IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Conversão
Rio, 30/8/2008
 

Os frutos da Conversão (Stanley Jones)

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Passamos agora dos casos de conversão para os frutos da conversão. No próprio relato destes casos os frutos são óbvios e assustadores. Estes frutos da conversão são mais benéficos e regeneradores para o indivíduo e a sociedade do que qualquer outra coisa que já aconteceu à humanidade em toda a sua história.

Mas não há falhas? Todas elas se tornam histórias de sucesso? Não, há falhas, como há em qualquer grande empenho. Edson realizou mil e cem experiências, e todas falharam. Quando alguém perguntou ao grande inventor: "Você não desperdiçou seu tempo?". "Não", respondeu ele: "Descobri mil e cem maneiras de não fazer as coisas". Jesus nos disse que três das quatro tentativas de obter uma colheita se perderam - parte da semente caiu sobre o caminho, parte em solo raso, parte entre os espinhos. Mas uma caiu na boa terra e trouxe trinta, sessenta e cem por um. E trinta é 3.000 por cento, sessenta é seis mil por cento e cem é 10 mil por cento do investimento. Esta é uma grande recompensa, e não é superestimada, porque se você atinge uma pessoa, esta atinge outra, e assim por diante, e nunca, nunca pára.

Há falhas. Um homem em Lucknow, Índia, dado à bebida, deixou uma poça de lágrimas na cadeira quando se ajoelhou, orou e se arrependeu. Quando se levantou, disse que estava convertido. No dia seguinte, pregava eu num bazar e vi meu "convertido" cambaleando ao redor, bêbedo. No outro dia, respondeu à minha pergunta sobre como ele estava: "Ainda estou convertido". Quando o confrontei com o fato de tê-lo visto bêbedo no dia anterior, ele disse: "Se você diz isto, deve ser. Até logo". Um jockey hindu se converteu. Ficou conosco no Ashram em Lucknow por algum tempo. Então ele disse que queria mudar de ocupação, e pediu-me que lhe conseguisse uma tonga (um veículo de duas rodas) e um cavalo, para que ele pudesse usá-los para alugar, e ter assim uma vida respeitável. Loucamente, dei-lhe o dinheiro para comprar o cavalo e a tonga, em vez de eu mesmo comprá-los. Em vez de comprá-los, ele saiu e comprou um cavalo de corrida, e o inscreveu numa corrida em meu nome! Nunca soube se meu cavalo ganhou a corrida, e nunca mais soube do homem. Ele ficou inscrito nos "lucros e perdas".

Em todo grande empenho haverá falhas e insucessos. Alguns têm uma experiência viva de conversão, mas ela tende para um legalismo; alguns vivem uma experiência, da qual saiu todo o contentamento; alguns acabam em compromissos e conseqüente esterilidade espiritual. Depois de marcar estes casos de falhas na conversão, contudo, permanece ainda o maior depósito para o bem legado à alma humana, por qualquer influência.

Starbuck, o psicólogo, diz, depois de investigar uma centena de casos: "O efeito da conversão é trazer uma atitude modificada em direção à vida, que é bem constante e permanente, apesar dos sentimentos flutuarem". O cientista Romanes acrescenta: "Em todos os casos não é uma simples mudança de crença ou opinião; é de qualquer modo, o ponto principal; o ponto é uma modificação de caráter mais ou menos profunda". O doutor John Watson classificou as conversões como "morais, espirituais, intelectuais e práticas". Mas todas as conversões contêm um pouco de cada uma das quatro. A ênfase pode ser sobre uma, mas há um pouco das outras três em graus variados. Pois a conversão é a conversão da pessoa total e de suas relações. Poderíamos ter acrescentado às palavras de William James: "O universo, naquelas partes que se constituem do nosso ser pessoal constitui, volta-se para o pior ou para o melhor, na proporção em que cada um de nós se afasta ou cumpre os mandamentos de Deus". Portanto, a pessoa, sua relação com outros, e todo o universo que a cerca se convertem quando ela se converte.

James diz novamente que os únicos testes possíveis de uma experiência religiosa são: "Clareza imediata, razoabilidade filosófica e ajuda moral". A luz destas três coisas a conversão brilha - não só brilha, resplandece! Um membro de nosso Ashram, depois de passar pela conversão, disse: "Sinto-me como um vaga-lume".

O primeiro fruto da conversão é o fato de uma relação modificada com Deus. "O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus e ele me será filho" (Ap 21.7). Ter esta relação alterada com Deus - passar do alheamento de Deus a um filho de Deus - é o fato básico da conversão. A relação alterada com Deus lhe dá uma relação alterada consigo próprio - com seu irmão, com a natureza, com o universo. Agora o total da realidade está atrás de você, o sustém, o aprova, e o favorece. Você não está mais trabalhando contra o grão do universo, está trabalhando com ele.

A segunda transformação básica é a mudança de relações consigo mesmo. Você foi perdoado por Deus e agora pode e perdoa a si mesmo. Todo o ódio, desprezo e rejeição de si mesmo caem, e você se aceita em Deus, se respeita, e se ama. "Vou amar-me mais", diz uma pessoa transformada.

A terceira mudança básica é uma relação modificada com outros. Mencionei um psiquiatra que diz: "Há três atitudes básicas que podemos tomar em relação aos outros: afastarmo-nos deles, irmos contra eles, irmos na direção deles." As duas primeiras atitudes se cancelam na conversão. Você pára de se esconder em si mesmo e se afastar dos outros. Abandona sua atitude de antagonismo. "Tenho sido vingativo. Tenho estado com luvas de box, agora as estou tirando", disse uma pessoa transformada. A terceira atitude - você começa a ir na direção dos outros - em amor. Deus veio a nós em amor misericordioso e você vai aos outros no mesmo amor misericordioso.

Jane tinha ouvido de sua mãe que não era suficientemente boa para encontrar a Deus. As convulsões começaram. Um psiquiatra lhe disse que ela devia escrever uma carta à sua mãe e abandoná-la, mas ela descobriu, depois de sua conversão, que simplesmente não podia. Escreveu a sua mãe uma carta, dizendo que a perdoava e pedindo perdão. Escreveu três cartas e não obteve resposta. Quando teve resposta, as convulsões pararam.

A filha de uma mulher que praticava feitiçaria na África se converteu. A voz de Deus lhe disse: "Vá à casa de sua mãe, lave suas travessas, e limpe sua casa”. Ela fez isto dia após dia. Meses mais tarde sua mãe disse: "Por que você faz isto?" A filha respondeu: "Porque eu a amo”. A mãe se converteu, abandonou a feitiçaria, e confessou como tinha enganado as pessoas.

Há duas tribos em margens diferentes do Rio Zambesi, na África - uma feia, a outra bonita. Eles costumavam se encontrar cada ano em certo ponto do rio e lutar. Agora ambas as tribos se converteram, e eles se encontram no mesmo lugar para oração! Incidentalmente, a tribo mais feia é a mais agressiva em evangelismo. O ponto principal desta história é que no momento em que eles se tornaram cristãos, pararam de ir um contra o outro, e começaram a ir um em direção ao outro!

Além do amor, que é o primeiro fruto do Espírito, vem a alegria, que é o segundo fruto do Espírito. Não poderá haver alegria se não houver amor. O coração sem amor não canta e não pode cantar. O coração amoroso canta automaticamente. John Yepes, o frade carmelita do século dezesseis, disse: "A alma do homem que serve a Deus sempre serve em alegria, sempre guarda um dia santo, está sempre em seu palácio de júbilo”.

Um ateu, um católico romano, e um teosofista arranjaram para que eu falasse a um auditório na América do Sul. O presidente, ao me apresentar, disse: "O motivo porque o ouvimos é que o senhor tem uma canção em seu coração, e a América Latina muito ama a música.”

O cristão mais borbulhante que já conheci foi Rufus Moseley. Alguém disse: "A primeira vez que o ouvi, pensei que ele estivesse louco, mas a segunda vez sabia que eu estava louco”. Perguntaram-lhe se Jesus alguma vez riu, e ele respondeu: "Não sei, mas certamente Ele me fez de modo que eu possa rir”.

Quando alguém me disse que a Igreja Metodista tinha autorizado um amigo meu a pregar, disse a outra pessoa: "É como permitir que o Niágara corra”. "A boca fala do que o coração está cheio".

A alegria é uma companheira necessária à fé cristã. Durante as perseguições de Madagascar, grupos se reuniam em cavernas e grutas para adoração. Um desses grupos, arrebatado em gratidão e amor, disse a seu líder; "Vamos cantar”. "Irmãos, eu lhes imploro, fiquem quietos", disse o líder. "Nossos inimigos nos procuram, e se nos acharem, será a morte para todos nós”. "Mas devemos cantar", disseram em voz baixa. Então, à meia voz, estes cristãos cantaram. Cantaram em face da morte! Quando alguns foram atirados num abismo, para a morte, os ouviram cantando ao caírem. O Cristão está sempre em perigo - e sempre feliz, incorrigivelmente feliz.

Um pastor alemão, atrás das grades da prisão, disse que não tinha queixas a fazer, a não ser que não lhes permitiam cantar! "Então cantamos sem voz. Com nossas almas entoamos o hino, um Deo Gloria, fazendo-o ressoar alto."

O Dr. Kágawa, apesar de estar cronicamente doente, disse: "Sou capaz de viver como uma pessoa normal porque tenho alegria - alegria à noite, alegria de dia, alegria na oração.

Uma amiga escreve depois de um dia cansativo, ou o que seria um dia cansativo para qualquer outro - tinha assistido a seis reuniões - "Cansada? Não, Jesus fez tudo isso. Eu apenas saí para um passeio!".

O doutor Conner, da Administração dos Veteranos, diz: "O pessimismo mata mais as pessoas idosas do que qualquer outra doença". Então a conversão real é a agência mais curadora conhecida. Eis algo do Ashram "Manhã do coração transbordante", de Osaka, Japão: "Vim aqui com um coração pesado. Minha saúde não tem estado boa. Mas esta manhã estava arrebatado em gratidão. Minha saúde foi restaurada".

L. P. Jacks diz: "de todas as religiões da humanidade, o cristianismo é a mais alegre e a que menos reprime. Não há religião que lance fora a carga da vida tão plenamente, que liberte tão rapidamente de seu gênio, que dê escopo tão grande para as elevadas disposições da alma, e receba em seu seio com um abraço tão quente as coisas da beleza, que são alegria para sempre. O cristianismo não alimenta as tristezas da humanidade. É sempre música que você ouve, e às vezes também dança."

"Há nada menos que 70 intimações para se regozijar no Novo Testamento", diz o doutor Sangster. Não admira que Tertuliano tenha dito: "O santo cristão é alegre”. Alguém em nosso Ashram disse: "Minha xícara transborda e meu pires também".

Quando o doutor Farmer, organista em Harrow, pediu ao salvacionista que tocava tambor, que não tocasse tão forte, o homem, radiante, respondeu: "Deus o abençoe, senhor, mas desde que me converti sou tão feliz que poderia até furar o tambor". Como escreveu Coventry Patmore: "Todas as realidades cantam, e nada mais”. A conversão traz a realidade, e, portanto, canta. Se não há canção no coração, não há conversão. "A alegria é o sinal da maturidade espiritual".

A alegria é o resultado da presença direta de Cristo, de um sentimento de bem-estar nEle e um sentimento de conformidade para tudo que vier. É a alegria da força. Isaac Abbott, depois de sua conversão, apesar de ser dado à bebida, não podia sentir modificação alguma, e pensava se realmente se convertera. Ele saiu de uma reunião e encontrou um velho companheiro que lhe deu uma garrafa de bebida. Tomou-a por um momento, e depois a devolveu. Sabia então que era um novo homem. A alegria foi o resultado.

Esta alegria através da conversão vem de uma certeza profunda que se possui na conversão. O famoso psiquiatra Jung diz: "Não há questão de crença, mas de experiência. A experiência religiosa é absoluta. É indiscutível. Você pode dizer apenas que nunca teve tal experiência, e seu oponente dirá: "Sinto muito, eu tive.” E então a discussão chegará a um fim. Não importa o que o mundo pense sobre a experiência religiosa, quem a tem possui o grande tesouro de uma coisa que lhe proporciona uma fonte de vida, significado e beleza, e que deu um novo esplendor ao mundo e à humanidade."

Kierkegaard coloca a questão assim: "Essencialmente isto é o conforto duradouro sobre o perdão dos pecados: "Creia.” Pois quando a consciência ansiosa começa a se empregar com pensamentos pesados, e parece a alguém como se por toda a eternidade fosse impossível esquecer, então a palavra é: "Esqueça". Deixe de pensar em seus pecados; não tem somente o direito de parar, não é simplesmente que deve orar a Deus pedindo permissão para esquecer, não, "Esqueça, e creia que seus pecados estão perdoados." Pois quando alguém experimentou verdadeiramente o que é crer no perdão dos pecados, certamente se tornou um outro homem: É eternamente jovem."

Quando Deus perdoa, Ele esquece, e pede a você que perdoe a si mesmo e que esqueça o passado. Deus sepulta nossos pecados no mar de Seu esquecimento e coloca um aviso: "É proibido pescar aqui”.
O esquecimento apaga o passado e apaga o tormento da memória do passado. Ele torna útil este passado. O doutor Coffin nos conta: "Um dos problemas de conservação dos tempos atuais tem sido o uso de jornais velhos. Não se poderia inventar um processo pelo qual eles pudessem ser renovados, e nossas florestas poupadas? A dificuldade mais séria que os químicos encontraram era eliminar a tinta de impressão. Mas aos poucos foi descoberto um método para eliminar a tinta, e os jornais velhos podem ser novamente reduzidos à polpa e transformados em papel limpo. A vida imprime em nossos espíritos uma porção de manchetes: uma parte amarga, outra falsa, outra obscena, e grande parte trivial. Pela meia-idade muitos de nós querem que a tinta seja eliminada e recomeçar limpos.” (1)

O grande problema não é só eliminar a tinta da culpa e do pecado, mas a lembrança deles. Na química divina do sangue de Cristo ambos se apagam - o pecado e a lembrança do pecado. Pois quando nos lembramos do pecado o esquecemos imediatamente, na alegria de lembrar o Salvador. Ele enche nosso horizonte e não podemos ver os pecados por causa dEle.

Além desta invencível certeza interior há uma melhora de relações externamente. Uma das primeiras coisas que fiz depois de minha conversão, foi devolver algum dinheiro de pombos que tinha roubado. A Pomba Celestial tinha vindo, e eu não queria que a lembrança de pombos roubados perturbasse a maravilha de sua vinda. Fred Smith, um ator, se converteu e deu seu cão dinamarquês a um homem, a quem ele tinha vendido um outro cão dinamarquês, que sabia estar doente. Outra pessoa diz: "Meus pecados irreparáveis foram lavados, mas os reparáveis devo repará-los. Viajei sem passagem, e então escrevi ao Superintendente e paguei-a".

C. T. Venugopal, mencionado anteriormente, chamado muitas vezes "um sadu (santo) no governo", testemunhava num jantar o que Cristo fizera e estava fazendo por ele. Um engenheiro civil levou-o para um lado ao fim do jantar e perguntou ansiosamente: "Isto daria certo para mim?" Quando ficou seguro que sim, perguntou se poderia achá-lo ali, naquela hora. Os dois homens foram a um canto, e abaixaram suas cabeças em oração, e o engenheiro simples e sinceramente entregou-se a Cristo. Algo aconteceu. Uma profunda modificação se operou em sua vida. Mais tarde ele foi enviado ao Japão para trazer um grande equipamento para estradas de ferro - máquinas e outras coisas - comprado pelo governo da Índia. Houve uma grande oportunidade de passar material inferior, e obter um lucro imerecido. Os japoneses fizeram o possível para que ele fizesse isso. Ofereceram-lhe tudo - dinheiro, mulheres, bebidas. Não conseguiram. Ficaram perplexos. Então tentaram se informar na Índia, em que ele estava interessado. Provavelmente descobriram que seu interesse era Deus. Aquela simples entrega de si a Deus, num jantar, contribuiu econômica e moralmente para seu país. Quando voltou à Índia, foi nomeado chefe do Departamento de Inspeções. Homens de integridade moral são indispensáveis. Ele ganhou esta posição, não suprimindo seu cristianismo, mas expressando-o.

Quando Starr Daily, um criminoso insensível que passou vinte e três anos no submundo, se converteu numa cela solitária, era pele e osso e estava cheio de ódio; algo aconteceu, porém, que fez com que seus guardas sentissem a diferença. Começaram a lhe oferecer alimento além do que o chefe mandara, e sua resposta foi: "Sinto muito, mas não posso aceitar - sou um cristão”. Ele que vivera na desonestidade tornou-se honesto, meticulosamente honesto durante a noite.

Quando sua cidade natal resolveu honrar o seu cidadão mais distinto, o ex-criminoso foi escolhido. Não foi por mero sentimento que o elegeram. Tornou-se o cidadão número um por sólidas realizações - salvando prisioneiros de completa degradação e desespero e escrevendo livros que mudam e erguem a alma dos respeitáveis - uma personalidade realmente criadora. A conversão transforma o lodo e a lama da negligência humana em flor de lótus de caráter puro e criativo - milagre cabal.

Isto acontece em toda a parte. Eis aqui um homem da selva africana, recebido num hospital por ter sido ferido pela presa de um elefante - que o atravessou. Ao recuperar-se, pediu para ficar no hospital servindo graciosamente, a fim de pagar aquilo que seus parentes roubaram do hospital. Uma consciência sensível pela conversão!

Um surpreendente reavivamento aconteceu no Congo Central, na África. Começou quando um missionário, inspirado no exemplo do Bispo Warne, da Índia que, juntamente com o clero, observou um retiro de dois dias, tendo por base o livro de Atos dos Apóstolos para leitura e meditação fez a mesma coisa com o clero sob a sua jurisdição, na África. O reavivamento iniciou-se quando um Superintendente Distrital Africano começou confessando que perdera o contato com Deus pela crítica e pediu perdão. Seguiu-se, então, a confissão de um obreiro africano sob a jurisdição desse Superintendente Distrital, que também o criticava e que pediu perdão. O espírito de confissão começou a espalhar-se e o reavivamento prosseguiu. Da cidade se espalhou para as vilas e suas reuniões de confissão continuaram, algumas durante a noite toda, todo o dia e noites seguintes. Foram assistidas por quatro ou cinco mil pessoas, cristãos ou não. Algumas das coisas que confessaram eram surpreendentes. Um homem levantou-se e disse que mantinha relações com a esposa de um outro e instou com ele para que conservasse a esposa em casa, a fim de ela não o tentar. Outro caso semelhante foi a do homem que procurou o feiticeiro e dele recebeu um berloque para usar em volta do pescoço, pois o amuleto o tornaria irresistível aos olhos da mulher. O concílio da pequena vila aconselhou-o a não usar o amuleto e ele ficou tão raivoso que matou alguns membros do concílio, inclusive o marido de sua amada. Confessou tudo isto e se converteu. Outro confessou o forte apetite que tinha por carne humana e como matara e comera vinte e seis pessoas, nomeando alguns dos participantes que eram parentes das pessoas mortas. Pediram tais parentes a vingança? Não, sua reação foi: "Deus o revelou! Além do que, ele não nos aborreceu mais desde que se converteu”. Os penitentes iam à frente pedindo oração e prosseguiam orando até que sentiam ter recebido a segurança do perdão. Então circulavam ao redor do tabernáculo batendo palmas de alegria. Feiticeiros trouxeram seus bens parafernais e os queimaram em público, confessando o quanto enganaram o povo. "Os Reis da Floresta" eram supostamente um movimento beneficente; um dos seus propósitos era conservar os chefes em ordem. Dois bispos americanos foram recebidos como membros honorários da Ordem. Atingidos pelo reavivamento os cabeças de "Os Reis da Floresta" começaram também a confessar seus pecados e a contar como enganavam o povo. Ordenavam que, em determinada vila, todos os moradores permanecessem dentro de casa, em determinada noite, com as luzes apagadas porque o "pai" dos "Reis da Floresta" iria visitá-los na noite prevista. Na manhã seguinte cabras, frangos e quaisquer outras coisas soltas desapareciam, apropriadas não pelo "pai", mas pelos cabeças do movimento! Confessaram também que tinham uma cova de ídolos na floresta, nela residindo o ídolo do espírito do "pai". Ao lhe perguntarem algo, o ídolo abanava a cabeça para o sim ou para o não. "Fulano de tal é homem leal e bom?" O ídolo abanava a cabeça vigorosamente, desaprovando. A multidão se reunia em volta da vítima, ameaçando-a e impondo-lhe multa pesada, uma fraude! Confessaram também que havia um homem atrás do ídolo que lhe agitava a cabeça. Quando os responsáveis começaram a retirar o ídolo e a quebrá-lo à ponta-pés, o povo se retirou aterrorizado, gritando, temendo morrer ao ver a face de seu "pai"! Como nada aconteceu eles também começaram a dar pontapés no ídolo. Estavam livres! A propósito, os bispos evidentemente se surpreenderam ao descobrir que eram membros honorários de um movimento nada honroso.

O movimento espalhou-se de vila em vila por três anos, deixando atrás de si vidas transformadas. O governo belga se interessou grandemente nele, pois nele havia potencialidades para o bem ou o mal e enviaram alguém para proceder a investigação. Relatou então que o crime desaparecera, assim como a destilação ilícita de bebidas alcoólicas, aumentara o interesse por educação e o povo, em geral, era mais amável ao governo. Ele, um católico romano, ficou tão bem impressionado que pediu à missão metodista o envio de cinqüenta obreiros a uma tribo vizinha, onde não havia qualquer movimento cristão. Um católico romano pedindo missões protestantes! O povo mesmo se tornara missionário assim que se converteu. Reunindo-se diante do altar e se comprometendo em gratidão a Deus a voltar e ganhar sua própria família para Cristo, a ganhar sua vila, tribo e as tribos vizinhas. Suas conversões seguiram a forma normal.

Alguém já disse que na conversão três impulsos em comum aparecem a todos os que se convertem: 1) Um impulso para orar, 2) Um impulso a adorar com os outros, 3) Impulso a repartir sua nova vida com outros. São estes os sinais autênticos da conversão, seja na primitiva África ou na moderna América. Ausentes tais impulsos, está ausente a conversão. O primeiro é um impulso para um contato mais íntimo com Deus pela prece; o segundo é um impulso para entrar em contato com Deus e os homens; e o terceiro é o impulso para repartir com os outros o que tão graciosamente foi consigo repartido.

A conversão é a conversão de seus gostos. Os velhos desejos simplesmente murcham, e novos tomam o lugar. A idéia de que o homem convertido tem comichão para retornar aos velhos hábitos é absurda. Os novos hábitos se apoderam dele e o possuem de modo que ele simplesmente não quer os velhos. É uma força expulsiva de uma nova afeição.

No Japão um homem que era chamado "O Cavalheiro Batedor de Carteiras" foi para a cadeia quinze vezes. Então se converteu. Seus interesses e gostos mudaram completamente. Começou a trabalhar pelos prisioneiros, encontrava-os no portão, arrumava-lhes emprego. Seu trabalho de tal forma impressionou que o Imperador assinou decreto anulando ordem anterior, na qual deveria ele declarar sua condição de ex-encarcerado cada vez que assinasse o nome; suas fichas na polícia foram retiradas e queimadas. Não foram meramente as marcas exteriores de sua vida que se apagaram; as marcas interiores também. Estas mudanças do interior refletiam-se em sua face transformada. Era o semblante semelhante ao de Cristo.

Outro jovem do Japão, delinqüente, converteu-se e ficou interessado em meninos delinqüentes. Pediu a seu pai uma casa, da qual o pai era proprietário, a fim de que pudesse estabelecer um lar para delinqüentes. O pai não era cristão, mas ficou tão profundamente impressionado pela mudança que se operou na vida do filho, que não lha recusou. Hoje o rapaz cuida de vinte a trinta delinqüentes no lar. É este sempre o modelo. Na conversão real os salvos começam a salvar.

Mamayundi caminhou setenta e cinco milhas para o hospital de Wembo Nyama, no Congo Belga, para ser operada. Assistiu a uma classe de catecúmenos e foi gloriosamente convertida, no reavivamento. Iniciando sua viagem de regresso de setenta e cinco milhas, começou a pregar e a testemunhar pelas vilas que surgiam no percurso. Demorava-se o bastante para reunir convertidos e começar uma congregação. A missão mandava um professor a esta congregação e a organizava em igreja. Então Mamayundi prosseguia e fazia a mesma coisa na vila seguinte. A misssão enviava um professor para continuar seu trabalho, e Mamayundi prosseguia em sua jornada. Ela formou um colar de congregações ao longo de todo o seu caminho. Tinha sido arrancada do paganismo alguns meses antes. Deixou para trás de si um trilho de vidas transformadas - um trilho de glória. Chegou à Loja, um posto missionário, e fez a mesma coisa - adotou uma vila próxima e se empenhou para convertê-la. Quando conseguiu isto, moveu-se adiante. O mesmo Espírito que operou em Paulo operou nesta mulher e age como sempre.

Este espírito transformado é o fruto da conversão que aparece em toda a parte. Fui a Assam na Índia e falei à nata cultural da comunidade cristã ali - homens que tinham sido graduados (Bacharéis em Artes, Mestres em Artes, Doutores em Filosofia): "Poderíeis dar-me exemplos de vidas transformadas, pois estou escrevendo um livro sobre como se tornar uma pessoa transformada". Riram. "Olhe ao redor de nós. Todos fomos transformados, pois há uma geração atrás éramos caçadores de homens". O governador hindu daquela província disse ao me apresentar: "O único jato de luz nestas colinas de Assam é o trabalho dos missionários cristãos. As casas do povo são notoriamente sujas, mas ao se chegar a um lar cristão observa-se logo ordem e limpeza, sempre circundado por jardins e árvores frutíferas. Sente-se respeito próprio, progresso e esperança”. A conversão rompeu o poder do hábito da mão assassina e do fatalismo, abrindo visões de esperança e progresso.

Falando do povo da colina, eis uma história que nos vem do Nepal, nos limites da Índia. Havia dezesseis pessoas que tinham decidido tornar-se cristãs naquele país, fechado à verdade até recentemente. Propôs-se uma lei que para ser cristão o tal seria considerado digno de pena de prisão. Os missionários explicaram a esses indagadores cuidadosamente o que isto significava. Continuariam eles? "Será que eles permitirão que levemos nossas Bíblias à prisão?" A resposta veio "não sabemos”. "Bem, disse uma anciã, o jeito então é começar a decorar o Novo Testamento todo. Vamos distribuir uma porção para cada um de nós decorar. Assim teremos todo o Novo Testamento quando formos presos”. Todos foram batizados. Mas a legislação foi anulada. Contudo, esse povo simples tinha o espírito autêntico dos mártires da Antigüidade. Os frutos da conversão foram à coragem, a firmeza e a alegria apesar de tudo!

A conversão unifica e acorda a pessoa totalmente e a faz ir alhures. A diretora do Colégio Isabella Thobum, de Lucknow, Sarah Chakko, a primeira mulher universitária da Ásia, disse o seguinte antes de morrer: "Foi a oração que fez comigo, quando eu estava para desistir de ser professora, que operou a mudança. Aquela entrega trouxe vida junto. Sou a diretora desta instituição por causa dela." E que diretora era ela! Tornou-se Vice-presidente do Concílio Mundial de Igrejas. O diretor do grande Instituto de Agricultura Allahabad, pioneiro no novo avanço agrícola da Índia, o doutor Azariah, era um homem confuso. Não sabia o que fazer com sua vida. Disse: "Foi àquela oração de consagração que o senhor fez comigo, enquanto estávamos no jardim da casa de meu pai que fez a diferença. Sou o diretor da Instituição por causa daquela oração". O diretor do Colégio Cristão Ewing, Allahabad, Índia, o doutor Gideon, disse: "Não sabia o que fazer com a minha vida. Dei-a a Cristo enquanto estava no Colégio Santo Estevão, em uma de suas pós-reuniões. Cristo pôs sua mão em mim. Fiquei diferente desde então. Não podia tornar-me o diretor dessa instituição sem aquela nova força que veio em minha vida”. Ele me contou que a esposa do Diretor Chatterjee, do Colégio Santo Estevão, Delhi, converteu-se, também, naquela mesma pós-reunião. E que mulher se tornou! O diretor do Seminário Teológico Saharanpore disse-me que a conversão nele operada em uma de nossas reuniões fez dele o que agora o era.

Aqui se mencionaram os dirigentes de cinco notáveis instituições missionárias do Norte da Índia, que traçaram o princípio de sua carreira à conversão, que lhes trouxe vida do caos à luz, da divisão à unidade, da debilidade moral e espiritual à força. Sem aquela conversão eles teriam anulado a si mesmos pelos seus conflitos interiores.

Estes homens e mulheres ergueram-se para o alto porque descobriram que através de sua própria conversão, podiam converter tudo, podiam transformar tudo em algo diferente. Este poder para transformar tudo em algo mais elevado é um fruto direto da conversão, e talvez seu mais precioso fruto. Notem a passagem em Romanos 8.28: "Sabemos que em tudo Deus opera para o bem com aqueles que o amam". Isto corrige a velha versão que dizia "todas as coisas cooperam para o bem" e fá-la dizer: "em tudo Deus opera para o bem". Todas as coisas não cooperam para o bem em si mesma, mas Deus realiza o bem em tudo com aqueles que O amam. Notem que não diz: "daqueles", mas "com os que", é um esforço de cooperação. Deus e nós retiramos algum bem de tudo que acontece, bom, mau ou indiferente.

O povo de Enterprise, Alabama, ergueu um monumento à praga chamada "boll weevil". Arruinou-lhes todo o algodão, por isso voltaram-se para o amendoim e se tornaram o centro mundial do amendoim. Enriqueceram-se por causa da calamidade. Não suportaram a calamidade, mas a usaram. Um líder leigo em Covington, Kentucky, jazia no leito durante quatro anos, aleijado, dependendo de seus familiares, com necessidades econômicas, amargurado e sem ajuda. Tomando de um exemplar de Cristo e o Sofrimento Humano, compreendeu que não tinha necessidade de suportar seu sofrimento, mas deveria usá-lo. Entregou-se e também o seu sofrimento a Cristo, ergueu-se da cama e agora está radiantemente feliz, sendo talvez o homem mais útil na cidade. Ele diz: "Pois bem, o povo nem sequer nota que eu ando inclinado, apoiado em duas muletas". Sua conversão converteu seus impedimentos em instrumentos, suas dificuldades em portas abertas.

Enquanto eu falava a um auditório na China, vi uma pobre chinesa aleijada em minha frente. Intimamente pedi a Deus que me ajudasse a lhe dar uma mensagem. Porém, ela é que me deu a mensagem. Era tão aleijada que não podia andar de muletas, mas empurrava um pequeno banco de bambu em sua frente enquanto se retorcia, quase como um verme, pela sala. Seu espírito fora por pouco o de um verme. Tinham-na derrubado quando criança, quebrando-lhe a espinha e ela se tornou amargurada e ressentida e, com língua ferina, vergasteava todo o mundo. Então, se converteu - realmente se converteu. Despertou em corpo, mente e espírito. Desejou ser professora, mas parecia irrealizável. Quando a enviaram como professora, quase houve um motim, porque as pessoas julgavam que seu corpo aleijado era um mau agouro. Quando a missionária lhes pediu que a experimentassem por um ano, concordaram. No fim do ano, quase houve um novo motim, porque a missionária expressou sua intenção de transferi-la para outra escola. "Nunca tivemos professora igual", disseram. "Todos a amam”. A verdade é que ela era a maior força espiritual onde quer que andasse, ganhando mais pessoas para Cristo do que qualquer outro missionário ou chinês. A conversão transformou a frustração em messe abundante de fruto. Sem conversão ela era uma aleijada mordaz e inútil; com a conversão transformou-se numa possibilidade e num poder.

A conversão o conduz a poderes que não são os seus. Como disse alguém: "Eu costumava fazer algo, agora nós agimos juntos”. E esta mudança é uma mudança em mundos, mudança do mundo do ego para a do mundo do ego em cooperação com Deus. Um outro, em um de nossos Ashrams, disse: "Tenho vivido em ressaca, agora viverei em enchente". Estava vivendo numa enchente que o levava para diante. Tinha vivido contra o universo, agora vivia com ele. Fez diferença.

Os convertidos descobrem que podem fazer mais do que eles são capazes, porque trabalham com um poder e através deste, que não é de si mesmo. Paulo disse: "Pela graça de Deus, sou o que sou, e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã, antes trabalhei muito, mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus comigo" (I Coríntios 15.10). Aqueles que pensam que porque não somos salvos pelas obras, devemos por isso recair em passividade - que a graça nos enfraquece - não perceberam a questão. Aqueles que obtiveram a salvação pela graça trabalham mais do que os que pensam que podem ser salvos pelas obras. Trabalham com desembaraço, e efetivamente. Esta conquista dos recursos divinos pelos quais viver se ilustra por este relato.

Tentei e tentei desistir de beber. Tinha consciência constante de que estava sendo dominado completamente por ela. Sabia que não poderia continuar desse modo. Devia erguer-me ou sucumbir. Nem meu médico, nem meu marido podiam ver que eu tinha qualquer problema, mas eu sabia que o tinha e era bem grande. Pensava se devia procurar um psiquiatra. Então, orei realmente pela primeira vez em minha vida. Supliquei: "Amado Deus, Tu és o maior psiquiatra. Tu podes ajudar-me, se quiseres, mas eu, não posso fazê-lo sozinha. Se Tu quiseres, por favor, ajuda-me a não me tornar uma alcoólatra inveterada. Mas se Tu quiseres que eu me torne uma alcoólatra, então está bem. Faça-se a Tua vontade". Desde aquele dia nunca mais quis beber álcool. Minha gratidão foi tão grande que coisas mais surpreendentes foram se sucedendo. No dia de ação de graças ofereci meus serviços a Deus e repentinamente descobri que era completamente uma nova pessoa. O egoísmo, a preguiça, a inoperância, o egocentrismo, a timidez e a ineficiência, temores, ressentimentos, debilidades físicas, até mesmo excesso de peso desapareceram, e eu comecei a viver como provavelmente Deus sempre pretendeu que eu vivesse. Tornei-me muito ativa na igreja, e entreguei-me a um maravilhoso trabalho a ela ligado. Antes eu detestava o trabalho, agora o amo. Nada parece muito difícil ou demais. Parece que há tempo para tudo, e eu posso fazer as coisas que antes nunca poderia fazer. Tudo coopera para o bem. E pensar que isto ocorreu só porque, finalmente e em verdade, submeti minha vontade à vontade de Deus. Eu tinha 42 anos quando isso aconteceu. Orava antes, mas as orações tinham sempre sido preces egoístas. "Protege-me. Protege meus queridos. Faze-me uma boa esposa e mãe.” Até mesmo na oração dominical eu passava por cima de "seja feita a tua vontade.” Pois eu temia que Deus pudesse tirar-me o marido ou o filho, ou fazer algo terrível. Hoje sei que a vontade de Deus é meu bem sublime, e a melhor oração é sempre: "Seja feita a tua vontade.”

Este período de graça em minha vida durou quase dois anos. Então comecei a levar alguns escorregões, às vezes. Eu não sei o que realmente provocou a queda, mas eu me desculpava porque o meu pastor tinha dito que seria bom para mim e para meu marido tomarmos um drink ocasionalmente, ou convidar amigos para um drink. (Nota do autor: Quando um ministro recomenda tal coisa ele é uma bancarrota ministerial e um morto espiritual). Conquanto eu estivesse me resvalando numa vida de leitura sobre a oração, em vez de uma vida de oração, felizmente não desisti de orar. Vagarosamente a graça retomou. Desta vez tive que lutar por ela, efetuar verdadeiro combate. Creio que Deus conduziu-me aos lugares montanhosos, primeiro porque eu não conhecia o Caminho, mas que Ele quer que eu aprenda a caminhar sozinha - embora nunca verdadeiramente sozinha, pois Ele está sempre ao lado para amparar-me se minha fé vacilar.

Eis aqui como a conversão transformou uma pessoa quase alcoólatra, ineficiente, tímida, egocêntrica, numa pessoa vitoriosa. Uma oração de simples entrega fez isto.

Sua visão, seu espírito, seu próprio ser se transforma pela conversão. O homem que era conhecido como o "maior rabugento" de Trenton telefonou a um amigo em Filadélfia e disse cheio de entusiasmo: "Todo o mundo está mudado em Trenton hoje. Todo o mundo está diferente, desde aquela reunião no auditório do ginásio local, ontem à noite, quando “fulano de tal" falou. De certo, pode ser que somente eu me transformei, mas todo o mundo parece mudado!" Seu mundo exterior se transformou, porque seu mundo interior mudara.

Essa mudança realizada na conversão se vê nesse jovem que servia os leprosos na Índia. Ao lhe perguntarem que diferença o cristianismo fizera nele desde que se tornara crente, replicou: "Dá-me um ponto de contato com os leprosos, uma razão para servi-los, faço isto agora por amor a Ele”. Essa "razão para servi-los" fez toda a diferença no mundo, pois se os leprosos o desapontam, o magoam, ele pode continuar a servi-los e a amá-los, pois agora faz isso "por amor de Cristo." Em servi-los ele O servia. Esse motivo persiste mediante resposta ou rejeição, mediante vitória ou fracasso.

Esse motivo transformador na vida, realizado pela conversão, permitiu que Paulo escrevesse esta importante sentença: "Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo" (Efésios 5.21). Todos nós temos que estar sujeitas uns aos outros na vida, pois "ser é ser em relações”. Mas a grande questão e a questão decisiva é: "Porque tu o fazes?" Alguns responderão: "Em cumprimento ao dever”. Outros, "Por motivo de necessidade." "Por reverência à personalidade", "Por amor à pessoa envolvida." Schweitzer disse: "Por reverência à vida." Essas e outras razões desgastam-se e se tornam enfadonhas com o tempo. Paulo, aqui, dá uma razão que nunca se desgasta e nunca se desatualiza. Vós sois "sujeitos uns aos outros no temor de Cristo”. Fazeis isso por amor a Ele, o que torna possível sujeitar-vos a um outro sem perderdes o respeito próprio. Fazeis isso primeiramente a Ele e em segundo lugar para a pessoa ou pessoas interessadas. Esse motivo torna possível servir a qualquer um em qualquer lugar e contudo ser interiormente livre do domínio humano, pois fazeis isso alegre e livremente por Ele. Por isso podeis servir leprosos físicos ou morais e contudo podeis fazê-lo sem degradação interior.

A conversão converte teu motivo para a vida e para o trabalho. É a maior força libertadora jamais solta entre os motivos interiores implicados. Simplifica a vida e suas razões para a vida e para a entrega e serviço ao próximo. Ela te simplifica.

Uma esposa vivia irritada e censurando seu marido. Ele foi-se embora e a esposa adquiriu um novo candelabro durante a sua ausência. Ao voltar, o marido trouxe um grande presunto, e quando o tirou de seus ombros, bateu no candelabro e o espatifou todo. O homem aguardou a reação tempestiva da mulher. Mas a esposa desceu, e verificando o ocorrido disse: "Não faz mal, podemos comprar um outro". O marido olhou-a estupefato. Perguntou-lhe: "O que aconteceu?" Ela replicou. "Converti-me enquanto estavas fora". "Senta-te aqui e conta-me como aconteceu", perguntou o marido. Ela assim o fez e ele também se converteu, ali mesmo. Uma esposa irritadiça e queixosa se transformou pela conversão num canal de amor e boa vontade. O contágio espalhou, o marido e o lar também se transformaram.

Os frutos da conversão são os mais vivificantes de quaisquer outros plantados em solo deste mundo. Uma senhora muito bem vestida disse ao doutor Charles Morgan: "Doutor Morgan, num domingo à noite esgueirei-me e me assentei no último banco da Igreja Esperança, Springfield. Havia poucas pessoas presentes. Eu era uma pecadora e cansada de andar pela rua à cata de homens, entrei para abrigar-me da chuva. O senhor leu o texto: "e lhe tocou a orla da veste."Não me recordo de seu sermão, mas no meio dele vi a mim mesma, como eu era, e como poderia ser. Jorrou em mim como um dilúvio. Ouvi uma voz dizendo: "Ergue-te para coisas melhores.” Fui ao meu quarto e orei a Aquele que falou comigo. Pedi-lhe forças e perdão e recebi. Minha vida foi inteiramente transformada, interna e externamente. Deixei Springfield e segui para Chicago, onde fundei um lar para moças infelizes. Desde então tenho desses lares em Nova Iorque, Detroit, Denver, São Francisco e Los Angeles."Uma mulher convertida converteu os lugares asquerosos de muitas cidades.

Esta trilha de glória pós-conversão é o que há de mais extraordinário na história, nenhuma a ultrapassando! Tomei um avião particular com mais dois homens, um rico negociante, proprietário e piloto do avião, e o outro um piloto de teste. Ambos tinham o que contar, e que histórias! O negociante rico tinha sido um alcoólatra. Numa bebedeira de trinta dias consecutivos, havia consumido aproximadamente quase dois litros de bebida por dia, mais de sessenta ao todo. Estava realmente doente - de alma, mente e corpo. Seus nervos batiam como martelo. Alguém fez uma oração pela sua cura, ele murmurou a prece e foi embora. Quanto ao alcoólatra ficou sozinho, inteiramente só e de repente se curou, cura de alma, mente e corpo. Seus nervos cessaram de bater; sentiu-se tão natural que julgou estar fora de si. Estava tão exultante com Deus que, nem sabe como, retirou a cinta que usava porque sofria de artrite. Nunca soube explicar o que aconteceu com ela. Realmente não é capaz de saber o que se deu. O álcool também desapareceu, desapareceu sem esforço. Nunca mais experimentou desde então, nem o quis experimentar. Está entusiasmado com Deus. Em seu avião particular faz viagens evangelísticas. Tudo mudou nele e ao redor dele.

O outro companheiro, um piloto de teste, também tinha sido um alcoólatra, mas havia abandonado o vicio dez anos antes. Contudo, quando o álcool o deixou, nada tinha para colocar em seu lugar, nada a não ser o ódio. Antes o álcool tinha sido a sua defesa, pois ele tentava fugir. Então o ódio tornou-se a sua defesa, ele não escapava, iria lutar e odiar. Assim fez. Temia todo o mundo e odiava todo o mundo e, em retorno, era temido e odiado por todos. Mas era tão bom piloto que foi conservado em seu trabalho.

Quando o negociante procurou este ex-alcoólatra para testar o aparelhamento de vôo, cada um estava com medo do outro. Sentindo algo novo e estranho em seu companheiro, o piloto de teste pediu para falar com ele. No dia seguinte ficaram sentados durante seis horas consecutivas e falaram sobre Cristo. O piloto de teste falava consigo mesmo: "Que é que ele pretende, afinal? Por que haveria ele, um grande negociante de gastar tempo comigo para isto?" Quando o negociante lhe trouxe alguns livros, o homem murmurou consigo mesmo: "Bem que eu desconfiava do motivo dele ficar comigo todo este tempo, o que ele queria era me vender alguns livros". "Mas, continou ele, quando verifiquei o que ele estava me dando, fiquei perplexo e comovido. Disse-me o negociante: "Se eu lhe desse uma metralhadora com a qual você pudesse derrotar seus inimigos, você a receberia?" "Receberia." E repliquei: "Eu saltaria para apanhá-la, se assim pudesse libertar-me de meus inimigos." "Bem, respondeu ele, é a metralhadora do amor. Um modo seguro de se libertar de seus inimigos.” Afinal abri meu coração a tudo aquilo. Deixei que o amor me dominasse. E, sabe? Derrotei meus inimigos! Foram-se todos. São agora meus amigos. O amor fez isto. Minha atitude mudou e assim também a deles." E acrescentou ponderadamente: "Saiba que não havia outra maneira, simplesmente não havia, pela qual eu pudesse livrar-me de meu dilema. Nenhuma outra a não ser meu encontro com Deus, onde eu me achava, na extremidade do precipício". Seu semblante se transformara, tudo se transformara, especialmente a atmosfera dos escritórios do aeroporto. Ódio e medo deram lugar à boa vontade e confiança.

Voltamo-nos desses ex-alcoólatras e rancorosos a um respeitável membro de uma igreja, de moral elevadíssima, talvez o mais preeminente homem de sua cidade, o presidente de uma grande indústria. Escreve esta carta a M. e a mim. Procurei bombardeá-lo numa reunião, no café da manhã, mas foi M. que o capturou e o ajudou a sair de uma fé de segunda mão para uma de primeira mão, para uma conversão real. Ele escreveu: "Deus foi sempre bom para mim. Começou por me dar pais maravilhosos. Deus me deu uma excelente esposa cristã, três lindos filhos e até mesmo parentes tão bons, incluindo minha nova nora, a quem nós amamos muito.


Meus negócios florescem, minha casa é confortável, gozo de boa saúde. Não há muito mais a se pedir. Mas eu não tenho sido muito bom a Deus. Muitas vezes O tenho ferido e ferido a Sua causa. Tenho-Lhe entregue meu dinheiro, mas não a mim mesmo. Durante muito tempo Ele vem batido à minha porta. Na semana passada Ele bateu como nunca antes havia feito.

M. sentiu necessidade de vir aqui falar comigo. Como estivesse resfriado, não pude fugir. Ela não perdeu muito tempo, mas foi direito ao ponto: "Bill, você realmente entregou-se a Deus, entregou tudo a Ele?" Tive que lhe dizer que não fizera isto. Como lhe disse, falei-lhe que sempre fora assíduo à igreja, que meus pais eram cristãos, que tinha aprendido a verdade, mas que minha religião era de segunda-mão. Deus nunca me fora muito real ou mesmo muito próximo. M. disse: "Você tem o Espírito de Deus, mas o Espírito de Deus não possui a você." Contei-lhe como me sentia ao ensinar na Escola Dominical: ensinava as coisas que lera e estudara, mas não aquelas que eu realmente experimentara, e que eu reconhecia a diferença e a falta. Minha mente dizia: "Sim", mas meu subconsciente "Não". Então M. sugeriu que dobrássemos nossos joelhos e orássemos. Nada de espetacular sucedeu, mas senti um fortalecimento de minha vontade e um desejo de conhecer a Deus pessoalmente.

Então o senhor me telefonou no dia seguinte e me convidou a agir como se O conhecesse. Isto me deu um empurrão na direção certa. Apanhei um livro, e esta sentença saltou aos meus olhos: "Receita infalível para Ser Miserável: pense sobre si mesmo, fale sobre si mesmo, empregue o pronome eu tão freqüentemente quando puder, mire-se continuamente na opinião dos outros, ouça o que o povo fala de si, e espere ser aplaudido”. Enquanto lia, tomei conhecimento de um dos principais obstáculos que me vinham impedindo de tornar Deus real a mim. Sempre pensei no que o povo pensaria ou diria sobre mim, em vez de pensar no que Deus pensava e o que Ele queria de mim.

Ontem à noite não pude dormir bem, e, em geral, quando isto acontece me perco fazendo tempestade em copo d'água. Mas ontem nada disto aconteceu. Deus conservou-me acordado e me disse tudo o que desejava que eu fizesse, e, olhe lá, é uma lista grande de coisas. Bem no alto, encimando tudo, estava "Buscai primeiro o Reino de Deus". Isto é o que eu vou fazer. Estou no Caminho com ambos os pés".”

Numa carta, em separado, disse-me que, ao ditar a carta anterior à sua secretária, sentia-se como "um pássaro alvoroçado", pois nunca tinha desnudado o coração para quem quer que fosse antes disso. Disse-lhe: "Nunca você me viu neste estado emocional nesses vinte e cinco anos em que tem sido minha secretária. Agora fique bem firme, pois vai me ver a mim mesmo como sou. Quando terminei disse: "Agora você sabe quem eu sou", e a secretária lhe retrucou: "Todos nós precisamos disto que o senhor encontrou." Quando ensinou na Escola Dominical, no domingo seguinte, uma jovem senhora lhe disse: "Sr. B., o senhor não tirou isto de algum livro!" Convidou seus auxiliares e empregados para uma reunião e falou-lhes da "mudança", mudança de uma fé de segunda mão, para uma de primeira. Disse-lhes que se tivessem mágoas e ressentimentos que os despejassem diante de Deus na capelinha que ele construíra na indústria, ao invés de guardá-los até se cristalizarem. Disse-lhes também que poderiam vir falar com ele em qualquer momento sobre seus problemas. Um dos principais homens da cidade, altamente respeitado, líder religioso de um grupo social, cívico e religioso, um Nicodemos moderno, nasceu de novo.

Este capítulo sobre os frutos da conversão pode resumir-se na afirmação de um jovem que depois de convertido sempre assinava as cartas que encaminhava aos pais com o seguinte fecho "seu filho transformado". Pois a conversão transforma tudo que toca, e toca em tudo.

CITAÇÃO:

1) Henry Sloane Coffin, Joy in Believing (New York: Charles Scribner's Sons, 1956) pág. 126. Usado com permissão.

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Este texto corresponde ao capítulo VI do livro "Conversão" de Stanley Jones

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