IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 24/11/2010
 

Wesley e a Reforma Litúrgica (Duncan Alexander Reily)

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(Este artigo saiu publicado no Jornal EXPOSITOR CRISTÃO da l.a quinzena de maio de 1975)

O Movimento Metodista é considerado, não raro, uma “Reforma”. Não foi, porém, uma contestação das doutrinas anglicanas. É verdade que Wesley entrou em conflito com alguns ministros por causa da sua insistência em pregar a justificação só pela fé, mas ele pôde facilmente justificar sua posição pelos Trinta e Nove Artigos de Religião e as Homilias, os fundamentos oficiais da doutrina anglicana. Nem tampouco almejava uma reforma substancial da forma de culto. Nunca cogitou de um novo ritual para os metodistas da Inglaterra; e quando fê-lo para os metodistas americanos, ele preparou um ritual quase idêntico ao do Livro de Oração Comum, apenas um pouco simplificado. Na realidade, Wesley insistia que a essência da Igreja consistia na sua doutrina e culto, sendo que os metodistas estavam de pleno acordo com a Igreja Anglicana em todos os dois.

Mesmo correndo o risco de simplificar demais, podemos dizer que o desígnio de Wesley era que os Anglicanos, muitos dos quais já tinham a “forma da santidade”, também adquirissem o seu “poder”; e que as massas que viviam uma vida de ateísmo prático (aceitavam intelectualmente a existência de Deus, mas viviam como se Ele não existisse e nem agisse) viessem a conhecer um Deus vivo e atuante na história e nas suas próprias vidas. Não introduziu uma nova doutrina, mas queria que a justificação pela fé, doutrina central do Protestantismo, fosse tanto pregada como experimentada pelo povo, trazendo paz e alegria e uma nova vida de vitória sobre o pecado. Nem tampouco elaborou uma nova maneira para o povo adorar a Deus; mas ele entendeu que o povo de Deus, quando adorava em espírito e em verdade, também estava se aparelhando para ser uma comunidade de serviço e testemunho. Isto é, a verdadeira adoração estava estreitamente vinculada à missão.

Wesley Fazia Nítida Distinção entre Evangelização e Culto
Dois dos mais típicos aspectos do metodismo antigo servem para assinalar a clara distinção que Wesley fazia entre culto e evangelização. O primeiro é o emprego de Pregadores Leigos, uma das mais importantes e chocantes inovações metodistas. O próprio João Wesley reagira fortemente quando recebeu a notícia de que Tomás Maxfield, seu “filho no evangelho”, ousava pregar, sendo apenas leigo. Mas quando Wesley seguiu o sagaz conselho da sua mãe Suzana e ouviu a pregação do jovem leigo, ele se convenceu que realmente era “do Senhor”. A justificação imediata desta inovação era os frutos: homens e mulheres se despertavam e se convertiam. Isto só poderia acontecer com a ajuda do próprio Deus e, naturalmente, mostrava o seu agrado. Mas haveria apoio para a pregação leiga na Bíblia? Ao examinar as Escrituras nessa perspectiva, Wesley surpreendeu um ministério ordinário, o sacerdotal, que ministrava ao altar, e um extraordinário, o profético, que Deus levantava segundo o seu querer, para apregoar a sua mensagem. Não seriam os pregadores leigos ministros extraordinários, levantados por Deus para pregar sua palavra com denodo e coragem? Não faltava na Inglaterra quem cuidasse do altar (ministrando os sacramentos e cuidando da vida paroquial); o que faltava era uma nova estirpe de ministério, o ministério extraordinário dos pregadores que chamaria a Inglaterra ao arrependimento e buscaria aqueles que a Igreja havia negligenciado, particularmente a nova classe dos operários, criada pela nascente Revolução Industrial. A obra primordial destes Pregadores Leigos era essencialmente profética, o ministério da palavra, e não sacerdotal, o ministério do sacramento. Em outras palavras, sua tarefa específica era evangelização, não culto.

O segundo aspecto é a pregação ao ar livre. É fato notável que os metodistas evangelizavam ao ar livre, não nos templos. Jorge Whitefield havia iniciado esta inovação nos arredores de Bristol, em 1739. Por motivo de uma viagem projetada, Whitefield chamou João Wesley para substituí-lo nesse mister. Wesley relutou muito a aceitar tal inovação, chegando a declarar que considerava quase um pecado alguém se converter a não ser na Igreja. Mas finalmente, consentiu em tornar-se “vil” como escreveu no seu Diário, e foi pregar aos mineiros que saíam das minas de carvão. Assim iniciou-se uma das práticas mais típicas do metodismo, a pregação ao ar livre, o método evangelístico principal do metodismo wesleyano. Era uma reunião inconfundível; sua finalidade evangelística era bem patente. Havia, é claro, elementos de culto — proclamação da Palavra, cânticos, orações, etc. Mas era também informal, sem liturgia fixa, mui distinto daquilo que acontecia em um templo anglicano. A pregação “nos campos”, claramente não era encarada como culto; era essencial e intencionalmente Evangelização.
Wesley cria que a Igreja Anglicana a cujo ministério pertencia, estava muito mais bem aparelhada para realizar o culto do que para a evangelização; daí, naturalmente, a contribuição dos Metodistas seria muito mais no setor da evangelização. Muitos endossam o testemunho de J. C. Ryle sobre o evangelista Whitefield: “Creio que nenhum inglês, morto ou vivo, jamais o igualou”. Também revelador é o fato que os obreiros metodistas não eram chamados “ministros”; eram chamados, e realizaram a obra de, “pregadores”. Justificavelmente, a pregação do itinerante metodista se tornou quase proverbial. Esta ênfase, correta em si, tem levado ao quase esquecimento de um outro fator que tem que ser visto paralelamente, para evitar um trágico desequilíbrio. Os metodistas eram exímios evangelistas; nem por isso desprezaram o culto formal!
“Sociedade Metodista” e Igreja Anglicana no Tempo de Wesley

Os irmãos João e Carlos Wesley, Jorge Whitefield e os pregadores metodistas em geral conseguiram despertar e converter muitos através das suas pregações ao ar livre. João Wesley, por exemplo, costumava pregar ao ar livre diariamente, às 17 horas, com resultados impressionantes. Destes despertados e convertidos, Wesley nunca formou nem uma denominação e nem congregações, na acepção exata destes termos. Ele próprio, ministro anglicano desde 1725 até a sua morte dois terços de século depois, sempre via o movimento como dentro da Igreja Anglicana. Os membros das sociedades “Metodistas” eram, na sua maioria, também anglicanos. Para eles Wesley proporcionava atividades visando sua edificação e conversão. Mas, para Wesley, havia uma clara distinção entre estas atividades de sociedade e o culto anglicano, sendo que este só se fazia nos templos anglicanos. Pelo menos do ponto de vista de Wesley, nunca houve a ideia de que as atividades metodistas substituíssem o culto. Senão, vejamos.
l) Tudo que passava nas sociedades era suplemento, e não a essência do culto. Para o culto e sacramento, era costume de Wesley levar os metodistas para a Igreja Anglicana mais próxima.

Embora mui valiosas, as atividades não serviam de substitutas do culto formal conforme o ritual do Livro de Oração Comum. Embora o serviço metodista fosse uma espécie de “culto”, não sobrepujava o Culto Anglicano. Pois, para Wesley “… ele pressupõe o culto público anglicano, como os sermões na Universidade. Se pretendesse substituir o Culto Anglicano, seria essencialmente defeituoso, pois raramente contém as quatro grandes partes de culto público, deprecação, petição, intercessão, e ação de graça”. (Obras de Wesley, VIII,…321-22).

2) Por isso, Wesley não permitia que os trabalhos metodistas fossem feitos nas horas do culto das Igrejas Anglicanas. Não pretendia apenas evitar assim conflito com os párocos (aliás seus colegas) , mas assim fazendo, enfatizou que o culto por excelência era aquele feito na Igreja Anglicana; as atividades metodistas eram de natureza complementar. É claro que muitos dos pregadores metodistas eram leigos, portanto não habilitados a ministrarem os sacramentos. Mas nem o próprio Wesley, presbítero da Igreja Anglicana e com plenos direitos nesse sentido, ministrava os sacramentos nas sociedades metodistas. O local próprio para culto e sacramento era um templo anglicano!
3) As diversas atividades metodistas — os cânticos, a pregação expositória de madrugada, a festa de amor, as vigílias mensais, o culto de renovação do pacto e outros — constituíam meios para enriquecer o culto tradicional, proporcionavam variedade ao lado do formal, eram “novas formas” empregadas sem derrubar e mesmo sem tentar derrubar as velhas. Mas embora gostasse e usasse o novo, Wesley não chegou a desprezar ou a negligenciar o velho!

4) Em resumo, o “arroz e feijão” da adoração metodista, ao ver de Wesley, era o culto na Igreja Anglicana, feito de acordo com o Livro de Oração Comum. Após quase meio-século de atividades Metodista, Wesley podia ainda declarar: “Creio que não exista Liturgia no mundo, em língua antiga ou moderna, que exale uma piedade mais sólida, bíblica ou racional, que a da Oração comum da Igreja da Inglaterra”. (Obras de Wesley, XIV, 304) A “mistura” para acompanhar e dar uma certa variedade e sabor especial era fornecida pelas Sociedades Metodistas. Eliminar o culto formal anglicano resultaria, inevitavelmente, em uma experiência incompleta, um culto essencialmente defeituoso.


O Plano de Wesley para os Metodistas Norte-Americanos
O Metodismo nascera espontaneamente no meio das colônias inglesas do Novo Mundo. Quando as sociedades metodistas que ali surgiram pediram obreiros, Wesley prontamente atendeu ao pedido. Assim se transplantou o metodismo para a América colonial quase nas vésperas da Revolução Americana, que tornou os Estados Unidos politicamente independente da Inglaterra. Quando o pequeno grupo de metodistas americanos (uns 15.000), politicamente independentes, resolveram formar uma Igreja também independente da Igreja da Inglaterra, Wesley preparou um ritual para a Igreja nascente (1784). Adaptou ligeiramente o Livro de Oração Comum à condição americana. Ele enviou esta liturgia com o Dr. Tomás Coke, o qual havia ordenado como o superintendente para a Igreja Metodista na América, dando-lhe a seguinte orientação: “Preparei uma liturgia que pouco difere desta da Igreja da Inglaterra (que considero a mais bem constituída igreja nacional do mundo) que aconselho que todos os itinerantes usem no dia do Senhor, em todas as suas congregações, lendo a litania só nas quartas e sextas-feiras, e orando ex-temporaneamente em todos os demais dias. Também aconselho que todos os Presbíteros ministrem a Ceia do Senhor todos os dias do Senhor”.

Em outras palavras, na América também, o culto mesmo dos metodistas seria um culto quase idêntico ao do Livro de Oração Comum. Antes da Revolução, os pregadores levaram os metodistas às Igrejas Anglicanas para o sacramento e, às vezes, para o culto. Merece destaque que, antes da Revolução, Wesley não havia feito nenhuma previsão para os metodistas tomarem o sacramento às mãos dos seus próprios pregadores, nenhum dos quais era ordenado, portanto nenhum era habilitado a ministrar nem batismo e nem Santa Ceia. Só após a independência da América e a impossibilidade dos metodistas receberem mais os sacramentos às mãos dos ministros anglicanos, é que Wesley tomou os passos para que o Culto em estilo anglicano e ainda a Ministração dos sacramentos fossem feitos nas congregações metodistas.

Não é culpa de Wesley que os seus filhos espirituais na América não seguiram a sua orientação. É verdade que a constituinte da Igreja Metodista Episcopal, por ocasião da célebre “Conferência de Natal” (1784) formalmente adotou a liturgia de Wesley. Uma segunda edição desta liturgia, conhecida como a “Sunday Service” (Culto Dominical) foi também publicada em Londres, em 1786. Estranhamente, após 1786, a Igreja Metodista Episcopal não publicou novas edições. Ao invés disso, resolveu simplesmente suprimir a liturgia do “Sunday Service” e publicar os ritos sacramentais e ofícios ocasionais, bem como os Artigos de Religião, da Methodist Discipline de 1792, prática que vem repetindo até o dia de hoje. Os Metodistas americanos criam que eles, no local, entendiam melhor do que o velho Wesley poderia entender à tão grande distância, o que era melhor para a situação americana. Esta atitude, embora compreensível, privou os metodistas americanos de um livro de culto e resultou no empobrecimento do seu culto como tal.
Portanto o Metodismo Americano se tomou uma Igreja sem livro de culto, pois repudiou a sua própria tradição e rejeitou os conselhos específicos do seu fundador, João Wesley. Mas se o povo metodista, liturgicamente falando, era um povo de “lábios impuros”, ele habitava no meio de um povo de “impuros lábios”. Os Presbiterianos americanos, tendo uma rica tradição de culto através de Calvino e Knox, formalmente adotaram o “Diretório” como seu livro de culto, ao constituírem seu sínodo, em 1729. Adotaram-no, no entanto, só “até onde as circunstâncias permitem e a prudência cristã exige”; decisões subsequentes os permitiram a quase abandonarem o seu livro de culto. Os Alemães na América, apesar do respeito profundo de Lutero pela liturgia, ressentiam a influência do pietismo e racionalismo, que tinham afetado radicalmente o seu culto. O historiador Wentz diz que até 1870, não havia nenhuma liturgia na América digna da Igreja Luterana (The Lutheran Church in American History, p. 305). Esta tradição de um metodismo sem livro de culto (e por que não dizer um cristianismo americano sem livro de culto) inevitavelmente acompanhou os missionários americanos ao Brasil.

O itinerante metodista do século XIX geralmente é tido como um homem que vivia na sela e que carregava no alforge três livros: Bíblia, Disciplina Metodista, e Hinário Metodista. Tinha vergonha de usar um livro de culto ou ler uma oração. Pedro Cartwright, mui conhecido itinerante metodista, escreveu na sua Autobiografia que o povo da fronteira queria um pregador que poderia ficar em pé em frente do povo e “sem manuscrito, citar, expor, e aplicar a Palavra de Deus aos corações e consciências” dele. Quando, muito mais tarde, os Metodistas resolveram reeditar uma adaptação do “Sunday Service” de Wesley, não conseguiram desfazer a influência de quase um século sem ele. O culto metodista, com honrosas exceções, continuava a ser muito pobre liturgicamente, centralizado no sermão e nos hinos wesleyanos.

Há, porém, um fato da mais alta significação que geralmente tem passado desapercebido pelos metodistas brasileiros. É que o primeiro missionário metodista oficialmente enviado ao Brasil após a Guerra Civil nos Estados Unidos, o Rev. John James Ransom, traduziu e mandou publicar um livro de culto que era, em essência, o “Sunday Service” de Wesley! Este livrinho, que o Dr. Carl Hahn mostrou ao autor do presente artigo, foi publicado por Ransom em 1876. Ele contém o Culto Dominical, o Ritual, as Regras Gerais e os Artigos de Religião.

Eis a apresentação do Compêndio Metodista, nas palavras do próprio Ransom:
“Algumas palavras a respeito d’esta collecçao de orações, que é quase uma simples revisão do livro de Oração Commum da Igreja Anglicana…Junta com esta collecçao no inglez, publicou-se a autorização da Igreja Methodista Episcopal do Sul, e a última parte do Prefácio official reza: “O Culto Dominical reimprime-se para qualquer congregação que queira usa-lo, mas não é obrigatório”… Em muitos logares tem-se espalhado numerosos exemplares das Escrituras Sagradas, e há muitos que desejam um culto simples, racional, puro e agradável a Deus. Há logares onde não visitou pregador algum, e onde comtudo há quem deseje um Culto Dominical em língua intelligivel. A todos esses fazemos a seguinte Proposta.

Onde houver em qualquer cidade, villa, aldeia, ou vizinhança, dez pessoas que se comprometiam a congregarem em um logar conveniente, de manhã, ou de manhã e de tarde, nos domingos, obtenham este livro, e uma dellas faça as vezes de ministro, dizendo no competente logar as partes, que lhe pertencem e as outras dando as respostas, e juntamen- te com a primeira, fazendo as confissões geraes, etc.

Creio que estas formulas são claras, de modo que ninguém deixe de comprehender tudo o que n’ellas há, mas si suscitar-se qualquer dúvida na intelligencia de alguém sobre o que vai escripto, queira escrever-me, ou informar-me, e farei o possível para dar as explicações precisas.

Em todos os legares onde fizerem uso d’este livro, peço que me escrevam sobre o facto, e farei esforços para ajudar-lhes a comprehender não só a letra, mas também o espírito do culto divino”. (Do “Prefácio”, págs. 4-5).

Ainda, na Parte III do Prefácio, Ransom explica que o “Presbytero” é quem ministra os ‘sacramentos, faz casamentos, e admite pessoas à comunhão da Igreja. Ainda faz duas significativas declarações sobre o Batismo. Ele declara que o batismo infantil não significa que os metodistas crêem na regeneração batismal. E ainda, “Reconhecemos como verdadeiro o batismo feito em nome da Santa Trindade, assim como seja o da Igreja Romana, ou de qualquer organização protestante, mas no caso de um romanista, querer ser batizado de novo, o batizaremos”.

Que conclusões são legítimas, consoante o que foi apresentado acima?
1) A distinção de Wesley entre Culto e Evangelização leva o metodismo hodierno a pensar em dois tipos bem distintos de “trabalhos”. O culto de adoração, em que se esperaria a participação de toda a comunidade ou congregação, poderia ser o culto matutino, baseado em uma liturgia digna e atualizada, inclusive com subsídios semanais preparados por um grupo de peritos. Claro que pessoas não membros não seriam excluídas, porém, o culto visaria, primordialmente, os membros.

Uma vez que temos, na maioria das Igrejas Metodistas, ministros ordenados, o desejo de Wesley de que a Santa Ceia fosse ministrada dominicalmente, também se torna viável. (Diga-se de passagem que Calvino também quis instituir o sacramento semanal em todas as igrejas de Genebra, sendo frustrado nesse plano pelo Conselho). Tendo feito provisão adequada para o Culto de adoração para os fiéis, não se deve ignorar o imperativo e as oportunidades para evangelização. Se seguirmos o exemplo do metodismo wesleyano, faremos isto em cultos especialmente orientados para a evangelização. Culto de evangelização poderia ser o culto vespertino do domingo, sábado à noite, ou em outra ocasião quando fosse possível reunir os interessados.
2) A insistência de Wesley de que os metodistas tivessem uma liturgia adequada, nos adverte de que estamos muito tardios em adotar, para o uso em todas as igrejas metodistas, algo parecido com o “Sunday Service” de Wesley. Para Wesley e os metodistas até quase o fim do século XVIII, isso não era optativo; o culto metodista era o culto do Livro de Oração Comum. Os metodistas americanos, após rejeitar o “Sunday Service”, reimprimiram-no, mui timidamente, dezenas de anos mais tarde, sem tornar o seu uso obrigatório. Este mesmo livro, vertido para o português, Ransom o trouxe para o Brasil e o ofereceu aos grupos isolados de crentes como uma ajuda para o seu culto dominical. Um outro fator deve ser acrescentado como, possivelmente, um acontecimento providencial. Pela primeira vez na história da Igreja Metodista no Brasil, os Cânones foram publicados sem o Ritual. O Conselho Geral, em 21 de fevereiro de 1975, tomou a seguinte deliberação:

Considerando,
1 — A necessidade de dotar a Igreja de novo Ritual, impresso em separado dos Cânones;

2 — A impossibilidade de termos o novo Ritual em condições de uso antes de, pelo menos, um ano;

Resolve:
Manter em vigor, até data a ser anunciada, o Ritual constante dos Cânones de 1971 (Expositor Cristão, 2a Quinzena de fevereiro de 1975—pág. 9).

Esta solução foi implementada por um pedido à Comissão Geral de Liturgia para preparar este novo Ritual. Será que não chegou a hora de os metodistas brasileiros reconhecerem e honrarem a sua herança litúrgica e adotarem agora um livro de culto teologicamente atual e socialmente adequado?

3) Lembrando a grande variedade de experiências e práticas do metodismo antigo (como festa de amor, vigílias, culto de renovação do pacto, etc.), ao lado de uma rica experiência litúrgica na Igreja Anglicana, não estará o metodismo brasileiro desafiado a desenvolver novas formas de culto, talvez para grupos específicos (por idade, por interesse, por profissão) que não substituirão e, sim, complementarão a liturgia, com vantagens?

4) Observando esta mesma criatividade e flexibilidade do metodismo antigo, não estamos sendo desafiados também a questionar a ideia comum que “forma” significa “frio”? Há formas que todos usam, que fazem parte da rotina da comunicação social, que podem ser frias e inexpressivas, ou podem comunicar uma amizade autêntica e um verdadeiro entusiasmo. O amigo leitor já notou como a saudação “pentecostal” às vezes se torna tão formal que a expressão “a paz do Senhor”, rapidamente falada, muito pouco comunica? Pelo contrário, a simples saudação secular, “bom dia”, se dada em tom de voz vibrante e acompanhada de um sorriso amigo, realmente comunica muito mais! Não é a repetição em si que torna as formas inexpressivas. Quantas vezes já repetimos a forma invariável do Salmo 23, mas ele nunca perdeu a sua validade! Em parte, este Salmo é precioso para nós exatamente por causa da sua constante repetição. Também há uma “forma” de oração que os cristãos ao redor do mundo usam (o “Pai Nosso”) que pode ser mera repetição sem qualquer pensamento ou participação real; mas quantas vezes o Pai Nosso, quando sinceramente orado, tem sido a oração mais significativa e autêntica! Sabe-se que os cristãos na era apostólica usavam um credo simples, em “forma” invariável: “Jesus é Senhor”. Formal, sem dúvida; mas expressivo da exaltação de Jesus acima de todas as autoridades religiosas e políticas e a respectiva submissão dos discípulos a este Senhor!

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