IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Conversão
Rio, 30/8/2008
 

Como ocorre a conversão a Jesus Cristo (Stanley Jones)

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Volvemos agora para a pergunta mais importante sobre conversão: Como? Um advogado chegou-se a mim ao término de uma reunião, apertou-me as mãos firmemente e disse: "Como? Por favor, como?" Já disse alguém que fora educado por seis palavras: "O que?", "Quando?", "Onde?", "Por quê?", "Como?" e "Para quê?". Desta lista a mais importante é "Como?" Pois aí é que muitos se enfraquecem, incluindo ministros. Um leigo procurou um eminente ministro e disse: "Doutor, o senhor tudo sabe sobre o Cristianismo, menos como fazer de um homem um cristão. O ministro nada disse, pois ele sabia que era verdade. Conhecemos o ”Quê?”e o "Por quê?", mas somos fracos em compreender o "Como?”.

Uma garotinha de oito anos, filha de missionários americanos no Congo Belga, veio ao meu quarto em sua casa e disse: "Posso fazer-lhe uma pergunta? Que é necessário para se tornar cristão?" Repliquei-lhe muito simplesmente: "Filha, é necessário você". É verdade, mas talvez seja necessária elaboração. Há passos até a entrega de "você".

Iniciar uma relação de salvação com Cristo não é essencialmente diferente de iniciar uma amizade humana profunda. Quanto à última são cinco os passos a tomar: 1) A etapa da aproximação. Esta é a etapa experimental. Você não tem certeza se quer entregar-se inteiramente a outra pessoa. É a fase do sim e não. 2) A etapa na qual há a decisão interior de se dar a alguém - a fase da decisão. 3) Você leva a cabo a decisão, você realmente faz a entrega interior a outra pessoa. 4) Tendo-se dado à outra pessoa, você está agora livre para receber daquela pessoa. Há um intercâmbio de si mesmos - você pertence àquela pessoa e aquela pessoa pertence a você. Vocês são um. 5) Há um ajuste contínuo e mútuo de mente à mente, vontade à vontade, e de ser a ser através dos anos. A amizade se desdobra.

Aplique estes passos ao encontro de uma relação salvadora com Cristo.

1. A etapa de aproximação. É uma etapa que pode estender-se por anos, ou pode abreviar-se em um tempo curtíssimo. Um pastor eminentíssimo puxou-me para o lado ao término de uma reunião e disse: "Você precisa ajudar-me a endireitar tudo. Tenho resistido ao Espírito Santo. Tenho tido medo disto. Mas percebo que é meu direito de primogenitura". Quando lhe disse que o Espírito Santo o faria semelhante a Cristo, se Ele entrasse em seu intimo, ele anotou: "É isto que faz a diferença, eu quero ser como Ele". Quando lhe sugeri que orássemos sobre o assunto, e inclinei minha cabeça, ele interrompeu-me: "Não precisa. Ele já chegou!" Da resistência à recepção em três minutos é trabalho rápido. Mas, em geral, a etapa de aproximação é prolongada, mas não prolongada do lado de Deus. Há uma diferença aqui entre a amizade humana e a relação Divina. Na amizade humana há em geral uma hesitação de um lado, ou de outro, ou de ambos, mas não é assim com Deus. Todas as hesitações estão do nosso lado. Quando Jesus na cruz clamou: "Está consumado", não quis dizer que Ele se acabara, consumara, morrera. Ele quis dizer que aquilo para o que viera estava consumado - a salvação consumada, o caminho estava aberto do lado de Deus, porque Ele tinha levado sobre Seu próprio corpo, num lenho, nossos pecados. A redenção se completou, aguardando apenas que a tomemos. Você não tem que encontrar a Deus, você tem que permitir-Lhe que o encontre. Todas as religiões ensinam a busca a Deus pelo homem. O Evangelho ensina a busca do homem por Deus. Eis porque há muitas religiões, mas somente um Evangelho.

Você não encontra Deus no último degrau da escada do mérito, tendo-a galgado degrau por degrau, Ele desceu a escada na encarnação e nos oferece a salvação, não como merecedores dela, mas como pecadores. "Não vim chamar os justos, mas os pecadores". Ele nos oferece redenção nas mãos feridas pelos cravos. Ele a oferece livremente! Num retiro, passou-se uma cópia mimeografada de um folheto "Como ser digno de encontrar a Deus". Aquele folheto, inconscientemente, passou da aproximação cristã à salvação aos não cristãos. Todas as aproximações não-cristãs lutam por mérito, disciplina, técnica, pelas formas do pensamento, pelos vários métodos de austeridade. É a tentativa humana para erguer-se a Deus - tentativas egocêntricas. Nunca alcançam. Estão sempre a caminho, sempre anelantes, sempre buscando, nunca encontrando. Estão sempre além das extremidades de seus dedos. O inquiridor hindu percebeu de um relance quando leu em um de meus livros: "É o evangelho uma exigência ou uma oferta?" Quando conclui categórico: "É uma oferta" - o dom de Deus, ele viu a diferença essencial entre hinduísmo e todos os outros sistemas não-cristãos - são todos uma exigência. O Brahama impessoal não faz uma única coisa para ajudá-lo na escada do mérito. No mais alto degrau: da escada Ele passivamente lhe espera até ser imerso nEle! "Ele!”, não "ela". A salvação é a realização humana, mas o homem nunca a realiza - a não ser em pensamento, um sistema filosófico, nunca um fato experimentado. Um famoso swami que se supunha haver chegado à realização - Deus, disse a um amigo meu num momento de confidências, em resposta à pergunta de meu amigo sobre o ponto a que chegara: "Não. Eu sou um pecador". Nesse momento ele estava mais perto da salvação do que em todos os anos de austeridade - se ele somente o tivesse sabido.

Você não tem que encontrar a Deus - você tem que se pôr na posição de ser encontrado por Deus. Ele o está procurando. Ninguém está mais longe do que um passo de Deus, e aquele passo é apenas uma volta. Quando você o fizer estará em seus braços, nos braços do Deus que o busca. Ninguém está mais distante do que uma palavra de Deus; aquela única palavra é "Sim!" Quando você assim diz, você está dentro. Jesus é "o Caminho", e se você estiver numa cova, então o Caminho se alarga bem diante de seus pés. Tudo que você tem a fazer é voltar-se pelo arrependimento e fé e começar a andar no Caminho! Se você estiver num "inferno" então o Caminho se estende também até essa extremidade em que você se encontra - "Ele desceu ao inferno" - e você pode voltar-se e começar a andar no Caminho. Todas as barreiras desaparecem ao lado de Deus. Se houver quaisquer barreiras, elas todas se encontram do nosso lado. Todas!

2. O estágio da decisão - fase em que você interiormente decide ser dEle. Às vezes seus motivos e seus métodos de chegada à decisão podem ser mistos. Um jovem na Índia disse-me: "Não podia decidir-me. Fui à igreja, e saí. Estava aterrorizado. Finalmente, decidi atirar uma moeda para o alto: "cara ou coroa". Se caísse "cara" daria meu coração a Deus, se caísse coroa, não daria". Atirei a moeda e caiu "cara", e eu entrei e dei meu coração a Deus". Pobre método de escolha, mas provavelmente ele sempre dependeu de algo semelhante, em seu ambiente, para fazer suas escolhas nesta base, e assim quando chegou o momento supremo, a crise máxima, ele voltou-se aos velhos hábitos de sua vida. Deus o aceitará, de mistura com seus motivos e tudo mais, e Ele então purifica-lo-á e a seus motivos. Não pique seus motivos em pedaços e neles fique atolado. Venha como está - "Eu venho como estou" - mas venha.

3. Você completa a decisão - você realmente entrega sua vida a Cristo. Como se faz isto? Bem, como você entrega sua vida a um outro, digamos ao cônjuge para a vida? Nada há que tenha sido pesado ou medido, nada que o olho possa ver, mas no seu íntimo você diz: "Pertenço àquela pessoa". Esta coisa singular que você possui é você mesmo. É isto e somente isto que você levará junto quando sair deste mundo - você não pode levar seu dinheiro, seu lar, seus queridos, nada a não ser você mesmo. É a única coisa que você possui. Então você pode decidir a quem esse "si mesmo" pertencerá – a si mesmo? Neste caso você se torna uma pessoa auto-centralizada, portanto despedaçada. A plebe? Neste caso você se torna um eco, não uma voz, urna coisa, não urna pessoa, uma não existência. Ao dinheiro? Nesse caso você se torna uma pessoa insegura, com a insegurança própria do dinheiro. Você sobe e desce com ele. Ao sexo?

Neste caso você se torna uma pessoa dominada pelo sexo, urna pessoa sensual, portanto, repugnante. Não pense que por você pertencer a Cristo você está livre. Ninguém está livre. Somos livres somente para escolher nossos senhores. Cristo ou qualquer outra coisa nos governará. Quando você nas profundezas de sua alma diz "Eu pertenço a Ele", a decisão se fez certa. Não há mais "se", nem "mas" - deve ser inequívoco. "Eu pertenço a Ele", ponto final. Submerja ou nade, sobreviva ou pereça, para a vida e para a morte, sentindo ou não - eu sou dEle.

4. Urna vez que você se deu a Cristo, você por esse meio é encorajado a receber de Cristo o perdão, a graça, o poder, o amor, tudo, especialmente Ele mesmo. A ênfase está "nEle", pois quando você O tem, você tem perdão, graça, poder, amor, tudo.

Alguém disse a um que buscava: "Quando duas pessoas estão realmente casadas, elas fazem seus votos. Os céus não abrem, mas elas crêem no que disseram e fizeram, e agem nesta base, e começam a viver assim". Isto é saudável e exeqüível, pois a entrega abre as portas à verificação. O viver junto é uma constante verificação de que vocês se casaram e pertencem um ao outro.

A entrega produz fé, e a fé é pura receptividade. A fé dá as boas vindas àquilo em que você crê. Fé é aceitação. "Quando você se converteu?" perguntou-se a Kolddrugghe. Ele replicou: "No Gólgota". Isto foi meia-verdade. Quando se encheu Pedro do Espírito Santo? Quando disse Joel: "E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito". Potencialmente sim, realmente quando pode dizer: "Eis aí". Quando foi você alimentado? Quando Deus criou o trigo? Não, mas quando você se apropriou do trigo criado e o tornou para si. Assim "a fé é urna afirmação e um ato que proclama que a verdade eterna é fato". É agir "como se" e descobrir que "é". Pela fé a promessa se torna cumprimento.

Como saberei? Quais são os passos da segurança, certeza? De fato, sobre assunto tão importante deve haver segurança. Há! Não precisa viver na terra nevoenta do "Espero que sim”, e do "talvez". Você pode saber e saber agora. A garantia vem através de cinco maneiras:

Primeiro, a Palavra de Deus garante a você inteiramente que "aquele que vem a mim de modo nenhum o lançarei fora". Há trinta e três mil promessas na Bíblia, e todas elas, quais raios de luz através de um prisma, convergem para esta certeza e se focalizam no coração de modo a aquecê-lo com o sentido da segurança. Este sentido não se manifesta do mesmo modo a todas as pessoas. Quando alguém perguntou a um africano, como sabia ele que estava salvo, replicou: "Uma brisa amena se agita em meu coração". Exponha-se a estas promessas de Deus na Palavra e permita que as brisas amenas soprem sobre seu coração. Os dez leprosos que pediram a Jesus que os curasse, receberam dele a ordem de irem mostrar-se aos sacerdotes a fim de receberem um certificado de que estavam curados. Eles partiram. O relato diz: "Aconteceu que, indo eles, foram purificados". "Indo eles!" O sinal de Cristo estava atrás de suas palavras de cura. O sinal de Deus está atrás das promessas nas Escrituras. Ande por elas, pois elas nunca o derrubarão. "Aquele que te chama é fiel, e Ele o fará".

Segundo, Aqueles de nós que o experimentamos garantimos-lhe. Há uma testemunha coletiva. Tenho viajado em todas as nações, no meio de todas as raças e classes por meio século, e a coisa mais surpreendente que descobri nestas viagens é a maneira pela qual os cristãos, de todos os climas, quando são realmente cristãos têm uma linguagem comum - a linguagem da certeza, da segurança. Podem ter saído do canibalismo, ou de heranças centenárias de cultura, mas a língua é a mesma. Não pode haver possibilidade de conluio, de testemunhas fabricadas. Sai da realidade e eles todos falam a mesma coisa: Ele me salvou! Na minha Conferência de Mesa Redonda onde nós reunimos os melhores representantes das várias confissões e lhes pedimos que falem a que resultado a fé conduz, só tem surgido um único resultado, um só. Os que têm intimidade com Cristo descobrem algo, e os que não têm tal intimidade com Ele nada descobrem. Às vezes interpretam isto de modo muito interessante. Como um Muçulmano disse caminhando comigo de volta para casa: "Nós os muçulmanos e hindus nessa Conferência temos sido mais sinceros e honestos do que vocês cristãos". Perguntei-lhe a razão por que julgava assim; ele replicou: "Bem, todos nós muçulmanos e hindus dissemos que nada havíamos descoberto, e todos vocês cristãos disseram que descobriram algo. Por isso devemos ter sido mais honestos e sinceros do que vocês". Repliquei-lhe: "Essa é uma interpretação. A outra é que Jesus é o Caminho". E Ele é mesmo! Porque onde quer que o homem sinceramente Lhe entrega o ser submisso e cheio de fé e obediência, então uma certeza invencível de liberdade e alívio e salvação toma posse deles. Esse testemunho coletivo é o mais impressionante fato na história - nada obstruindo. Povos de todas as eras da história, de todas as raças, de ambos os sexos, de todas as culturas, dizem a mesma coisa em linguagens e acentos diversos. "Conheço-O. Eu sei em quem tenho crido. Ele é o meu Salvador, pois Ele me salva agora daquilo que eu não quero ser para aquilo que quero". A vida o comprovará.

Terceiro, sua força moral elevada garantirá a você que você Lhe pertence. Você terá capacidade de erguer-se sob tentações e dizer não ao mal. Você não será mais um farrapo, mas uma arma erguida diante de qualquer perigo. T. R. Glover conta a história de um amigo agnóstico que tomou sobre si a incumbência de salvar um bêbedo, com o fim de provar que os hábitos de um homem podem ser transformados sem o auxilio da religião. O homem era tão fraco que era incapaz de passar por uma taverna a menos que alguém o segurasse pelo braço. Se seu guardião fosse a Londres por um dia, ele imediatamente saia e se embriagava. Um dia o Dr. Glover encontrou com o agnóstico e perguntou-lhe a respeito do amigo bêbedo. "Oh, respondeu, eu ia indo razoavelmente bem com a minha tarefa, quando um bando de pessoas rudes de blusões vermelhos chegou juntamente com uma banda barulhenta. Não sei de que maneira, mas esses repulsivos o apanharam. Não sei exatamente como aconteceu, mas parece que eles o fizeram ajoelhar-se e orar. De qualquer modo, agora pode passar por uma taverna por si mesmo, sem ser tentado a entrar". Sua força moral elevada testemunhará que você O tem e Ele tem a você.

Uma estudante chinesa converteu-se numa de minhas reuniões na Malaia. Era filha de ricos confucionistas, e ela arriscou tudo ao tomar esta posição. Arriscou ser deserdada. Um outro ricaço chinês atirou um cheque de um milhão de dólares na mesa diante dela e disse que seria dela o dinheiro se ela concordasse em ser sua segunda esposa. Ela retirou-se da sala e deixou ali estendido o cheque de um milhão. Preferiu a pobreza com Cristo à fartura num lar não cristão. Hoje é a esposa do presidente cristão de uma das maiores escolas chinesas de Singapura e sua filha se chama Eunice, pelo nome de nossa filha. Sua elevada força moral provou que Cristo estava em seu íntimo.

Eis um homem exaltado por Cristo. Tinha sido um patife, mas era, por outro lado, um vendedor de primeira. Na véspera do Ano Novo vendera treze carros. Para celebrar a entrada do Ano foi a uma festa. Voltou para casa ao amanhecer, depois de uma noite de extravagância. Quando acordou, às nove horas, Deus lhe falou: "Não há diferença alguma entre um bobo e alguém que age como tal". Isto lhe serviu. Ele replicou: "Bem, sou de Jesus Cristo". Chamou sua esposa e disse: "Patroa, você não vai ter mais trabalho comigo, com seu homem". Ela acreditou nele. Ela mesma se converteu um ano depois. Todos seus irmãos também se converteram. Ele ganhou o rico proprietário de uma estação de televisão - um homem que despistava os ministros com presentes a fim de que eles não pusessem a mão em sua alma. Ele o ganhou para Cristo.

Recentemente uma garotinha se converteu. Como é que ela sabia que havia se convertido? "Bem, disse ela, costumava ficar muito zangada quando meu irmão me aborrecia, mas agora não".

Quando um negociante japonês se converteu e lhe perguntaram sobre a mudança nele operada, replicou: "Meus trabalhadores não mais ficam desesperados comigo, porque eu também não me desespero com eles. Eu era a causa do mau humor".

Quarto, o Espírito testemunhará diretamente com seu espírito que você se converteu. "Quando clamamos Aba, Pai o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8.16). Observe que o Espírito não testifica "ao nosso espírito", mas "com o nosso espírito". Nosso espírito e o Espírito Santo testificam a mesma coisa - dupla testemunha. O Espírito testifica ao espírito cuja força moral elevada também testifica. Esse é o testemunho superior e inferior - Deus e homem corroboram o testemunho, um do outro. Nada pode ser mais forte e mais satisfatório. A alma salva está segura com uma certeza invencível.

A chegada do testemunho do Espírito pode se dar gradativamente como a aurora, ou inesperadamente como um raio. De qualquer maneira o fulgor é fé. Numa tempestade cheia de trovoadas uma fagulhazinha se ergue da terra. É alcançada pela chispa do alto e pelo fragor do trovão. Nossa fagulhazinha de fé ergue-se a Deus e liberta o Seu poder. Tal fagulha pode erguer-se espontaneamente do interior ou ser precipitada do exterior. Numa Vigília de Oração assumi o comando ao verificar que uma mulher procurava submeter-se a Deus. Caminhei pela nave da capela e, chegando-me por trás da mulher, disse-lhe: "Eu estou assumindo o comando agora". Tinha estado em oração para entregar-se a Deus e quando eu lhe disse aquilo, ela transferiu-o a Cristo e olhou para mim sorrindo feliz e disse: "Ele assumiu o comando". Na Índia uma missionária buscava o Espírito Santo, e nós estávamos esperando a autoridade britânica naquela missão do Himalaia. Olhando, vi o oficial e sua comitiva descendo a montanha. Disse: "Ele vem vindo", e a missionária, pensando em termos da vinda do Espírito Santo e não da autoridade britânica, replicou: "Sim, Ele veio". O Espírito Santo chegara!

Não há dois acessos ou duas certezas idênticas neste terreno. Assim como não há dois casos de amor idênticos, mas singulares, assim também não há duas conversões idênticas. Cada uma é sempre singular. Bryan Green disse:

Passar-se-á pela linha (do amor) em um desses três caminhos. Pode haver uma descoberta dramática e inesperada de amor à primeira vista, uma repentina percepção de que um é indispensável ao outro. Para outro, pode haver várias tentativas e lutas antes dele cruzar a linha; supunha que estava amando, mas não estava, ou talvez seu amor não encontrasse eco; o que possuía era real na medida em que se movia, mas não era aquela experiência do amor verdadeiro que o ergueria acima da linha imaginária. Para outros, o cruzar da linha é inteiramente diferente: conheceram-se quando crianças, naquela amizade preciosa da infância. Um dia descobrem que se amam e atravessam a linha. Seguem-se, é óbvio, três conseqüências inevitáveis disso: Descobriram a experiência definitiva: "Nós amamos". Tornam-se cônscios de que descobriram: "Nós sabíamos que nos amávamos". E nunca mais podem ser os mesmos depois disto: "Vamos nos casar”. (1)

Qualquer que seja a maneira como a conversão chega, esses três movimentos podem ser destacados no processo de todas as conversões: 1) Conflito mental; 2) Crise emocional; 3) Resolução do conflito. Há conflito mental em todas as conversões. A conversão exige conversão para o alto. O "devia ser" se ergue contra o "é" e exige mudança. Isto perturba, pois implica em alteração de vida e de seus planos e propósitos. Significa perturbação emocional. Chama-se "convicção". Às vezes a alma fica presa nessa fase e nunca passa além, à conversão. Com Aaron Burr aconteceu isto. Num reavivamento na Universidade de Princeton ele se apresentou convicto. Chegou-se ao presidente, que o aconselhou a esperar até que a comoção morresse. Foi um conselho fatal. Burr aceitou. Atormentado por essa convicção insolúvel, disse a Cristo: "Se me deixares sozinho, eu te deixarei só". Aaron Burr perdeu por um voto a presidência dos Estados Unidos, mas morreu na desgraça, sem ser lamentado, nem homenageado. Os cidadãos da sua terra natal nem permitiam que fosse colocada lápide em sua sepultura, mas alguém furtivamente, noite a dentro, pôs a pedra tumular com seu nome apenas "Aaron Burr". Foi tudo. Ao contemplar aquela singela lápide, disse a mim mesmo: "Se ele tivesse somente passado da convicção para a conversão, o que não teria sucedido?".

Sir J. Stephens, em seu ensaio, diz: "Há uma história natural de conversões religiosas. Começa com melancolia, avança através da contrição para a fé, é então conduzido à tranqüilidade e depois de um pouco ao êxtase, amainando-se, em extensão, em perene consolação e paz".
E tudo isto pode ocorrer num momento supremo de tempo. J. A. Hutton diz de Browning: "Tinha arrebatada confiança de que a alma, num momento sublime, salta jubilosa das profundezas da vergonha ou da limitação sutil, para o seio de Deus". Ou, como o professor Corson disse da poesia de Browning: "Não pela sabedoria, não pelo intelecto vivaz, mas pela conversão, pela mudança de seu sistema espiritual para um novo centro, que a alma se atém à verdade salvadora".(2)

O centro da conversão é a conversão da vontade. Observe o filho pródigo dizer: "Levantar-me-ei, irei, direi ... pequei" tudo se centraliza na vontade.

Apelamos para aquela alma perdida, aleijada, a tremer nos limites da decisão, que tome esses passos: 1) Volte-se para si mesmo e seu passado - faça um bom exame de sua vida e de suas direções. Isto é revisão. 2) Volte-se de seus modos antigos de vida. Isso é arrependimento. 3) Volte-se com seus pecados a Jesus Cristo. Isso é entrega. 4) Volte-se para Ele em fé e aceitação do perdão e nova vida. Isso é receptividade. 5) Transforme todas as suas relações à luz desta nova aurora. Isso é restituição. 6) Com Ele enfrente o futuro e a vida. Isso é consagração. 7) Erga seus pensamentos todas as noites antes de adormecer, dizendo consigo mesmo: "Posso todas as coisas naquele que me fortalece". Isso é fé, regozijando-se com o seu Redentor e seu poder para tudo!

Quando você está com Cristo, enfrentando a vida juntamente com Ele, está salvo. Um senhor passeava com seu netinho. "Estamos muito longe de casa?" perguntou ao neto. "Não sei", replicou. "Quanto dista à casa daqui?" "Não sei". "Onde está você agora?" "Não sei". "Então você está perdido, meu bem". "Não, não estou, estou com o senhor". Qualquer um "com Cristo" não está perdido. Está salvo para sempre, desde que ele não somente tenha a Cristo, mas Cristo o possua também.

Uma irmã mais jovem disse a outra: "Papai é meu". O pai chamou, porém, a garota que disse: "Papai me tem". Isto é segurança e certeza e vida eterna". “Jesus me tem".


CITAÇÕES:

1) A Prática do Evangelismo, p. 35. Usada com permissão de Charles Scribner's Sons and Hodder and Stuoghton Ltda.
2) Jackson, op. cito pp. 159, 163.

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Este texto corresponde ao capítulo X do livro "Conversão, de Stanley Jones.

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