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Trindade
Rio, 22/3/2010
 

A Trindade (Josias Pereira)

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Mateus 28.19. “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo;”


Introdução:
Considerando que o próximo domingo (18.05.08) é o dia da Santíssima Trindade Estamos abordando o tema neste culto.
Pregar sobre a trindade não é coisa fácil já que ela, a trindade, não é propriamente um preceito bíblico.
No AT não encontramos referências específicas à Trindade, embora alguns textos se refiram a Deus no Plural, tais como Gen.1.26 “façamos” 3.22 “ Como um de nós” 11.7 “ desçamos e confundamos” ou na trípce invocação de Isaias 6.3 “Santo, Santo, Santo, ou ainda 62.10 “passai, preparai, aterrai, também Salmo 50.15 “invoca-me, livrarei, glorificarás”, e ainda em Daniel 4.5-15 e 5.15 “o espírito dos deuses santos”.
Por estudos que realizei parece não haver base filológica para confirmar a Trindade.

No NT encontramos evidências em 2º. Cor. 13.13 “e a Graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo...”. 1ª. Pedro “ a paciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo” e outras passagens que apontam sinais de um Deus Trino tal como Mateus 28.19 “...ide em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo”. Há questionamentos quanto a autenticidade de alguns destes textos ou são formas isoladas sem uma contextualidade inequívoca. Daí não podermos afirmar de forma categórica, bíblica e textualmente a Doutrina da Santíssima Trindade.

Entretanto em Col 2.2 e 3 encontramos palavras inspiradoras que podem nos ajudar a compreender o mistério da Trindade. Numa referência de Paulo aos Cristãos de Laudiceia, quando diz: “para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, em Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.


ALGUNS ASPECTOS HISTÓRICOS.

Por volta de 1054, houve a grande controvérsia teológica entre a Igreja do Oriente e do Ocidente sobre a doutrina da Santíssima Trindade, pois debatia-se as decisões do Concílio de Nicéia (325.EC) e Constantinopla (381-EC) e outras posições que embora isoladas, causaram interrogações. Outros Concílios trataram do assunto, mas a questão nunca ficou totalmente definida.
O Concílio de Nicéia foi o primeiro a instituir a trindade. Já em 381, em Constantinopla o credo de Nicéia foi reorganizado sob a influência de outras tendências, especialmente arianas.
Vários outros credos, com ferrenhos debates, ocorreram ao longo da história, o que redundou em constantes questionamentos teológicos e eclesiais que perduram até os dias de hoje.
Entretanto, não vamos adentrar pelos meandros históricos, já que o tempo aqui não permite, não é de nossa competência e nem objetivo neste momento.


NOSSA CRENÇA HOJE

Compreendendo as dificuldades em harmonizar os ensinos bíblicos e as realidades da evolução dos pensamentos teológicos e filosóficos, bem como os aspectos simbólicos dos sentimentos e pensamentos subjacentes no inconsciente humano, especialmente pelo seu potencial criativo, chegamos até aqui com compreensões e convicções aceitáveis e até convincentes sobre o conceito da TRINDADE, já que condiz com a maneira cristã de conceber Deus em Cristo pela força do Espírito Santo.
Não devemos concebê-la pela lógica da razão, mas sim pelas sendas da mistériosidade. Terlhard de Chardim, quando fala sobre mistérios afirma que eles são análogos á união da Santíssima Trindade.

Paul Tillich entende que a doutrina da trindade é resultante de reflexões sobre uma constelação de realidades e problemas da história e da teologia da igreja antiga, cujo resultado vai muito além da questão doutrinária , mas sim o produto dos simbolismos que “dão uma percepção das profundezas da divindade” com sua infinitude e misteriosidade, cuja a aceitação depende da incondicionalidade da fé. Daí entender-se que a doutrina Cristã da Trindade é a especificação do pensamento trinitário, que pela sua mistériosidade, leva, pela fé, à aceitação de sua veracidade.

Há, portanto, várias concepções sobre a trindade, sua formação e origem, mas a rigor, são formulações muitas vezes coerentes, outras contraditórias, mas sempre expressam a convicção de um Deus Criador e Senhor do universo, que pela finitude humana e a conseqüente limitação, não pode ser compreendida plena e racionalmente, mas aceita pela fé, segundo Tillich, incondicional. Li alhures, a seguinte estória: Santo Agostinho caminhava por uma praia e deparou-se com um menino que com uma pequena tigela apanhava a água do mar e a derramava dentro de um pequeno buraco que fizera na areia. Então Agustinho curioso perguntou ao menino o que ele pretendia com aquele ato. O garoto com simplicidade respondeu: “ Estou querendo colocar a água do mar neste buraco. Ao que Agostinho respondeu “mas você não percebe que isso é impossível? “ Pelo que o Menino respondeu: “ ora é mais fácil a água do mar caber neste pequeno buraco do que o mistério da Santíssima Trindade ser entendido por um homem!”. E continuou: “ Quem fita o sol, deslumbra-se e quem persiste em fitá-lo, cegaria. Assim sucede com os mistério da religião: quem pretende compreendê-los deslumbra-se e quem se obstinasse em os perscrutar perderia totalmente a fé.” ( Sto. Agost)

São estórias que tem sentido, pois são frutos das experiências humanas.
Encontramos no site armenianismo.com a Trindade comparada com o sol. Sol, luz e Calor – sua orbita é o sol, sua luz é o sol e seu calor é o sol. O sol é o Pai, a luz é Cristo, o calor é o Espírito Santo.
Muitas outras analogias podemos encontrar sob a égide de uma realidade trinitária no contexto da experiência humana.
Deus: onipresente, onipotente, onisciente, e outros tantos aspectos.


Conclusão

Embora a Trindade não possa ser provada cientificamente, pode ser percebida e confirmada pelas experiências da fé. É algo que parecendo não ser é, pois pertence à área do mistério, e mistério é aquilo que parecendo não ser, quando sentido, vivido e manifestado, embora não sendo é. Pois a experiência o comprova.
“ Ó minha fé, vai avante na tua confissão. Diz ao senhor teu Deus: santo, santo, santo é o Senhor meu Deus. Fomos batizados em nome do Pai, Filho, e Espírito Santo.” (Confissões 13.12). Como a Trindade é mistério só pode ser compreendida pela fé que, como fenômeno psicológico pode através da psique conceber o inconcebível, porém sentido e experienciado. 2ª. Cor 13.13.

Preferimos não caminhar pelas sendas das reflexões teóricas, pois certamente fastidiosas, mas antes determo-nas na vivência experiencial do existir cotidiano daqueles e daquelas que “ pela fé avistaram o além”.

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