IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 10/11/2006
 

POR UMA IGREJA DE MINISTÉRIOS

Bispo Paulo Lockmann


 

"Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a

medida do dom de Cristo. Pelo que diz: Subindo ao

alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens

e mulheres". Ef 4:7-8

1- Um ponto de partida: O ministério de Jesus

Entendendo que a todos os cristãos e cristãs é dado acesso a graça do Espírito e aos seus dons, cremos que tal dádiva gera compromisso, o qual se expressa concretamente no serviço prestado em forma de ministério. Portanto, só há ministério cristão, onde há os dons da graça (carismas); só há dons da graça onde há o Espírito; onde há o espírito há serviço em amor, pois o serviço em amor é a expressão concreta do ministério.

O padrão metodista de Ministério que eu gostaria de propor à Primeira Região Eclesiástica é o do próprio Senhor Jesus com seu ensino e prática. Acerca do qual se expressou muito bem o Apóstolo Paulo na carta aos Filipenses: "De modo que haja em vós, o mesmo sentimento que houve também em Cristo. O qual, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus. O qual deu-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante a um ser humano. E nesta forma humana, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz".(Fl 2:5-8)

Jesus foi este modelo, ele tinha um ministério recebido de Deus, seu pai (Jo 8:25-29; 12:44-59; 17:4-8), viveu para servir e dar a sua vida pelos seres humanos, e com isto glorificar ao Pai. Quando ele diz no Evangelho de Jo 17:4; "Eu te glorificarei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer", dá-nos o alvo supremo da sua vida, que era, glorificar a Deus. Diante disto tudo, temos um alvo claro para o ministério de Jesus e o nosso, ou seja, glorificar a Deus. Mas como podemos fazer isto? A seqüência do versículo nos ensina como. Sim, consumando a obra que Deus nos deu para fazer é o meio pelo qual efetivamente glorificamos a Deus e realizamos nosso Ministério.

Até que parece simples, mas não é. Sabem por que? Porque nos vivemos numa sociedade que tem outro alvo, o qual é a glorificação dos mais espertos e bem sucedidos, das personalidades famosas. Ou mesmo o grande alvo que é o dinheiro. Este é o grande Deus deste século! Estou enganado? Certamente que não. Faça a experiência de declarar a seus colegas de trabalho que seu alvo é glorificar a Deus e a sua justiça, como resultado, se não ouvir piadas sarcásticas, verá um sorriso irônico. Sim, logo, logo, você descobrirá, se já não descobriu, que glorificar a Deus fazendo a sua vontade e vivendo seu Evangelho, não é tão simples assim.

Muito mais claras são as palavras de Jesus sobre ministério - ensino e prática - quando lemos no mesmo capítulo 17:8 do Evangelho de João, Jesus dizendo: "...porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me destes e eles a receberam e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que Tu me enviaste". Assim não se trata de falar do poder e autoridade sobre a morte, trata-se de exercer com fé tal autoridade e poder (Jo 11:40-44). Sim, quando recuperamos diante das necessidades do povo de nosso Brasil, a autenticidade do Ministério de Jesus, certamente o povo dará ouvidos a nossa vós e crerá mais do que nunca na nossa mensagem (Jo 10:14-15).

Como Jesus reuniu tanto poder para realizar com fidelidade a obra que recebeu do Pai? Isto sabendo que, como disse Paulo, Ele assumiu inteiramente a limitação de ser humano como nós. A explicação Jesus mesmo nos dá, nas palavras de seu sermão na Sinagoga de Nazaré: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar aos pobres, enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos e para por liberdade os oprimidos". O sucesso do seu ministério está na fidelidade ao ensino recebido do Pai (Jo 17:8), e na unção do Espírito de Deus, que estava sobre Ele.

2- Em busca de estruturas mais dinâmicas

Com tal modelo, podemos mais facilmente superar uma Igreja de cargos e funções, para uma Igreja de ministérios. Avançando missionariamente num propósito de amar e servir.

O que dizer com a expressão Igreja de cargos e funções? Vemos nisto uma Igreja onde as tendências doutrinárias e políticas, estão de posse de cargos que a estrutura criou, isto não seria de tudo ruim quando tal organização estrutural se expressasse em serviço e crescimento do corpo de Cristo à Igreja. No entanto, constatamos que nem sempre tal estrutura gerou crescimento, não obstante o esforço e trabalho sincero de diversos irmãos e irmãs. Quero ressaltar que não estou fazendo uma crítica às pessoas que exercem, ou exerceram cargos em nossas estruturas eclesiásticas, no presente ou no passado. Até porque, eu já exerci cargos nesta estrutura.

A verdade irmãos e irmãs, é que tal estrutura veio se tornando pesada, ineficaz para a realização plena da Missão do Reino de Deus. Ao ler os relatórios víamos quantas reuniões longas e cansativas foram realizadas em prol de cumprimento canônico, algumas visivelmente infrutíferas. Isto sem contar as longas discussões e atritos e desgastes pessoais, entre servos e servas de Deus, gerando muitas frustrações. Muita energia gasta, muito recurso financeiro despendido, e o resultado que se esperava, nem sempre vinha. Tal constatação veio trazendo a muitos irmãos e irmãs a consciência que deveríamos mudar, desburocratizar nossa vida como Igreja, simplificar, diminuir as reuniões e aumentar nossa eficácia missionária.

Ao lado disto havia em toda Igreja, o desejo de Participação de todo povo nas decisões, no XIII Concílio Geral - 1982 em Belo Horizonte, abrimos o número de participantes nos Concílios Regionais, ou seja, todas as Igrejas locais nas Regiões poderiam enviar um representante no mínimo. Esta tendência veio crescendo no ultimo quinquênio, juntamente com o desejo de simplificar a estrutura, cresceu então a vontade do povo metodista de participar ativamente nas decisões, assim como de acabar com vários níveis intermediários de decisões, transferindo os Concílios como expressões mais representativas e abertas a maioria do poder decisório da Igreja.

O grande interesse na participação é um sintoma da própria sociedade brasileira que anseia por poder participar e escolher seus governantes, influenciar na política econômica do país, promover uma revolução social autêntica onde os pobres possam ter voz e vez.

Assim o Concílio Geral trouxe a tona e imprimiu na legislação canônica dois princípios:

1- Participação, todas as ênfases principais e linhas de planejamento da Igreja são decididas em Concílio Gerais, Regionais e Locais;

2- Simplificação e desburocratização, já não mais vários órgãos, comissões e conselhos, mais grupos de ministérios, preparados para servir não mais muitas reuniões longas, mais sim novas e criativas ações missionárias.

3- A Igreja a partir de Dons e Ministérios

Um ministério, não é um lugar o qual a pessoa se estabelece para usufruir vantagem para si e para os seus, como muitas pessoas fazem sociedade secular ao assumirem um cargo de governo. Tal contradição no uso do poder e autoridade, está presente na nossa sociedade, mas como disse Jesus: "...Sabeis que os governantes dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós: pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será este o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como Filho do Homem, que não veio para ser servido mas para servir e dar a sua vida em resgate pot muitos (Mt 20:25-28). Sendo assim nossa Igreja precisa crescer numa visão de ser serva, para isso a ênfase nos Dons como capacitação de Deus, para um serviço como Ministério é fundamental e decisivo.

Deste modo, retomamos uma ênfase de protestantismo histórico de Lutero, que é o "Sacerdócio Universal de todos os (as) crentes". Sim, temos que ser uma comunidade dentro da comunidade maior, disposta a servir, demarcando visivelmente a presença do Reino de Deus. Todos os e as metodistas estão sendo conclamados (as) a assumirem um ministério.

Reconhecemos acima de tudo a Igreja local, como um corpo ministerial, a serviço do bairro ou cidade onde está colocada, manifestando junto ao povo, nas suas mais diversas necessidades, o poder vivo do Senhor Jesus. Não há mais lugar para a Igreja não participativa, de templos fechados, cultos desligados da problemática que atinge o povo, todos os trabalhos e ações ministeriais lançados sobre o pastor e a pastora e uns poucos abnegados, enfim uma igreja entre quatro paredes. Nossa ênfase ministerial além de submissão ao ensino bíblico e reconhecimento da tradição da Reforma visa também o envolvimento de todos. Aspira levar mais profunda e extensamente o amor de deus e o anúncio do seu Reino aos homens, mulheres, jovens e crianças do nosso país em nossos dias.

Atuar efetivamente em nossa história transformando-a pelo poder de Deus, é nossa tarefa como Metodistas.

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