IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Música
Rio, 17/12/2009
 

A música no contexto da missão (Luiz Carlos Ramos)

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Intro­du­ção
A música tem cará­ter uni­ver­sal. Se pen­sar­mos em melo­dia, har­mo­nia e ritmo, ele­men­tos nucle­a­res da expres­são musi­cal, pode­mos cons­ta­tar que o pró­prio Uni­verso é música. Dizem os cien­tis­tas que as estre­las pul­sam, que o cosmo se move har­mo­ni­ca­mente, que se se pres­tar bem a aten­ção, pode-se ouvir o eco do “big bang”.

E, segundo os poe­tas, o pró­prio Deus é música: “No prin­cí­pio era a música, e a música estava com Deus, e a música era Deus…” (Car­los A. R. Alves). O fato de que, na nar­ra­tiva bíblica, ao criar o mundo, Deus o faz medi­ante a sua pala­vra (“Disse Deus…” – Gn 1.3), já é um indí­cio de que nós somos o resul­tado de um canto pri­mor­dial, de um hino pri­mevo, de uma música divina.

Não é de se admi­rar, então, que se diga que o cân­tico tenha cará­ter exis­ten­cial, na medida em que não somente expressa o “tom” da nossa exis­tên­cia, como tem a capa­ci­dade de suge­rir, con­di­ci­o­nar e até mesmo criar diver­sas con­di­ções vitais.

Um dos mais exten­sos blo­cos lite­rá­rios da Bíblia, e que ocupa a região cen­tral das suas edi­ções habi­tu­ais, é o livro dos Sal­mos. Muito embora se diga que a Bíblia é a Pala­vra de Deus des­cida dos céus a nós, par­ti­cu­lar­mente nos Sal­mos, quem toma essa pala­vra é o ser humano orante, que eleva aos céus as suas súpli­cas, as suas dores, os seus lou­vo­res, as suas ações de gra­ças. Sabe-se que a mai­o­ria dos sal­mos se pres­ta­vam ao canto, par­ti­cu­lar­mente ao canto con­gre­ga­ci­o­nal. São can­ções que ins­pi­ram e ins­truem o povo em suas pere­gri­na­ções, em suas cele­bra­ções cúl­ti­cas e em seus momen­tos devocionais.

As Escri­tu­ras Sagra­das tam­bém falam em hinos, os quais a tra­di­ção ecle­siás­tica fez ques­tão de pre­ser­var e, prin­ci­pal­mente, entoar. Os hinos, um pouco dife­rente dos cân­ti­cos e dos sal­mos men­ci­o­na­dos há pouco, têm um cará­ter teo­ló­gico pro­fundo e evi­dente. Expres­sam as ver­da­des eter­nas, reve­la­das para o sus­tento da nossa fé e o lou­vor da gló­ria de Deus.

Em dife­ren­tes épocas da his­tó­ria da Igreja, par­ti­cu­lar­mente durante os seus perío­dos de maior cres­ci­mento e vigor, foram os hinos evan­ge­lís­ti­cos que deram o ritmo do tes­te­mu­nho e mar­ca­ram o passo do avanço mis­si­o­ná­rio. Tais hinos, de cará­ter tes­te­mu­nhal, pro­cla­mam, em alto e bom som, as boas novas de sal­va­ção, e fun­ci­o­nam como arau­tos do Evan­ge­lho de Jesus, cha­mado Cristo.

A música na Vida: uma ques­tão existencial
A música faz parte da vida. Não há cul­tura no mundo que não tenha na música uma parte cons­ti­tu­tiva de sua for­ma­ção social. Tam­bém é pra­ti­ca­mente impos­sí­vel pen­sar­mos na exis­tên­cia da pró­pria Igreja sem a música. Indi­vi­du­al­mente, cada um, cada uma de nós pode­ria tra­çar uma memó­ria da sua his­tó­ria de vida ape­nas recor­dando as músi­cas que can­tava ou ouvia nas dife­ren­tes fases do seu desenvolvimento.

Assim, quando uma cri­ança nasce, desde o colo da mãe, é emba­lada ao som das can­ti­gas de ninar. Na Igreja, essa cri­ança é rece­bida com afeto por oca­sião do seu Batismo que, geral­mente, é acom­pa­nhado de sig­ni­fi­ca­ti­vos cân­ti­cos que excla­mam: “vinde, meninos/as, vinde a Jesus…”. A cri­ança ainda não entende o que se diz, nem o sig­ni­fi­cado das letras das can­ções que lhe ento­a­mos, mas já reage com evi­dente expres­são de con­ten­ta­mento. Ela não com­pre­ende o con­ceito, mas entende o sen­tido: ela é bem vinda, ela é amada… A música, nesta fase, é mar­cada pelo seu cará­ter cele­bra­tivo.

Durante a infân­cia e a puber­dade, além do cará­ter diver­tido, pró­prio das can­ções de roda e todas as que acom­pa­nham suas brin­ca­dei­ras, a música tam­bém assume um cará­ter for­ma­tivo, peda­gó­gico. As músi­cas ensi­nam lições novas e refor­çam con­teú­dos anti­gos. A música ajuda a se apren­der outra lín­gua, a deco­rar con­cei­tos, e até a assi­mi­lar doutrinas.

Quando chega a ado­les­cên­cia e a juven­tude, a música desem­pe­nha um papel mais mili­tante. A música não somente diverte e ins­trui, mas com freqüên­cia tam­bém assume um cará­ter de con­fis­são de fé. Repre­senta uma “ban­deira” osten­tada pelo jovem que expressa suas con­vic­ções, seu sen­ti­mento de per­tença a deter­mi­nado grupo, sua moti­va­ção, sua opi­nião polí­tica, seu incon­for­mismo e sua dis­po­si­ção para trans­for­mar o mundo.

Quando a pai­xão se ins­tala de maneira mais dura­doura com o namoro, o casa­mento e, mais tarde, as bodas, busca-se na música a expres­são do com­pro­misso assu­mido (com o côn­juge ou com uma causa). Na idade adulta, o cará­ter de diver­são, de for­ma­ção e de afir­ma­ção, dá lugar a um tipo de rela­ção com a música, inclu­sive na Igreja, que busca coe­rên­cia, cons­tân­cia, leal­dade, res­pon­sa­bi­li­dade… Can­ções de cará­ter volú­vel e pas­sa­geiro já não satis­fa­zem. Busca-se ins­pi­ra­ção, não mais nas “para­das de sucesso”, mas nas “can­ções eter­nas”, naque­las cuja qua­li­dade esté­tica e sig­ni­fi­ca­dos resis­tem ao tempo, tal como as pes­soas madu­ras pre­ten­dem enfren­tar as vicis­si­tu­des da vida.

Final­mente, quando chega a velhice, e as lutas con­tra as enfer­mi­da­des ganham pro­e­mi­nên­cia, e a morte imi­nente é a única cer­teza, a música se reveste de espe­cial sig­ni­fi­cado. Muito ao con­trá­rio de serem esque­ci­das ou des­car­ta­das, elas pas­sam a ter força como nunca tive­ram. É nessa hora que aque­las can­ções ouvi­das desde a infân­cia, tais como as can­ções de ninar, as can­ções de roda, as músi­cas da juven­tude… mas prin­ci­pal­mente os hinos can­ta­dos na Igreja, adqui­rem uma força e um sen­tido antes ini­ma­gi­na­dos. Na hora da dor e da morte, não have­re­mos de que­rer apren­der cân­ti­cos novos, nem de ouvir as novi­da­des das “para­das de sucesso”… Have­re­mos, antes, de que­rer retor­nar aos hinos da nossa infân­cia e da infân­cia da nossa fé, por­que essas can­ções são aque­las cujo cará­ter de con­so­la­ção e alento nos aju­da­rão a trans­por os últi­mos limi­tes da nossa existência.

A música na Igreja: uma ques­tão congregacional
Como já dito, não se pode con­ce­ber a Igreja sem a música. Ela está pre­sente em todas os momen­tos e de dife­ren­tes for­mas nas várias ati­vi­da­des e expres­sões eclesiais.

Nas reu­niões, mesmo aque­las admi­nis­tra­ti­vas, das diver­sas ins­tân­cias da Igreja (cri­an­ças, jovens, mulhe­res, homens, con­cí­lios e assem­bléias…), a música é ento­ada para mar­car o aspecto devo­ci­o­nal e comu­ni­tá­rio do encon­tro. O cân­tico evi­den­cia o fato de estar­mos diante de Deus e de que bus­ca­mos nEle as for­ças para os nos­sos atos. Ao can­tar­mos a uma só voz, expres­sa­mos a nossa comu­nhão e a nossa dis­po­si­ção para atu­ar­mos em cooperação.

Nas ati­vi­da­des edu­ca­ti­vas da Igreja, tais como a Escola Domi­ni­cal, cur­sos de for­ma­ção e gru­pos de dis­ci­pu­lado, o cân­tico revela seu aspecto didático-pedagógico. Não se canta o que está em con­tra­di­ção com os ensi­na­men­tos pro­pos­tos (pelo menos não se deve­ria!), ao con­trá­rio, os cân­ti­cos ins­pi­ram, con­fir­mam e rea­fir­mam os prin­cí­pios teológico-doutrinários assu­mi­dos e ensi­na­dos pela Igreja.

Mas é prin­ci­pal­mente nos cul­tos que a música revela toda a sua força e sen­tido. Sendo o culto o encon­tro cele­bra­tivo entre Deus e o ser humano, isto é, entre o eterno e o efê­mero, entre o infi­nito e o finito, a música pode muito bem ser enten­dida como uma mara­vi­lhosa sín­tese desse encon­tro: a subli­mi­dade da melo­dia, a beleza da har­mo­nia e o envol­vi­mento pro­por­ci­o­nado pelo ritmo, tudo isso asso­ci­ado a sen­tido expresso pela letra, reve­lam o aspecto litúr­gico daquilo que se canta nos cul­tos. Além disso, a música esta­be­lece um vín­culo como rara­mente se con­se­gue entre razão-emoção-afetividade. A música fala ao cora­ção, mas tam­bém fala ao nosso enten­di­mento, além de sen­si­bi­li­zar nosso afeto, tornando-nos capa­zes de per­ce­ber “ver­da­des” que, sem a música, tal­vez, nunca tería­mos alcan­çado (cf. 1Co 14.15: “Que farei, pois? Ora­rei com o espí­rito, mas tam­bém ora­rei com a mente; can­ta­rei com o espí­rito, mas tam­bém can­ta­rei com a mente.”).

A música na Evan­ge­li­za­ção: uma ques­tão missionária
São famo­sas as cam­pa­nhas mis­si­o­ná­rias pro­mo­vi­das pela Igreja ao longo de sua his­tó­ria de cres­ci­mento. Quando a Igreja quer pro­cla­mar a sua fé e repar­tir seu tes­te­mu­nho, serve-se da música com notó­rias van­ta­gens. Entre­tanto, não se trata de qual­quer música, mas de um tipo de hino­lo­gia muito par­ti­cu­lar, cujo cará­ter kerig­má­tico seja a prin­ci­pal tônica. Os hinos evan­ge­lís­ti­cos, como já apon­tado, jun­ta­mente com a pre­ga­ção da Pala­vra, aju­dam no pro­cesso de assi­mi­la­ção sin­té­tico de uma fé que tem aspec­tos raci­o­nais, emo­ci­o­nais e afe­ti­vos. Os hinos alcan­çam “regiões” do cora­ção humano que os melho­res argu­men­tos lógi­cos jamais atin­gi­riam. A his­tó­ria das mis­sões tam­bém é a his­tó­ria do hino evangelístico.

Quando a igreja deve exer­cer sua fun­ção pública e, ao lado de sua men­sa­gem evan­ge­lís­tica, pra­ti­car a cida­da­nia, o sopro do Espí­rito Santo faz com que trans­cenda os limi­tes res­tri­tos das edi­fi­ca­ções reli­gi­o­sas e ganhe as pra­ças públi­cas. Aqui tam­bém, quando tra­ta­mos do aspecto pro­fé­tico da Igreja, a música é parte inte­grante. Há hinos que se cons­ti­tuem em ver­da­dei­ros sím­bo­los de resis­tên­cia, ou de trans­for­ma­ção, ou de com­pro­misso soli­dá­rio. A Igreja canta quando atua ao lado das cri­an­ças de rua, quando rei­vin­dica melho­res con­di­ções de vida junto aos ope­rá­rios, quando busca recon­quis­tar a dig­ni­dade com os que estão pri­va­dos da terra ou de teto, quando chora o aban­dono com os sofre­do­res de rua, enfim, quando a Igreja cum­pre sua mis­são de ves­tir os nus, visi­tar os pri­si­o­nei­ros, ampa­rar os foras­tei­ros, ali­men­tar os famin­tos, etc. (cf. Mt 25.31 – 46)

A Igreja não somente evan­ge­liza e pro­fe­tiza, mas tam­bém educa e ensina. A ordem do Cristo res­sur­reto dada aos dis­cí­pu­los é clara: “fazei dis­cí­pu­los de todas as nações […] ensinando-os a guar­dar todas as coi­sas que vos tenho orde­nado” (Mt 28.19 – 20). A música é uma das for­mas mais didá­ti­cas de ensi­nar, ou ainda mais, de edu­car, por­que o faz com a razão e com o cora­ção. Quando can­ta­mos, não somente pro­nun­ci­a­mos pala­vras, mas as sen­ti­mos. Ainda que não tenha a pre­ten­são cons­ci­ente, toda música tem um aspecto catequé­tico ou peda­gó­gico. Ensi­nar um hino é ensi­nar uma tra­di­ção, uma idéia, um con­ceito, uma dou­trina, uma cos­mo­vi­são, um estilo de vida. Aqui vale uma adver­tên­cia quanto ao cui­dado com que tais cân­ti­cos devem ser esco­lhi­dos, par­ti­cu­lar­mente no con­texto da Igreja, pois eles podem refor­çar idéias bas­tante con­tra­di­tó­rias em rela­ção ao Evan­ge­lho de Jesus: algu­mas can­ções podem car­re­gar con­cep­ções indi­vi­du­a­lis­tas, ou beli­cis­tas, ou ainda dis­cri­mi­na­tó­rias e pre­con­cei­tu­o­sas. Saber o que se canta é tão impor­tante quanto saber como se canta.

A título de con­clu­são: a mis­são da música
Há ele­men­tos que fazem com que cer­tas músi­cas sejam melho­res que outras. Alguns des­ses ele­men­tos são bas­tante sub­je­ti­vos, entre­tanto, outros são mais obje­ti­vos e podem ser dis­cu­ti­dos aqui.

A afi­na­ção: ora, é evi­dente que uma música afi­nada é mais bonita que aquela que é ento­ada desa­fi­na­da­mente. Daqui depreende-se que todo esforço para se bus­car a afi­na­ção, prin­ci­pal­mente no canto con­gre­ga­ci­o­nal, será jus­ti­fi­cado. Mas asso­ci­ado ao con­ceito de afi­na­ção, pode­mos invo­car o com­pro­misso do can­tante com aquilo que canta. À medida que um hino nos venha de um pas­sado, pró­ximo ou lon­gín­quo, ele car­rega con­sigo uma tra­di­ção, uma his­tó­ria, uma memó­ria. Sem cons­ci­ên­cia do pas­sado não há cons­ci­ên­cia do pre­sente e, muito menos, pers­pec­tiva de futuro. Bus­car­mos a afi­na­ção da nossa fé é ainda mais impor­tante do que bus­car­mos a afi­na­ção das nos­sas vozes, para que o nosso canto soe como um lou­vor e glo­ri­fi­que ao nosso Pai que está nos céus.

O pulso: toda música é con­ce­bida a par­tir de um con­texto cul­tu­ral e his­tó­rico con­creto. Assim, o anda­mento, o ritmo, a cadên­cia de uma can­ção denun­ciam o seu con­texto viven­cial (ou, como gos­tam de dizer os eru­di­tos, o seu sitz im leben). Rejei­tar uma cul­tura sig­ni­fica excluí-la dos nos­sos momen­tos de inter­ces­são e cele­bra­ção. Assu­mir o pulso cul­tu­ral da nossa terra nada mais é do que, a exem­plo do Filho de Deus, encarnarmo-nos tam­bém nós em nossa terra e entre nossa gente para que, tam­bém aí, se mani­feste as obras de Deus (ver Jo 9.1 – 3)

A dinâ­mica: as músi­cas mais boni­tas não são aque­las que são ento­a­das de maneira plana, sem coa­du­na­ção da forma com seu con­teúdo. Se a letra de um hino cele­bra temas ale­gres, a dinâ­mica musi­cal deve ser coe­rente com isso; se a letra expressa pesar e dor, da mesma forma a dinâ­mica deve cor­res­pon­der a essa inten­ção. Por isso a música alterna seus movi­men­tos do pia­nís­simo ao for­tís­simo, para que a coe­rên­cia entre forma e con­teúdo seja per­feita. Note-se aqui, que a tônica é a sin­cro­nia entre o com­pro­misso de fé expresso pela letra e o sen­ti­mento do exe­cu­tante da melo­dia. Não se espera que o com­pro­misso des­toe do sen­ti­mento de quem canta. Bus­car essa coe­rên­cia é tarefa de todos os que, na Igreja e na vida, can­tam sua fé.

A con­so­nân­cia: em música, trata-se do inter­valo ou acorde agra­dá­vel, que gera dis­ten­são e har­mo­nia. Eti­mo­lo­gi­ca­mente, o termo refere-se ao ato ou efeito de soar con­co­mi­tan­te­mente. Em mui­tas oca­siões se pode notar como uma melo­dia sin­gela e des­pre­ten­si­osa pode se tor­nar algo arre­ba­ta­dor e impres­si­o­nante pelo efeito da har­mo­ni­za­ção. Trata-se de uma arte que exige muito estudo, esforço e talento. Na Igreja, quando não há con­cor­dân­cia, acordo, nem con­for­mi­dade, não haverá hino­lo­gia que seja con­so­nante. Para que um grupo de pes­soas entoe har­mo­nias “harmô­ni­cas”, é pre­ciso que (1) cada um conheça bem a sua voz; (2) que cada um ouça as demais vozes enquanto entoa; (3) que nin­guém cante mais forte, ou mais alto, do que os demais; e (4) que todos obser­vem as ins­tru­ções do Maes­tro, cuja fun­ção é fazer sur­gir, da com­bi­na­ção das par­tes, aquela música única e arre­ba­ta­dora, expres­siva e impressionante.

A fer­mata: este é um ele­mento curi­oso pre­visto pela teo­ria musi­cal, por­que, enquanto a escrita e a nota­ção indi­ca­das nas par­ti­tu­ras ser­vem para deli­mi­tar sua exe­cu­ção den­tro de padrões pre­vis­tos por seus auto­res ou arran­ja­do­res, quando o sinal indi­ca­tivo da fer­mata surge, o resul­tado ou efeito do que será exe­cu­tado passa a depen­der intei­ra­mente do exe­cu­tante. Este, sen­tindo o momento, poderá retar­dar o ritmo, alon­gar uma nota, sus­ten­tar um acorde, enfim, expres­sar a inten­ção do seu cora­ção, da sua intui­ção, de acordo com o momento exato em que a música está sendo tocada e/ou can­tada. Daqui resulta que toda par­ti­tura é dife­ren­te­mente inter­pre­tada não só por dife­ren­tes musi­cis­tas, ins­tru­men­tis­tas, can­to­res e can­to­ras, mas que um mesmo musi­cista ou can­tor pode inter­pre­tar dife­ren­te­mente uma mesma música em dife­ren­tes oca­siões. Ainda que as par­ti­tu­ras obe­de­çam a regras bem defi­ni­das, haverá sem­pre uma aber­tura para aspec­tos impon­de­rá­veis e impre­vi­sí­veis da dinâ­mica exis­ten­cial. Toda música, neste sen­tido, é um com­pro­misso com a liber­dade.

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