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Paz, justiça e ministério cristão
Rio, 22/10/2008
 

Bem-aventurados os pacificadores e pacificadoras , porque serão chamados filhos e filhas de Deus (Edson Fernando de Almeida)

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No primeiro século da era cristã o termo pacificador designava uma classe de pessoas muito peculiar. O termo aparecia nas moedas do império romano designando o Imperador. Segundo essa perspectiva, pacificador era aquele que pelo uso da violência ou não, assegurava a continuidade do império. A expressão romana, comum nos tempos de Jesus, comprova essa atitude: Se queres a paz, prepara-te para a guerra! Serão esses os pacificadores, ao quais se referiu Jesus nas bem-aventuranças?

Metamorfoseadas pelas cores do corpo franzino de um dos maiores pacificadores que o século passado conheceu, Mahatma Gandhi, assim se traduziram as palavras de Jesus: Somos semelhantes a Deus, à medida em que nos tornamos não-violentos!

A busca da paz e da não violência, entre tantas coisas, tem a ver com uma verdadeira metamorfose do nosso ecossistema afetivo, ou, para dizer de outro modo, tem a ver com o enfrentamento do analfabetismo afetivo que é uma marca característica desse nosso tempo. Para fazer-lhe frente, é preciso diuturnamente ocupar-se com a busca e o ensino da serenidade mais do que com o barulho ensurdecedor do nervosismo; a busca e o ensino do acariciar em detrimento do agarrar, dominar, reter; a busca e o ensino da sensibilidade e ternura para superar a aspereza e o ódio; a busca e o ensino da singularidade para fazer frente ao esmagamento e submissão das subjetividades pessoais ou coletivas, tão próprias desse nosso tempo.

A busca da paz e da não-violência têm a ver também com uma metamorfose no nosso ecossistema social. Essa metamorfose diz respeito a ouvir mais e falar menos, diz respeito a servir, mais que ser servido, a optar pela condescendência e não pela auto-preferência, a esvaziar-se em direção ao ser, mais que encher-se em direção ao ter. Isso se aplica a todas as relações humanas, inclusive as relações internacionais.

A história da humanidade já conheceu mais de 8 mil tratados de paz. Nenhum desses tratados trouxe a paz verdadeira. É que a paz é irmã do amor, e como ele jamais se alcança por decreto. A imposição de um certo regime de paz não pode trazer a paz, porque a paz não é o restabelecimento da ordem quebrantada, mas o surgimento de uma nova ordem de coisas.

Por isso sem a derrota da lógica do ter, sem a superação da lógica do poder, sem a substituição da lógica do subir, em cada um de nós e em nossas instituições e sistemas, estaremos longe da autêntica paz. A vitória só leva a vitória, jamais à paz. A antiga sabedoria dizia: aquele que vence engendra o ódio, e aquele que é vencido sofre; mas quando com serenidade e alegria se vive, aí então se superam a vitória e a derrota.

Por tudo isso, a paz e a não violência exige que nossos lares e comunidades sejam lugares onde aconteçam verdadeiros pactos de ternura, onde desde crianças aprendamos mais e cooperação, menos a competição; mais o diálogo, menos o monólogo; onde o amor nos convide a abandonar o medo de perder o controle; onde o despotismo da efetividade sucumba ante a dádiva da afetividade.

Por tudo isso, é um contra-senso lutar pela paz, ou fazer a guerra para obter a paz. Não, a paz vem depois do amor, nunca depois da guerra. Essa verdade aparece transmutada no texto de Rubem Alves, quando diz: Se a fé tivesse sido mais cantada e menos defendida e imposta, certamente teria havido menos fogueiras na história.

Não, não se luta pela paz, se luta pelos direitos humanos, pela justiça, não pela paz. A paz brota, aparece, surge, se recebe, se descobre. É descobrimento e não conquista. Eu vos deixo a minha paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Certamente esta não é a paz dos tranqüilizantes, a paz dos cemitérios, dos falsos confortos, das seguranças que podem ser adquiridas, compradas, não é paz das técnicas de auto-ajuda.

Que no desempenho de suas vocações, sejam quais forem os campos em que isso der, se alguma adjetivação há que a vida possa lhes dar, que seja esta: Aí vai um pacificador, eis aí uma pacificadora. Que assim seja lhes dada a graça de serem chamados filhos e filhas de Deus.

Haja paz na terra... a começar em vocês, a começar em mim, a começar em nós!

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