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Conversão
Rio, 30/8/2008
 

O Espírito Santo na conversão da pessoa a Jesus Cristo (Stanley Jones)

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Quando destacamos a conversão, como fizemos neste livro, soa como se fosse trabalho dos homens. Conversão é palavra formada de "cum" e "vertere" – virar, virar com. A intensidade parece estar na volta do homem. Isso é importante. "A escolha é sempre nossa". Mas a palavra "com" é também importante - não é "voltar", mas "voltar com". A palavra "com" nos leva ao Espírito Santo. O elemento do Espírito Santo na conversão torna a conversão realmente um novo nascimento. Não é bastante voltar ao redor, você precisa voltar-se no seu interior, ser nascido de novo justamente na estrutura de sua constituição.

Isto ocorre fisicamente com os bebês quando têm Rh incompatível. Há uma troca de sangue. Retira-se parte do sangue ao mesmo tempo em que igual quantia é injetada no recém-nascido. Procede-se dessa forma até que todo o sangue é removido pelo novo, que não provoca desordens.

Isto também se dá no sentido espiritual. Ternos uma transfusão de sangue do Filho de Deus. Na verdade, nós nos tornamos participantes da natureza divina. "Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-nos da corrupção das paixões que há no mundo" 2 Pedro 1.4. Não nos tornamos Deus, mas participamos de sua "natureza". O Rh espiritual incompatível, introduzido na natureza humana coma "corrupção das paixões que há no mundo", é reposto pela "natureza divina" que é compatível. Esta mudança de sangue, no qual nosso sangue corrupto e pecador, vindo através das "paixões do mundo", é trocado pelo puro sangue do Filho de Deus, é geralmente acompanhado de duas grandes transfusões de sangue: o novo nascimento do Espírito e o batismo do Espírito. Um apresenta a você a nova vida e o outro introduz nova vida em você, instila-a em cada porção de seu ser. Então, você se enche do Espírito.

Quão profundamente esse instilar da "natureza divina" atinge? Que vai até o consciente, nós sabemos. Alcança também o subconsciente? Poderemos ter novamente subconsciente? A questão mais importante para a teologia é: Pode o subconsciente ser redimido? Porque a psicologia nas fala que somos grandemente limitados pelo subconsciente. O Dr. Arnold A. Hutschnecker coloca a questão dessa forma: "Ele (Freud) mostrou como a razão muitas vezes segue docilmente, apressando-se com explicações e justificações - chamaríamos de racionalizações - os atos e as opiniões determinadas sobre a esfera do subconsciente".(1) O Dr. Menninger mais adiante declara: "Muitos que sofrem de conflitos emocionais aceitariam de boa vontade, avidamente até, colocar-se na altar da mesa de operação e sacrificar uma parte de seu corpo aos terríveis complexos de culpa que inconscientemente o dominavam". O diretor do Hospital de Senhoras da Universidade de Tübingen diz: "Sua enfermidade é um conflito psíquico navegando sob a bandeira ginecológica". Esse conflito situa-se grandemente no subconsciente. O Dr. Hutschnecker logo adiante declara: "Manifeste-se o achaque em fadiga, insônia, indigestão, colite, prisão de ventre, diarréia, ou alergia de uma ou outra espécie, atrás disso tudo, em geral, repousa a ansiedade".(2) A sede dessa ansiedade está no subconsciente. Essa ansiedade no subconsciente produz tensão na pessoa toda.

Em tensões prolongadas a corpo se mantém num constante estado de mobilização. As reservas de energia se consomem ininterruptamente, as tensões se sustêm impiedosamente, e órgãos como o coração e os que se envolvem em processos químicos complexos são levados à sua máxima capacidade sem pausa. Em tensões prolongadas disparamos um motor de alta potência à velocidade estrema - em ponto morto. Queimamos combustível. Nos consumimos. Mas não vamos a parte alguma. Eis a efeito destrutivo das tensões prolongadas. (3)

A sede dessa "tensão" é um subconsciente perturbado.

Pela conversão consciência recebe um novo sentido de purificação, nova lealdade, novo amor. Esse instilar é tão real, tão agradável, tão decisivo para a conduta, que o convertido pensa que a batalha terminou, que a vida agora é apenas uma jubilosa canção de vitória. Esses dias de lua de mel chegam ao fim, em geral, dentro de um ano.

Os impulsos do subconsciente, que têm estado sufocados no fundo, aparentemente aturdidos em insensibilidade pelo instilar dessa nova, diferente e autoritária vida na mente consciente, começam agora a reafirmar-se. Gênios, temperamentos, temores, que julgávamos destruídos para sempre, erguem suas cabeças dos abrigos contra a tempestade do subconsciente, e lutam entre seguir o consciente ou o subconsciente. Paulo chama-a de guerra entre o "espírito" e a "carne". Goethe assim se expressa:
Duas almas, ai! ai! se aninham em meu peito,
e aí lutam
por reino indivisível.

Muitos presumem que esse empate é o melhor que a fé cristã oferece. Por isso se acomodam à condição de se neutralizarem por esse conflito inevitável. O sétimo capítulo da epístola aos Romanos é sua fuga e desculpa - Paulo tinha esse conflito, por que não teremos nós? Se o sétimo capítulo aos Romanos fosse o único Evangelho que Paulo tivesse para pregar, nunca mais teríamos ouvido falar dele outra vez. Mas o sétimo aos Romanos é pré-cristão e sub-cristão - um homem sob a lei lutando com o pecado em seu subconsciente, sem os recursos de Cristo à sua disposição. Retrata a experiência do mundo todo, sem Cristo. A fé cristã oferece uma saída para esse dilema? Ela só o fará, se conseguir a conversão do subconsciente, e isso ela faz justamente. A área de trabalho do Espírito Santo está em grande parte, se não inteiramente, no subconsciente. Quem criou o subconsciente fez planos para a sua redenção, sua conversão, sua santificação. Que espécie de Criador seria Ele se, criando o subconsciente, não proporcionasse a sua redenção no caso do mal invadi-lo? E o mal o invadiu. O anelo do ser transformou-se em egoísmo; o impulso do sexo se tornou sexualismo; o instinto gregário transformou-se em subserviência às massas - fazendo da pessoa uma dominada pela massa. Tudo isso com o nosso consentimento. Um cavalo de Tróia se introduziu em nosso subconsciente e em momentos de crise seus habitantes escondidos saltam e assumem o comando de ações e reações. Uma guerra civil resulta entre a mente consciente convertida e a subconsciente não convertida. Uma mulher assim expressa o fato: "Sou a pior personalidade do mundo. Dou pontapés nas pessoas, nas canelas, e sou a primeira a fazê-lo". Obviamente em sua mente consciente repugnava-lhe ser "a pior personalidade do mundo" e contudo em seu subconsciente ela era o que lhe causava nojo.

Uma garotinha de quatro anos num lar missionário levantava-se sempre da mesa e ia para a outra sala enquanto sua irmã mais velha lia as passagens da Bíblia. Por quê? Ela sempre queria fazer o que a irmã mais velha fazia, e quando não podia ler como a irmã fazia, retirava-se da situação, fugia. Freqüentemente à vontade de fugir, à vontade de escapar, à vontade de fracassar, reside no subconsciente, e fugimos em vez de enfrentar as situações desagradáveis. A menos que o subconsciente possa ser purificado e convertido e consagrado aos novos objetivos, a pessoa com um subconsciente não-convertido está quase vinculada a ser meia-pessoa com meio-rendimento.

É, portanto, boa nova saber que o trabalho do Espírito Santo se destina a converter o subconsciente e especialmente para o converter. "O Espírito da verdade... habita convosco e estará em vós". Ele passa de "com" para "em". Ele não pode redimir-nos do exterior. Essa é uma tarefa do interior. Nenhuma exortação ou repetição de conselhos piedosos do exterior pode tocar tais profundezas interiores. Força dinâmica, redentora, deve mover no íntimo e assumir a direção desses impulsos, com o nosso consentimento, e purificá-los e controlá-los. Essa Força redentora é o Espírito Santo.

Antes do Pentecoste o Espírito Santo está "com" os discípulos, mas não "em" neles. Eis porque vemos erguerem-se à superfície sinais do subconsciente não convertido: 1) Egoísmo obstinado: disputavam os primeiros lugares; 2) Justiça própria: "Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim"; 3) Ressentimentos: “Queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?"; 4) Falta de poder espiritual: "Por quê motivo não pudemos nós expulsá-lo!"; 5) Crítica: Para que este desperdício?"; 6) Intolerância de grupo: "Nós lho proibimos, porque não seguia conosco"; 7) Preconceito racial: "Despede-a, pois vem clamando atrás de nós"; 8) Avidez egoísta: "Eis que nós tudo deixamos e te seguimos... que será de nós?"; 9) Aversão por auto-sacrifício: "Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá"; 10) Medo: "Trancadas as portas da casa... com medo".

Assim como as borbulhas surgem à. superfície do lago, vindas do lodo no fundo, mostrando que há podridão ali, assim essas dez borbulhas se ergueram do subconsciente dos discípulas e revelaram que esse não havia ainda sido redimido - havia podridão ainda operando nas profundidades. Todas essas coisas desapareceram quando o Espírito Santo operou no interior e assumiu a direção.

As mesmas coisas se manifestaram entre os cristãos primitivos. Eram cristãos de mentes conscientes, convertidas, mas Paulo podia dizer: Temo, pois, que, indo ter convosco, não vos encontre na forma em que vos quero; e que também vós me acheis diferente do que esperáveis, e que haja entre vós contendas, invejas, iras porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos" 2 Co 12.20. Entre as setes coisas, bem no meio está "porfias", a insubmissão do ser. Sempre está no centro de um subconsciente não convertido. O ser insubmisso era a raiz e a "contenda", o fruto. Um era a causa e o outro o efeito.

Nós racionalizamos essas atitudes e atos errados, mas no fundo são as mesmas manifestações de um subconsciente não convertido. Uma garotinha disse: "Mamãe, quando a coisa é comigo, é o mau gênio, mas quando é com a senhora, são os nervos". Em ambos os casos agia o subconsciente não convertido. Um pastor assim definiu: "As pessoas que vivem para si mesmas estão constantemente com a sensibilidade ferida". Esta sensibilidade é o aflorar de um subconsciente não convertido.

Quando o Espírito Santo desceu e assumiu a direção das vidas dos discípulos, cada um dos dez frutos repulsivos do subconsciente inconverso desapareceu. Em vez de avidez egoísta houve auto-entrega; auto-retidão foi substituída por profunda humildade baseada na graça; os ressentimentos se dissolveram; a falta de poder espiritual se transformou em suficiência espiritual; a crítica deu lugar à apreciação; fanatismo de grupo se tornou cooperação do grupo; preconceito racial se transformou em fraternidade humana; cobiça egoísta se transformou na mais surpreendente explosão de caridade de que o mundo jamais ouviu falar; a aversão à auto-sacrifício se transformou em auto-sacrifício, que nunca foi igualado; o medo se transformou em coragem que com alegria segue o caminho da perseguição e da morte.

Tudo isso se fez com desembaraço, não porque os discípulos o estivessem fazendo, mas porque eles estavam permitindo que o Espírito Santo dentro deles o fizesse. Isso soa trivial, mas é a mais importante diferença no mundo, do motivo e da dinâmica humanas para a conduta. Pois isso reduz ao subconsciente a base de nosso viver, aonde podemos fazer as coisas ou não fazê-las. Se o Espírito Santo pode assumir o comando do subconsciente, com o nosso consentimento e cooperação, então nós temos altíssimo Poder operando no alicerce de nossas vidas, podemos realizar qualquer coisa que devemos realizar, ir a qualquer lugar onde devemos ir, e ser aquilo que devemos ser. A vida é suprida de fundamento suficiente.

Sem esse fundamento tateamos desajeitadamente a vida. Há o que é conhecido como "casa de força". Está sua casa suprida de energia suficiente, para fazer trabalhar todas as coisas de que precisa, para empregar em um viver adequado? Se não, então você está constantemente queimando fusíveis quando uma carga muito pesada é lançada na "casa de força". Isso ocorre em nossas vidas pessoais. Quando exigências muito pesadas se lançam sobre nossa "energia pessoal", nós queimamos o fusível, "com os nervos à flor da pele", dizemos. É um sinal de frustração, de insuficiência para enfrentar as exigências da vida. Não somos maus, somos apenas insuficientes. Nada há no subconsciente a não ser nossos acionamentos básicos, somente controlados pela mente consciente que os reprime. Isso quer dizer que há uma tensão básica entre o consciente e o subconsciente - somos basicamente tensos. Paulo assim se expressa: "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer" (Gl 5.17). O Espírito controla a mente consciente, mas a carne, os desejos elementares, controla os do subconsciente e aí está o conflito básico, e a tensão conseqüente, resultando em que você não faz o que porventura seja de seu querer.

Com a entrega do subconsciente ao Espírito Santo, entrega de "tudo que sabemos", o consciente, e "tudo que não sabemos", o subconsciente, Ele invade o subconsciente e assume a direção desses impulsos básicos. O anseio do ego ele purifica do egoísmo e dedica-o ao reino de Deus; o do sexo Ele purifica do sexualismo e dedica essa força criadora em novos movimentos criadores, novas esperanças, almas renascidas, vida nova. O anelo de agregação Ele purifica da subserviência "ao mundo" e o entrelaça ao reino de Deus, a mais elevada e sublime aliança social. Esses anelos não são expurgados, porque não podem ser expurgados, eles são uma parte de nós mesmos. Só podem ser dedicados a fins elevados.

Eis que as mentes consciente e subconsciente estão sob um único controle e uma única redenção - o Espírito Santo. Você se torna uma personalidade unida.

Que o Espírito Santo consagra esses impulsos não somente de início, mas Ele continua a consagrá-los, é algo mais de boas novas. Ele é o Espírito de consagração, "pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus", Hebreus 9.14. O eterno Espírito era o poder por trás da oferta de Cristo sobre a cruz. Ele conserva eternamente nossas forças e impulsos consagrados desde que consentimos. Não há necessidade de nos erguermos nervosos e tensos junto ao altar da consagração para conservar as energias e anelos "diante do altar". O Espírito Santo realiza a consagração. Isso abate a tensão de ansiedade interior. Abandone-se e deixe Deus, o Espírito Santo tomar a direção das profundezas centrais de seu ser, o subconsciente. Assim poderá abandonar nEle o peso total. Pode realmente se relaxar.

Eis que seus sonhos, que são os afloramentos do subconsciente, se transformam em sonhos cristãos. A psiquiatria pagã não tem noção do controle do subconsciente pelo Espírito Santo e, portanto, nenhuma noção de um sonho cristão. Quando um cristão inteiramente submisso a Deus sonhou que alguém lhe havia feito o pior que se possa fazer contra o próximo, e, ainda em sonhos, apossou-se do inimigo pela garganta com ambas as mãos e disse: "Poderia sufocá-lo até a morte, mas eu o perdôo", um psiquiatra pagão, em vez de ver nisso o sonho de um cristão verdadeiro diante da reação ao mal, deu uma interpretação fantasticamente pagã ao sonho.

Isso me leva a declarar que nossas reações se tornam cristãs quando o Espírito Santo controla o subconsciente. A mente consciente determina as ações, nosso subconsciente determina as reações. E as reações são tão importantes quanto às ações. Muitos cristãos são cristãos nas suas ações - não mentem, não roubam, não cometem adultério, não se embebedam, mas reagem mal ao que lhes sucede - reagem com rancor, mau gênio, auto piedade, ciúmes e inveja. Se ações impróprias deixam a pessoa desolada - e deixam mesmo - então as reações impróprias deixam a pessoa igualmente desolada. Casos de reações impróprias podem ser retratados assim: "Vejam o que me fizeram". "Vejam o que me aconteceu". Quer a reação imprópria tenha uma causa ou não, os resultados são os mesmos - uma personalidade desolada. Quando as profundezas são dominadas pelo Espírito Santo então as reações são cristãs.

Em um de meus livros contei a história da reação de uma mulher à morte do marido. Aceitou-a sem uma lágrima. Não era uma reação fortuita, uma aberração moral, era uma atitude inalterável. Ela conta a mesma vitória por ocasião da morte de seu pai: "Meu pai estava sofrendo de câncer de pulmão. Cheguei lá às 13 horas e ele morreu às 19h15. Fui grata a Deus por ter chegado a tempo, pois minha madrasta realmente precisava de mim. O quarto estava cheio de gente, e eu sabia que não havia um ministro presente, então eu mesma dirigi a prece. Envolvi minha madrasta com meu braço e agradeci a Jesus em voz alta pela vida de papai e pela nova vida dele na glória. Disse que nós entregávamos sua vida nas mãos de Jesus e que afinal ele alcançava a Terra Prometida! Pedi a Jesus que confortasse e ajudasse a mamãe a viver sem a presença física do papai em sua vida e que todos naquele quarto amassem a Jesus mais do que à própria vida, porque Ele é Vida. Parece que minha prece ajudou a todos. Fiquei tão feliz, porque papai estava salvo e por saber que ele na verdade tinha atravessado a Grande Linha Divisória. Tinha vontade de gritar: Aleluia, Jesus é Senhor! Mas por amor a eles deixei que meu semblante refulgisse a vitória, cuja Alegria minha alma mal podia conter!" Eis aqui a reação à morte do marido e do pai - reação idêntica de Alegria! Isso não poderia manifestar se, a não ser através de um subconsciente convertido. Relatam os Evangelhos que Jesus: "Na mesma hora ele (Jesus) regozijou-se no Espírito Santo". Quando você não pode regozijar-se diante das circunstâncias, das coisas que ocorrem em sua volta e a você, você pode sempre regozijar-se no Espírito Santo. Ele habita nas profundezas do subconsciente e é sempre manancial de alegria. "Habitará convosco para sempre", a Constante única no meio de um mundo de incertezas e mudanças.

O Espírito Santo então faz três coisas, Ele purifica e consagra os impulsos do subconsciente e harmoniza o íntimo. Ele nos ajuda a reagir às coisas que nos ocorrem, ajuda-nos a reagir de maneira cristã.

A soma total disso significa que há agora poder em nossas vidas. Não somos agora impelidos de um lado para outro pelas circunstâncias - adversário desdenhável para a tentação e para o mal. Sabemos onde queremos ir, temos poder para nos mover em direção ao alvo. Retiramo-nos do capítulo sete de Romanos para o oitavo: "A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte". Esta lei sublime do "Espírito da vida em Cristo Jesus" cancelou a lei inferior do pecado e da morte. Assim como um pássaro em vôo tira vantagens da lei de elasticidade do ar e desse modo se ergue acima da lei da gravidade, assim nós vivemos por essa sublime lei que sobrepuja à lei do pecado e da morte. Citei Freud ao dizer: "Forças de trevas, de insensibilidade e de carência de amor determinam o destino da humanidade". Ele descobriu o subconsciente e caiu em seu fatalismo. Cristo fez o subconsciente ("Todas as coisas foram feitas por intermédio dele") e supriu o meio para a sua restauração - supriu nada menos do que o Espírito Santo, o Espírito da Criação e o Espírito da Recriação - para habitar em nós e restaurar-nos, não por mandamentos e exortações, mas pela companhia e experiência. É operante, porque Ele opera - do interior.

A doutora Henrietta Mears tem sido aproveitada poderosamente em ajudar a mocidade a seguir nova vida. Ela nos conta o segredo. Era uma cristã, mas sentia necessidade de poder. Disse a Deus: "Senhor, tudo abandonei por Ti e a ninguém mais me apego. Quero que meu corpo todo seja apresentado a Ti como sacrifício vivo, cheio até a plenitude do poder do Espírito Santo". Então no íntimo de seu coração veio-lhe esse verso: "Quanto mais vosso Pai que está nos céus dará o Espírito Santo aos que lho pedirem". Nesse minuto exato entendeu ela que tudo fora ajustado. Disse: "Obrigada Senhor. Aceito pela fé o encher-me do Espírito e seu poder, do mesmo modo como aceitei a Cristo, meu Salvador". O Espírito Santo moveu as profundezas de seu ser - operou no subconsciente.

Sentei-me numa estreita garganta no alto de uma montanha num dia de manhã. A medida que o dia ia surgindo, o sol inundava o cume da montanha, mas a garganta mais abaixo estava coberta de sombras e neblinas. Porém, à medida que o dia chegava ao meio, a luz do sol desceu das colinas e invadiu as profundezas da garganta também. Com a conversão da mente consciente o dia começa a romper - a luz se encontra no alto da mente consciente. Mas ainda os abismos - o subconsciente - estão ocultos pela neblina e treva. Então constatamos as cortinas da neblina e das trevas do subconsciente e convidamos a luz para que invada os abismos. E isso se dá. "Se teu olho for simples" - se tua personalidade estiver sob um controle, do Espírito Santo - "todo o teu corpo será luminoso" (Mt 6.22) - a personalidade se ilumina com Ele, sem nenhuma sombra ou escuridão. E assim você está realmente, realmente redimido, realmente convertido.


CITAÇÕES:

1) The Will to Live, 1958 Prentlce-Hall, Inc..
2) Ibld, p. 67.
3) Ibid, p. 181.


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Este texto corresponde ao capítulo XIV do livro "Conversão", de Stanley Jones.

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