IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Política eclesiástica, episcopado...
Rio, 30/3/2011
 

Bispa Marisa não será reeleita!!!! (Rute Noemi)

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Desde o início do burburinho pré Concilio Geral, nas rodas de conversas sobre o assunto, nos emails trocados, em bate-papos com amigos metodistas, ouço a frase acima. E fico deveras intrigada e mexida enquanto mulher, quando a ouço e me pergunto: por que a bispa Marisa não será reeleita? Quem levantou tal afirmação? O que está por trás dessa fala? Que discursos subliminares ou que interesses e de quem geraram essa frase? Qual a sustentação político eclesial dessa fala?

Jamais ouvi qualquer coisa que desabonasse a bispa Marisa a respeito do exercício de seu episcopado. Mesmo não sendo da Região que a bispa superintende, não duvido que ela tenha cometido falhas como episcopisa, mas creio piamente que nenhuma delas colocou em risco ou ameaçou o seu mandato, até porque caráter e dignidade saltam aos olhos em sua pessoa e em seu proceder.

Então, meu olho de mulher me diz que há um ranço de machismo e falsa moralidade presentes no boato levantado: a bispa Marisa não será reeleita porque separou-se do marido! Não, dirão muitos e muitas! Não é nada disso, é porque a bispa Marisa.... Por que o quê? Que fez ela de grave para que não seja reeleita????

Fiquei muito indignada quando de sua separação, pois ouvi aqui no Rio de Janeiro, muito longe de onde ela mora, frases e comentários indelicados e desnecessários a seu respeito, mas não ouvi nenhum a respeito do ex marido dela. O que sabemos ou podemos falar da intimidade do casal? Quem disse que ela foi a responsável pela separação? Até quando vão colocar sobre os ombros da mulher a culpa e responsabilidade sobre o fracasso das relações???? Até quando alguns homens da Igreja vão continuar com uma moralidade tacanha e farisaica que criminaliza as mulheres e as mantêm em posição de subalternidade?

Dias desses, ouvi da boca de uma irmã metodista que uma líder das mulheres da Igreja está pensando em que mulher indicar para ser bispa, mas que seja uma que não se separe do marido... Lamentável. Essa fala denota a prisão em que algumas mulheres se encontram!

Claro que eu gostaria muito que a bispa Marisa estivesse casada e feliz. Tenho certeza de que ela também gostaria que isso estivesse acontecendo, mas a sua separação não desabona o seu caráter e muito menos a incapacita para o episcopado! Precisamos avançar nessa questão, senão, enquanto Igreja, não daremos conta de ter casais saudáveis e ajustados, mas sim, enquadrados numa moralidade que se sustenta na institucionalidade.

Há outro aspecto que creio, está intrinsecamente ligado à questão acima e que precisamos maturar: por que temos apenas uma bispa em nossa igreja, se somos, enquanto mulheres, absoluta maioria???? Por que não temos paridade??? Por que não elegemos quatro bispos e quatro bispas? Ah, você vai dizer: mas não temos mulheres aptas para tal! Não???? Quem disse que não????? Esse discurso está impregnado de ranço machista: há, sim, entre nós, inúmeras presbíteras competentes que podem assumir o episcopado. Cabe a nós arejarmos nossas mentes com o vento renovador do Espírito Santo e avançarmos nessa questão: se não há entre nós, nem judeus nem gregos, nem homens nem mulheres, mas todos um em Cristo, não podemos mais manter essa lógica de supremacia masculina em nossa liderança, sendo nós maioria na Igreja.

E por favor, não me venha com o argumento de que isso não acontece, de que na Igreja temos igual direito, que não é verdade! Infelizmente, nós mulheres acabamos aceitando resignadamente esse discurso e sustentamos essa situação. Achamos que não podemos, que não há mulheres capazes entre nós e reafirmamos uma estrutura sexista na Igreja.

Triste é saber que no Rio de Janeiro, há sete pastores fazendo campanha abertamente para o episcopado e não há nenhuma mulher entre eles!!!! Poder é coisa para homem? Por que não há nenhuma mulher fazendo campanha ? O que nos move enquanto mulheres? A resignação? Ou uma postura aberta, de união entre nós para elegermos mais mulheres para o episcopado? Poder é substantivo, mas também é verbo!!!! Eu posso, nós podemos. Mulheres e homens podem. Eles já sabem disso há mais ou menos oito mil anos de patriarcado, agora é a nossa hora de poder!!!! E não achemos que isso nos será dado, mas, sim, conquistado!

É mais triste e doloroso ainda saber que na Quinta Região não há uma só mulher delegada ao Concílio Geral! Inadmissível tal coisa! Teremos que garantir o sistema de cotas em nossa igreja? Ou já não temos uma ‘norma’ sacramentada de igualdade entre nós, fundada na teologia paulina????

Por isso coloco aqui minhas inquietações: precisamos, enquanto mulheres, tomar atitudes que sejam justas e igualitárias e não ficarmos mais repetindo uma forma de fazer política que favoreça apenas o gênero masculino. Precisamos ainda parar de achar que fazer política não é coisa de cristão! Jesus, o nosso irmão primogênito, que respeitou e andou com as mulheres durante seu ministério, não morreu atropelado por um camelo, mas, sim, passou por dois julgamentos, ou seja, sua morte, no aspecto meramente humano, foi fruto da vontade política do povo e da liderança política que lavou as mãos!

Nós, mulheres, devemos pensar, sim, em nomes para ocupar o episcopado, e mais: aprovar em concílio que haja paridade no número de bispos e bispas. Todos cresceremos com isso! Principalmente os homens, que, infelizmente, sacramentaram uma forma de fazer política, inclusive a eclesiástica, onde as mulheres acabam sendo preteridas no seu valor porque têm uma forma mais amorosa e ética de ver o mundo. E o mais importante: que o nosso fazer político seja referenciado pelo nosso jeito de ver a vida como mulheres, e não repetindo uma forma já colocada que não tem dado muito certo.

E conclamo a você: não deixe que a bispa Marisa seja afastada do episcopado só porque está separada do marido. Isso seria feio demais para um povo conhecido como o povo do coração aquecido, onde a compaixão e a solidariedade são consequência desse aquecimento...

Quero lhe dizer que embora conheça a bispa Marisa desde a minha infância (a família dela se converteu quando meu pai foi pastor em Teófilo Otoni, MG), não participo do seu dia a dia, e, portanto, não a defendo por questões pessoais ou de amizade, mas porque sou mulher e sei, na carne, o que é ser discriminada e penalizada moralmente por caminhos às vezes espinhosos que a vida nos conduz, e penso que seria uma crueldade ímpar não tê-la mais como bispa, por que seu casamento acabou. Mais que crueldade, isso seria atirar pedras, e já sabemos bem o que o nosso Irmão e Mestre disse sobre isso e sobre posturas farisaicas....

O fato é que, enquanto mulheres, não podemos mais deixar de dar a nossa contribuição efetiva na construção do Reino, que é impregnado de valores que, graças ao Pai, nós mulheres temos muita facilidade em manifestar.

Por favor, reflita sobre isso! Se você achou que esse texto de alguma forma pode contribuir para o nosso crescimento enquanto Igreja, passe adiante. Envie para suas irmãs e irmãos da Igreja, converse com @s delegad@s de sua Região, exponha seu desejo de termos mais mulheres no episcopado, enfim, manifestemo-nos!!! Façamos política sem medo, mas de forma ética, expondo os nossos reais desejos e lutando por uma Igreja mais saudável, onde a mulher seja, de fato, sujeito, tal como Jesus praticou e nos ensinou!

E que sejamos solidárias, totalmente solidárias umas com as outras. Chega dessa falácia de que mulher não é amiga de mulher! Isso é conversa pra nos dividir e reforçar o poder (substantivo) que alguém tem e não quer dividir conosco!

Abraços, afetos e afagos!
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Rute Noemi Souza, metodista desde o ventre de minha mãe, advogada, assistente social, seminarista, contadora de histórias, compositora, cantora, atualmente ‘pastoreando’ as crianças da Igreja Metodista de Jardim Oceânico, Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

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