entusiasmado com o Cristianismo. Uma nova possibilidade abriu-se diante dele e dos seus pacientes - a conversão. O fatalismo de se estar nas garras de poderes sem sentimento e sem amor quebrou-se; quebrou-se pela conversão, uma conversão que o levou ao contato salvador com o poder da luz, do amor e da vida. Não é de se admirar que um grande psicologista tenha dito a Bryan Green: "Eu preciso de uma experiência religiosa porque os meus clientes necessitam dela, e eu não a posso dar-lhes a menos que eu a possua". Um outro psicologista disse que sempre enviava os seus clientes à Igreja porque lá se prega o perdão de pecados. Um psiquiatra que tratava dos desmantelados de Hollywood, a altos preços, disse que o que aqueles seus clientes precisavam era de se assentarem no banco dos arrependidos.

Estas palavras importantes do doutor Henry Sloane Coffin resumem a tendência: "A psicologia corrente soma-se a estes álibis morais. Os homens e as mulheres são analisados e encontram a emancipação no banir os nomes feios que a religião vigorosa dá aos pecados, onde estes são batizados com rótulos sem nenhuma sugestão de culpa. São mais mal-ajustados ou introvertidos do que desonestos ou egoístas. Um pai de meia idade cansa-se de sua esposa e se envolve com uma jovem com a metade da sua idade, e um psicologista lhe diz que ele está sofrendo de "um espasmo de re-adolescência", quando lhe deviam bater no rosto com isto: "Não adulterarás".(3)

Ao nos voltarmos para os cientistas, somos surpreendidos por um sorriso de desapontamento diante da afirmação de Adam Smith nos primeiros dias da ciência moderna: "A ciência é o grande antídoto para o veneno do entusiasmo e da superstição. Quando aprendermos a fazer uso sensato da ciência, o mundo não estará cheio de guerra, de ignorância, de preconceitos, de superstição e de medo". Sorrimos especialmente diante das duas últimas palavras "de medo"! Exatamente neste momento estamos nas garras de um medo mundial produzido pela criação da bomba atômica pela ciência. Alguns dos fabricantes dessa bomba reuniram os ministros dos arredores de Chicago numa conferência de dois dias e anunciaram: "Francamente, estamos amedrontados. Podemos produzir os meios na energia atômica, mas não podemos produzir os fins para os quais tenham de ser usados. A menos que os senhores ministros possam produzir os fins morais e espirituais para os quais a energia atômica seja usada, soçobraremos". A ciência voltou-se para a religião e clamou: Salva-nos ou perecemos". E eles o fizeram com seriedade, pois, viram que a menos que uma conversão individual e coletiva - mude o objetivo da energia atômica da destruição para a construção, nós soçobraremos literalmente. A necessidade é simples e profunda - conversão!

O doutor John B. Watson, o fundador do behaviorismo americano, diz-nos que nada mais precisamos do que as leis comuns da física e da química para explicar o comportamento humano. Lembro-me de haver dito ao doutor George Carver, o grande santo e cientista negro, que um professor de química me havia dito que a vida nada mais era do que um clarão de uma chama produzida pela combustão de elementos químicos, ao que o grande químico sacudiu a cabeça e disse: "O pobre homem, o pobre homem!". Era isso mesmo! E era o suficiente. Pois qualquer que afirma que o comportamento e a vida humana podem ser explicados em termos de física e química não passa de um pobre coitado, com uma visão pobre da vida e com um poder pobre para ajudar o comportamento e a vida humana. Esse precisa de conversão, tanto do seu ponto de vista como da sua pessoa.

E a religião organizada, fala ela da necessidade da conversão? Certamente sim, e com insistência cada vez maior. Quando o relatório do Arcebispo sobre evangelismo disse que a Igreja é mais um campo do que uma força, para o evangelismo, ele disse a verdade. Eu disse acima, que provavelmente dois terços dos membros das igrejas pouco ou nada sabem a respeito da conversão como um fato pessoal e experimental. Isso não deve desencorajar-nos com referência à Igreja. Pois os hospitais existem para banir a doença, e, no entanto, estão cheios de pessoas enfermas. Apenas alguns - os médicos e os auxiliares - estão bem. As escolas existem para banir a ignorância, e, no entanto, estão cheias de estudantes ignorantes. A Igreja está aí para banir o pecado e, todavia, está cheia de pessoas pecadoras. Isso não é de se admirar e nem precisa preocupar-nos. O que nos deve preocupar é: estão as pessoas dentro da Igreja sendo convertidas? Ou estão elas, após vir para a Igreja, acomodando-se a uma meia conversão, vivendo à meia luz, ou pior do que isso, completamente vazias sob o respeitável abrigo da Igreja? O rigoroso teste da validez de uma igreja cristã é se ela pode não só conseguir a conversão de pessoas de fora, mas, também, levar as de dentro a se converterem. Quando ela não pode fazer ambas essas coisas, ela está fora do caminho certo.

Muitos daqueles que estão dentro das igrejas têm os seus motivos e a sua conduta determinados por outras fontes que não as cristãs. Carl Jung diz que os seus motivos, interesses e impulsos decisivos não vêm da esfera do Cristianismo, mas da alma inconsciente e não desenvolvida, a qual é tão pagã e arcaica quanto o foi sempre. Jung diz aqui que o comportamento de uma pessoa descrita é determinado pelo subconsciente e não pelas fontes cristãs.

Um ministro de estado Britânico comentou com um amigo que não podia dizer que o ser ele cristão afetasse seriamente as decisões que tomava, o modo pelo que as tomava ou as suas relações com os outros.
Que podemos: esperar dos leigos se os ministros também necessitam de conversão? Um formando de um seminário teológico perguntou-me: "Que quer o senhor dizer por ser nascido de novo?”. Ele não o havia encontrado no seminário. Um estudante recém-formado no seminário me perguntou sobre que queria eu dizer por submissão, e disse que jamais ouvira essa palavra no seminário. O prefácio de um livro sobre conselhos pastorais contém estas palavras: "Ninguém pense que se converterá através da leitura deste livro". Quando deixei o livro, pensei comigo mesmo: "Não há perigo de que alguém se converta através da leitura desse livro. Essa pessoa jamais se aproxima disso". A palavra submissão não foi usada no livro, nem sugerida. Os conselhos giravam em torno de elementos marginais, deixando a essência do eu sem ser tocada e, daí, não convertida.

Um católico polonês estava fazendo a corte a uma jovem americana. Enquanto assistia ao culto numa igreja evangélica, ele levantou-se do lado da moça e foi ao altar. A moça disse consigo mesma: "Aqui estou orando em favor do meu futuro marido católico romano, ele vai à frente, enquanto eu, metodista não convertida, não vou". Ela foi à frente e ambos foram convertidos. Chamaram o pastor metodista para dar-lhe as boas novas. Ele foi frio: "Vocês vencerão isso. Isso acontece freqüentemente". Os dois jovens não conseguiram o que queriam naquela igreja, então foram para outra.

Uma senhora perguntou a um ministro qual era o significado da cruz, ao que ele lhe respondeu que não conhecia outro meio melhor de se adornar o topo de um templo.

Uma senhora resumiu-o nestas palavras: "Você não pode falar daquilo que não conhece mais do que voltar de um lugar em que nunca esteve".

Ministros não convertidos ou meio convertidos no púlpito produzem pessoas não convertidas ou meio convertidas nos bancos. Alguém definiu humoristicamente um metodista como sendo uma pessoa com religião suficiente para fazê-la sentir-se mal num bar, mas que não a tem suficiente para fazê-la sentir-se à vontade numa reunião de oração. Se qualquer um de outras denominações, ao ler isso, estiver para lançar a primeira pedra ao metodista, ser-lhe-á bom que se olhe no espelho primeiramente!

Sam Shoemaker diz enfaticamente que "muitos não são convertidos, mas que se tornaram um pouco civilizados por sua religião".

Peguei o meu vidro de "Viet", meus tabletes de vitamina de verduras. O rótulo do vidro saiu na minha mão, deixando o vidro. Enquanto estava ali com o rótulo na mão, li os vários itens do conteúdo da vitamina. Eu poderia ficar carente de vitaminas lendo o conteúdo sem tomar os tabletes. Muitos ficam com a lista do conteúdo da religião: as suas doutrinas, as suas crenças, mas não tomam a coisa em si - Cristo, o Redentor e Salvador - para convertê-las e salvá-las. Morrem de fome lendo o menu!

Muitos se esquecem dos panelas-quentes que se esquecem de que o maior perigo são os panelas-frias que são em muito maior número do que os primeiros, estando na proporção de 100 para um. Estes membros da Igreja de religião exterior e não de religião interior necessitam supremamente de uma coisa, e somente de uma coisa - conversão. Quando um bispo anunciou um Dia de Silêncio para os clérigos, um deles lhe escreveu dizendo: "O que a minha paróquia precisa não é de um Dia de Silêncio, mas de um terremoto". Agostinho descreve os cristãos não convertidos como sendo "cristãos gelo". Eles necessitam do brilho quente do poder convertedor do Espírito para degelá-las. Um crente desse tipo orou numa reunião de oração assim: "Ó Deus, se qualquer centelha da graça divina foi acesa nesta reunião, atire água sobre ela". Muitas pessoas têm a ocupação de jogar água nas centelhas! Para mudarmos a figura, muitos pertencem à "frota dos cristãos naftalina - cristãos imobilizados" .

Escute a estas afirmações, feitas não por pessoas de fora, mas por aqueles que estão dentro da Igreja, ditas nos nossos Ashrams, na "Manhã do coração aberto": No Ashram de Sapporo, no Japão: "A Igreja não está tocando nas nossas feridas, não há confissão. Penso que levarei a igreja a confessar - a nos abrirmos na presença de Deus".

No Ashram de Sendai, no Japão: "Arrependi-me da minha atitude fria para com a minha família e, na noite passada, tudo se esclareceu. Eu queria ser o patrão dos meus familiares e não tinha amor para com eles".

Um comerciante de ferragens, no Ashram de Sendai, Japão: "Sou cristão há 30 anos, mas vejo que não sou honesto no pagamento do imposto de renda. Tenho de reparar isto. Não quero ficar assustado quando o telefone da recebedoria de imposto me chamar".

No mesmo Ashram: "Tenho muitos defeitos para ser um bom pastor. Quando as pessoas erram, devo sentir mais profundamente. Sou frio para com aqueles que fracassam na vida cristã. Ao invés de um sentimento centralizado no eu, quero ter boa vontade para com todos. Minha pregação tem sido aquela em que a palavra se torna palavra ao invés de a palavra se torna carne. Ainda nesse Ashram: "Estou cansado. Alguém me deu um gravador, de maneira que pude escutar os meus próprios sermões. Fiquei surpreendido. A linguagem, o pensamento, tudo era vergonhoso. Preciso começar de novo”.

No Ashram de Hiroshima, Japão: "Preciso de tudo; preciso ser refeito. Necessito de um coração que confie nos membros da igreja. Não confio nas pessoas e nada digo porque não tenho fé". No mesmo Ashram: "Estou conseguindo interessados, mas não sei o que fazer com eles. Submissão é a minha necessidade mais profunda".

No Ashram de Fukuoka, Japão: "Estou no ministério há 40 anos e nada aconteceu. Estou com medo. O senso de medo sempre me aborreceu e, também, um complexo de inferioridade. Eu pensava que me havia submetido totalmente, mas aparentemente não havia". No mesmo Ashram: "Quero banir o ressentimento e a luta do meu coração. Quero que a minha igreja deixe de ser uma igreja centralizada no ministro para ser uma igreja centralizada em Cristo".
No Ashram de Amagisanso, Japão: "Quero libertar-me de mim mesmo e ficar cheio do Espírito Santo. Fui salvo de uma moléstia, mas o temor da mesma está no subconsciente e me impede de servir a Cristo". No mesmo Ashram: "Quando ouvi o irmão Stanley não sabia porque ele falava tão depressa. Por que estava ele entusiasmado? Pensei que devia tentar falar depressa, visto que esse era o segredo do seu poder. Mas quando falei a minha fala não tocou às pessoas. Eu queria transformar o mundo, mas eu não podia transformar um grupo de 12 pessoas. Pensei em deixar bigode e tornar os cabelos grisalhos - isso me ajudaria. Agora vejo que é do Espírito Santo que eu preciso".

No Ashram de Osaka, Japão: "Tenho uma idéia destrutiva a respeito de tudo. Disseram-me que eu precisava de misticismo. Mas o conhecimento torna as pessoas orgulhosas, o amor torna-as humildes. O meu negativismo fez-me desentender-me com o meu irmão. O meu orgulho é um muro entre Deus e eu. Sinto o vazio que sou". No mesmo Ashram: "Faz cerca de um ano que comecei a vir à igreja. Compreendo que sou arrogante e orgulhoso e tenho causado muitos problemas aos membros da igreja. Quero libertar-me dos velhos hábitos. Quero nascer de novo neste Ashram".

Ainda nesse Ashram: "Nós, os luteranos, estamos sempre dizendo que temos as melhores doutrinas, mas o nosso evangelismo não está marchando. A nossa Igreja Luterana precisa de uma outra Reforma. Em nossas igrejas temos muitas pessoas procurando, mas não as levamos à conversão".

Disse um dos melhores homens do púlpito americano: "Fui ao altar duas vezes porque eu estava pregando um evangelho insípido. E aqui vem este visitante e prega o evangelho com tanto refrigério e poder que as pessoas tiram o chapéu e ficam em seus lugares".

No Ashram de Keuka, em Nova York, uma pessoa disse lá do seu banco: "Resolvi deliberadamente tornar-me pessoa superficial; acho-o mais fácil. Mas isso fere a minha fé e me fere". Foi dito de uma membro da igreja: "Ela crê um pouco em tudo. E nada em qualquer coisa". Na votação na Índia, com 200 milhões de eleitores potenciais, sendo muitos deles analfabetos, venceram a dificuldade, colocando as urnas de cada partido em fila, contendo o símbolo do partido. Um homem rasgou a sua cédula em pequenos pedaços e colocou um em cada uma das 10 urnas - votou "em todos - e em nenhum! O doutor Samuel Johnson, disse, certa vez, com vigor: "Um homem pode ser tanto de tudo que nada seja a respeito de qualquer coisa". Muitas pessoas são de mente tão aberta que ela se torna uma peneira; não pode manter uma convicção.

E aqueles que já foram convertidos, mas cuja conversão se desvaneceu? Um homem disse numa reunião de testemunhos: "Converti-me há vinte anos e o meu cálice ficou cheio e desde então nem uma gota entrou e nem uma gota saiu". Então alguém acrescentou: "Nesse caso, tenho certeza de que está cheio de larvas". Muitos necessitam de um renascimento, como princípio geral, aos quarenta. Hazlitt escreveu a respeito de Colerigde, na sua meia idade: "Tudo que ele tinha feito de importância, ele o fez há 20 anos; daí em diante, pode-se dizer, que ele viveu ao som da sua própria voz". Muitos estão vivendo espiritualmente ao som da sua própria voz - ecos do passado ao invés de uma" experiência do presente. Harnack, o grande historiador da Igreja, traçando esta evaporação interior, diz: "O entusiasmo original evapora-se e a religião das leis e das formas surge". Disse um alto dignitário da Igreja que "não se importava com o que acontecesse no mundo exterior e assim podia dizer a missa todas as manhãs", Uma missa mas não uma mensagem!

Que diremos da absorção dos deveres triviais da igreja em lugar deste contágio divino? Foi dito de um homem que quanto mais ele perdia o caminho mais ele acelerava o passo. Os negócios tomam o lugar da bênção. Sentei-me ao lado de uma colina, na hora devocional, e observei um cachorro abanando a cauda com entusiasmo e com a cabeça entre os arbustos. Eu esperava que ele saltasse sobre um coelho a qualquer momento; mas ele estava perseguindo apenas grilos. Todo aquele tempo e energia por causa de grilos! Muitas das atividades da igreja podem ser classificadas como atenção a grilos. Estamos atarefados por nada!

Uma grande parte da obra missionária fica por ser feita porque o missionário está absorvido no missionário e nos seus problemas. Perguntei a uma missionária que estava para ser enviada de volta ao lar: Que pensa você ser a base do seu problema?" Ela respondeu-me: "Estou sentada sobre um barril de pólvora". Quando lhe perguntei qual era o barril de pólvora, ela respondeu:

"Eu mesma. Sou duas pessoas: uma pessoa que não queria vir ao campo missionário e a outra que tinha medo de se perder se não viesse". Eu lhe respondi: "Você não pode ser nenhuma dessas pessoas, pois ambas estão insatisfeitas. Você precisa se decidir a ser uma nova pessoa, diferente daquelas - precisa ser convertida". Ela concordou em que essa era a única saída. Essa é a única saída para todos, tanto no oriente como no ocidente. Não é de se admirar que um médico dinamarquês, trabalhando num campo missionário na África, me tenha dito que 99% dos missionários que voltam para casa o façam por causa de doenças emocionais e mentais. A mudança de clima não lhes adiantará, mas, a submissão a Deus sim.

Alexander Pope, o escritor, murmurou esta oração: "Ó Senhor, faze de mim um homem melhor", e o seu companheiro espiritualmente iluminado respondeu: "Seria mais fácil torná-lo um novo homem". Ninguém necessita receber algum rótulo, mas ser transformado, convertido e nascido de novo. Um negociante disse a um grupo que queria nascer. A sua experiência da vida levou-o àquela conclusão. O fato é que a vida toda está tomando-nos pela mão e guiando-nos à necessidade de conversão. Alguém perguntou a George Whitefield por que pregava ele tanto sobre o texto "se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus", e ele respondeu fitando-o no rosto: "É porque o senhor precisa nascer de novo". Whitefield havia pregado sobre aquele texto por mais de trezentas vezes, mas a própria vida está pregando sobre o mesmo nos consultórios médicos, dos psiquiatras, nas salas de conferências, nas fábricas, nas conferências internacionais, nos nossos lares e, se nos conhecemos a nós mesmos, os nossos próprios corações. Alguém disse num dos nossos Ashrams que eu seria uma confusão sem o Espírito Santo. E ela estava certa - profundamente certa. Todos nós sem o Espírito Santo estamos em confusão; sem o seu poder que converte e regenerar. Os nossos lares são, também, uma confusão. Alguém disse que 90% dos lares têm um problema não resolvido.

Um pagão brilhante disse a um ministro amigo meu: "O senhor não precisa criar a minha procura pelas suas mercadorias. A necessidade é química; ela já existe em todos". A necessidade de conversão não está escrita apenas nos textos das Escrituras; ela está escrita na tessitura do nosso ser e das nossas relações. A vida não pode ser vivida a menos que seja convertida a um nível mais elevado. Ela vai de embrulhada em embrulhada, de confusão em confusão e de problema em problema. A vida total ecoa as palavras de Sir. Philip Sidney: "Ó faze cessar em mim estas guerras civis". Pois existe uma guerra civil dentro de cada pessoa que não está em paz com Deus. Se você não quiser viver com Deus, você não poderá viver consigo mesmo. O psicólogo William James nos diz que o inferno que a Teologia diz que teremos de suportar mais tarde não é pior do que o inferno que criamos para nós mesmos neste mundo ao habitualmente moldarmos o nosso caráter de maneira errônea.

Todas as coisas que mencionamos neste capítulo, e ainda outras, convergem para uma coisa - a necessidade de conversão dos bons, dos maus e dos indiferentes. Sem ela os bons não são suficientemente bons, os maus são demasiadamente maus para serem transformados e os indiferentes não podem acordar-se. A vida está fazendo ecoar, com ênfase crescente, o que Jesus pregou e ofereceu: "Necessário vos é nascer de novo".


CITAÇÕES:

1) Julian N. Hartt: "Visando a uma Teologia de Evangelismo", p. 15.
2) Idem, p. 24.
3) Henry Sloane Coffin, "Alegria no Crer", p. 96.


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OBS: Este texto corresponde ao capítulo I do livro "Conversão", de Stanley Jones.

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