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Política e eleições
Rio, 10/7/2010
 

As eleições estão chegando

Bispo Josué Adam Lazier

As eleições estão chegando...

A Copa do Mundo de 2010 já se foi. Estamos em meio às diligências da Polícia de Minas Gerais para esclarecer o caso que envolve uma suposta amante do goleiro do Flamengo, Bruno. Parece que as atenções das pessoas estão se concentrando no encerramento da Copa do Mundo deste ano e os preparativos para a de 2014. A mídia a todo o momento “bombardeia” e anestesia as pessoas com as notícias sobre o caso que envolve o goleiro do Flamengo.

Mas, as eleições estão chegando...

Logicamente que estou falando das eleições para Presidente, Governador, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa. Talvez algumas pessoas da Igreja Metodista pensem em outra eleição, que acontece no ano que vem e para a qual a “corrida” é grande e vale qualquer coisa para ser “premiado” com o voto dos delegados. Não é desta eleição que estou falando, embora as recomendações bíblicas destacadas a seguir sirvam para esta também. Estou falando das eleições de outubro próximo.

Coloco algumas perguntas para orientar a reflexão e ajudar as pessoas a escolherem seus candidatos ou candidatas.


1. Que tipo sociedade nós queremos construir?

Escolher pessoas como governantes do país é contribuir diretamente para a construção da sociedade e das relações que se constituirão a partir dos governos que se formarem. Neste sentido, é importante recordar o profeta Isaías que falava do direito e da justiça de Deus (Isaías 65.17-25).

Este texto do profeta Isaías destaca algumas características de uma sociedade que tem como base a vontade de Deus. Quando Isaías pregou esta mensagem o povo de Deus tinha voltado do exílio na Babilônia e estava reconstruindo a cidade de Jerusalém, bem como o Templo e a sociedade em geral. Isaías mostra que para esta reconstrução os as pessoas não deveriam esquecer a Lei de Deus que aponta para a Justiça e para o Direito.

Está implícito neste texto que o profeta se nutria do oráculo divino que afirmava que a Justiça e o Direito de Deus criariam uma sociedade liberta, humana, fraterna e justa. Deus não criou as leis como elas se expressam nas diversas culturas, elas são convenção dos homens e mulheres para viverem em sociedade. Deus determinou a lei do amor. Deus criou as pessoas e ensinou que o Direito e a Justiça orientariam a vida para que ela fosse plena e abundante para todos. Anteriormente, o profeta havia dito que Deus estava inserido na vida do povo para que todos fossem como “carvalhos de justiça” (Is 61.3).

Portanto, ao votar estaremos oportunizando o “poder” para que os candidatos/as eleitos/as exerçam seus mandatos e definam caminhos, leis, políticas, que podem afetar a vida de toda a população.


2. As pessoas da Igreja devem votar ou anular o seu voto?

O apóstolo Paulo destaca em Romanos 13.1-6 a problemática dos governantes. Paulo não estava ensinando neste texto uma obediência cega do povo de Deus aos governantes da época. Sua preocupação era fazer com que os cristãos participassem da vida social, política, econômica e cultural do império romano com o intuito de influenciar positivamente a construção de uma sociedade voltada para o direito e a justiça de Deus. Provavelmente ele tinha em mente o ditado de Jesus: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo...”. Ou seja, os/as critãos/ãs deveriam participar com consciência e responsabilidade das questões políticas.

Isto nos leva a refletir sobre a participação dos cristãos hoje. Na sociedade em que vivemos os governantes são escolhidos pelo voto direto. Isto dá uma grande responsabilidade para os/as cristãos/ãs. Devemos orar pelos governantes e fazer aquilo que é da responsabilidade de todos para o bem comum, mas acima de tudo devemos exercer o dever de votar e votar bem.


3. Votar em quem ou como escolher os/as candidatos/as?

No texto de Mateus 10.16 Jesus prepara os discípulos para as situações que enfrentarão no cumprimento da missão. Entre todas as coisas que Jesus ensina no capítulo 10 de Mateus, destaca que os discípulos não devem ter uma credulidade ingênua, isto é, acreditar em que tudo o que ouvem ou nas promessas. Jesus recomenda que seus discípulos sejam prudentes como as serpentes, mas sem perder a simplicidade de uma pomba. Em outras palavras, participem do processo político, mas não percam os referenciais éticos.

Este texto nos faz refletir que para a escolha dos candidatos em quem iremos votar devemos aplicar esta orientação de Jesus. Isto significa que devemos observar bem a vida e as propostas dos/as candidatos/as, bem como percebermos quem está por detrás das propostas que os candidatos/as e partidos apresentam. Sobretudo o compromisso ético deve ser muito evidente na vida das pessoas em quem votaremos.


Concluindo

Sugiro estas três perguntas para o processo de eleição que se aproxima. Haverá muita campanha, debates, propagandas, etc. Como cristãos temos a responsabilidade de participar ativamente da construção de uma sociedade que seja justa para todos. Neste sentido, o compromisso ético, comprometimento com o Reino de Deus e responsabilidade cristã devem nortear a escolha dos/as candidatos/as.

Não deixe de votar, mas não vote em corruptos, violentos, dissimulados, mentirosos, populistas, ladrões, gananciosos, avarentos, medíocres, e outras características que não combinam com quem exerce mandato em nome do povo.

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