IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Espiritualidade
Rio, 8/10/2010
 

Recebendo a visita e presenša de Deus

Bispo Paulo Lockmann


 

“Não negligencieis a hospitalidade, pois, alguns, praticando-a,
sem o saber, acolheram anjos.”
(Hb 13.2).

Desejo repartir sobre a visita e presença de Deus. Conforme o texto citado acima, ao acolher irmãos e irmãs, podemos estar recebendo mensageiros de Deus, instrumentos de bênção para a nossa vida.

Comparo este tema diante da dificuldade que às vezes alguns colegas enfrentam, ao trabalhar com grupos de discipulado, ao não encontrarem casas para hospedar os grupos. Refletindo, assim, a respeito da visita e presença de Deus ao longo da história bíblica, em casa de diferentes pessoas, o quanto estas foram abençoadas.

1) Deus visita com a Arca da Aliança a casa e família de Obede-Edom (1 Cr 13.13-14)

Aron (1) é a expressão mais usada para referir-se à arca da aliança. Conforme a tradição bíblica em Êxodo (cf. Ex 37.1-5), Bezalel fez a arca de madeira de acácia. Havia argolas de ouro nos cantos da arca, através das quais eram colocadas varas para poder carregá-la; era revestida por dentro e por fora de ouro; sobre ela ficava o propiciatório – Kapporet, e os querubins com as asas abertas. Nela ficavam as tábuas da lei, feitas de pedra (cf. Dt 10.1-5; Ex 40.20), uma porção do maná, e a vara de Arão, que floresce (cf. Hb 9.4). No deserto, a arca era levada à frente do povo pelos levitas, que iam recitando uma fórmula litúrgica. Com ela à frente do povo, criam ter a presença de Deus caminhando com eles. Foi usada também na travessia do Jordão (cf. Js 3 e 4) e na tomada de Jericó (cf. Js 6 e 7). Quando na batalha contra os filisteus, eles a levaram (cf. 1Sm 4.3-11), mas ela trouxe praga às cidades filistéias (cf. 1Sm 6.3-4), o que indica que era bênção para os que tinham aliança com Deus e obedeciam a sua Lei, mas maldição aos que adoravam outros deuses, e não tinham parte na aliança. Isso ilustra o episódio de Obede-Edon, pois após a morte de Uzá, ao tocar na arca sem poder, e, por isso, morrer, obrigou Davi, por temor a Deus, deixar a arca na casa de Obede-Edon. A presença de Deus junto à arca trouxe prosperidade a ele e a sua família. Hoje, nos poucos símbolos, temos que ensinar ao povo os atos salvíficos de Deus que indicam sua presença.

O que aponta tudo isso? Primeiro, que a aliança com Deus toma forma na centralidade e presença da Palavra de Deus na vida, nas casas do povo de Deus. Segundo, que a consequência da presença da arca da aliança (com a Palavra de Deus) resulta em bênção e prosperidade à família e à casa que a hospeda. A lei de Deus, o maná que alimenta, e a vara que floresce, contidos na arca da aliança, são indicativos da glória e presença do Deus abençoador. Todo hospedeiro que recebe esta aliança da Palavra de Deus em sua casa será sempre abençoado como Obede-Edon. Sim, a arca era um memorial da manifestação de Deus na história, dando seu ensino, estabelecendo sua Palavra. Por favor, não estou fazendo apologia da arca da aliança, mas da presença de Deus através da Palavra.

2) Jesus, o Filho de Deus, também visitou as casas e trouxe bênção e salvação.

Deixem-me mencionar duas experiências de Jesus: A primeira foi quando Jesus curou a filha de Jairo (cf. Lc 8.40-42; 49-56), líder na Sinagoga. Essa história ilustra que não basta uma intensa religiosidade, seus ritos e orações formais; é necessária a presença viva de Jesus, o Senhor da vida e da morte. Quando Jesus chegou a casa, imperava a morte; os incrédulos riram de Jesus. Então Jesus, o Senhor da Palavra, profere uma palavra de poder: Talitá Cumi. Que, segundo Marcos, significava: Menina, eu te mando: levanta-te. Jesus traz a ressurreição e a vida.

Que grande diferença para a família de Jairo fez a visita de Jesus: de choro para a alegria. Assim, devemos anunciar que um grupo de discipulado nas casas atrai a presença de Jesus, o poder de Deus para essa casa. Além do benefício da comunhão, do estudo da Palavra, acompanha o grupo a bênção da presença de Deus, pois:

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos
em meu nome, ali estou no meio deles.”
(Mt 18.20)

Outra experiência bastante significativa é o episódio da conversão de Zaqueu (cf. Lc 19.1-10), narrado somente por Lucas. Para se entender melhor a conversão de Zaqueu, é preciso ler à luz do capítulo anterior (Lc 18), pois, ali, o fariseu não é perdoado, apesar da sua religiosidade; já o publicano pecador estigmatizado o é (cf. Lc 18.9-14). Outro religioso que é o jovem rico não herda o Reino, porque amou mais a sua riqueza do que a Deus. Já Zaqueu, era o chefe dos publicanos, que, embora tivesse no nome o termo “puro ou justo” (2), por sua função, era considerado um traidor, pois estava a serviço do opressor romano (3), arrecadando os impostos dos judeus, função que a teologia oficial dos religiosos fariseus classificava como impura. Portanto, para confronto nosso, os religiosos são condenados, e os impuros salvos. Grande paradoxo.

Neste sentido, é que o discipulado vem para desafiar as famílias a saírem de uma vida sem frutos, sem uma perspectiva de crescimento, no conhecimento e temor de Deus pela Palavra. Há famílias que se acostumaram com a escassez. Sim, falta de amor, falta de perdão nos relacionamentos, falta de comunicação, e tantas outras limitações, que podem, sim, ser substituídas por abundância do amor de Deus, perdão e comunhão. Sim, através do discipulado, as questões práticas do dia a dia vão sendo iluminadas pela Palavra. Trata-se do Evangelho na casa e a presença de Deus. Assim, estamos fazendo de nossos lares um santuário.

Mas, consideremos o episódio propriamente dito: o interesse e curiosidade de Zaqueu denota inicialmente duas coisas. A primeira é que, apesar da riqueza, Zaqueu não era feliz; sua ação de cobrador de impostos e agiota só geravam rejeição e infelicidade, pois, se não fora essa visível carência de vida, de mudança, ele, homem maduro, não se humilharia a ponto de subir numa árvore. Segundo, pelo que ouvira de Jesus, estava convencido de que só a atenção e presença de Jesus poderia interromper sua trajetória para a morte. Então, Jesus se interessa por aquele homem, porque o mesmo já demonstrara o seu interesse por Jesus:

“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos,
pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai
e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza.
Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.”
(Tg 4.8-10)

Diante disso, Jesus se convida para ir e estar em casa de Zaqueu. A presença de Jesus não pode ser um peso; ela vem para os que a desejam. Foi o caso de Zaqueu, mas foi o que o profeta Jeremias disse:

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR;
pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais.
Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.
Buscar-me-eis e me achareis, quando me buscardes
de todo o vosso coração.”
( Jr 29.11-13)

Que momento transcendente, sobrenatural, trouxe a presença de Jesus à casa de Zaqueu! Sublinho a transcendência, porque temos o péssimo hábito de afirmar a transcendência através de atos, como passar o Jordão a pé enxuto, como Deus fez com Josué, ou a ressurreição de Lázaro. Mas, você quer algo mais sobrenatural do que a presença de Deus, a sua visita a uma casa, a uma família? Foi isso que aconteceu em casa de Zaqueu. O texto não diz que Jesus falou algo mais a Zaqueu, e sim que sua presença mudou o coração de Zaqueu.

“Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor,
resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa
tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.”
( Lc 19.8)

Enquanto isso, os “religiosos” murmuravam contra Jesus, por ter ido visitar a casa de Zaqueu. A palavra de Jesus confirma o que faz a presença de Jesus na casa:

“Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa,
pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do
Homem veio buscar e salvar o perdido
.”( Lc 19. 9-10)

Sim, este é o objetivo em toda a Bíblia: que a presença de Deus no lar, na família, traga vida e salvação. Espero que cada vez mais e mais pessoas se disponham a serem anfitriões, atraírem mais e mais a presença de Deus a suas casas, através do acolhimento de um grupo de discipulado, e dando, família por família, lugar para a Palavra de Deus. Deus os abençoe: Amém, Amém e Amém.

CITAÇÕES:
(1) Lewis. J. P. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo, 1998. p. 123.
(2) Tuya M. Evangelio de San Lucas. Madrid: Editorial Catolica, 1976. p. 186.
(3) Marshal H. The Gospel of Luke. Exeter: The Paternoster Press, 1978. p. 698.

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