IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 18/8/2009
 

1764 - Um Ano de Crise no Metodismo ** (Rev. W. H. Fitchett)

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O ano de 1764 foi em muitos sentidos, um período crítico na evolução da Igreja Metodista. Marca o fim de uma época e o princípio de outra. Haviam passado vinte e cinco anos desde que João Wesley tomara posição no morro de Kingswood e pregara o seu primeiro sermão ao ar livre. Durante um quarto de século o avivamento havia corrido sem pausa ou vazante (refluxo, esvaziamento), e estava visivelmente reformando a vida religiosa da Inglaterra. As Sociedades Metodistas de João Wesley haviam se espalhado por toda parte do Reino Unido, onde em cada lugar havia um novo foco de vida espiritual.

João Wesley tinha se rodeado, dos auxiliares que estava educando, com uma nova ordem de obreiros cristãos, que de algum modo se assemelhavam aos frades pregadores da Idade Média, ou aos “pregadores pobres” que Wycliffe enviara; mas com melhor credo, mensagem mais alegre e organização mais sábia do que qualquer dessas classes. Não há outro movimento, registrado na história, desde os dias apostólicos, que mostra, desde o seu nascimento, uma energia tão constante, e um poder de tanta pujança, como o movimento do qual Whitefield e os Wesley eram os líderes.

Mas vinte e cinco anos em uma obra tal constituem um largo espaço de tempo, e trazem consigo muitas mudanças. Os camaradas de Wesley, um por um, haviam caído das fileiras. O sr. Whitefield estava com a saúde alterada. O seu orfanato ocupava um espaço absurdamente largo no seu horizonte espiritual. Nunca tentara uma estrutura espiritual de natureza perdurável. Uma multidão, movimentada por sua palavra impetuosa, qual a ceara de trigo maduro se agitando ao vento, foi o seu ideal, e representava a sua única forma efetiva de trabalho. Tecer, pacientemente, sobre a superfície dos três Reinos, uma grande rede de pequenas sociedades, era tarefa inteiramente estranha a seu gênio. Como ele mesmo disse: “Eu só poderia tecer uma teia de Penélope se eu formasse sociedades, e se as formasse, não tenho auxiliares idôneos para cuidá-las. Pretendo ir de lugar em lugar, pregando o Evangelho a toda a criatura”. Mas o fato é que Whitefield já não possuía mais a energia física necessária para o serviço de pregação, e morreu quatro anos depois.

Carlos Wesley, também, estava deixando o trabalho. A sua saúde estava abalada. Era casado, e agora tinha os cuidados de uma família. O poeta que havia nele tomara em grande parte o lugar do pregador, e o evangelista mais e mais cedia lugar ao ritualista. Ainda restavam uns vinte e sete anos de trabalho para João Wesley. Mas havia de trabalhar sozinho. Desde o ano de 1764, ele se nos apresenta como figura solitária, o único líder e representante do grande avivamento.

Nesta época, também, a relação do trabalho com a Igreja Anglicana torna-se mais definida. A obra começou na Igreja; os originadores e líderes eram clérigos anglicanos; e foi uma das possibilidades felizes do avivamento que poderia ter continuado como movimento dentro da Igreja, transformando todo o seu espírito e perspectiva. O ataque dos bispos anglicanos, no entanto, contribuíra para o naufrágio dessa possibilidade, e nesse período da carreira de João Wesley se tornara evidente, mesmo para os olhos relutantes do próprio Wesley; a Igreja Anglicana e o avivamento haviam de correr por canais deferentes.

A política de João Wesley era definida, consistente e perfeitamente inteligível. Ele não havia de se separar da Igreja por ato próprio. Pessoalmente dava um lindo exemplo de lealdade à Igreja Anglicana. Ele também conteve os seus seguidores com toda a energia de sua vontade dominante. Fustigava deles todo o pensamento de dissidência com repreensões constantes. Mas ensinava que a separação da Igreja não era ilícita – mas somente inexpediente (inoportuna e não desejada). Desde o começo, ele viu com clareza que a separação provavelmente viria; sim, que em dadas circunstâncias ela devia vir. Somente desejava que não se desse antes da sua morte.

Na sua primeira Conferência (em 1744), na qual, das dez pessoas participantes, seis eram clérigos anglicanos, formulava-se o caso, como já vimos, com saliente clareza, e com previsão quase profética. Na Conferência de 1746 a questão de uma Igreja Nacional e do direito divino da episcopacia (episcopado) estava outra vez em discussão, e determinada mais uma vez em sentido fortemente anti-sacerdotal.

Mas havia forças que trabalhavam em direções opostas. Na Conferência de 1752 Carlos Wesley escreveu, e persuadiu os principais membros da Conferência a subscreverem, um compromisso notável cuja cláusula final fê-los prometer de “nunca deixar a comunhão da Igreja Anglicana sem o consentimento de todos os que o subscreveram”. João Wesley, que sempre era menos ritualista do que Carlos, quatro anos mais tarde definiu a sua posição nos termos seguintes:
“Ainda creio que a forma do governo episcopal é escriturística e apostólica. Quero dizer que ela concorda bem com a prática a os escritos dos apóstolos. Mas que as Escrituras a prescrevam, não o creio. De tal opinião, que eu antes sustentava zelosamente, tenho me envergonhado cordialmente desde o dia que li o “Irenicon”, do Bispo Srillingfleet. Acho que ele tem irrefutavelmente provado que nem Cristo nem seus apóstolos prescrevem qualquer forma particular de governo eclesiástico; e que nunca houve na Igreja Primitiva a idéia do direito divino da episcopacia (espiscopado) diocesana.
Eu me esforçaria em livrar alguém do erro, ou em reconciliá-lo com nossa Igreja, quero dizer, com a Igreja Anglicana, da qual ainda não me separo, e talvez nunca o farei; mas eu cuidarei muito mais em Iivrá-lo do pecado”
(Tyermann, voI. II, pág. 224.)

Na Conferência do mesmo ano 1756 está registrado, também:
“Temos largamente considerado a necessidade de ficarmos na Igreja, e de tratarmos o clero com brandura. E não houve voz alguma que dissesse o contrário. Deus concedeu que todos fossem de um mesmo parecer”.

O próprio Wesley acrescenta:
“Eu e meu irmão encerramos a Conferência com uma declaração solene do nosso propósito de nunca nos separarmos da Igreja. E todos os irmãos nisso concorreram” (Myles, pág. 80).

Em 1758, João Wesley publicou “Doze Razões contra a separação da Igreja Anglicana”. Em suma o argumento é:
“Se for lícito ou não – que em si pode-se contestar, não sendo cousa tão clara como alguns imaginam –, não é de modo algum expediente para nós nos separarmos da Igreja Estabelecida” (Myles, pág. 81).

Carlos Wesley, que nesse assunto, era sempre mais veemente do que seu irmão, acrescenta às “Doze Razões contra a separação da Igreja Anglicana” umas palavras que rezam:
“Eu as subscrevo de todo o coração. Somente a respeito da primeira: eu estou muito certo que nem é expediente, nem lícito para mim o separar-me, e nunca tive a menor inclinação ou tentação para fazer assim. O meu amor pela Igreja é tão forte como sempre; e vejo claramente a minha vocação, que eu viva e morra na sua comunhão. E isto estou resolvido fazer, Deus me ajudando” (Myles, pág. 84)

Numa carta particular escrita nesse tempo, ele diz:
“Eu teria quebrado (rompido) com os Metodistas e com o meu irmão em 1752, se não houvesse este trato. Acho que todo o pregador deve assinar esse contrato, ou deixar-nos”.

Não pode haver cousa mais clara em toda esta história do que a lealdade pessoal de Wesley para com a Igreja Anglicana, e do seu desejo profundo, e mesmo apaixonado, de reter os seus conversos dentro dos limites dessa Igreja. Mas a lógica irresistível dos acontecimentos tornou inevitável a mudança. Wesley estava perdendo, um por um, os seus aliados espirituais na própria Igreja. Os bispos, desde o começo, eram lhe abertamente hostis, e não havia qualquer laço de interesse ou de simpatia que ligasse a Igreja com o avivamento. Wesley em 1756 foi solicitado por seus amigos eclesiásticos a dissolver o seu exército de pregadores itinerantes, e a entregar o cuidado de suas sociedades aos párocos anglicanos. Ele considerou a proposta com grande calma e franqueza:
“Primeiro, quem lhes dará o leite da Palavra? Os ministros de suas paróquias? Infelizmente eles não podem; pois, eles mesmos não conhecem, nem vivem, nem ensinam o Evangelho.”

Quanto a seus auxiliares, João Wesley acrescenta:
“Eis ainda outra dificuldade: que autoridade tenho eu de proibir que façam o que creio que Deus lhes chamou a fazer? Estou de acordo que deve haver uma chamada, tanto interior como exterior para este trabalho, se possível for; entretanto, se uma das duas tem de faltar, antes falte a exterior do que a interior. Eu me alegro no fato que tenho sido chamado a pregar por Deus e também pelo homem; entretanto, confesso, que antes quero a chamada divina sem a humana, do que a humana sem a chamada divina” (Tyermann, voI. II. pág. 250)

Nesse tempo ele tinha trinta e quatro sociedades só em CornwalI, e pergunta:
“Elas hão de prosperar tão bem quando forem deixadas como ovelhas sem pastor? Tem-se feito esta experiência repetidas vezes, e sempre com os mesmos resultados.”

Em 1764, Wesley escreveu a sua famosa carta circular a todo o clero evangélico que se supusesse estar simpático ao avivamento. A carta é um nobre pedido de paciência, tolerância e auxílio. Ela perguntou no fim:
“Por que não podemos apreciar e honrar uns aos outros, desejando que todos tenham graça, favor, dons e êxito? Sim; ainda mais do que aqueles que nós gozamos. Esperemos que Deus cumpra o nosso desejo, e regozijemo-nos com a indicação disso, e louvemo-lo por isso. Tão prontamente crendo o bem uns dos outros, como antes acreditávamos o mal.”

Este lindo “Apelo” foi dirigido a cinqüenta ou sessenta clérigos, sendo todos em caráter e experiência religiosa, simpáticos a João Wesley, mas somente três lhe dignaram responder; um deles sendo, Perronet, vigário de Shoreham, que era um dos amigos mais íntimos de Wesley. Se os amigos íntimos de Wesley lhe deixaram neste espírito, pode-se imaginar qual seria o espírito da Igreja em geral!

Uns doze clérigos estiveram na Conferência de 1764, mas estiveram presentes principalmente para instarem com Wesley que retirassem os seus pregadores de todas as paróquias, onde havia clérigos de “espírito religioso!” Carlos Wesley apoiou a proposta e, nas palavras de João Pawson, o qual se achava presente; “honestamente disse que se ele fosse pároco em qualquer lugar, não nos permitiria a pregar ali”. Então Senhor Hampson respondeu-lhe: “Eu pregarei ali, e nunca vos pediria licença; e teria tanto direito em fazer como vós teríeis”. É claro que o vinho novo não poderia ser sempre conservado nos odres velhos.

Pode-se acrescentar que uma grande onda de vida espiritual, durante esse período, estava passando pelas sociedades Metodistas, e elevando-as a um plano mais alto e tinha o efeito curioso de alargar mais a brecha entre Wesley e seus aliados na Igreja Anglicana. Nos fins de 1762, Wesley escreve:
“Há muitos anos o meu irmão disse freqüentemente: O Vosso dia de pentecostes ainda não chegou em sua plenitude. Mas não duvido que chegará. Então ouvireis tão freqüentemente de pessoas serem santificadas como agora ouvis de justificadas”.E qualquer pessoa sem prevenção que tem lido as narrações no meu Diário, pode observar que já havia chegado em sua plenitude”. (Myles, pág. 87)

“O verdadeiro dia de Pentecostes” já havia deveras chegado para Wesley e seus seguidores. Antes disso, a santificação fora uma doutrina discutida por muitos, mas como experiência, havia sido• realizados por bem poucos. Entretanto, nesta época, a doutrina havia se realizado na experiência de milhares. O Diário de Wesley está cheio de narrações desta obra espiritual e do seu progresso triunfante.

À própria doutrina ainda faltava uma definição clara. Wesley, em termos formais, nunca professou a experiência própria de santificação; mas por fim alcançou uma definição da doutrina que é notavelmente clara e simples. Ele a definiu, em parte por negativos:
“Nunca advoguei a perfeição absoluta e infalível; também não afirmo a perfeição impecável, visto que não é escriturística. Não reconheço uma perfeição que nos habilita a cumprir toda a lei, de modo que não tenhamos necessidade dos méritos de Cristo. Agora e sempre protestei tal causa.”

Então traduzindo a doutrina em termos positivos, ele diz:
“Por perfeição Cristã entendo – como, tenho dito repetidas vezes – que seja amar a Deus e ao próximo de modo que possamos regozijar sempre, orar sem cessar e em tudo dar graças. Quem tiver esta experiência é perfeito no sentido escriturístico.”

Mas todas as cousas boas têm os seus riscos característicos, e esta doutrina de santificação ou perfeição, corre ou estava prestes a correr – especialmente entre os poucos ensinados e mal equilibrados – a extremos fanáticos. Isto aconteceu em algumas das sociedades londrinas, e alguns dos mais fiéis auxiliares de João Wesley foram levados com a correnteza. George BelI, ex-praça da guarda real era um dos camaradas mais prezados de Wesley. Muito tempo depois, Wesley registra como, durante anos, ele achara em Bell a simpatia e o auxílio reais como em mais ninguém. Maxfield era um dos seus primeiros auxiliares, e tido numa estima especial. Mas ambos destes foram, neste momento, levados pela onda de fanatismo. Bell foi aos mais fanáticos extremos. Fixou um dia para o fim do mundo; abertamente renunciou a Wesley e levou consigo muitos dos membros. Naturalmente tudo isto abalou os sóbrios anglicanos. Wesley apelou a seu irmão Carlos para vir a Londres, para ajudá-lo em conservar as Sociedades em ordem, mas o apelo era em vão. Escreveu outra vez em tom de tristeza, mas de resoluta firmeza:
“Percebo verba fiunt mortuo”; de modo que nada mais digo sobre a vossa vinda a Londres. Aqui fico eu, e aqui continuarei, com ou sem o auxílio de homem algum, se Deus estiver conosco“.

Wesley, deixado sozinho, combateu as dificuldades com bela coragem e decisão. Ele expulsou a Bell da Sociedade, e publicamente denunciou-lhe as tolices; mas não era possível cortar os efeitos danosos dessas extravagâncias nas Sociedades. Este rompimento alargava mais a brecha entre Wesley e os que haviam sido os seus melhores amigos.

Wesley sentiu profundamente esta deserção de seus antigos camaradas. Ele escreve em 20 de Março de 1763 a Lady Huntingdon, num tom de amargura que raramente se ouve em suas cartas:
“Pela misericórdia de Deus ainda me acho com vida, e prosseguindo no trabalho para o qual Ele me chamou, embora sem auxílio algum daqueles de quem eu poderia esperar socorro, mesmo no tempo mais borrascoso (tempestuoso, cheio de conflitos e contrariedades). O conselho deles parece ser, antes: “Abaixo, abaixo com ele, abaixo com ele, até o chão”. E dentre eles estão – pois não uso de circunlocução (rodeios de palavras, meias palavras, ou seja, é franco, direto e claro em suas palavras) – os Srs. Madan Haweis, Berridge, e também, sinto dizê-lo, Whitefield. Somente o sr. Romaine tem mostrado um espírito verdadeiramente simpático, e feito o papel de um irmão. Quanto as profecias destes pobres loucos, George BeIl e mais meia dúzia, não sou em nada mais responsável por eles do que o Sr. Whitefield, nunca tendo lhes dado asas em grau algum, antes tenho-lhes feito oposição desde o momento que lhes ouvi; nem têm essas extravagâncias base alguma em qualquer doutrina que eu ensino.”

Mas, é fato, que o único amigo leal que Wesley julgava ter ainda, Romaine, nesse tempo havia lhe abandonado também. Lady Huntingdon enviou a Romaine a carta da qual se tirou o extrato precedente, e ele escreveu em resposta:
“Junto está a carta do pobre sr. João Wesley. O seu conteúdo, quanto a mim muito me surpreende; pois ninguém tem falado com mais franqueza acerca daquilo que agora se passa entre o povo do que eu mesmo. De coração eu tenho dó do sr. Wesley. As suas Sociedades estão em confusão; e ainda se insiste, tanto como sempre, no ponto que lhes trouxe para o deserto de fanatismo e loucura. Eu receio o termo desta ilusão.”

De tudo isto se vê, que no momento de crise, quando as Sociedades se achavam em perigo de serem desfaceladas pelos erros de vida e doutrina, e quando os seus auxiliares mais fiéis estavam lhe abandonando, João Wesley foi também abandonado por seus aliados entre o clero anglicano, e até o próprio irmão, pelo momento, lhe falhou. Wesley suportou, com nobre resignação, a carga que assim foi lhe imposta, e a crise passou-se. Mas o incidente teve resultados perduráveis. Ajudou em determinar toda a relação do Metodismo com a Igreja Anglicana. Wesley ainda permaneceu, na sua pessoa e simpatias, rijamente leal à Igreja. O movimento espiritual, do qual ele era agora o único chefe, não havia de tornar-se dissidente, se ele poderia obstá-lo (impedir). Mas os últimos laços que lhe prendiam à Igreja, estavam sendo cortados pela própria Igreja!

Se alguém quer uma demonstração do temperamento geral da Igreja Anglicana para com este grande movimento espiritual, depois de estar quase trinta anos em operação, e que já estava transformando a vida moral da Inglaterra, que tome o incidente seguinte: Aos 9 de março de 1768, foram expulsos seis estudantes de Oxford por terem costumes metodistas, e de tomarem sobre si o trabalho de orarem e de lerem as Escrituras em casas particulares. O diretor do departamento em que esses estudantes estavam, defendeu a sua doutrina, baseando-se nos Trinta e Nove Artigos de Religião da Igreja Anglicana, e falou, altamente louvando a piedade e o caráter nobre dos acusados, mas em vão. O presidente do Colégio, depois de lavrada a sentença, disse que em vista da expulsão desses seis cavalheiros por serem demais religiosos, seria muito próprio indagar-se a respeito da conduta de alguns que eram demais irreligiosos. Onde se encontra fato mais significante do que a expulsão da Universidade de Oxford em 1768, de seis estudantes de caráter elevado, por nenhuma cousa mais do que “o deles terem costumes Metodistas?”

A dificuldade criada pelo abandono de seus aliados clérigos, explica outro passo muito debatido que Wesley deu nesse tempo. As Sociedades maiores eram acostumadas a receberem os sacramentos em suas próprias capelas, mas tornou-se fisicamente impossível que o próprio João Wesley fizesse todo esse serviço. Nenhum clérigo lhe ajudaria por mais tempo, e Wesley possuía a relutância invencível de um ritualista em permitir que qualquer pregador sem ordens administrasse os sacramentos. O seu primeiro auxiliar, Maxfield, fora ordenado por um Bispo Irlandês, e geralmente administrava a comunhão em Londres, durante a ausência de Wesley, mas o próprio Maxfield agora havia lhe abandonado. Neste tempo um Bispo da Igreja Grega, por nome Erasmo, estava em Londres. Wesley se certificou que as credenciais dele eram genuínas, e então consentiu que algum de seus auxiliares recebesse ordens dele.

Mas esta era unicamente medida temporária levando consigo certas implicâncias teológicas, e resultou logo em novas dificuldades. Carlos Wesley se encheu de ira implacável; e isto, por sua vez, nutria entre o pequeno grupo de auxiliares ordenados, um sentimento correspondente. Um deles, John Jones, que Wesley estimava mais, e sobre o qual o Bispo Grego impusera as mãos, deixou-o e, aceitou ordem na Igreja Anglicana. Outro dos homens ordenados, Stanniforth registrou no seu Diário:
“No ano de 1764 o Sr. Wesley me mandou chamar a sua casa. O mensageiro me disse que ele desejava falar comigo, e que eu viesse logo. Quando cheguei, achei o bispo grego com ele, o qual ordenou a mim e a mais três. Mas vendo que isto escandalizaria a meus irmãos, nunca me serviu dessas ordens até esta hora.”

Em suma, as ordenações gregas constituíram um esforço desajeitado para sanar uma dificuldade que havia de achar, mais tarde, uma solução mais feliz e perdurável.
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** (Esse texto corresponde ao capítulo VI, "1764 - Um ano de Crise", do livro "Wesley e seu século – um estudo de forças espirituais, volume II", respectivamente nas páginas 68 a 77, edição de 1916 publicada pela Typographia de Carlos Echenique, Porto Alegre, RJ).

OBS: Esse livro originalmente não usa parênteses. As notas explicativas dentro de parênteses são de iniciativa dessa edição on line do site da Igreja Metodista de Vila Isabel).

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