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Conversão
Rio, 30/8/2008
 

A conversão de nossas palavras (Stanley Jones)

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Quando nos convertemos interiormente, estamos convertidos exteriormente também. A conversão afeta nossas relações, nossa atitude em relação aos outros, e mesmo nosso vocabulário.

As palavras têm sido desprezadas, como sendo de pouca ou nenhuma importância. "O que você é fala tão alto, que não posso ouvir o que você diz". Isto é verdade, mas as palavras são importantes. Jesus disse: "porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado" (Mateus 12.37). Esta passagem deve ser levada em consideração, em relação a outra passagem citada muitas vezes: "Nem todo os que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mateus 7.21). Ambas são verdadeiras. O interior e o exterior devem ser os mesmos. Pois se o exterior sem o interior é hipocrisia, também o é o interior sem o exterior. Se nos convertemos em nossa adoração, devemos nos converter em nossos trabalhos, e também em nossas palavras, que interpretam os dois.

As palavras são importantes, pois são atitudes e hábitos cristalizados. Quando se repete uma atitude ou hábito numa palavra, esta tende a fixar a atitude ou o hábito. Toda expressão aprofunda a impressão. "É lei da mente que o que não está expresso morre". Dessa forma, há um significado profundo nas palavras de Jesus: "Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mateus 10.23-33). Se você não crê em Deus o suficiente para confessá-lo, realmente você não crê. Quando o salmista disse: "As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença", viu a importância de ambos. Os dois não poderiam estar separados. "Admiravam-se das palavras que saíam de sua boca". "Nunca homem algum falou como este". Há um provérbio chinês que diz: "As palavras são os sons do coração". Em nossas palavras insinuam-se os sons de nossos corações.

Se nossa vida interior é cheia de lamentações, nosso vocabulário será queixoso. Nossas palavras estarão cheias de lamentações. Se interiormente somos críticos, seremos críticos em nossas palavras e estas fixarão as atitudes interiores. Assim, no "campus" de uma universidade foi aberta uma pequena sepultura ao longo da calçada entre os edifícios, onde os alunos e professores jogam seus mexericos e críticas quando passam por ali. Paulo diz em 2Tm 2.17, daqueles "cuja linguagem corrói em lares e situações como câncer se alastrando. Macias acusações, quais tolas traças, destroem um nome honesto".

Mas grande parte de nosso vocabulário não é definitivamente má, é apenas fraco. Não temos convicções profundas; portanto, o que dizemos é inócuo. Estamos sempre nos refugiando em lugares comuns, em ninharias, para escapar à nossa autocrítica por não termos convicções positivas. Cercamos as saídas concordando com todo mundo e só. Tornamo-nos como nossas palavras: fracos, inoperantes, um nada. A pregação tem sido definida como "um homem de boas maneiras falando a pessoas de boas maneiras, com boas maneiras, para torná-las de boas maneiras". Há aí verdade suficiente para nos atormentar. Numa igreja da Nova Inglaterra encontraram um arquivo antigo, que registra a resolução tomada pela igreja "de eliminar o ruído no púlpito". Há muitos "ruídos" no púlpito, tanto lá como agora, personalidades fracas e inoperantes falando palavras fracas e inofensivas. Disseram de Napoleão que "suas palavras eram meias batalhas". De muitos de nós pode-se dizer que nossas palavras são meias derrotas.

A conversão converte nossas palavras. Em vez de palavras derrotistas, usamos palavras vitoriosas, em vez de palavras pessimistas, palavras esperançosas, em vez de palavras negativas, palavras positivas. Será isto querer falar bem alto para esconder nossa pequenez? Não, é a alma assegurando as afirmações de Cristo, "porque quantas são as promessas de Deus tantas têm nele o sim” (2Co 1.20). Quando dizemos nosso pequeno sim, é a afirmação de seu grande "sim".

Aqui está uma ilustração. Uma sulista escreve a uma negra, que estava cheia do Espírito Santo: "Você parecia saber sobre as minhas necessidades muito mais do que eu, e a liderança de seu grupo de oração foi o impulso final que me fez "cair" nos braços de Jesus. Senti uma paz, alegria e poder que nunca sentira antes. A medida que esta paz, alegria, amor e poder cresciam, sabia que estava "penetrando". Em nossa primeira reunião da Associação de Pais e Mestres, sabia que estava vindo do topo da montanha para o vale. Nossa Associação consiste predominantemente de pessoas que procuram publicidade, sucesso e fama. "Obter alguma coisa por nada", parece ser a máquina do grupo. Quando me sentei e pedi a Deus o que fazer, esta parecia ser a resposta: "Lonnie, você agora terá que mudar algumas de suas atitudes; desistir de velhas crenças e costumes; é necessário um novo desprezo pelas conseqüências". Quando refleti sobre estas coisas, vi o "real", e vendo o real fui capaz de perdoar completamente. Coloquei Cristo no lugar do que foi perdoado. Então, senti uma paz que ultrapassava a compreensão. Cada vez que caio, parece que sou capaz de levantar um pouco mais alto na próxima vez. É maravilhoso quando deixo o Único Poder e a única Presença apagar a aparência do mal e colocar o bom em seu lugar. As vezes, é tão novo e maravilhoso que quase me assusta.

É de se notar a mudança do negativo para o positivo. Em vez de terminar criticando aquela Associação, ela terminou com "Lonnie, você agora terá que mudar algumas de suas atitudes". Ela começou consigo própria, não com outros. Colocou "Cristo no lugar da coisa perdoada”. Até usou suas quedas para levantar mais alto. Todo o caminho através disto foi o Positivo Divino palpitando através do negativo. Seu vocabulário refletia o Positivo Divino.

Um pastor escreve:
Fui chamado a um lar onde o marido e a mulher eram alcoólatras e estavam embriagados. Depois de lhes apontar o caminho para Deus através de Jesus Cristo, disse: "Porém isto não é suficiente. Vocês devem confiar sua vida, cada momento do dia, a Seu cuidado e proteção". Tivemos orações, lágrimas e compromissos. Então eu disse: "Vocês têm alguma bebida em casa?" O marido arrastou uma caixa cheia de champagne, e a coisa mais divertida que já fiz foi abrir as garrafas e jogar fora todo o seu conteúdo. Perguntei então se havia alguma na geladeira, e gaguejando em sua bebedeira, ele disse: "Sim, na geladeira há um quarto de vinho do Porto". Abri a geladeira e tirei-a, e quando comecei a virar a garrafa, a esposa disse: "Oh, esta aqui não". Fui para ela e disse-lhe: "Menina, se você vai se entregar a Deus, isto significa tudo". Novamente, entre soluços e lágrimas, ela disse: "Sim, jogue-a fora". E joguei. Eles se tornaram e ainda são os cristãos mais amorosos e dedicados que se poderia imaginar. Ele se tornou diácono da igreja Presbiteriana e sua esposa presidente da Sociedade de Senhoras.

É de se notar que o ponto central de tudo isso foi o momento em que ela mudou de "oh, não" para "sim". Quando disse sim, foi o momento em que se alinhou ao Ser Divino. Tudo o mais se seguiu a isso.

Eis um exemplo imperfeito de conversão do negativo para o positivo. Um alcoólatra veio a um altar de oração. Ele orou: "Ó Deus, se o Senhor vai me salvar, por que não o faz depressa?" Olhou em volta, e disse: "Gente, ele o fez". Esta frase: "Ele fez" é a afirmação correta e no lugar certo, de uma transformação do negativismo, da fuga no alcoolismo para a aceitação positiva, do sim de Deus, em Cristo. Ele se tornou um novo homem, com um novo vocabulário.

Uma transformação de um vocabulário negativo hesitante de "nunca O conheci", para um positivo. Está nessa narrativa depois da "conversão" de Pedro:

Autoridades do povo e anciãos: Visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo por que foi curado, tomai conhecimento vós todos e todo o povo de Israel de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós. Este Jesus é a Pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.8-12).

Em três sentenças, disse mais do que os filósofos e moralistas tinham dito em três séculos. Suas palavras foram todas incisivas, agudas e penetrantes. Seu vocabulário tinha sido convertido. Todas as palavras daninhas, todos os "se" e "mas" foram eliminados. Suas palavras estavam tão próximas da realidade em si, que passaram de palavras para fatos.

Foi este vocabulário penetrante e incisivo que cortou seu caminho através daquele mundo antigo do "faz de conta" e do irreal, e trouxe esperança e salvação às massas. A mesma coisa deve acontecer hoje. Homens convertidos com vocabulários convertidos devem confrontar seu atual mundo de palavras e trazê-lo à realidade.

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Este texto corresponde ao capítulo VIII do livro "Conversão", de Stanley Jones

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