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Natal
Rio, 8/1/2009
 

Natal: Temor e mistério (Ricardo Barbosa de Sousa)

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Eu sempre gostei do Natal. Embora seja uma data muito criticada pelos cristãos em virtude do forte apelo comercial e dos hábitos culturais importados, que nada têm a ver com o seu significado bíblico e histórico, ainda assim, eu gosto de celebrá-la.

A história do Natal é cheia de mistérios: visita de anjos, a gravidez de Isabel já idosa, a gravidez de Maria, ainda virgem, pelo poder de Deus, o nascimento de Jesus, o coro de anjos no céu, estrelas guiando os magos etc.

O advento do Natal é cheio de cenas surpreendentes que nos levam a um cenário completamente distante do nosso universo racional e científico. Quando olho para pessoas como Isabel e Zacarias, Maria e José, os magos e os pastores, personagens centrais na história da salvação, fico pensando se minhas reações seriam semelhantes às que eles tiveram, se haveria em mim lugar para participar desta história. A resposta mais provável seria que não. Minha jornada de fé é muito racional, sem espaço para mistérios, visitas de anjos, sonhos ou visões.

A pergunta que eu me faço diante deste cenário é: qual a virtude espiritual necessária para compreender, aceitar e participar dos mistérios de Deus e sermos agentes da sua história da salvação? Penso que a resposta a esta pergunta está numa expressão que aparece várias vezes na narrativa bíblica do Natal: temor.

Zacarias, Maria, José e os pastores, ao receberem a visita do anjo do Senhor, ficaram perturbados e confusos. O anjo, porém, os acalmou dizendo que não tivessem medo, e todos responderam a Deus com profunda reverência e temor. Maria, frente ao inusitado, se coloca perante Deus e, com humildade, temor e reverência, responde dizendo: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra”. Sua postura diante do anúncio dos propósitos de Deus revela o temor com que tratou os segredos que lhe foram confiados.

Para sermos agentes da história da salvação, precisamos aprender a cultivar o temor ao Senhor, a reconhecer que Deus é o Criador e Senhor, e nós, suas criaturas e servos. Afirmações bíblicas como: “O Senhor está no seu santo templo, cale-se diante dele toda a terra” (Hb 2.20); “A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl 25.14), “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus…” (Sl 46.10) são cada vez mais raras entre nós.

Sem temor e reverência seria impossível a resposta de Zacarias, de Maria ou dos pastores nos campos de Belém à visita do anjo do Senhor. Da mesma forma, a resposta de Jesus no Getsêmani seria impossível sem a absoluta submissão do Filho ao Pai. Foram o temor e a reverência que deram aos discípulos a condição de participar de eventos como a transfiguração, a ascensão e os sonhos e diferentes visões que deram rumo à igreja em Jope, Corinto ou Patmos. Deus fala, nós ouvimos. Ordena, e nós obedecemos. O temor e a reverência são a postura adequada diante da grandeza, majestade, santidade e poder de Deus.

Com a mente e o coração agitados, não é possível compreender os mistérios de Deus, ouvir sua voz através de sua Palavra ou perceber aquilo que ele está fazendo. A falta de reverência e temor para com o sagrado transforma a realidade divina e eterna em algo completamente humano, terreno, fútil e banal. Invertemos a ordem da criação.

“Não temas!” Esta foi a expressão mais comum nos dias do primeiro Natal. O temor, por um lado, levou os protagonistas desta história a se curvarem diante do inusitado, do incomum. A não tratarem com indiferença a visita do Senhor. A não tentarem manipular, racionalizar ou espiritualizar a manifestação do Todo-Poderoso. Por outro lado, Deus olha para o nosso assombro, e se aproxima e diz: “Não temas, sou eu, é meu anjo, é minha promessa”. O temor nos leva a aquietar o coração, a acolher a promessa, a esperar a salvação e a nos entregar ao serviço e propósito de Deus.

O Natal é um tempo em que somos convidados a olhar para este cenário tão incomum nos nossos dias. A reconhecer que os caminhos de Deus não são os nossos caminhos e seus pensamentos não são os nossos pensamentos; que não podemos aprisionar Deus em nossos limitados esquemas religiosos. Ele é o Criador e Senhor; nós, suas criaturas e servos. “Glória a Deus nas maiores alturas” (Lc 2.14).

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• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

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