IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 30/8/2008
 

Como ajudar outros a se converterem a Jesus Cristo (Stanley Jones)

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Já estudamos a questão do processo como se opera a conversão. Foi para nós mesmos - como encontrarmos a conversão? A pergunta seguinte é: como ajudar outros a encontrar a conversão? Pois a finalidade do evangelismo é produzir um evangelista. Você realmente não ganha uma pessoa enquanto não ajudá-la a ganhar outra para a conversão.

Na Igreja Presbiteriana de Hollywood, uma das grandes igrejas da América, no pavilhão da Juventude, lê-se no alto da parede, logo ao entrar: "Conhecê-Lo e ajudar outros a conhecê-Lo". Eis as pulsações alternadas do coração cristão - conhecê-Lo, ajudar outros a conhecê-Lo. Você não poderá continuar a conhecê-Lo enquanto não ajudar outros à experiência semelhante.

Estas atitudes são necessárias se você deseja ajudar outros a conhecê-Lo:

1. Qualquer um que realmente deseja ganhar outros à conversão pode fazê-lo. Quando digo "qualquer um" quero dizer "qualquer um" mesmo. Somente aqueles que se excluem disto são excluídos. A verdade é que o grande movimento do futuro no evangelismo repousa no evangelismo do leigo. O deão Inge diz: "Um renascimento da religião espiritual... como nos reavivamentos primitivos será independente da igreja e não será encarado com muita benignidade pelos eclesiásticos. O cristianismo começou com uma religião profética do leigo. Não havia um único sacerdote entre os apóstolos. No laicismo repousa o futuro do cristianismo, embora devamos ter uma organização que evite que os frutos do Espírito se percam".

O cônego Peter Green diz: "A grande fraqueza da Igreja da Inglaterra está no fato de não ter ela empregado o leigo. Enquanto não se conseguir que um homem dobre os joelhos em prece e se erga então para falar, nada realmente dele se conseguiu". O cônego Bryan Green diz: "O futuro do cristianismo e da evangelização do mundo está nas mãos dos homens e mulheres comuns e não primariamente naqueles ministros cristãos profissionais".(1)

Esses comentários nos vêm da Inglaterra. Na América o evangelismo se move da margem para o centro da vida das igrejas, e isso inclui os pastores. O Evangelismo se volta para o que é seu - especialmente o evangelismo leigo. Um negociante de St. Louis separou um dia da semana para visitar pessoas que desejava ganhar para Cristo. Ele e sua esposa ganharam 120 no primeiro ano. Em qualquer idade pode-se ganhar outros - uma menininha de dez anos de idade ganhou dezoito outras crianças. Um jovem de dezessete disse a um advogado de oitenta: "A que equipe de evangelismo o senhor pertence?" O advogado respondeu: "Ora, ora, eu não pertenço à igreja". O rapaz replicou: "Por que não se une a ela agora? O senhor não tem muito tempo para fazê-lo". Foi o bastante. No domingo seguinte o advogado caminhou pela nave da igreja com o jovem e entregou-se a Cristo e à Igreja - o octogenário e o adolescente de dezessete anos!

A primeira coisa que se tem a gravar na mente é: "Qualquer um pode fazê-lo. Então eu o farei!".

2. Todos foram feitos para a conversão. No âmago da estrutura de seu ser o homem foi feito para a conversão e dela necessita - e nas profundezas de sua alma ele a deseja - para a sua própria realização. Todas as pessoas sentem um quê de incompleto, de frustração, de carência do sentido da vida, até que a conversão opere. Uma garotinha, num acampamento, saudosa do lar do qual se separara pela primeira vez, foi descoberta pela conselheira chorando em sua cama à hora de dormir, e esta lhe perguntou: "Você está sentindo falta de casa?" "Não, replicou a menininha. Não sinto falta de casa. Sinto falta daqui". Nas profundezas de cada alma, quer reconheça isto ou não, há uma "falta daqui" - uma nostalgia por Deus, a pátria de sua alma. Isto não é algo que se impõe à alma - está arraigado na própria estrutura. A marca d’agua no papel não é nele estampada - é uma parte de sua estrutura verdadeira. Assim nós somos criados por Cristo, para Cristo, e quando O encontramos, encontramos a nós mesmos". "Tudo foi criado por meio dele (Cristo) e para ele" (Cl 1.16). O contato de Cristo está em toda a criação e tudo que foi criado na sua estrutura interior para operar no Caminho; quando isso ocorre, tudo se opera ritmicamente, harmoniosamente, para o melhor. Quando corre de outra forma, corre para a ruína. Somos incuravelmente inclinados para Cristo. O queremos ainda mesmo quando pensamos que estamos querendo qualquer outra coisa.

Quando você procura uma pessoa para ganhá-la para Cristo, para a conversão, lembre-se de que tem um aliado no próprio coração daquele com quem fala, que tomará o seu lado. São dois contra um - sempre.

3. São três contra um na verdade. O Espírito Santo está operando com toda a pessoa viva. Age através da consciência, da pressão de ideais elevados, do impacto de pessoas melhores sobre nós, e do próprio Espírito Santo operando. Lá Ele estava antes de você. "Convencerá o mundo do pecado" - convencer-nos-á daquilo que não fomos e nem fizemos; "do juízo" – convencerá o mundo da última palavra de Deus - juízo. O Espírito Santo é fiel aliado. São três contra um: você, o Espírito Santo e a inata aspiração do homem! É facílimo, exceto nos casos de endurecimento, e até mesmo esses são freqüentemente frágeis, facilmente quebráveis.

4. Assim, procure a pessoa com uma esperança positiva de ganhá-la. Não vá com desculpas, hesitações, ensaios - seja positivo sem ser rude. Fui a uma loja e pedi um certo tipo de colarinho e o pedi da seguinte forma: "O senhor não tem o tipo de colarinho que eu quero, tem?" O balconista replicou: "Por que é tão negativo? Sim, eu tenho". Francisco de Assis costumava simpatizar com os ladrões e gatunos, dizendo-lhes que se entristecia por eles, pois eles não podiam expressar a santidade de seu interior. E como eles reagiam positivamente!

5. Não se iniba por um sentimento de sua própria indignidade. Certamente você é indigno, quem não o é? Você não está convidando ninguém para segui-lo, mas para seguir a Cristo. Somos testemunhas imperfeitas de um Salvador perfeito. Como D. T. Niles diz: "O Evangelismo é apenas um mendigo contando a outro mendigo onde encontrar pão". Você não é a fonte - Ele é! Você não precisa ser um santo para fazer este trabalho, mas tem que ser sincero. Esforcei-me por realizar trabalho pessoal quando era membro de igreja sem ser convertido e defrontei-me com esta resposta: "Você só é religioso durante os reavivamentos". Era verdade. Nunca mais me esforcei até me converter. A primeira pessoa a quem falei, se converteu - minha avó, com oitenta e dois anos de vida. Ela queria possuir o que eu havia descoberto. O mendigo é ainda mendigo, mas deve ser capaz de contar onde se encontra o pão.

6. Não se surpreenda se parece haver uma resistência inicial. Mas você deve ter ilimitada fé de que ganhará a pessoa. Nós não abrimos facilmente nossas vidas aos outros. Há uma tendência de nos fechar. O fato é que há dois instintos dentro de nós. Um é o de fechar contra qualquer intruso, e o outro é o de nos abrir a alguém capaz de simpatizar conosco e compreender-nos. Se lhe ocorre a manifestação do primeiro instinto quando em trabalho de evangelização, não desista e qualifique a pessoa de impossível. Fique ao seu lado até que o segundo instinto comece a operar. Porque no âmago de cada pessoa há um desejo profundo de contar a alguém compreensivo os maiores anseios e necessidades de sua alma.

7. Se alguém lhe revela suas necessidades, não se desvie para uma necessidade marginal - a necessidade de endireitar isso, aquilo, ou aquele outro. A necessidade real é de conversão. Muitas vezes a pessoa tentará despistá-lo com o reformar-se ao invés de transformar-se. Uma mulher que tinha certos "problemas" estava se aconselhando com uma amiga. Quando ela começou a contar-lhe os problemas, a amiga gentilmente lhe interrompeu: "Antes de entrarmos nos seus problemas, posso perguntar-lhe se já entregou a Cristo?" A outra respondeu: "Não, penso que não". "Então", disse-lhe a amiga, "vamos acertar isto primeiro". Ajoelharam-se e a infeliz ergueu-se transformada e alegre. "Agora", disse-lhe a conselheira, "pode falar-me sobre seus problemas". Rindo, a transformada respondeu: "Não tenho mais. Era isto". Relatando o fato, a conselheira disse: "Descobri como poupar tempo ao lidar com as pessoas - levo-as a conversão primeiro, e então discuta seus problemas. Quando fizer isso, seus problemas, em geral, deixam de existir".

8. Isto conduz a outro passo. Tenha em mira a entrega do "ego", não a entrega de uma coisa, ou outra qualquer. Podemos entregar tais coisas em vez de entregar o ser. Mas o ponto crucial verdadeiro é a entrega do "ego", do ser. Enquanto isso não se der, nada se dá. Em geral a pessoa se sente feliz nas profundezas de seu ser quando se liberta de seu próprio ser, pois o ser em suas próprias mãos é problema e sofrimento. Nas mãos de Deus é uma possibilidade e um poder.

9. Em vez de entregar seu ser a Deus, a pessoa começa a erguer esta ou aquela questão religiosa. Pode querer discutir pontos de religião e doutrina. Não morda esta isca, pois você ficará preso em assunto à margem. O fim em vista não é discussão, mas decisão. A única e verdadeira decisão é a decisão de entrega do ser.

10. Quando chegar ao ponto da decisão leve a pessoa a ajoelhar-se. Assim conduzido o assunto, você está declarando que ele não terá que ser resolvido entre o conselheiro e o que está sendo aconselhado, mas entre esse e Deus, somente.

Ao ajoelhar-se, sugira que você orará primeiro e a pessoa depois. Em sua oração você poderá preparar o terreno para entrega e fé por dizer a Deus que lhe é grato pelo que se dará. Então convide o interessado a orar em voz alta, com clareza, mas se ele ou ela hesitar e disser: "Eu não sei orar", então lhe sugira que repita frase por frase a oração que você vai fazer. Ore empregando o pronome na primeira pessoa do singular, como se o indeciso a estivesse fazendo: "Amado Senhor, eu venho a Ti assim como estou". A seguir, após ter feito a oração do arrependimento, da entrega e da fé, que culmina com a nota da certeza de que a aceitação se deu, então dirija uma oração de graças a Deus pelo grande milagre, por ela ou ele ter aceitado a Cristo e a Ele pertencer.

Ao se erguer, tome as mãos da pessoa e a cumprimente, repetindo um verso como este: "Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco" Marcos 11.24. Chama a atenção para "recebestes", não "receberás".

Inste depois com o que se converteu - não olhe para si mesmo, ficará desanimado; não olhe ao redor, você se distrairá; não olhe para trás, você ficará paralisado; olhe para Jesus, e terá paz e segurança.

Diga-lhe que a emoção é um subproduto da entrega e fé e obediência, muito semelhante à espuma das ondas agitadas pelo navio a singrar as águas, para a frente. O importante é seguir para frente com Ele, a emoção cuidará de si.

11. Faça-o registrar sua decisão na folha em brancode sua Bíblia. "Neste dia ___ de _________de______ abandonei meus velhos caminhos de vida; entreguei-me a Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador; sou dEle para sempre; e por palavra e pelo viver, serei sua testemunha diante dos outros". Então peça-lhe que a assine.

A parte final é importante. "Serei sua testemunha diante dos outros". O livro do Apocalipse diz: "Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram". Por duas coisas, pelo que Ele fez por eles: "o sangue do Cordeiro", dádiva de Si mesmo; pelo que eles fizeram por Ele: "a palavra do testemunho que deram". Sua resposta à dádiva de Si mesmo. Não podiam senão falar dela.

12. Auxilie o convertido a endireitar sua vida em todas as suas relações. Impressione-o com a necessidade de dizer: "Peço que me desculpe, lamento muito". É uma catarse.

Um pastor no Japão, estava em dificuldades no lar. Sua esposa e seu pai se desentenderam. Ela decidiu voltar para a casa dos seus próprios pais. O marido lhe disse: "Não posso dizer-lhe que vá ou que fique, mas vou jejuar e orar para ver o que Deus responde - que orientação Ele me dará". Ela vestiu suas melhores roupas e tornou a metê-las na gaveta. No fim do dia ela disse: "Coma, você não é o responsável, a história é entre mim e meu sogro". O pastor reuniu a família e disse: "Deus me falou hoje, dizendo: "Você é o chefe desta casa e o responsável pelo que está acontecendo. Você é a chave. Por isso me arrependo. Tudo é por minha culpa". A esposa falou: "Não, é minha falta. Nunca amei meu pai e transferi esse ódio para meu sogro". O irmão então falou: "Não, eu sou o culpado. Pedi algo a meu irmão e ele recusou. Fui então ao papai e ele atendeu-me, contrariando a ordem de meu irmão. Minha cunhada soube disto, o que, logo mais, provocou a discórdia entre os dois". Mas a empregada insistiu: "Não, eu sou a culpada. Eu queria a simpatia do pai e da esposa. Então ia para o pai e inventava histórias sobre a esposa e depois vinha para a esposa e inventava histórias sobre o pai, a fim de ganhar o favor de ambos". O pai confessou: "Não, é minha a culpa. Disse a mim mesmo: Sou o mais velho, portanto a família me pertence e deve me servir e me obedecer. Mas nesta manhã li: "O maior dentre vós seja aquele que vos sirva. De agora em diante vou ser o servo de todos". Tudo afinal se ajustou. Não tenha medo de dizer: "Perdão, eu fui o culpado".

13. Consiga que eles se unam a Igreja como membros vitais e contagiantes. Se eles já são membros, inste com eles agora para se tornarem "vitais e contagiantes". Se eles não são, então inste para que o sejam. Porque a igreja é o lar natural do convertido. É verdade que muitas vezes induzir um convertido a entrar em alguma igreja é o mesmo que "meter um pintainho sob as asas de uma galinha morta". Um pastor anunciou do púlpito que a igreja devia homenagear a ratinha da igreja pois que havia criado quatro outros dentro da igreja e isto era muito mais do que o resto dos membros haviam feito. Mas na maioria das vezes esses fatos não correspondem à verdade. A igreja cristã, com todas as suas falhas, é a maior instituição a prestar serviços sobre a terra. Tem muitos críticos, mas não tem rivais no trabalho de redenção humana. Não há uma porção de terra, desde os gélidos pólos às ilhas tropicais dos mares, onde não levamos escolas, hospitais, asilos para leprosos, lares para os órfãos, igrejas, o Evangelho - tudo que ergue a alma, a mente e o corpo - a vida integral da raça humana. Nenhuma outra instituição fez qualquer coisa como isso - nenhuma, absolutamente nenhuma. O fato de a igreja ter sido capaz de sobreviver ao peso morto de uma grande proporção de seus membros não convertidos é uma prova de sua saúde e vitalidade inerente. Uma minoria convertida conserva a alma da igreja com vida. Devemos aumentar essa minoria para a maioria.

Quando um homem disse a Moody que ele podia viver vida cristã separada da igreja, Moody simplesmente respondeu, retirando uma brasa viva do resto das brasas na lareira e conservando-a separada sobre a soleira. Morreu. O homem disse: "Vejo o seu ponto de vista". A vida cristã não pode ser vivida separada da Igreja cristã. Portanto, leve seu convertido à igreja como parte de uma saudável comunhão.

14. Lembre-se de que nesse processo todo desde a aproximação inicial até a consumação final de levar a pessoa a unir-se à igreja e a conquistar outros para Cristo, o Espírito Santo lhe ensina o que deverá dizer e fazer em cada situação ou necessidade. Foi-me dado um verso, quando iniciei meu trabalho missionário entre os intelectuais da Índia, que se tornou um verso para a vida. "E, quando vos entregarem, não cuideis em como, ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será concedido o que haveis de dizer: visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós" Mt 10.19-20. Foi literalmente cumprido. Será cumprido com você. Deixe todo o seu peso cair sobre ele.

Uma amiga tinha tido pouca ou nenhuma experiência em lidar com uma pessoa de outra religião, contudo foi guiada pelo Espírito para trabalhar com uma judia sofisticada. Esta lhe contou que descobrira que o marido estava vivendo em duplicidade. Ficou furiosa com ele; queria deixá-lo e vingar-se, arruinando-o. A amiga prudentemente conduziu a mulher ao seu real problema de ressentimento e ódio. Pediu-lhe a seguir que orasse ao seu próprio Jeová. "Mas Ele está tão distante e é tão impessoal!", replicou a mulher. Sabiamente, a amiga lhe falou, então, de Jesus que revelou a Deus e que estava muito perto e cheio de amor. "Mas, disse a amiga, não quero que você abandone sua fé e nem quero impor-lhe a minha. Vá e consulte a Deus se ele faz objeção de você aceitar a Cristo". Assim prometeu a judia. Na manhã seguinte, a mulher subiu as escadas correndo e irrompeu pelo quarto da amiga, dizendo: "Eu fiz. E Deus disse que não faria qualquer objeção em eu aceitar Seu Filho. Estou muito feliz. Encontrei o Salvador. E não vou abandonar meu marido, nem tentar destruí-lo. Vou amá-lo e tentar restaurá-lo".

Foi dito a esta amiga nessa hora o que deveria dizer. Era o método perfeito de lidar com uma pessoa de outra crença. Você se tornará hábil com Sua habilidade, amando como Ele ama, e sendo sábio como Ele é sábio.


CITAÇÃO:

1) Oreen, op. cit., p. 246.

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Este texto corresponde ao capítulo XIII do livro "Conversão" de Stanley Jones.

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