IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 17/11/2008
 

A crise financeira e a Igreja (Airton Campos)

ZZ Outros Colaboradores ZZ


 

Muitos podem estar pensando que a Igreja não é uma instituição financeira ou comercial e, portanto não será atingida pela crise financeira que já se instalou no país. Também o discurso do governo era de que o Brasil estaria blindado contra a crise que atingia fortemente os paises mais ricos do mundo. A crise era um problema deles e não nosso.

Depois de um período inicial de imobilismo, a política econômica em fim se movimentou e agora o governo federal já reconhece a gravidade da crise que admite será longa e de grande magnitude e que teremos um forte impacto na nossa economia com todo o mundo desacelerando.

Para o economista Joseph Stiglitz, Premio Nobel de Economia em 2001, o futuro da economia é sombrio e a desaceleração dos mercados será grande.

O economista Eduardo Giannetti define a situação comparando com uma pessoa que caminha sobre uma tábua sem dificuldade enquanto acredita que ela está apoiada no chão. Quando se dá conta que a tabua está suspensa sobre um abismo, a pessoa vacila e tem vertigem. Quando no Brasil veio a percepção do tamanho da crise mundial a sensação de vertigem apareceu. Veio o governo e colocou uma rede de proteção em baixo para tentar evitar uma queda fatal.

Segundo o CEO da General Electric daqui pra frente teremos um novo mundo em 2009. Tudo será diferente. “Essa crise econômica não representa um ciclo, mas uma reorganização”. Em um período de 6 a 9 meses, segundo estima, as noções de poder e riqueza vão mudar muito. Ele acredita que aqueles que não entenderem o atual momento da reorganização emocional, social e econômica tem poucas chances de ver seus empreendimentos terem progresso. Para ele o momento aponta também para a valorização da transparência, da prestação de contas e da responsabilidade.

O executivo que é considerado um dos melhores do mundo, diz que agora, mais do que nunca, é hora de pensar grande, de expandir a visão. Hoje é preciso olhar para fora, para as pessoas. Uma das tarefas que ele considera essencial no curto prazo é transformação do medo em esperança. É essencial combater a visão imediatista que privilegia resultados rápidos. A razão dos insucessos, muitas vezes, está na ênfase nos resultados de curto prazo.

Em artigo o economista Miguel Bruno do Departamento de Evolução da Economia da UERJ, sita Bachelard, um filósofo da economia: “diante do real, aquilo que cremos saber com clareza ofusca o que deveríamos saber”. Para Bachelard, o conhecimento do real é uma luz que sempre projeta uma sombra em algum lugar. Ele nunca é imediato e pleno, as revelações do real são sempre recorrentes. O real nunca é o que poderíamos acreditar, mas sim o que deveríamos ter pensado.

A defesa contra a crise passa pela contenção de gastos e medidas extremas até se justificam pela urgência de contornar previsões nem sempre otimistas para a economia.

O presidente do BC tem se manifestado contra a adoção pelo país de ampliação de gastos públicos, neste momento, como forma de garantir maior crescimento em tempo de crise. Para ele, o país já tem um bom projeto de investimentos: o PAC, que prevê desembolso de R$ 500 bilhões e o mercado consumidor interno continua aquecido. Um maior gasto do governo consequentemente puxaria a demanda, trazendo com ela a inflação.

Por outro lado mais desembolso do governo possibilitaria uma expansão maior do PIB (conjunto de bens e serviços do país). A previsão da taxa de crescimento para este ano é estimada em 5,25% e para 2009, inicialmente, era de 5%. Antes mesmo da fase mais aguda da crise financeira a previsão caiu para 4.5%. Agora as expectativas são de que seja de 3,8%, mas alguns analistas falam em apenas 2%.

Para que cada um possa perceber o quadro do que vem acontecendo com nossa economia apresento comentários sobre alguns setores. Mas inicialmente vamos recapitular como tudo começou.

Uma crise no sistema de hipotecas, extremamente ganancioso, nos Estados Unidos levou bancos e demais instituições financeiras americanas a terem enormes prejuízos e começarem a apresentar falta de liquidez. Isto é, não ter recursos para garantir todos os seus compromissos. Isto levou a que mesmo o 4° maior banco de lá falisse arrastando com ele muitos outras instituições financeiras. A crise financeira americana, num efeito dominó, provocou sua instalação em quase todo o mundo, atingindo principalmente os países mais ricos.

Aqui no Brasil, não tínhamos este tipo de financiamento e o mercado financeiro é muito controlado pelo governo não permitindo os excessos que aconteceram lá, mas como se fechou a torneira do crédito internacional, principalmente os bancos brasileiros ficaram com problemas de liquidez, isto é não disporiam de recursos capazes de honrar os depósitos de seus clientes, pois na ânsia de ganhar mais haviam emprestado um volume de dinheiro maior do que dispunham contando com fontes de financiamento exterior de custo mais baixo, que secaram.

Crédito
O governo através do BC – Banco Central – demorou um pouco a intervir para conter a ameaça da crise, mas finalmente começou a atuar liberando cerca de R$ 30 bilhões dos depósitos compulsórios dos grande bancos para que eles comprasse as carteiras de créditos dos médios e pequenos bancos melhorando a liquidez deles. Mas o que são os depósitos compulsórios? Parte do volume dos depósitos que os clientes fazem nos bancos são obrigatoriamente, compulsoriamente, recolhidos ao BC como forma de garantir os depósitos. O BC movimenta estes recursos e credita aos bancos parte dos juros recebidos.

No entanto somente 10 bilhões de reais foram efetivamente usados para este fim. Por este motivo o BC está punindo os grandes bancos não remunerando seus depósitos compulsórios não utilizados. Apesar da punição, alguns bancos preferiram perder a remuneração dos depósitos compulsórios a comprar ativos de instituições pequenas que enfrentam dificuldades.

O Banco do Brasil já adquiriu R$ 8 bilhões na compra de carteiras de crédito comercial para pessoas jurídicas, de veículos e de consignado, parte com recursos próprios destinados a sua expansão no mercado financeiro. Assim, o Banco do Brasil passou a ter uma fatia de 16,5% do mercado de crédito do país. Nesta política de expansão, o BB, utilizado a prerrogativa da medida provisória que permite a aquisição de instituições deve gastar 14 bilhões na compra da Nossa Caixa e parte do Banco Votorantin. Também está incorporando o BEP – Banco do Estado do Piauí – por cerca de 80 bilhões de reais.

Os pequenos e médios bancos receberam também a liberação direta de R$ 21 bilhões de seus depósitos compulsórios dispondo assim de um reforço de caixa de 31 bi. Com isto poderiam até voltar a atuar no crédito.

Até o dia 17 de outubro o BC já havia liberado R$ 46 bilhões em depósito compulsórios para os bancos e todos os eventos ocorreram em apenas 3 semanas, o que mostra o agravamento da crise.
Agora o BC anunciou nova mudança nos depósitos compulsórios para colocar mais cerca de R$ 40 bilhões no mercado. Ao todo, as medidas das autoridades monetárias podem significar a liberação de R$ 100 bilhões para injetar mais crédito na economia. Até o dia 7 de novembro o volume de depósitos compulsórios era de 216 bilhões de reais. O BC também dobrou o prazo para o pagamento de empréstimos em moeda estrangeira.
Os Estados também tem adotado medidas para atenuar os efeitos da crise sobre suas economias que vão desde a redução de gastos e ampliação de investimentos até ampliação de prazo para o recolhimento de impostos estaduais como o ICMS.

Com medo de um cenário mais adverso, os bancos médios e pequenos já fizeram demissões, principalmente nas carteiras de menor movimento, como as de crédito consignado. No Rio, notícias do mercado dão conta de pelo menos 750 demissões e também o fechamento de agências.

Segundo a visão de alguns economistas, aproveitando a falta de liquidez houve um abuso do poder de marcado, por uns poucos, segurando a oferta de crédito e aumentando seu custo numa desproporção com o ambiente econômico. Se por um lado se restringiu a oferta de recursos, por outro aumentou a demanda de grandes empresas que perderam fontes de financiamento externo e se voltaram para o crédito nacional.

Os bancos brasileiros que também captavam recursos no exterior para emprestar aqui viram suas fontes secarem e com problemas de liquidez reduziram o crédito. O aperto das condições de crédito de forma tão brusca torna insolventes empresas e pessoas físicas que não o seriam sem a mudança repentina na oferta de financiamento. Este é um comportamento imediatista e predatório que começou a acontecer.

Taxas mais elevadas e a restrição ao crédito esta dificultando a rolagem de dívidas de curto prazo das empresas brasileiras que somam 11 bilhões de reais que vencem nos próximos 6 meses. São muitas as empresas nesta situação que procuram emitir promissórias e não conseguem coloca-las no mercado pois os investidores estão receosos preferindo aplicar em títulos do governo. Diante desta situação já há sinais de inadimplência no crédito a empresas e também a inadimplência das pessoas físicas aumentou vertiginosamente.

Para ampliar as medidas de apoio às empresas o governo já liberou mais de R$ 19 bilhões para o BNDES combater a crise de capital de giro.

Para evitar que as empresas ficassem sem liquidez, insolventes, o governo liberou diversas linhas especiais de crédito através do BNDES, mas resolveu que não iria ajudar diretamente as empresas que apostaram em derivativos e tiveram grandes perdas com a brusca elevação do dólar. Derivativos como o próprio nome indica são operações financeiras derivadas de outras e este é mais um aspecto da diversificação e sofisticação do mercado financeiro sempre querendo ganhar mais.

Em linhas gerais estas operações são feitas principalmente pela grandes empresas exportadoras ou possuem negócios atrelados ao dólar. Como o valor do dólar vinha caindo, elas para não terem prejuízos em sua vendas com recebimento futuro faziam uma espécie de seguro apostando com os bancos. Se os valores caíssem muito receberiam uma parcela da diferença, se o valor do dólar ultrapassasse um valor também fixado pagariam a diferença, isto dentro de um prazo determinado. Também foram feitos financiamentos calcados em vendas futuras utilizando o mesmo modelo de negócio.

Devido a repentina valorização do dólar estas empresas que aplicaram em derivativos podem perder até US$ 10 bilhões. Segundo estimativas, pois não há informações concretas, há cerca de US$ 44 bilhões aplicados em derivativos cambiais pelas empresas brasileiras.

O BNDES, no entanto vai socorrer de forma indireta as empresas exportadoras que registraram prejuízos com operações cambiais no mercado financeiro de futuros, oferecendo suporte complementar aos bancos que estão em processo de re-negociação das dívidas com estes exportadores. Segundo o governo as empresas que ousaram no mercado futuro tem que pagar o preço de sua ousadia, mesmo elas tendo apostado na valorização do real e não contra ele, como foi dito.

Com a valorização do dólar as empresas brasileiras já estão desmontando a maior parte de suas posições especulativas em dólar registradas no mercado interno, contabilizando grandes perdas. Para isto elas estão negociando com os bancos o pagamento e em alguns casos indo a justiça para discutir os contratos. O poder judiciário está esperando uma avalanche de processos.

A Aracruz já informou um prejuízo de R$ 2,1 bilhões em contratos com derivativos. A Perdigão declarou perdas de R$ 201 milhões e uma exposição de passivos em moeda estrangeira de US$ 687 milhões, equivalentes a quase 3 meses de exportações. A Sadia contabilizou perdas cambiais de R$ 760 milhões. As empresas do grupo Votorantim liquidaram suas operações com derivativos registrando perdas de mais de 2 bilhões de reais. Estes são alguns do valores noticiados até agora. Os balanços no final do ano é que vão demonstrar realmente esta situação.

Câmbio
Mas porque está ocorrendo um valorização do dólar se a economia americana está em queda acentuada já beirando a recessão? Isto é uma aplicação concreta da lei da oferta e da procura. Oferta grande os preços caem, demanda grande, eles sobem.

Com a crise nos Estados Unidos as suas empresas multinacionais no mundo inteiro começaram a comprar dólar para enviar para as matrizes. Também suas filiais começaram a remeter dividendos convertidos em dólar. A moeda americana se tornou escassa nas linhas de crédito o que obrigou muitas empresas a negociar a moeda para fazer seus pagamentos atrelados a ela. Esta grande demanda e também a aversão aos investimentos ainda existentes em outras moedas provocou este aumento da cotação do dólar.

Desde o inicio da crise financeira o real teve uma forte desvalorização depois de ter dobrado de valor em 4 anos. A súbita desvalorização causou impacto na economia em geral e fazendo com que nossa balança de comércio exterior apresenta-se perdas.

Para evitar a queda vertiginosa do valor do real o BC começou a vender no mercado os dólares de nossas reservas cambiais que até agora foram reduzidas em mais de US$ 30 bilhões. O BC anunciou que continuará o processo e dispões de até 50 bilhões para conter a alta excessiva do dólar. Por outro lado para se prevenir da queda acentuada nas reservas internacionais, o BC do Brasil criou uma linha de crédito de 30 bilhões de dólares com o FED, o Banco Central dos Estados Unidos.

Este ano, até 24/10 o saldo do fluxo cambial ainda estava positivo em US$ 12,8 bilhões resultado de um déficit de US$ 32,2 bilhões na conta financeira e um superávit de US$ 45 bilhões do resultado comercial que vem apresentando déficits mensais. Em 2007 havia um saldo positivo de US$ 73,6 bilhões no movimento cambial de janeiro a outubro, com superávit tanto na conta financeira como nas operações comerciais.

A balança comercial brasileira já vem sentindo a redução da demanda mundial com a conseqüente redução das exportações de minérios e de produtos agrícola, principalmente destes que ainda tiveram quedas grandes em suas cotações.

A China que era a esperança de que pudesse absorver parte da queda de demanda, especialmente de produtos primários, dá sinais crescentes de que sua economia pode estar desacelerando. A expectativa que resta é que a demanda interna possa compensar em parte a redução das exportações.

As expectativas para nosso comércio exterior não são animadoras. A OCDE – Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico, prevê recessão para os países ricos em 2009, as previsões anteriores era de pequeno crescimento. A Alemanha, que ocupa o 5° lugar no ranking de nossas exportações, já enfrenta a pior recessão do após-guerra, arrastando com ela todos os países da zona do euro. Outro fator preocupante é que o déficit comercial dos Estados Unidos está diminuindo com a queda nas importações.

Levará um tempo até que os investidores externos que vem retirando recursos do país voltem a aplicar com o apetite que demonstraram em 2007, o que irá influenciar positivamente nossa balança comercial.

As empresas brasileiras já desmontaram a maior parte de suas posições em dólar no mercado futuro, mas o real não voltou a se valorizar. Fatores externos como aversão ao risco e falta de crédito em dólar são determinantes na formação da taxa de câmbio hoje no Brasil. Assim os analistas estão revisando as projeções para o câmbio para o final do ano em R$ 2,10, outros acham que pode chegar a R$ 2,40.

Inflação
O peso da variação cambial prevaleceu sobre a inflação e já gera elevação do índice de preços no atacado. Foram muito afetados a importação de eletro-eletrônicos para a indústria e os fertilizantes para a agricultura, com valorização de mais de 30% na cotação em dólar.

O BC manteve em sua última reunião os juros em 13,75%, esta decisão interrompe o movimento de alta nas taxas básicas iniciadas em abril. Esta elevação dos juros tem como principal objetivo a redução da demanda impedindo que a inflação ultrapasse a meta superior de 6,5%.

O índice de inflação mensal voltou a subir e já tinge 5,23% até outubro. Em igual período em 2007 a inflação acumulada era de 3,3%. O crescimento em 2008 tem sido provocado pelos alimentos que no mesmo período atingiu a 10,04% e já é bastante sentido nos supermercados.

Toda esta situação vem contaminando a economia como um todo e a inflação oficial deve chegar ao final do ano praticamente em sua meta superior, 6,5%.

As contas de luz já subiram devido à valorização do dólar que influencia os custos da compra obrigatória de energia da hidroelétrica de Itaipu e também pela previsão de acionamento das usinas termoelétricas.

A área da educação deverá influir na alta da inflação com reajustes maior do que a meta inflacionária. O papel mais caro deve provocar um aumento do preço dos livros de até 12%. Também para as mensalidades escolares há uma previsão de 10% de aumento.

Analistas elevaram novamente as expectativas da inflação média para 2009 que era prevista ser de 4,5% e agora é de 5,2% e alguns acham que certamente chegará a 6%.

As indústrias, quase todas, estão reduzindo suas projeções de demanda e vendo pouco espaço para a alta de preços e isto pode ajudar no controle da inflação. Elas estão passando do otimismo para o pessimismo em seu nível de confiança nos negócios.
Redução dos investimentos
A redução das encomendas já provocou uma redução na produção de vários setores industriais. Os setores que mais puxaram o crescimento durante o ano – máquinas agrícolas, aço e automóveis foram os primeiros a sentir a queda.

As indústrias de material plástico de Santa Catarina, como a Tigre, estão revendo suas estimativas de crescimento e cerca de 340 empregados do setor já foram demitidos.

Várias indústrias moveleiras e de têxteis manufaturados estão revendo seus planos e colocando o pé no freio até ter uma visão melhor do futuro. A queda gradativa nas exportações vinha sendo compensada pelo crescimento do consumo brasileiro, mas isso não deve ocorrer com a mesma intensidade em 2009.

A Petrobras está avaliando seu plano de negócios para os próximos 5 anos, mas já começou a apertar o cinto para conter gastos diante da possibilidade de tempos difíceis apesar de ter apresentado este ano o seu maior lucro, de quase 100%.

A Danone é a primeira multinacional de alimentos a demonstrar receios de que a desaceleração nas vendas em mercados emergentes possa prejudicar o crescimento das receitas.
Os maiores fabricantes brasileiros de celulose: Aracruz, Votorantim Celulose e Suzano já cortaram 25% de sua produção para conter a queda da cotação do produto e em face da drástica redução do consumo da Ásia.

As indústrias de máquinas para a construção estão revisando seus planos e como primeira opção em momentos de retração, estão adotando a medida em curso em muitas fábrica: vão dar férias coletivas para ajustar seus volumes de produção.

O setor da Tecnologia da Informação também deverá ser fortemente atingido pela crise. A previsão das empresas brasileiras é de uma forte redução nas vendas de computadores, o que deve desacelerar um pouco o programa de inclusão digital.

Voltado para o público de alta renda, o plano de saúde Lincx sabe que a atual crise econômica pode apertar o bolso dos bem-nascidos. Por isso está revendo seus planos para o próximo ano.

Apesar da crise global ainda há dinheiro para investimentos em fundos de aplicações financeiras tanto de origem externa quanto interna. Apenas a análise de risco está sendo mais rigorosa tendo em vista o compromisso de rendimento assumido com o investidor.

O BNDES já elaborou uma lista de projetos considerados irreversíveis e para os quais não vão faltar recursos, totalizando R$ 65 bilhões para os que estarão concluídos até 2011. Estão garantidos recursos para a área de energia elétrica (25 projetos), siderurgia (3 novas usinas e 5 expansões) e 10 empresas industriais, varejistas e do setor agropecuário.

Como nos Estados Unidos onde se originou a crise financeira, ela contaminou inclusive o varejo com uma grande queda nas vendas com a conseqüente demissão de milhares de funcionários. Aqui, o governo federal e representantes do varejo, comércio e serviços articulam a criação de uma política de apoio e desenvolvimento para o setor.

Emprego e renda
Com a confiança na economia abalada o consumidor brasileiro começa a se precaver. Embora a população não se veja, ainda, rondada pelo espectro do desemprego generalizado, tem demonstrado cautela com os gastos e dívidas.
O pagamento do 13° salário vai injetar um grande volume de recursos na economia, mas 50% dos beneficiados vão utilizá-lo para pagar dívidas e uma boa parcela declara que vai guardar para pagar despesas do inicio do ano: matriculas escolares, IPVA, etc.

O desaquecimento da economia deverá subtrair 15 bilhões de reais das receitas públicas em 2009. A estimativa é uma redução de 10 bilhões na arrecadação de impostos e 5 bilhões em royalties em face da queda no preço do petróleo. Com a mudança no cenário econômico o governo será obrigado a rever a proposta orçamentária para 2009.

Mesmo assim para ajudar o comércio e a indústria a fazer capital de giro de curto prazo, o que hoje é o seu principal problema, o governo federal resolveu ampliar os prazos para o recolhimento dos principais tributos federais. Para se ter uma idéia do significado desta medida, no mês de setembro a arrecadação destes impostos foi de R$ 25 bilhões.

Com a crise e a redução da demanda o preço do barril de petróleo perdeu 60% de seu valor em pouco tempo e os Estados e Municípios produtores de petróleo vão ter uma redução significativa na principal fonte de receita, para alguns governos locais, que são os royalties.

Segundo estudo da distribuição de renda no Brasil feito pelo Ipea – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada, de 1990 a 1996 o rendimento do trabalho perdeu participação relativa no total da renda do país. Entre 1996 e 2001 registrou crescimento. De 2001 a 2004 houve nova queda. A partir de 2005 houve nova expansão da parcela do rendimento do trabalho na renda do país. Como a renda nacional cresceu durante todos os períodos se a crise econômica não tiver influencia sobre o crescimento do rendimento do trabalho, o que até agora não está acontecendo, apenas em 2011 ele deve voltar a ter a mesma participação na renda nacional que tinha em 1990, de 45,4%.

Segundo pesquisa do Dieese o desemprego recuou atingindo 2,7 milhões de pessoas. Os setores que mais ofereceram empregos foram os de serviços e a construção civil, mas os levantamentos são anteriores à crise.

Construção civil

A escassez de credito para as grandes construtoras pode fazer com que elas tenham problemas de caixa e não entreguem os empreendimentos aos mutuários. O governo através de Medida Provisória autorizou que o Tesouro Nacional repassasse recursos para o BNDES e à Caixa Econômica Federal para financiar o capital de giro destas empresas e até mesmo permitir à Caixa comprar parte da sociedade neste tipo de empresas. O montante disponibilizado inicialmente foi de R$ 3 bilhões.

A decisão de blindar o setor parte do pressuposto de que a construção civil é importante para evitar a desaceleração da economia e manter o ritmo de geração de emprego e renda. As construtoras já reduzem a previsão de lançamentos para 2009 em até 60% e isto certamente vai afetar o nível de emprego, pois o setor apresenta um grande índice de mão-de-obra. Estes cortes estão ocorrendo em virtude das projeções de vendas para o próximo ano terem sido reduzidas em até 25%.

Depois de atingir as construtoras a crise já chegou às imobiliárias e diversas já estão demitindo funcionários apesar da ajuda que as construtoras vão dar.

Para evitar isto o governo vai disponibilizar um volume maior do FGTS para o financiamento imobiliário para evitar que a crise financeira desestimule o mercado.

As empresas de construção civil voltada para a baixa renda são as que estão enfrentando melhor a crise financeira, pois contam com uma garantia da Caixa Econômica Federal que manteve as condições vantajosas para o consumidor final. Ainda que o cenário seja mais positivo do que para o restante do setor, essas empresas também foram atingidas.

Indústria automobilística
As incertezas sobre os efeitos da crise internacional na demanda de veículo e o aumento das restrições de credito direto ao consumidor pelos bancos fizeram com que acontecesse uma grande queda nas vendas o que levou as empresas do setor a reduzir o ritmo da produção, a antecipação de férias coletivas, paralisação de linhas de montagem de alguns modelo e em alguns ainda poucos casos a demissões.

A redução dos prazos, juros maiores e mais exigências, como a cobrança do pagamento de entradas mudou o ânimo dos consumidores, reduzindo a demanda. A indústria do setor que se ajustou a um crescimento de 30% agora com a queda do ritmo de vendas ela teve que desacelerar.

Como uma boa parte da economia de Minas e especialmente de São Paulo gira em torno da indústria automobilística os governos destes estados já disponibilizaram 8 bilhões de reais para ajuda ao setor.

As montadoras estão prevendo crescimento zero em 2009 e com a ajuda que receberam dos governos já estão socorrendo também as revendedoras que estão em crise.
Como conseqüência da desaceleração das montadoras toda a cadeia produtiva da indústria automobilística entrou em crise e os fabricantes de autopeças também deram, inicialmente, férias coletivas a seus funcionários.

As últimas noticias nos dão conta de que também no Brasil a GM está com problemas e vai dar férias coletivas para seus empregados de 1° de dezembro a 5 de janeiro de 2009.

Agronegócios

A previsão da produção agrícola em 2009 é de que seja menor do a de 2008. Afetada pela explosão dos custos da produção e pela falta de crédito barato, sobretudo no Centro-Oeste, a nova safra de grãos, fibras e cereais será menor do que se previa, o que certamente irá provocar preços maiores no futuro apesar da demanda aquecida.

Além de menor área plantada a produtividade de muitas lavouras deve cair devido ao uso menor de fertilizantes que são derivados do petróleo e teriam que ser aplicados quando o preço do petróleo estava muito alto encarecendo os produtos.

O governo federal decidiu ampliar a blindagem da agricultura familiar contra os efeitos da crise financeira garantindo assim uma maior produção. Novas regras vão amparar as operações de credito para o custeio e também de investimentos, além de reajustes nos preços mínimos do Programa Nacional de Agricultura Familiar.

A persistente turbulência nos mercados financeiros e incertezas sobre a desaceleração da economia dos grande países consumidores derrubaram os preços das principais commodities agrícolas no mercado mundial compensados parcialmente pela elevação do dólar.

A retração de vendas para o exterior já está provocando a agroindústria a antecipar férias coletivas com a Aurora que atua no setor de carne suína e de frangos no sul do país.

Álcool e açúcar

Também a grande redução do preço do petróleo está levando a uma melhor avaliação da produção de etanol apesar dos benefícios para o aquecimento global.

Cerca de 20% das usinas do setor no país estão com alto índice de endividamento, algumas com dívidas maiores que seu patrimônio. Este cenário compromete novos projetos e muitos dos que deveriam operar em 2008 foram transferidos para 2009, outros adiados para 2010. Outros 60 sequer saíram do papel e estão ameaçados de não acontecer em virtude da constante queda da cotação do açúcar no mercado internacional nas duas últimas safras.

A questão ambiental também está sentindo a crise não só pela desaceleração da produção de etanol, mas devido à redução dos investimentos em fundos que visam financiar projetos que promoverão a diminuição de emissões de carbono.

Siderurgia

Com a queda da demanda tanto no mercado externo como no interno já provocou uma queda acentuada dos preços e o setor não espera que eles voltem aos níveis do início do 2° semestre de 2008 senão em 2010.

Diante desta situação muitas siderúrgicas estão reduzindo sua produção e aproveitando mesmo para a parada total de algumas usinas para manutenção. Diante da queda da demanda e em virtude da crise de crédito as grandes do setor: a Vale, a Gerdau, a Usiminas e a Mittal, estão falando na redução de alguns novos investimentos ainda não iniciados o que certamente vai afetar a oferta de empregos no futuro.

Além disso, preocupados com o aprofundamento da crise financeira mundial e com o início da recessão em alguns mercados de países desenvolvidos, os produtores de aço estão se movimentando para evitar uma enxurrada de produtos siderúrgicos e manufaturados de aço de origem chinesa.

Comércio exterior

A União Européia avalia que o Brasil consolidará seu status como "exportador gigante" de produtos agrícolas até 2017, visto seu domínio nas vendas de oleaginosas, açúcar, etanol, carnes bovina e de frango. Já a UE deve perder espaço nas vendas de grãos, açúcar, lácteos e carnes. A exceção será para o trigo, cujas exportações deverão aumentar. Os Estados Unidos continuarão líder no comércio de trigo e de milho, principalmente.

A nova projeção européia para o comércio agrícola global prevê que o Brasil vai passar os Estados Unidos como maior produtor mundial de óleo de soja em 2016/17. O Brasil e a China (como importador) representarão mais da metade desse comércio em 2010. Argentina e EUA continuarão na liderança das exportações.

A demanda por açúcar deve crescer mais rápido que a produção, e o Brasil e a UE serão os principais atores no mercado. Até 2017, o Brasil terá 60% do mercado mundial. A UE se tornará o maior importador global, comprando mais de 5 milhões de toneladas. A China e os Estados Unidos vão importar muito açúcar, deixando a Rússia (hoje o maior importador) na quarta posição em 2017.

A UE projeta para o etanol o domínio do Brasil como exportador e dos Estados Unidos como importador. O comércio internacional deve crescer velozmente, pelos cálculos de Bruxelas. As exportações brasileiras podem alcançar 13 bilhões de litros dentro de dez anos, pelo cenário europeu.

O setor de carnes como um todo manterá sua expansão, graças a aumento da população mundial e maior renda nos países em desenvolvimento. O comércio deve aumentar 2,5% ao ano. O Brasil ganhará mais da metade do crescimento, com 30% das exportações globais de carnes em 2017.

A China representará mais de 40% do crescimento da demanda, mas isso terá menos impacto no comércio mundial porque o consumo pode ser atendido em grande parte pela produção doméstica.

Políticas sociais

Lenas Lavinas e João Sicsú, professores do Instituto de Economia da UFRJ produziram o texto: “A hora e a vez das políticas sociais” que transcrevemos a seguir alguns trechos.

O mundo encontra-se numa segunda fase da crise. A crise saiu do âmbito da economia financeira. Já contaminou decisões empresariais de investimento e decisões de gasto por parte dos trabalhadores. Isso significa menor oferta de crédito interno, que por sua vez significa menos consumo; por conseqüência, as vendas se reduzem e cai a produção. Ou seja, a crise financeira chega ao mundo real, e é na segunda parte dessa seqüência que os efeitos se propagam para a maioria da população porque menor produção gera menor crescimento e redução dos empregos.

O risco é que haja uma parada súbita de fluxos monetários e reais. A política fiscal de gastos deve ser utilizada como estabilizadora da trajetória de crescimento econômico. Quando o setor privado está gastando de forma intensa, o setor público deve reduzir os seus gastos. Quando o setor privado ameaça estancar o seu fluxo de gastos, o setor público deve elevar os seus gastos. Essa formula é velha. Foi ensinada pelo economista que virou fashion: J. M. Keynes. Mas a fórmula keynesiana não se restringe a realizar ou cortar gastos públicos.

A fórmula relaciona quantidade à qualidade do gasto. Terá maior qualidade aquele gasto que tem o maior efeito multiplicador na economia. É considerado um gasto de baixa qualidade aquele gasto que se transforma em renda daqueles que não têm uma alta propensão a gastar aquilo que recebem, porque tem um baixo multiplicador. O investimento em obras públicas contrata vastos contingentes (elevada quantidade) de trabalhadores que gastam tudo o que recebem (alta qualidade). As políticas sociais para Keynes não são políticas que deveriam estar relacionadas com os ciclos econômicos. Elas deveriam estar relacionadas com o objetivo de redução plena das vulnerabilidades sociais.

Entretanto, dadas as evidentes vulnerabilidades da grande parte da população brasileira, a ampliação da cobertura dos programas sociais, assim como o aumento real dos benefícios previdenciários e sociais, cujo valor do salário mínimo é parte integrante, tornam-se nesse momento uma política fiscal de gastos anti-cíclica. Em outras palavras, políticas sociais são indissociáveis de um projeto de desenvolvimento de longo prazo. Contudo, hoje no Brasil, frente à ameaça de uma crise de parada brusca dos fluxos monetários e reais, o aprofundamento das políticas sociais cumprirá o objetivo macroeconômico de curto prazo de auxiliar a manutenção da rota de crescimento, tal como a política de investimentos públicos do PAC. Políticas sociais realizam gastos em volumes consideráveis e realizam um gasto de alta qualidade.

Para evidenciar tal assertiva, simulamos duas dinâmicas diferenciadas de evolução do valor dos rendimentos do trabalho, aposentadorias e pensões e também benefícios assistenciais, a partir dos dados da Pnad 2007. Na primeira simulação, limitamo-nos a um reajuste linear de 12,3% para todos esses rendimentos, índice obtido tomando-se o INPC acumulado no período outubro de 2007 a outubro de 2008, e a inflação futura estimada para 2009 (4,5%). A segunda simulação envolveu variações distintas para cada tipo de rendimento, levando em consideração a proposta do governo de elevar para R$ 464,78 o valor do salário mínimo em fevereiro de 2009, bem como a recente decisão do Senado que, ao aprovar a concessão a todas às aposentadorias e pensões até o teto previdenciário, reajuste igual ao do salário mínimo. Assim, corrigimos esses benefícios previdenciários em 17%, acompanhando a decisão do Senado. Demais valores de remuneração do trabalho - diferentes de um salário mínimo - foram reajustados em 14,8% (além de incorporar a inflação acumulada e a prevista, considerou 1,5% de aumento real médio dos salários observado em 2008 e mais 1% para 2009). Os benefícios assistenciais foram corrigidos pelo índice de 12,3%. Porém, dada a importância do crescimento econômico na geração de novos postos de trabalho, estimamos, com base na variação do PIB para 2008 e 2009, a criação de 10,2 milhões de empregos. Destes, perto de 55% seriam formais, com remuneração pelo piso salarial (projeção conservadora posto que 92,1% dos empregos criados no decorrer deste ano estão na faixa de até 3 salários mínimos), enquanto os informais receberiam o valor médio observado em 2007, mas atualizado para 2009, pelo INPC.

O paralelo entre a simulação 1 e a simulação 2 demonstrou que preservar a trajetória de recuperação do mínimo e atualizar os benefícios assistenciais e previdenciários tem retornos significativos do ponto de vista do consumo agregado e do bem-estar da população, contribuindo para manter aquecida a atividade econômica.

Assim, constatamos que a simulação 2 leva a um aumento importante da renda familiar per capita média nos décimos inferiores da distribuição, exatamente aqueles cuja propensão a consumir é elevadíssima. É factível considerar, apoiados em resultados da POF 2003, que até o sétimo décimo da distribuição tal propensão seja superior a 90%. Ou seja, 70% da população, cerca de 128,8 milhões de indivíduos, terão um aumento real médio de sua renda mensal per capita da ordem de 21%, que vai se transformar em mais consumo. Isso significa R$ 6 bilhões mensais a mais na economia real, ou R$ 72 bilhões ao longo do ano de 2009.

Não bastasse o multiplicador do consumo ser ampliado, haveria uma forte redução da pobreza, pois o percentual de pessoas vivendo abaixo da linha do Bolsa Família cairia de 17%, registrado na simulação 1, para 13,5%, resultado alcançado na simulação 2. São 5 milhões a menos de pobres.

Tudo isso é para agora, se for possível ao governo governar para superar a crise em prol do emprego e da atividade econômica. A hora das políticas sociais responsáveis, no seu escopo, escala e qualidade, é essa.

O enfrentamento da crise deve ser planejado de modo a manter um patamar razoável de justiça social para que os mais pobres não paguem a conta.

Sabemos que um dos pontos que temos a nosso favor é o elevado potencial de nosso mercado interno que durante muitos anos foi ignorado no país. Os investimentos nas políticas sociais estão mudando esse quadro. Em conjunto com outras políticas de proteção do poder aquisitivo dos trabalhadores de baixa renda, como a política de valorização do salário mínimo, o governo federal estimula a formação de novos consumidores. Podemos evitar que a crise amplie os efeitos no país por meio da manutenção dos recursos destinados à área social, evitando o arrefecimento do consumo popular.

Certamente, muito dos investimentos previstos deverão ser reordenados por uma exigência de resposta à crise. Mas que seja preservado o dinheiro dos pobres, que é um dinheiro sagrado que lhes assegura acesso a bens e serviços básicos possibilitadores do direito à vida. Queremos o bem de todos, o desenvolvimento harmônico do país, mas sempre preservando o direito dos mais pobres.

A expansão da classe média provocou relativa euforia comenta Waldir Quadros, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) em seu estudo sobre "A evolução recente da estrutura social brasileira". Esses levantamentos incorporaram os efeitos do forte ciclo de consumo, apoiado na expansão do financiamento sujeito a "bolhas", sem utilizar como critério de classificação apenas a renda declarada.

– O cenário de seis meses atrás agora é outro. O crescimento de 2004 a 2008 já acabou, e esta estrutura já está em crise – afirma. – Nos estratos superiores da classe média, o quadro é de estagnação e não apresenta alterações importantes.

A melhora das condições sociais, provocada pelo crescimento robusto, foi evidente nos últimos anos. De acordo com Quadros, – o incremento médio do salário mínimo, de 4,8% ao ano – a formalização dos contratos de trabalho e a transferência de renda promovida pelos programas sociais, montaram o cenário que resultou no aumento da mobilidade social, principalmente na camada da massa trabalhadora, que ascendeu para a baixa classe média.

Esta parcela da massa de trabalhadores que ascendeu à classe média nos últimos anos poderá ser forçada a trilhar o caminho de volta. Esta mobilidade social, puxada pelo crescimento econômico e pela explosão do consumo, baseada na ampla oferta de crédito, é frágil e dificilmente resistirá às turbulências provocadas pela crise internacional em 2008 e ao cenário recessivo que se projeta para 2009.

Segundo o economista, o que existe atualmente é "um congestionamento na classe C que tenta se manter, mas não tem passagem para cima". O cenário econômico neste fim de ano, marcado pela restrição de capital de giro para o pagamento do 13º salário, por lojistas preocupados com o desempenho das vendas e pela retração da demanda, sinaliza que "os que subiram (à classe média) se tornaram agora candidatos a descer."

Diante deste quadro que vai tomando outra configuração a cada dia, a Região Eclesiástica, as Instituições e cada igreja local devem analisar sua real situação no curto prazo e adotar as providências necessárias para que não venham em futuro próximo ficar em situação financeira muito difícil.

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