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Música
Rio, 8/11/2010
 

A sensível diferença entre escutar música e ouvir música (Alexandre Vieira)

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Embora os dicionários tratem como sinônimo, podemos classificar ESCUTAR de forma diferente de OUVIR.

Ouvir é um ato involuntário que nos acompanha 24 horas por dia, pois nossos ouvidos ouvem tudo que se passa à nossa volta, inclusive quando estamos dormindo, independente de estarmos ou não prestando atenção. Eu mesmo, no momento em que escrevia estas linhas, estava ouvindo música de fundo sem me ater a ela.

Escutar, nos remete à idéia de maior interesse em algo que estamos ouvindo e que, acabamos dedicando a devida atenção. Quando estamos ao telefone com alguém, por exemplo, estamos escutando atentamente ao que nos falam, e nem por isso deixamos de ouvir o ruído da rua ou a campainha de casa.

O que foi exposto anteriormente, se aplica a música, principalmente, quando se trata de música reproduzida, uma vez que, normalmente quando vamos a uma apresentação musical ao vivo, vamos com o intuito de escutar atentamente, o que nem sempre ocorre com a música reproduzida, onde muitas vezes ouvimos música ao mesmo tempo que conversamos com amigos ou lemos um bom livro.

O ato de escutar música reproduzida, seriamente, requer atenção & dedicação, pois desejamos perceber toda a riqueza dos detalhes e sentir toda a emoção que ela possa nos trazer.

Os melômanos, que não necessariamente são audiófilos, são pessoas que gostam de ouvir música, independentemente de como ela esteja sendo reproduzida ou apresentada.

Os audiófilos, normalmente, são também melômanos. Além de apreciarem a boa música, fazem questão de escutar da melhor forma possível, pois o prazer de ESCUTAR MÚSICA reproduzida em um equipamento de alto nível é algo que realmente compensa toda a quantia que tenhamos investido para atingir tal resultado.


A SITUAÇÃO SE COMPLICA QUANDO COMEÇAMOS A APRENDER A ESCUTAR MÚSICA.

Enquanto nos contentamos em ouvir música reproduzida, qualquer fonte nos basta, até mesmo um simples radinho pode parecer suficiente. Mas, a partir do momento que evoluímos e começamos a aprender a ESCUTAR MÚSICA reproduzida é que as coisas começam a se complicar. Quando se trata de audição despretensiosa, nem sempre percebemos um sintoma denominado de FADIGA AUDITIVA, pois quando estamos dividindo o ato de ouvir música com outra atividade, principalmente se esta outra atividade requer muito de nossa atenção, não chegamos ao ponto de saturação.

Em uma audição dedicada, quando “paramos” para ESCUTAR MÚSICA, estamos mais sujeitos a Fadiga Auditiva, cuja velocidade de saturação é inversamente proporcional a qualidade dos componentes que utilizamos, ou seja, quanto menor??? a qualidade de nosso sistema, mais rápido atingiremos a Fadiga Auditiva.

Se você tem um sistema midi-fi (receiver de custo médio por exemplo) já deve ter passado pela (desagradável) experiência de, numa tarde de domingo chuvoso, resolver passar o resto do dia ESCUTANDO MÚSICA, então separa alguns CDs que você não ouve há muito tempo e começa a escutá-los, mas depois do segundo ou terceiro CD você já não agüenta mais ouvir nada. A isto chamamos de Fadiga Auditiva.

Alguns melômanos, que não sabem ESCUTAR MÚSICA, limitando-se a ouvir música, costumam argumentar que o importante é a música. Sim, tanto esta afirmativa é verdadeira que, de tão importante que é a música, os audiófilos investem em bons sistemas para poderem ouvir suas músicas prediletas por horas & horas com muito prazer.

Se você não deseja que seu sistema sirva somente para música de fundo e/ou se você já se deparou com o sintoma da Fadiga Auditiva, você está no caminho certo para aprender a ESCUTAR MÚSICA e, naturalmente, se tornar um audiófilo. É a evolução natural (ou você vai querer ouvir radinho a vida inteira?)! O próximo passo é investir em equipamentos de boa qualidade, afinal de contas aparelhos high-end não são tão inatingíveis assim (ver matéria “Meu primeiro high-end”, na edição de Maio de 2001).


O TIPO DE MÚSICA QUE APRECIAMOS É FATOR PREPONDERANTE PARA DETERMINAR O EQUIPAMENTO ADEQUADO.

Outro fator importante a ser considerado, é o tipo de música que apreciamos, pois de nada adianta possuirmos um sofisticado sistema, que não nos traga Fadiga Auditiva, se nele iremos reproduzir gêneros musicais, que por si só, já causam Fadiga Auditiva.

Explicando: Quanto mais elaborada é a música, normalmente, mais dedicação ela recebe por parte de todos os envolvidos no processo de registro, ou seja, músicas mais rudimentares (como Pop & Rock), por si próprias não apresentam toda uma riqueza sonora, que consequentemente não exigem um refinamento de gravação. Quando passamos para música um pouco mais elaborada, como o Jazz & Blues, torna-se necessária uma maior atenção por parte da equipe responsável pelo seu registro, pois os detalhes melódicos passam a ter importância. Ao chegarmos à música Erudita (Clássicos & Óperas) então, é imprescindível todo um cuidado para que seu registro seja melhor possível.

O que acabei de expor, é uma regra geral, mas não uma lei absoluta, pois da mesma forma que existem inúmeras gravações de má qualidade, mesmo em se tratando de obras eruditas, podemos encontrar algumas boas gravações no gênero pop ou rock.

Quanto mais elaborado for o gênero musical de sua preferência, mais sofisticado deve ser seu sistema de áudio.


AS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS NÃO SÃO INDÍCIO DE MUSICALIDADE.

Matemáticos de plantão, costumam se basear em especificações técnicas para afirmarem uma série de equívocos como verdade absoluta. Desconhecem que a música não é composta só das freqüências fundamentais???, mas também de harmônicos???, que nos proporcionam toda uma agradável sensação de escutá-la e, ao contrário, nunca ouvi ninguém dizer que aprecia escutar um gerador de sinais...

O que desejo afirmar com isso, é que a musicalidade de um equipamento não pode ser medida, embora a especificação técnica de um determinado aparelho possa se apresentar em grandezas fabulosas, não necessariamente este equipamento será melhor ou, principalmente, mais musical do que outro com especificações mais modestas.

Como exemplo podemos citar o CD, que quando de sua criação, baseando-se em suas especificações, foi divulgado como “som perfeito”. Matematicamente correto, sua resposta de freqüência, por exemplo, abrange todo nosso espectro auditivo, indo dos 20Hz aos 20KHz, mas na prática mostrou-se insuficiente, pois apesar de ouvirmos, teoricamente, só até 20KHz, os harmônicos das freqüências acima se fazem necessárias para uma audição agradável. Mesmo caso ocorre quando da reprodução das baixas freqüências, onde todos sabemos que um subwoofer que (realmente) responda à partir dos 20Hz, apresenta um desempenho melhor do que outro que responda somente àpartir dos 40Hz, mesmo que ambos forneçam potência idêntica e sendo comparados em um mesmo ambiente que, teoricamente, não tenha dimensões suficientes para a propagação completa do comprimento de onda nesta freqüência.

Novamente, matemática não é música!

Sempre levando em conta que o mais importante é a música, não devemos nos contentar em ouvir música e sim, desenvolver o hábito de ESCUTAR MÚSICA. Tentando reproduzi-la da melhor forma possível, poderemos desfrutar do prazer de apreciarmos todos os detalhes & nuances de uma boa obra musical por longos períodos."

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