IGREJA METODISTA DE VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902


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Testemunho
Rio, 19/3/2010
 

O Centenário de Elyas Soares

João Wesley Dornellas

Nesta sexta feira, dia 26 de março, se vivo ainda estivesse, nós estaríamos comemorando, muito alegres, os 100 anos de vida de Elyas Soares. Infelizmente, ele se foi há cinco anos, no dia 9 de agosto de 2005. Mas isto é mais uma razão para damos graças a Deus por sua longa e operosa vida, cumprindo a promessa do “dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei a minha salvação”.

Nascido em 26 de março de 1910, foi filho de Antonio da Silva Soares e Rosa Soares, uma família pioneira em nossa igreja. Sua mãe Rosa, irmã do Rev.Messias Cesário dos Santos, foi sócia fundadora de nossa Sociedade de mulheres em 1902. Nasceu, portanto, num lar cristão e foi ensinado no caminho que deve andar.

Elyas foi recebido à comunhão da Igreja, em Vila Isabel, no dia 25 de julho de 1925. Morreu, portanto, com 80 anos de membro da Igreja, uma parte em Vila Isabel outra em Cascadura, para onde mudou depois do casamento.

Antônio da Silva Soares, seu pai, era um dos funcionários da Fábrica Confiança, que foram transferidos da fábrica no Jardim Botânico, e era montador de máquinas têxteis. Seus filhos foram todos criados na Igreja, como Henrique da Silva Soares, o fundador, em 1935, do nosso coral, que recebeu o seu nome, Isaac, Isaías, Benjamim e Laurinda, que foi nossa primeira organista. Seu pai faleceu cedo e a família contou com a dedicação de Rosa, que ficou viúva durante quase 40 anos.

Elyas fez de tudo um pouco em nossa igreja. A função que ele mais gostava era de ser professor de Escola Dominical, que exerceu quase metade de sua vida. A Escola Dominical era uma de suas paixões. Com mais de 90 anos, ainda era professor, muito apreciado, por sinal, em nossa Escola Dominical. Conhecia muito bem a Bíblia, companheira inseparável, cujos preceitos seguia sem pestanejar.

Foi também, durante muitos anos, tanto em Vila Isabel como em Cascadura, guia-leigo, trabalho muito espinhoso no tempo em que as igrejas tinham um só pastor e ainda tinham que dividir o seu tempo pastoreando outra/s igreja/s.

Líder na sociedade de jovens, onde foi presidente e secretário distrital, também esteve ativo na sociedade de homens, da qual foi presidente, secretário distrital e presidente, por muitos anos, de sua Federação, antes a do Norte e, de 1956 em diante, da Primeira Região. Também foi um amoroso conselheiro dos juvenis.

Ele esteve presente em muitos eventos importantes de nossa igreja. Na Bíblia do nosso Centenário, nós temos uma foto da cerimônia da pedra fundamental de nosso templo, que se reproduz abaixo. Um daqueles meninos da foto, o de chapéu, à esquerda, é Elyas Soares. Esteve também na na inauguração do templo, em 1922, na abertura do trabalho em Inhoaíba e em outros mais.

Foi um bom pregador leigo. Amigo de todos os seus pastores. Sua admiração maior era, ao lado do Rev. Messias Cesário dos Santos, irmão de sua mãe, o Rev. Antônio de Campos Gonçalves, de quem sempre falava e se lembrava de muitos dos seus sermões.

Casou-se, em 8 de junho de 1933, com Almerinda, na igreja de Realengo, da qual ela era membro. O casamento foi dirigido pelo pastor de Vila Isabel, Rev. José Rodrigues Ferreira, conhecido, por ser bem baixinho como Rev. Ferreirinha, pelo pastor de Realengo, Rev. Manoel Batista Leite, pastor de Realengo, que em Vila Isabel foi despertado para o ministério por inspiração de Anna Gonzaga e foi o responsável inicial pela igreja de Inhoaíba e, finalmente, o Rev. Messias Cesário dos Santos, tio de Elyas, a primeira vocação pastoral de Vila Isabel. Teve três filho, Alice, Marli e Paulo Roberto, seis netos e quatro bisnetos, que nasceram depois de sua morte.

Elyas tinha também paixão pelo teatro, especialmente o religioso. Grande ator e ensaiador, ficaram famosas as suas interpretações em peças cômicas e românticas. Uma delas, “Cala a boca, Etelvina”, foi representada mais de 50 vezes, não só em Cascadura, na igreja e no velho auditório do Colégio Souza Marques, como em muitas igrejas, colégios e até em teatros.. Em sua última participação teatral, dirigido por sua filha Alice, fez o papel de Barrabás na peça “Jerusalém, hora nona”, encenada várias vezes em nosso auditório.

Com inteira justiça, ele fazia parte da Ordem do Mérito Metodista por relevantes serviços prestados à Igreja Metodista, como delegado a vários concílios regionais, um concílio geral e como Arquivista Regional. Elyas combateu o bom combate, encerrou a carreira e guardou a fé. Deus seja louvado por sua vida e nos inspire a seguir seu exemplo de fé.

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