IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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João Wesley
Rio, 14/1/2009
 

A Família Wesley ** (Rev. W. H. Fitchett)

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A família Wesley, como já vimos, era composta de naturezas fortes; regidas fortemente e para fins nobres. Um grupo de meninos e meninas inteligentes, veementes e argüidores, que viviam segundo um código limpo e reto, se bem com trato mui simples; disciplinados a se portarem com gentileza e vera cortesia; tendo por ideal o saber, por atmosfera o dever, e por lei o temor de Deus. A religião era, como deve ser em toda a família, a força motriz; uma força com a pressão constante e prevalecente de uma atmosfera. É mui certo como as páginas subseqüentes hão de mostrar, que não era a mais inteligente forma de religião. Entretanto, preencheu o seu papel eterno em enobrecer as vidas que tocava.

Pode-se afirmar, com confiança, que nesse período particular do século XVIII, o presbitério de Epworth abrigava mais inteligência do que existia sob qualquer outro teto na Inglaterra. O velho Wesley deveras parecia - se bem que somente na sua ingenuidade e falta de prática, com o Doutor Primrose do livro “O Vigário de Wakefield” (escrito por Oliver Goldsmith por volta de 1761/62. É um romance sentimental que exibe a crença de uma inata bondade nos seres humanos) e pode-se acrescentar que, o viver com ele devia ter sido muito menos agradável do que com o insosso, se bem que bondoso herói de Goldsmith. Mas possuía uma inteligência ativa, uma vontade enérgica, e bastante coragem para suprir um batalhão. Era sem dúvida, de um temperamento peremptório, e a sua vontade imperiosa por natureza, foi reforçada por uma luta perpétua com circunstâncias adversas, até tornar-se quase incapaz de flexibilidade alguma. Na família foi um déspota, mas tal disposição era a moda desse período. Suzanna Wesley, quando escrevia às pessoas amigas, costumava falar no seu arbitrário marido, como “meu amo”, embora, como é freqüentemente o caso na vida de cônjuges, o imperioso marido tivesse muito menos autoridade do que ele mesmo imaginara.

O escritor Sir Thomas Artur Quiller-Couch no seu livro “Hetty Wesley” descreve o pai da família Wesley de um modo que não passa de uma simples caricatura. Samuel Wesley, como ele o pinta, com olhos fogosos, separados por nariz cumprido e obstinado, é uma espécie de Quilp em sobrepeliz (veste branca usada pelos clérigos sobre a batina) do século XVIII. É o tirano e mau gênio na vida de seus filhos e o alvo do bem fundado ódio deles. Até a sábia e gentil Suzanna Wesley é pintada como sabendo amoldar as vidas de seus notáveis filhos, mas como manifestando singular incapacidade em dirigir as filhas. Uma cena em Hetty Wesley representa a Mariquinhas, a mais tímida e acanhada das filhas, como encarando a seu terrível pai, e a xingá-lo por parágrafos inteiros. Ela informa o pai, em sentenças que cheiram do Dr. Johnson: “O vosso gênio faz da vida uma tortura. Derrotado em outra parte, tendes vos embriagado de poder em casa, até crerdes que as nossas almas são vossas”; e termina, apontando-o e gritando: “Ei-lo, que homenzinho ridículo!”.

A cena é falsa tanto na realidade como na forma. Não há nessa passagem eco algum do trato familiar desse século, e ainda menos da fala no presbitério de Epworth. Samuel Wesley não era demasiado sábio como pai, mas bem poucos tem havido, que maiores sacrifícios tenham feito a bem dos filhos, ou que mais intimamente se tenham identificado com a sua felicidade. E onde se acharia outra esposa ou mãe nesse século que seria comparável com a Suzana Wesley? É uma das mulheres afamadas entre as de todos os tempos. Dos três filhos, um havia de amoldar em novo tipo a vida religiosa da raça a qual pertencia; outro havia de ser o maior autor de hinos na literatura inglesa; enquanto o mais velho do grupo, Samuel Filho, possuiria uma força de vontade e um vigor intelectual iguais aos de seus irmãos famosos, e ainda lhes sobrepujaria em vivacidade de espírito. Infelizmente, no caso dele, nunca o calor chegou a derreter a geada que congelava a teologia da Igreja alta (Anglicana) na qual ele se achava preso.

Era de se esperar que as meninas do presbitério (as filhas de Samuel e Suzana Wesley) tivessem uma vida menos cheia e variada do que seus irmãos. Os filhos foram logo para as atividades e agitações de uma grande escola pública; para a culta atmosfera da Universidade, e, ainda mais tarde para o grande palco do mundo. E mui naturalmente a imaginação, tanto do pai como da mãe, acompanharia os filhos nesses novos campos com o mais vivo interesse. As figuras, pois, tomariam nova escala sobre a tela; porque para as filhas só restaria a monotonia da vida caseira: da vida num presbitério rural, situado, como foi o de Epworth, em terras úmidas, e isto nos meados do século XVIII. A monotonia devia ter sido grande, e a própria natureza não lhe era propícia. A vida corria mui vagarosamente e encerrava tarefas tediosas. As meninas tinham um pai preocupado e uma mãe sobrecarregada, casa mal mobiliada e recursos mui inadequados. Poucos eram os pretendentes ao casamento; era sonhar ociosamente o pensar em vestidos novos, e árduos trabalhos eram inevitáveis. As filhas não possuíam - e nem era de esperar que possuíssem - a sábia filosofia da mãe. Emília, a mais velha e, a menos contente das filhas, fala freqüente e asperamente da escandalosa falta dos meios de subsistência.

As terras alagadiças e monótonas, salpicadas com fileiras de salgueiros e sabugueiros, e sulcadas de canais para escoarem as águas superabundantes - canais que no inverno pareciam meras fitas de gelo - isto tudo contribuía para a formação de uma paisagem tristonha, que no inverno, foi castigada por ventos suestes. Aqui e acolá, na distância, erguia-se a torre de uma ou outra igreja que, qual ponta de lança feria o horizonte. Ou um agrupamento de tetos baixos formava uma vila, ou uma solitária vivenda de campo dava um aspecto ainda mais acentuado para a solidão da cena. Os incultos moradores dessas terras alagadiças não apreciavam aos que, tais quais os Wesleys, não fossem da sua classe. Cinqüenta anos antes, essa raça obstinada havia sustentado uma mal disfarçada guerra civil contra o engenheiro holandês, Cornélio Vermuyden, que o rei Guilherme III trouxe de Holanda para drenar essas terras alagadas. Rompiam-lhe os diques, judiavam de seus operários, queimavam-lhe as cearas. E mantinham algo do mesmo espírito com os Wesleys: eles apunhalavam as vacas do pároco, aleijavam-lhe as ovelhas, rompiam os diques de noite para alagarem-lhe os campos. Judiavam dele por causa de suas dívidas, e tentavam, e não sem êxito, queimar-lhe o presbitério (a casa pastoral), para depois acusá-lo, a ele mesmo, de tê-lo incendiado!

Os amigos instavam que ele saísse de Epworth, mas ninguém, em cujas veias corresse o sangue de um Wesley, se sujeitaria a ser tocado (expulso, fugido) para qualquer lugar. Samuel Wesley escreveu a seu bispo: "Seria um ato de covardia se eu deixasse o meu posto na face do fogo cerrado com que o inimigo me alveja”. Estava escrevendo da prisão onde fora encerrado por dívidas. Pode-se admitir com franqueza que tais condições não eram muito consoantes com a felicidade doméstica. Acarretavam muitas solicitudes e grandes limitações para os horizontes sociais da família em Epworth.

Pode-se acrescentar que a história da família no presbitério de Epworth foi assombrada por não poucas tragédias, e todas estas se agrupavam em redor das inteligentes e jeitosas filhas da família. Há males piores do que a necessidade, dissabores mais cruéis do que a pobreza, cousas mais difíceis de agüentar do que a dor ou a morte. Pouca mãe tem experimentado dores mais profundas do que as que caiam sobre Suzana Wesley. O único grito de dor, audível em toda a sua correspondência, acha-se num trecho de uma carta dirigida a seu irmão Annesley:

“Raramente me acho com saúde; o sr. meu esposo continua no declínio; a minha querida Emília que me confortaria grandemente na minha presente necessidade, está obrigada a ir a seu serviço em Lincoln, onde é professora num internato; a minha segunda filha Sukey, uma bela mulher e digna de melhor sorte, quando, de vossas últimas cartas pouco caridosas, entendeu que estavam frustradas todas as suas esperanças em vós, ela deu-se impensadamente a um homem (se é lícito chamar homem àquele que é pouco inferior aos anjos apóstatas em iniqüidade), o qual não somente constitue a desgraça dela, mas é o constante pesar da família também. Oh, sr! Oh, irmão! Feliz, três vezes feliz sois vós, e feliz a minha irmã, que enterrastes vossos filhos ainda na infância: seguros da tentação, seguros da culpa, seguros da pobreza e da vergonha, ou da perda de amigos! Estão seguros além do alcance da dor ou da miséria; tendo partido daqui, nada pode incomodá-los jamais. Crede-me sr. quando vos digo, que é melhor chorar dez filhos mortos do que um vivo; e tenho enterrado a muitos”.

A referência vaga e amarga que encontramos aqui, é a respeito de sua filha Hetty (apelido de Mehetabel), a mais espirituosa, vivaz, ativa e infeliz desse grupo de lindas moças sob o teto do presbitério de Epworth. Hetty possuia raros dotes intelectuais, e é narrado que aos oito anos lia o novo testamento em Grego. Uma menina fascinante e brilhante, com algo de brincalhona, possuindo uma vontade independente e imperiosa; no entanto, nesse tempo, não havia moça sob qualquer teto inglês que tivesse um espírito mais terno, uma inteligência mais viva, nem sorte mais infeliz. Foi ela a única filha que envergonhou a família (o problema da vergonha é que namorou um advogado, mas Samuel, o pai, não aprovou o namoro, pois considerava o candidato a namorado um advogado sem princípios. Numa viagem a Londres, ela acabou se entregando a ele e, na volta, teve uma grande briga com o pai, que teve o apoio de todas as outras irmãs. Foi obrigada a casar-se, para reparar a sua honra, com quem se dispôs a aceitá-la naquelas condições).

Quando o seu desvio ficou conhecido, seu pai teve um aceso de terrível e inexorável raiva. Por muito tempo não consentiu em ver a sua filha; se não fosse a paciência da mãe, talvez teria sido expulsa do abrigo do teto familiar. A própria Hetty, anos depois quando o seu pai tinha ficado parcialmente reconciliado, escreveu: “Eu teria sacrificado pelo menos um dos meus olhos pela liberdade de ter-me lançado aos vossos pés antes de me casar; mas desde que já passou, e dificuldades matrimoniais são geralmente irremediáveis, espero que haveis de ter a condescendência de fazer-vos do meu parecer, ao ponto de reconhecer que, desde que, em certas cousas, tenho mais felicidade do que mereço, e melhor dizer bem pouco de cousas que não são remediáveis. “

A única contenda que João Wesley teve com o pai resultou de um sermão que eIe pregou sobre ”A caridade que se deve usar para com os ímpios,” que o pai interpretou como sendo uma censura a ele em defesa de Hetty.

Num acesso de tristeza - uma condição de espírito entre a contrição e o desespero - Hetty jurou que se casaria com qualquer pessoa que os pais quisessem, e o comprimento desta penitência imposta a si mesma foi exigido com rigor. Um funileiro chamado Wright ofereceu-se para casar com Hetty quando a ira do pai ainda ardia, e Samuel fez o casamento. Talvez nunca houve um casamento mais infeliz. Wright, em caráter, educação, hábitos e temperamento, foi exatamente o oposto de sua mulher. Foi o casamento de uma moça jeitosa, educada e espirituosa, com um tolo beberrão e dissoluto. Foi esposa negligenciada, filha exilada, mãe infeliz, pois os seus filhos morreram quase ao nascerem.

A sua vida de casada, semeada de toda a espécie de desgostos, acabrunhou o espírito da infeliz Hetty, e eIa procurou com sentida solicitude a graça de perdão do seu pai ofendido.

“Honrado sr.”, escreveu ela, “ainda que me abandoastes, e sei que um propósito uma vez por vós tomado não é facilmente abandonado, eu tenho de dizer-vos que alguma comunicação do vosso perdão não somente é me necessária, mas tornaria mais feliz o casamento, no qual visto que vós o determinastes, deveis ainda sentir um não pequeno interesse. A minha criança, com cujo fraco apoio, eu contara para fazer a vida mais suportável, tanto para mim como para o meu marido, já morreu. E se Deus ainda me der e tirar outra, nunca me posso escapar do pensamento que a intercessão do pai poderia ter prevalecido em aplacar aqueIa ira de Deus que então tomarei como sendo manifesta.”

“Perdoai-me, sr., se eu vos tomar por participante na felicidade (ou na infelicidade) que o mundo geralmente considera como sendo pela graça de Deus, a sorte de dois! Mas como plantastes a minha felicidade matrimonial, assim não podeis correr da minha petição quando vos peço que a regueis com um pouco de boa vontade. Meus irmãos hão de relatar-vos o que têm visto da minha maneira de viver e das minhas lutas diárias para redimir o passado. Mas tenho chegado ao ponto onde eu sinto que o teu perdão é para mim uma necessidade. Rogo-vos, pois que não mo negueis.“

Samuel Wesley, entretanto, ouviu sem se convencer. Não achou qualquer nota de sinceridade nas cartas de sua infeliz filha. Ele a aconselhou que, quando escrevesse outra vez, se eIa desejasse convencê-lo, “se mostrarsse menos espirituosa e desse mais evidência de contrição”. Ele pergunta: “Que dano vos causou o casamento? Sei unicamente que vos deu o vosso bom nome”. É certo que uma mãe não teria respondido deste modo a uma tal carta como a que a pobre Hetty escrevera. Mas Samuel Wesley, mais do que os homens em geral, possuia a incapacidade de entender as sensibilidades femininas.

Mas se a pobreza, o abandono e a solidão lhe esmagaram o orgulho da uma vez espirituosa Hetty, ao mesmo tempo lhe purificaram o caráter: Ela escreveu a seu irmão João em 1743:

“Ainda que eu esteja privada de todos os auxílios e serviços humanos, não estou desamparada; embora eu não tenha nenhum amigo espiritual, nem tivesse jamais, a não ser, talvez, uma ou duas vezes por ano, quando tenho visto furtivamente um dos meus irmãos ou outra pessoa religiosa; entretanto (embora não o mereça) posso ainda buscar a Deus, e não me satisfaço com causa alguma senão Aquele em cuja presença afirmo esta verdade. Não ouso desejar a saúde, somente a paciência, resignação, e um espírito são. Tenho sido fraca por tanto tempo que não sei até quando durará a minha provação, mas tenho uma firme convicção e uma bendita esperança (embora não a plena certeza) que no país para onde eu vou, não cantarei sozinha ”Aleluia“ e “Santo, santo, santo!” como tenho feito aqui. “

A última referência que Wesley faz de sua irmã Hetty é indizivelmente, se bem que inconscientemente, tocante:

“Aos 5 de março de 1750. Fiz oração ao lado da minha irmã Wright, uma alma graciosa, tenra e tremente; uma cana quebrada que o Senhor não esmagará. Tive com ela comunhão deliciosa na capela enquanto eu lhe explicava as palavras maravilhosas: Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua luz minguará, e os dias do teu luto se virão a acabar-se”.

Sobre este fundo recordemos a figura da menina espirituosa e culta, a luz e o orgulho do presbitério, antes de ser manchada pela vergonha e quebrada pela crueldade humana; e assim se torna visível um dos mais tocantes capítulos na família Wesley.

Outra filha, Martha, teve sorte quase tão cruel como a de Hetty, se bem que no caso deIa, não havia qualquer culpa pessoal para lhe aumentar a amargura. Martha casou-se com um companheiro escolar de João Wesley chamado Wesley Hall, clérigo de boa família, mas homem cujo caráter possuia imprevistas funduras de vileza. Adão Clarke faz um resumo de sua história: “Ele foi cura na Igreja Anglicana, depois se tornou moraviano, quietista, deista (senão ateu) e poligamista. Ele defendeu a poligamia pelo ensino e exemplificou na prática”.

Hall inicialmente enamorou-se de Kezia Wesley e anunciou que fora lhe revelado que tinha de casar com ela. O seu afeto e as suas revelações, entretanto, eram de caráter mui transferíveis. E logo lançou um olhar sobre Martha, e relatou que, recebera outra revelação e tinha de casar com ela. A pobre Kezia morreu de desgosto; e sobre Martha caiu a sorte ainda mais triste de casar com Hall. Hall teve uma capacidade para o engano, e para atos de crueldade que era sugestiva de possessão diabólica.

Martha, quando menina, foi a mais alegre de todos no grupo de Epworth. “Ficareis menos risonhos algum dia”, disse a sábia mãe, contemplando os filhos risonhos com olhos proféticos. Martha lhe perguntou: “Eu também ficarei menos risonha mamãe?” A mãe respondeu-Ihe, sorrindo: “Não”. Ela julgava que nada seria capaz de acabrunhar o espírito alegre daquela menina! Entretanto a mais alegre das meninas passou pelo escuro mar de sofrimentos.

Martha desenvolveu uma paciência heróica, e mais notável do que a da personagem Griselda na poesia de Lord Alfred Tennyson; encobriu as faltas do seu vil marido, servindo-lhe de enfermeira para as amásias (amantes, concubinas) dele. Recebeu em braços piedosos (de braços abertos) os filhos ilegítimos desse esposo ingrato, e manifestou para com ele uma fidelidade heróica. E anos depois quando seu marido inútil morreu, umas das últimas palavras que ele proferiu foram: “Tenho judiado de um anjo, um anjo que nunca me repreendeu”.

Entretanto, a mansidão heróica dessa mulher não significava qualquer falta de coragem ou de força. Conservou a inteligência disciplinada, as feições serenas, no meio de todas as vicissitudes, e pelo simples encanto de suas qualidades mentais (intelectuais), tornou-se uma das mais íntimas e apreciadas companheiras do Dr. Samuel Johnson (que é, de todos os escritores ingleses dos séculos XVII a XIX, um dos mais citados autores mencionados naquela época, só perdendo para William Shakespeare). Ela dizia: “O mal não foi me estranho, mas não foi permitido ao mal me fazer dano”. Se bem que a sua vida fosse uma tragédia, comtudo, a sua morte foi assinalada por uma grande paz. Um pouco antes de render o seu espírito, a sua sobrinha lhe perguntou se sentia dor? EIa respondeu: "Não, mas tenho uma nova sensação. Tenho a plena certeza que por tanto tempo tenho pedido. Jubilai-vos” e assim morreu. Seria difícil achar nos anais (nos registros, na história) de mulheres outro exemplo de espírito tão grandemente experimentado, e ainda tão serenamente heróico como o de Martha Wesley.

Uma outra das moças Wesley também fez naufrágio de sua felicidade por casamento desastrado. Suzana, a filha, teve a infelicidade de escolher um marido de caráter tão atroz, que ela foi obrigada a deixá-lo. O casamento para os da família Wesley, era uma experiência, curiosamente perigosa. No entanto, todas essas tragédias estavam ainda, nesse tempo, no vago, distante e desconhecido futuro.

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** (Esse texto corresponde ao capítulo II do livro "Wesley e seu século – um estudo de forças espirituais", Volume I, páginas 29 a 38, Edição de 1916 publicada pela Typographia de Carlos Echenique, Porto Alegre, RJ).

OBS: Esse livro originalmente não usa parênteses. As notas explicativas dentro de parênteses são de iniciativa dessa edição on line do site da Igreja Metodista de Vila Isabel.

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