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Vida Cristã
Rio, 10/6/2011
 

Importa obedecer a Deus do que a homens

Pr. Ronan Boechat de Amorim


 

O texto bíblico de I Pedro 2:13-14 exorta os cristãos a se sujeitarem a toda instituição humana, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades. O texto reafirma aqui o que já fora dito em Romanos 13:1-7: “toda autoridade vem de Deus”. Isso quer dizer, noutras palavras, que “o homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (João 3:27). O próprio Senhor Jesus diz a Pilatos, quando este último o interroga e arroga ter autoridade para prender ou soltar Jesus: “Você não teria nenhuma autoridade sobre mim, se não lhe fosse dada por Deus” (João 19:11).

Vemos I Pd 2:13-14 sinalizar que os que exercem autoridade devem ser instrumentos de Deus e da sua justiça e misericórdia: “...para castigo dos malfeitores” e “louvor dos que fazem o bem”. As autoridades (os que exercem poder) são (ou deveriam ser!) ministros (instrumentos, servos) de Deus para ajudar as pessoas, inclusive as pessoas cristãs, a fazerem o bem (Rm 13:4).

Se continuarmos a leitura de I Pd 2:13-14 vemos que há também uma outra importante exortação: “Comportem-se como homens e mulheres livres” (I Pd 2:16). Nós cristãos fomos libertados do poder do pecado, da morte, do diabo e do mal pelo Senhor Jesus e não devemos retornar para esse cativeiro jamais: “Vós já estais limpos pela Palavra que vos tenha falado!” (Jo 15:3). “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5:1). Como homens e mulheres livres, devemos respeitar as “autoridades”, honrando a todos, amando o próximo, temendo a Deus e respeitando o rei (I Pd 2:17), sem abrir não do caráter ou da consciência cristã colocados em nós pelo Espírito Santo. Assim, sujeição e consequente obediência às autoridades estão condicionadas à prática da justiça, da misericórdia, do amor, da santidade cristã.

Por isso vemos Pedro e João afirmarem por duas vezes às autoridades do Sinédrio (que os perseguem, prendem e os proíbem de testemunhar Jesus como Senhor e Salvador ressurreto): “Importa obedecer a Deus do que a homens” (At 4:19 e At 5:29).
Vemos que não se trata de um caso isolado de desobediência religiosa e civil, pois os verdadeiros homens e mulheres de Deus, particularmente os verdadeiros profetas do Antigo Testamento, desobedecem e confrontam às autoridades idolátricas que os fariam desobedecer a Deus. Os jovens Hananias, Misael e Azarias, escravizados com os nomes babilônicos de Mesaque, Sadraque e Abede-Nego desobedecem às ordens do rei Nabucodonosor para se curvarem diante de uma estátua que ele erigiu (Dn 3). Daniel desobedece a lei injusta chancelada pelo rei Dario que o impedia de orar a Deus (Dn 6:8-16). O profeta Micaías desobedece à solicitação do rei Acabe transmitida por seu mensageiro (II Cr 18:12-13 e 17). Os profetas Jeremias e Urias profetizam dura e sistematicamente contra o reino de Judá (Jr 23:1-4; Jr 20:1-2; Jr 26:20-24).

O próprio Senhor Jesus desobedece às leis equivocadas e injustas e às autoridades religiosas da religião judaica. Jesus cura no sábado como por exemplo em (Mt 12:1-14), come com pecadores, se torna amigo de gentios, não apedreja a mulher adúltera, chama os fariseus de hipócritas e pede que seus seguidores(as) se afastem de seus ensinos.

O poder das autoridades sobre os cristãos e a sujeição dos cristãos às autoridades (familiares, religiosas, civis, militares, políticas, etc) estão condicionadas a não transgredirmos a vontade de Deus, o Senhor dos senhores. Como cremos e afirmamos que só há um Deus (I Tm 2:5; Jd 1:25; Sl 86:10) e um único Senhor legítimo e Todo-Poderoso (Ef 4:5; 1Tm 6:15), todos os demais poderes, existem e se manifestam porque Deus os permite existir e manifestar. Mas certamente nem todo poder que existe é emanado de Deus e tem a legitimidade divina para existir; não cumprem os propósitos de Deus, não têm a aprovação de Deus, não representam a vontade de Deus. Deveriam ser instrumentos de justiça de Deus, mas não o são. Por isso precisam ser questionados, desobedecidos, confrontados, denunciados e combatidos.

As “autoridades” (cônjuges, pais, educadores, pastores/as, bispos/as, juízes, administradores, patrões, governantes, etc) que não usam o poder que têm para servir como despenseiros da justiça de Deus, mas que se servem do poder que dispõem e cometem abusos ou omissões que impedem a justiça, serão severamente julgados por Deus. “...Aquele que conheceu a vontade do seu senhor... nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. ...Àquele que muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lc 12:47-48.”

Homens e mulheres livres devem usar de discernimento e consciência crítica (I Jo 4:1) para distinguir o que é de Deus e o que é “de César”(Mt 22:21), pois o Reino (e governo e autoridade) de Deus não se confunde com esse mundo (Jo 18:36), não se confunde com nenhuma estrutura, autoridade, instituição desse mundo, inclusive a própria igreja. “César” e Deus são duas autoridades diferentes e geralmente se conflitam e se opõem. Sujeição e obediência acríticas não são de Deus: “Vede que ninguém vos engane!” (Mt 24:4), exorta-nos Jesus.

Além do mais, não custa lembrar, a sujeição às autoridades bem como a sujeição de uns aos outros (sujeição mútua), é “no temor do Senhor” (Ef 5:21), para testemunho do bem, para honra e respeito ao próximo (I Pd 2:17), para tratarmos com humildade e generosidade as pessoas que estão ao nosso redor, em nosso caminho e sob o nosso cuidado ou ao alcance de nossas mãos e orações para lhes fazermos o bem. Qualquer ideologia, filosofia, teologia ou doutrina que queiram quebrar a nossa comunhão de irmãos e irmãs, firmadas pelo Senhor Jesus, e nos hierarquizar como acontece no mundo que jaz no maligno, todas elas devem ser rejeitadas e denunciadas em nome de Jesus. No mundo sem Deus, no mundo de “César”, uns mandam e oprimem os demais, mas no povo de Deus não é assim. O maior, o que tem mais riquezas deste mundo, o que tem poder de qualquer tipo, “as autoridades”, são servos dos demais (Mt 20:25-28).

Toda submissão e obediência precisam ser críticas e fruto de consciência de alguém que seja livre, para a honra e glória de Deus. Sujeição absoluta e obediência inquestionável somente a Deus e a ninguém mais. Realmente importa obedecer sempre e em todo tempo a Deus. O resto a gente olha, reflete à luz dos evangelhos...

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