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Rio, 14/4/2009
 

Conceito da Cruz Segundo John Stott, Jorge Moltmann e Martinho Lutero

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Conceito da Cruz Segundo John Stott

Ao analisarmos o conceito teológico da cruz segundo John Stott, nós veremos que ele se divide em quatro observações, sendo estas: Primeira, o entendimento do próprio Senhor quanto à cruz. Segunda, a auto-substituição de Deus como sendo o coração da mensagem da cruz. Terceira, as conquistas da cruz. E quarta, o que significa viver de baixo da cruz.

Para Stott, assim como para os outros teólogos que abordamos, a cruz exerce um papel central no cristianismo. Não apenas como um sinal da fé cristã, mas também como uma associação com o próprio Cristo crucificado. Esta associação com a cruz, segundo John Stott, se originou na mente do próprio Jesus e foi mantida pelos discípulos como sinal de fidelidade a Ele (STOTT, 1986:25).

Fazendo sua primeira observação, o teólogo afirma que Cristo começou a se associar com os negócios de Deus, seu Pai, quando ainda era muito jovem, apenas doze anos de idade. Isto demonstra que Ele sabia que tinha uma missão, assim a cruz foi se originando na mente do jovem Jesus. A cruz era o propósito do Pai que deveria ser cumprido. Ao ser iniciado no seu ministério, Jesus falava abertamente com os seus discípulos a respeito dos sofrimentos que Ele ia padecer e como seu destino estava entrelaçado com a morte de cruz. Com isso, ressaltando a sua perspectiva exata sobre a vontade do Pai sendo esta demonstrada através das predições feitas pelo próprio Jesus em relação ao seu sofrimento.

Para Stott, essa perspectiva de Cristo em relação ao seu sofrimento pode ser sustentada por três razões indiscutíveis. Primeiro, de acordo com Marcos 3.6, Jesus sabia que ia morrer por causa da hostilidade dos líderes judeus nacionalistas. Segundo, Ele tinha consciência do que estava escrito sobre si mesmo nas Escrituras. E terceiro, o Senhor sabia que ia morrer por causa da sua deliberada escolha (STOTT, 1986:29,31). Contudo, a sua morte não implicava num fatalismo ou num martírio. Desta forma, Cristo sabia que ia morrer não por causa dos seus inimigos ou seu destino inflexível, mas sim porque Ele livremente abraçou o propósito do Pai para a salvação dos pecadores.

A segunda observação que John Stott faz sobre a cruz, diz a respeito da auto-substituição do próprio Deus. O autor explica que foi necessário um substituto divino, Jesus, que nos substituísse na cruz para que fosse possível a Deus expressar simultaneamente a sua santidade em julgamento e o seu amor no perdão, sem infringir o seu caráter moral. A natureza deste conceito da auto-substituição tem seus fundamentos no Antigo Testamento. Era através da substituição do povo de Israel por um cordeiro sacrifical que os pecados eram expiados, cobertos pelo sangue do sacrifício. Desta maneira a ira de Deus causada pelo pecado era apaziguada no cordeiro que morria.

Citando uma definição do Dr. J. I. Packer, Stott relata que:

A auto-substituição é a noção que Jesus Cristo nosso Senhor, movido por um amor que estava determinado a fazer todo o possível para nos salvar enfrentou o destrutivo julgamento divino o qual nós outrora estávamos destinados, e assim nos adquiriu perdão, adoção e glória. Afirmar à substituição penal é afirmar que os crentes estão em dívida com Cristo especificamente por isso, e que isso é a mola propulsora de toda sua alegria, paz e louvor tanto agora como para a eternidade (STOTT, 1986:143).

Para Stott, a prioridade da cruz não está na demanda do homem para com Deus, tão pouco na demanda de Deus para com o homem, mas supremamente, está na demanda de Deus para com Ele mesmo, Deus suprindo a sua própria demanda (STOTT, 1986:152). Este substituto divino seria o próprio coração de Deus, pois ao usar as palavras de Karl Barth, Stott coloca que o próprio coração de Deus sofreu na cruz, nenhum outro a não ser o único Filho de Deus, logo, o próprio Deus eterno. Sendo assim, Stott reafirma a exclusividade do Evangelho, pois somente ele nos ensina a respeito da substituição divina como único caminho para a salvação.

A terceira observação importante que o teólogo faz sobre a cruz diz a respeito das conquistas alcançadas no calvário. De acordo com Stott essas conquistas podem ser resumidas em três palavras, salvação, revelação e triunfo. Ao discorrer a respeito das propriedades soteriológicas da cruz, o teólogo inglês nos apresenta quatro conceitos: Propiciação, redenção, justificação e reconciliação. Todos como sendo resultado da deliberada ação de Deus em prol da humanidade. Estes quatro conceitos são as principais figuras neotestamentárias que apontam para a salvação.

Para o teólogo, cada um dos quatro conceitos sublinha em diferentes aspectos a nossa necessidade humana.

Propiciação apazigua a ira de Deus para conosco, nos redime do cativeiro do pecado, justifica a nossa culpa e nos reconcilia da nossa inimizade para com Deus. Estas metáforas expõem a magnitude da nossa necessidade (STOTT, 1986:202).

Elas também enfatizam a nossa substituição por Cristo no iminente sofrimento. O autor coloca que a auto-substituição não é a teoria da expiação, tão pouco uma figura qualquer a ser colocada com as demais. Mas sim, a essência de cada figura e o coração da própria expiação.

As conquistas da cruz também implicam na revelação do próprio Deus. No Calvário Ele revelou sua glória, justiça, amor, poder e sua sabedoria. Quando olhamos para a cruz nós vemos a justiça, amor, sabedoria e o poder de Deus. A justiça foi revelada ao julgar o pecado, o amor em tomar o julgamento em nosso lugar, a sabedoria em perfeitamente combinar os dois e o poder de Deus em salvar todos os que crêem.

Por fim, o autor conclui esta terceira observação ao declarar que o poder da cruz triunfou sobre o mau. Tanto em nossas vidas quanto na missão da igreja, é que apenas a cruz de Cristo, pela qual Satanás foi derrotado, pode prevalecer contra ele. Para isso o nosso testemunho é essencial (STOTT, 1986:251).

Na sua quarta observação a respeito da cruz, o autor enfatiza que a cruz serviu para fundar uma comunidade onde os membros iriam pertencer à Cristo, amar uns aos outros e servir o mundo (STOTT, 1986:255). O real entendimento da cruz de Cristo serve para revolucionar a nossa atitude para com Deus, da mesma forma que ela altera a maneira que vemos a nós mesmos. Este entendimento nos impulsiona ao serviço, à auto-abnegação e ao amor sacrifical. O autor coloca que: viver de baixo da cruz significa que todos os aspectos da vida da comunidade cristã são moldados e coloridos pela cruz (STOTT, 1986:295). Para isso, o santo amor da cruz deve caracterizar a nossa resposta àqueles que praticam a maldade hoje (STOTT, 1986:310). Por esta razão, a cruz deve exercer centralidade total na vida de um cristão.


Conceito da Cruz Segundo Jürgen Moltmann


Para conceituarmos a importância da cruz na teologia de Moltmann, faremos um diálogo entre os escritos do teólogo alemão e os comentários de Leonardo Boff, logo, veremos o que os mais importantes escritos de Moltmann podem adicionar a esta conceituação. Gostaríamos de introduzir o conceito da cruz na teologia do autor alemão Jürgen Moltmann com a seguinte citação de Leonardo Boff: J. Moltmann parte de uma tese profundamente enraizada na tradição Luterana: verdadeira teologia cristã é aquela que se faz à sombra do Crucificado e a partir da cruz (BOFF, 1990:130). De acordo com Moltmann, a própria identidade da igreja deve ser estabelecida a partir da centralidade da cruz de Cristo e o anúncio do Deus crucificado. O teólogo afirma que:

A fé cristã está indissoluvelmente unida ao conhecimento do Crucificado, ou seja, ao conhecimento de Deus no Cristo crucificado, ou, para dizer mais precisamente com Lutero: ao conhecimento de Deus crucificado (MOLTMANN, 1997a:98).

Porém, o conhecimento do Deus crucificado apresenta alguns impedimentos para o anúncio da fé cristã numa sociedade regida pela sapiência humana. Para Moltmann, os paradoxos da cruz de Cristo que se contrapõem à sapiência humana se encontram no fato que: Primeiro, Jesus morreu como blasfemo da Lei estabelecida pelo próprio Deus. Segundo, Jesus morreu na cruz a morte de um rebelde. Terceiro, Jesus morreu abandonado por um Deus que se revelou direta e indiretamente ao mundo através do relacionamento com a sua criação. Portanto, para Boff:

Esta compreensão destrói todos os nossos conceitos de Deus. Não é mais o Deus Pleníssimo de ser, que nos defende contra todos os que nos querem tirar o seu. Ele é um Deus que aniquila. Aparece no seu contrário: sua graça nos pecadores, sua justiça nos maus, sua divindade num crucificado. Revela-se na impotência e não na potência. O Deus de Jesus Cristo é assim, o Deus que destrói e torna idolátricas todas as imagens humanas de Deus (BOFF, 1990:130,131).

Assim como Lutero, Moltmann enfatiza a cruz como uma ferramenta que quebra toda prepotência humana de salvação, aniquilando a sapiência dos homens através de um instrumento de vergonha e fracasso, pois ela provoca um conflito de interesses entre o Deus humanizado e o homem que quer divinizar-se. Em função disso, o propósito de uma teologia centrada na cruz se fundamenta no fato de que o homem é um ser em desenvolvimento buscando sua autojustificação e autodivinização (MOLTMANN, 1997a:108).

Ao desenvolver o seu conceito teológico da cruz, Moltmann transparece que não podemos nos conter apenas dentro dos horizontes da soteriologia, mas adverte que devemos seguir perguntando qual é o significado da cruz de Cristo para o próprio Deus. De acordo com o teólogo, Jesus morreu por Deus antes de morrer por nós. Respondendo à observação de Moltmann, Boff escreve que:

Deus é o sujeito e o objeto. Crucifica e é crucificado. Deus sofre a morte do filho na dor de seu amor. Em Jesus, Deus é também crucificado e morre. Na cruz se revela pois a trindade, o Pai que rejeita, o Filho que é abandonado e o Espírito como força com a qual tudo acontece e se mantém na unidade (BOFF, 1990:131).

Segundo Moltmann, a paixão de Cristo para Deus não é um sofrimento solitário de alguém que foi abandonado, vitimado pela apatia e crueldade, mas é um sofrimento em conjunto ao próprio Deus, que é quem lhe conduz até a cruz.

Quando o Filho morre no abandono da cruz também Deus, seu Pai, sofre o abandono do Filho. Os dois sofrem, portanto, mesmo que de modo diverso: Cristo sofre a morte, Deus sofre a morte do Filho. A paixão de Cristo atinge, portanto, também a Deus e se torna paixão de Deus.(…) Se Deus estava em Cristo, o Filho, então o sofrimento de Cristo é também o sofrimento de Deus e Deus também experimenta a morte na cruz de Cristo.(…) Deus está junto, Deus sofre junto. Portanto, para onde Cristo, o Filho, vai, também vai o Pai junto. (…) Onde está Deus, no acontecimento do Gólgota? Ele está no Cristo que morre (MOLTMANN, 1997b:40,41).

Como razão principal desse sofrimento, Moltmann ressalta que Deus estava querendo permanecer ao nosso lado numa dupla dimensionalidade, primeiro, para se mostrar solidário e segundo, para assumir o nosso lugar (MOLTMANN, 1997b:41). Em mostrar-se solidário, Deus identifica-se com os sofredores como sendo aquele que sofreu a nossa dor. Segundo J. Moltmann:

O sofrimento de Cristo não é exclusivamente sofrimento seu, mas é inclusive nosso sofrimento e o sofrimento de nossos dias. Sua cruz está irmanada entre nossas cruzes como sinal de que Deus mesmo participa do nosso sofrimento e carrega nossas dores. (…) Cristo aceitou essa humilhação e esse abandono, para se tornar irmão dos humilhados e abandonados e trazer-lhes o reino de Deus (MOLTMANN, 1997b:42).

Desta forma então, a cruz atinge uma dimensão escatológica, onde é através dela que Deus se identifica com os humilhados e abandonados, levando aos tais, a revelação do reino de Deus.

Como outro lado dessa dupla dimensionalidade da ação divina, Jürgen Moltmann destaca que Jesus Cristo também assumiu nosso lugar como representante sacrificial, tornando-se, portanto, a personificação do servo de Deus sofredor. Ao fazer isso, o teólogo ressalta a consequência da ação expiatória por meio do sacrifício de Jesus na cruz. Citamos:

Sem o perdão da culpa, o culpado não consegue viver, pois ele perde todo respeito-próprio. Perdão da culpa, no entanto, não há sem expiação. A expiação, no entanto, não está ao alcance das possibilidades humanas, pois a injustiça cometida não pode ser “reparada” por nada que seja humano. (…) Na Bíblia é sempre Deus mesmo que “carrega” os pecados do povo e assim cria reconciliação. Deus coloca-se no “nosso” lugar e no lugar de “muitos”sofredores. Deus mesmo é o Deus expiador. (MOLTMANN, 1997b:43).

Agora em uma segunda ocasião, podemos observar a dialética proposta por Leonardo Boff, onde Deus é tanto o sujeito, como o objeto, de forma que, é Deus que, por meio de sí mesmo, leva a todos os sofredores a serem reconciliados consigo. Esta reconciliação, segundo Jürgen Moltmann, acontece na dimensão soteriológica da paixão de Cristo, por meio da expiação dos pecados da humanidade na cruz. Logo, é no Cristo crucificado que a humidade encontra, por meio da fé em Cristo, justificação perante Deus, com o propósito na sua glorificação.

O objetivo imediato é a justificação dos homens, mas o objetivo superior é a justificação de Deus; o objetivo comum consiste na justificação recíproca de Deus e dos homens e em sua vida comum em justiça. Justiça cria paz duradoura. Justificação não é um acontecimento único, preso a determinados momentos, mas é um processo que inicia no coração de indivíduos por meio de fé e que conduz ao novo mundo justo. Esse processo começa com o perdão dos pecados e termina com o enxugamento de todas as lágrimas. Fé justificadora, portanto, não é apenas uma representação do Cristo crucificado “por nós”, mas muito mais uma representação do Cristo ressurreto e vindouro. (MOLTMANN, 1994:250,254).

Para o teólogo, a cruz de Cristo sobretudo significa o sofrimento voluntário de Deus em Cristo em prol dos oprimidos, é portanto evidência principal de que o Deus Todo-Poderoso não é apático de sofrimento, mas manifesta seu amor através da sua entrega voluntária aos que sofrem. Segundo Moltmann, este é um sofrer ativo, uma abertura voluntária para a afeição dos outros, ou seja, o sofrer do amor apaixonado (MOLTMANN, 1997b:47). Sem esta capacidade de sofrer Deus tão pouco poderia amar. Se ele, no entanto, é capaz de amar a outros, então ele se abre ao sofrimento que o amor ao outro lhe proporciona e por causa de seu amor ele supera a dor que surge deste sofrimento (MOLTMANN, 1997b:47).

Por fim, é nesta dimensão do amor divino que Moltmann baseia toda a missiologia de Cristo, ou como ele sugere na sua cristopráxis. Deus, em Cristo, se identificou na cruz com os que sofrem. Portanto, nós também devemos seguir este caminho de Jesus Cristo, ou seja, tomar parte na paixão messiânica de Cristo: “Ide e anunciai: aproxima-se o reino dos céus, curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demónios” (MOLTMANN, 1997b:50). Desta forma, Moltmann interpreta o chamado de seguir a Cristo não como um chamado de crer nele, mas como o mandamento de um seguimento escatológico, onde o envolvimento missiológico dos cristãos é para a concretização escatológica do novo céu e nova terra. Uma realidade presente na escatologia livre de opressão e morte. Em função disso, quem ingressa no “caminho de Cristo” ingressa na luta da vida contra a morte (MOLTMANN, 1997b:50).

Concluímos a conceituação de Moltmann realçando a importância da centralidade da cruz na teologia. Ao citar Rahner, o teólogo alemão coloca que a morte de Jesus pertence à automanifestação de Deus, significando que a morte de Jesus é a fonte de salvação, revelação e teologia (MOLTMANN, 1997a:227).


Conceito da Cruz Segundo Martinho Lutero

Lutero, um dos maiores, se não o maior teólogo da reforma, teve sua teologia fundamentada unicamente na cruz de Cristo. Seu lema era: Crux sola est nostra theologia (somente a cruz é a nossa teologia).

Como teólogo da cruz, Lutero não enfatizava o que era essencialmente ruim na religião, mas sim a pretensão do homem pelo alcance da glória que acompanhava as boas obras. Para Lutero, meditar na cruz não significava culpar os judeus pela condenação, nem também tornar a cruz num tipo de talismã para uma proteção supersticiosa contra os sofrimentos do mundo, tão pouco significava sentir dó de Jesus mostrando simpatia como as mulheres de Jerusalém fizeram. Mas, conforme afirma Forde ao citar Lutero, a real e verdadeira obra da paixão de Cristo é conformar o homem à Cristo, para que a consciência humana seja atormentada pelos seus próprios pecados na mesma medida que Cristo foi atormentado no seu corpo e alma pelos nossos pecados (FORDE, 1997:8).

Para Lutero, olhar para o mundo sob a luz da cruz implicava ver as coisas como elas realmente eram, pois, segundo ele afirma, foi a maneira suprema que Deus escolheu para se revelar. A identificação de Deus com a cruz, com seu escândalo e vergonha, se deu porque Ele se recusou ser conhecido de outra maneira. Ao comentar sobre os escritos do apóstolo Paulo, Lutero escreve que:

Como o apóstolo diz em 1Co 1.21: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.” Agora, não é suficiente para ninguém, e não bem para ninguém, conhecer a Deus na sua glória e majestade a não ser que esta pessoa reconheça à Jesus na humilhação e vergonha da cruz. Assim Deus destrói a sabedoria do sábio, como em Is 45.15 que diz: “Verdadeiramente, tu és Deus misterioso, ó Deus de Israel, ó Salvador (FORDE, 1997:74).”

A cruz era a única via pela qual Lutero elaborava sua teologia e cosmovisão. Na cruz, ele baseava a razão para suas ideologias e filosofias de vida, buscando ele mesmo se encontrar com o Jesus crucificado. Suas vontades, boas obras e justiça eram todas ditadas pela cruz e para a cruz. De acordo com Forde, Lutero não procurava elaborar uma teologia sobre a cruz, mas sim uma teologia da cruz. Segundo o autor, a teologia da cruz de Lutero era uma teologia ofensiva, pois atacava todo tipo de sabedoria humana que buscava conduzir o homem à salvação (FORDE, 1997:3).

Essas ofensivas teológicas por parte de Lutero atingiam as áreas da soteriologia, ética cristã e escatologia, todas visando estabelecer as verdades bíblicas da sã doutrina. Para Forde, a importância em elaborar uma teologia da cruz estava em separar a aparência da realidade, pois ela enfatiza as obras de Deus. Segundo Lutero:

Cristo ensina (…) que não estamos perdidos e que os pecadores têm vida eterna unicamente porque Deus teve piedade, e mais: que isso lhe custou seu próprio filho amado, a quem pôs dentro de nossa miséria, nosso inferno e a nossa morte. (…) Agora, se houvesse algum outro caminhos que conduz ao céu, Ele certamente o teria estabelecido; por conseguinte, não há outro caminho (BRAATEN & JENSON, 1995:71).

Em suma, Cristo, na sua morte e ressurreição, a graça do Pai e a justificação somente pela fé, eram os pontos principais deste proeminente teólogo da idade média.

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OBS: Textos extraídos de http://carregandoacruz.wordpress.com/category/artigos/teologia-sistematica. Não conseguimos identificar o nome do(s) autor(es).

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