IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Evangelização
Rio, 6/2/2010
 

Diga aos filhos de Israel que marchem

Bispo Paulo Lockmann


 

1. Introdução: Diga aos discípulos e discípulas de Jesus que marchem

O tema deste estudo nos faz pensar em como atualizar esta marcha na vida da Igreja hoje, pois, entender esta temática bíblica tem para nós um sentido de urgência.

Há, neste tema, linhas de significado que tornam a ordem de uma relevância contundente. Como a Israel de Moisés, nós também temos uma História a construir, e, nela, Deus deve ser o Senhor. Não há dúvidas de que esta é uma das verdades transmitidas pelo livro de Êxodo: Faraó não é o Senhor, mas é Yahveh quem tem o domínio da História.

O Deus de Israel revela-se no Êxodo como um Deus Forte, provocativo, que chama o povo a ir à frente; a marchar para um futuro que Deus deseja construir com eles, em uma nova terra, tudo sob a ordem e autoridade da sua Palavra.

Neste estudo, sem analisar detalhadamente o texto do Êxodo, vamos ver, na marcha do Messias Jesus, os primeiros critérios para a marcha do novo Israel, a Igreja. A seguir, examinaremos a marcha da Comunidade Cristã Primitiva. Enfim, nosso objetivo é responder: que elementos do ministério de Jesus e da Igreja Primitiva precisam ser atualizados na marcha de nossa Igreja Metodista?

2. Jesus e a dinâmica de seu ministério

a) Seu fundamento divino e sua habilitação por Deus - Marcos 1.9-13.

Neste relato que todos os evangelistas preservaram, reside o ponto de partida e o reconhecimento de Deus para o ministério de Jesus.

O quadro geográfico descrito pelos evangelistas tem muita semelhança com o cenário onde Deus dá a Moisés a ordem para o povo marchar. Em ambos, o Espírito do Senhor está presente, a sua voz é ouvida, estão diante da água, Jesus desce às águas, Moisés e o povo descem ao mar, e no contexto maior ambos têm diante de si o deserto. Finalmente, Jesus é tentado no deserto, e o povo de Israel também. O deserto como lugar é o modelo do lugar, onde Jesus e também Moisés e o povo têm que depender exclusivamente de Deus; o deserto é um tema rico em significados em todo o mundo bíblico.

As coincidências apontadas não são ocasionais: elas estão aí para mostrar que a marcha dos filhos de Israel liderados por Moisés tem seguimento na marcha de Jesus a partir do batismo, o qual também arrasta atrás de si multidões dos filhos de Israel. Ambas as marchas são de Libertação e Salvação. Do mesmo modo, elas têm por fundamento a submissão a uma ordem do Senhor (cf. Êxodo 14.15; João 1.17; Marcos 1.38; João 5.36-37).

Os evangelistas mostram com clareza o ministério de Jesus como uma marcha dinâmica de Salvação (cf. Mc 1.16, 20; 2.13,23; 3.7 ;Lc 13.22; Mt 11.1).

Certamente, há diferenças entre as duas tradições, e nem podia ser de outro modo; os evangelistas, ao mesmo tempo que apontam semelhanças, sublinham a superioridade do Messias Jesus (cf. Jo 1.16-18). No próprio relato de Marcos sobre o batismo, João Batista reconhece Jesus como o Messias, e a voz de Deus o reconhece como o "Filho Amado". No episódio da alimentação da multidão pela multiplicação dos pães e peixes, em "um lugar deserto" (Mc 7.31), o povo come até fartar-se, e ainda sobram doze cestos: o milagre exercido pelo Messias Jesus é mais abundante do que o maná no deserto.

Finalmente, o episódio da tentação é um momento de profunda humanidade de Jesus, o momento da fome, da tentação. Sua submissão ao Espírito (cf. Mc 1.12; Mt 4.1; Lc 4.1) e sua firmeza na Palavra e na missão lhe dão a vitória sobre o Diabo (cf. Mt 4.10).

b) A Mensagem de Jesus - Mc 1.14-15

A mensagem que Moisés recebeu de Deus para entregar ao povo foi de conversão ao Senhor, ou seja: "Tomar-vos-ei por meu povo, e serei vosso Deus..." (Ex 6.7). Mas também de cumprir a promessa feita aos pais de dar-lhes a terra de Canaã, uma terra farta.

A mensagem de Jesus convida o povo ao arrependimento (metanoia - mudança de mente), ou seja, mudar de procedimento e voltar-se para o Senhor. E anuncia a imediata e urgente vinda do Reino de Deus. É o Senhor governando, semelhantemente ao ideal do Êxodo. O anúncio do Reino é também o ideal de um tempo de abundância.


c) O ministério de Jesus como sinal da presença do Reino de Deus.

c.1) Mc 1.16-20; 8.34-35 - Chamada ao discipulado e formação da comunidade do Reino.

c.2) Mc 1.21-34; 6.30-44 - O seu ensino, sua autoridade, sua misericórdia, sua comunhão com os discípulos.

c.3) Mc 1.35-39; 2.15-17; 10.42-45; Mt 6.33; Lc 9.57-62 - Seu compromisso com a missão e seu estilo de vida conforme o Reino.

c.4) Mc 2.23; 3.6, 7.1-13; 10.17-25; Lc 4.16-21 - Jesus e a sociedade de seu tempo.

3. A Marcha Missionária da Igreja Primitiva

"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra." (Atos 1.8)

Atos dos Apóstolos é o roteiro missionário de uma Igreja de discípulos e discípulas. Por quê? Primeiro, "eles haviam estado com Jesus" (Atos 4.13). Não há discipulado, nem uma marcha missionária na Igreja sem o impacto da presença de Jesus na vida dos discípulos. Segundo, uma Igreja Missionária composta de discípulos e discípulas é constrangida pelo amor de Deus, a ser humilde e obediente, nada faz sem ser por obediência às ordens de Jesus: "Ide e fazei discípulos de todas as nações." (Mt 28.19). (Está na hora de acabarmos com o ativismo infrutífero na igreja: só suor, só conflitos e nem uma vida salva. Chega!).

Ser Igreja Missionária importa assumir, hoje, com intensidade, a nossa Jerusalém. Onde fica nossa Jerusalém? Nossa Jerusalém é o primeiro limite missionário em que está colocada nossa igreja local. É o nosso bairro ou nossa vila, é onde moramos ou trabalhamos. Onde as pessoas nos conhecem muito bem e podem conferir, pela convivência, qual o efeito prático do evangelho em nossa vida. Se somos honestos e justos em nossos negócios, se somos verdadeiros no nosso falar, se demonstramos amor às pessoas concretamente. É também o limite, onde, como igreja local, nós atuamos. Ali, o povo do nosso bairro, vila ou cidade precisa ver e sentir o amor em serviço que o Espírito nos impulsiona a realizar em favor dos que sofrem, sejam eles meninos/meninas de rua, encarcerados, enfermos, índios, jovens drogados, etc. Não importa qual a prioridade que o lugar histórico impõe; importa que a igreja assuma algum desafio. O Planejamento Nacional determina que cada igreja local deve assumir uma frente missionária. Não importa qual seja a realidade em que cada igreja está inserida. Importa, sim, que tenhamos nossa frente missionária. Assim, certamente, experimentaremos, como a Igreja Primitiva, o crescimento. Veremos, a cada dia, acrescentar-se os que vão sendo salvos (cf. Atos 2.47).

Ao concluir, chamo a atenção para o sofrimento que vemos neste início de ano. São oportunidades de testemunho e serviço. Mãos à obra; você e sua igreja podem fazer algo pelos que sofrem os efeitos da chuva e de outros desastres naturais.

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