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Família
Rio, 10/11/2006
 

Marido & mulher: Família numa visão bíblica

Bispo Paulo Lockmann


 

Apresentaremos este tema a partir de um direcionamento da Pastoral da Família e de um comentário que faço para nos clarear a compreensão na leitura e interpretação do texto de Efésios 5:21-33. Família e relações familiares é um assunto sempre necessário, atual, profundo e importante... Ainda mais quando nosso país vive uma grande crise econômica, social e religiosa, e como Igreja temos a responsabilidade de criar oportunidades e situações de poder influenciar e evangelizar nossa sociedade e as comunidades em nosso redor, ao invés de ficarmos apenas sendo influenciados pela sociedade, pela cultura, pela inércia, etc...

A família é a comunidade básica nesta nossa sociedade, e por conseqüência, também na Igreja. Sobre ela recai todas as pressões e conflitos dos novos tempos. O que fazer? Como atuar? Estas e outras tantas perguntas serão oportunamente levantadas nesta reflexão. Não temos a pretensão de responder a todas, mas queremos, com coragem, encarar as questões de frente e, como comunidade responsável e com base na Palavra de Deus, buscarmos juntos pistas e até mesmo respostas.

A família faz parte do plano de Criação divina, sendo uma das ordens naturais estabelecidas por Deus. Ao estudarmos a Palavra de Deus vemos logo de início que o matrimônio e a família decorrem da realidade criadora de Deus. Gênesis 1:28-36 e Gn 2:18-25 narram a criação da pessoa humana, afirmando que "homem e mulher os criou". No final de sua obra criadora "viu Deus que tudo quanto houvera criado era bom." A criação do homem e da mulher, bem como a criação de todas as demais coisas, acontecem conforme o propósito de Deus e anteriores ao pecado dito original.

Ao lermos o texto bíblico, verificamos que o casamento não é algo acidental na criação, mas sim essencial. o ser humano não pode ser ele mesmo, se não for homem ou mulher, sendo ambos feitos um para outro; completando-se numa vivência de inter-relacionamento, comunhão, amor e serviço.

A Bíblia ensina que o homem só, não é completo. Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea" (Gn 2:18-25). É por este motivo que o homem deixará seu pai e sua mãe, unindo-se à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. O matrimônio é um chamado divino para que homem e mulher deixem a sua solidão e passem a viver em comunhão.

No novo testamento, tanto Jesus como Paulo, citam basicamente os textos de Gênesis ao se referirem à instituição do casamento. Jesus acrescenta a este conceito um outro preceito: "O que Deus uniu, não separe o homem" (Mt 19:6). Em suas parábolas e mensagens, as imagens da vivência familiar estão presentes. O significado da família era tão importante para Jesus que Ele ampliou o conceito de família, fazendo-o transcender aos laços sanguíneos (Mt 12:46-50). Paulo também valorizou a vida matrimonial e familiar. Muitas de suas mensagens são dirigidas aos esposos, aos pais e filhos. O relacionamento entre esposo e esposa é visto pelo Apóstolo a partir do relacionamento entre Cristo e sua Igreja.

Analisando o casamento, pode-se dizer que ele revela em si, a correspondência e a satisfação de necessidades básicas do ser humano. Homem e mulher necessitam um do outro não apenas do ponto de vista sexual, mas total, onde um complementa e acrescenta à existência do outro, atendendo às necessidades físicas, psicológicas, morais, sociais e espirituais. E isto não é só entre marido e mulher, mas também entre pais e filhos, entre irmãos, entre familiares. Neste sentido de correspondência e complementação de necessidades humanas, é a família o núcleo básico para a formação da criança e do adolescente.

Diz a Palavra de Deus: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam" (Sl 127:1). Será de fato inútil se Deus não estiver edificando a família com sua presença, graça, dons e bênçãos. A família precisa ser edificada sobre a rocha, tendo Cristo como base e sustentador, e não sobre a areia, onde a vontade humana é o seu único sustento (Mt 7:24-27).

Ainda que não encaremos o matrimônio como sacramento, é fundamental reconhecer que sem a presença da graça e do amor de Deus derramados nas mentes e nos corações do casal, o matrimônio fica limitado quanto às suas finalidades, potencialidades e recursos. A presença de Deus no casamento é fundamental para mantê-lo em seu propósito e dar-lhe condições de sobrevivência.

Cristo, com sua presença nas bodas de Caná da Galiléia, demonstrou o interesse de Deus pela vida familiar e a Sua disponibilidade em participar da totalidade da vida humana, concedendo ao homem e à mulher a graça sustentadora e redentora de seu amor. É esta presença de Deus na vida familiar que possibilita a quebra do individualismo, a eliminação do egocentrismo e cria condições para uma vivência em companheirismo. O espírito de compreensão, amor, tolerância, perdão e reconciliação encontrados em Cristo, são fundamentais para a vivência familiar (Ef 2:14-16; Ef 4:32; Ef 5:1; Cl 3:12-15).

Vejamos agora Efésios 5:21-33. Vamos trabalhar basicamente os versículos 21 e 22. Comecemos com o verso 21: "Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo." A razão para se iniciar a análise deste texto bíblico pelo versículo 21 é a exigência de dois elementos contidos no próprio texto: o primeiro, é que o texto deste capítulo 5 de Efésios constitui uma só unidade. Quando Paulo escreveu a carta não a dividiu em capítulos e versículos, o que foi feito pela Igreja séculos mais tarde. O segundo elemento é que o versículo 22 no texto grego não possui verbo! Isso mesmo: o texto na língua grega diz literalmente: "as mulheres aos próprios maridos como ao Senhor". Podemos refutar que isso não tem sentido, mas é o que está originalmente escrito. Então, "as mulheres aos próprios maridos", o quê? Serem submissas? É o que dá a entender o versículo 21, pois é lá que se encontra o verbo sujeitar ou submeter. Só que o verbo está regendo e orientando uma outra verdade que relativiza e mostra outro significado para a submissão: devemos nos sujeitar uns aos outros, no temor de Cristo, sem distinção de sexo. Devemos nos sujeitar não porque é o marido ou porque é a mulher, mas por causa de Cristo: no temor de Cristo! Devemos nos sujeitar em amor e serviço uns aos outros. No temor de Cristo! Isso amplia a interpretação que habitualmente fazemos do versículo e que tanto enfatizamos, pois a submissão no temor de Cristo significa que, do mesmo modo que dizemos "mulheres sejam submissas aos vossos maridos" também devemos dizer "maridos sejam submissos às vossas mulheres como ao Senhor", no temor de Cristo. Claro, as mulheres devem ser submissas aos maridos, mas os maridos também devem ser submissos às mulheres.

A questão é: qual o árbitro nesta relação na qual ambos são exortados a serem submissos um ao outro? O árbitro é o amor com que Cristo amou a Igreja, o que está claramente indicado no início do capítulo 5: "Sede, pois, imitadores de Deus como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus em aroma suave".

Fica demonstrado que o árbitro e a base da vida em comunidade ou em família é o amor. Mas que amor? O amor com que Cristo amou a Igreja, dando a sua vida por ela. Aqui está o núcleo histórico-libertador: o Evangelho. Ele é o critério nas relações. É através do Evangelho que se conhece a Jesus Cristo, sua vida humilde de amor, serviço, doação e que conquista autoridade sobre nossas vidas.

Só teremos alguma influência sobre a vida de nosso esposo ou esposa (ou mesmo sobre a vida de nossos filhos) se a nossa relação com ele ou ela for baseada no amor; se estivermos sempre dispostos a negarmos a nós mesmos e aos nossos interesses como prioridades maiores e absolutas em favor do outro. Afinal, o outro somos nós mesmos, pois somos um só corpo (Ef 5:28-30).

Assim, nenhum cristão em sã consciência, pode julgar que a mensagem de Paulo aponte para a dominação do homem sobre a mulher, principalmente se considerarmos os versos 21 e 22 deste capítulo 5 de Efésios como inseparáveis. E também se tomarmos a mensagem de Paulo em sua totalidade, pois foi ele mesmo também quem disse: "Portanto não pode haver nem judeu nem grego, nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; pois todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3:28).

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