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Rio, 8/9/2011
 

O telejornalismo na construção da identidade social: os evangélicos em série especial do Jornal Nacional

Hideíde e Otávio Torres


 


Hideide Brito Torres, UFJF (1)

A identidade é um processo relacional. Ela se define a partir das diferenças e/ou associações que o indivíduo faz, ao longo de sua vida e, por conta disso, se torna mutável, não permanente e multifacetada. Muito embora o sujeito apresente discursivamente elementos que a ele soam como uma identidade pessoal, individual, particular, o próprio fato de ser relacional faz da identidade também (ou muito mais) o produto da coletividade, do social. Elementos como passado e futuro, família, amigos, nacionalidade e linguagem, entre outros, marcam a identidade do indivíduo e estão ligados a situações e questões fora dele mesmo, mas que o perpassam, e isso pode ser identificável nos discursos que ele faz acerca de si mesmo.

Na sociedade pós-moderna, é impossível tratar acerca da identidade e seus processos sem que a mídia e suas diversas configurações estejam presentes na análise e no contexto. Assim sendo, neste artigo, faremos uma revisão bibliográfica acerca dos conceitos de identidade, aplicando-os à realidade social dos grupos religiosos reconhecidos como evangélicos. A partir deste referencial teórico, faremos uma análise da série especial do Jornal Nacional, exibida de 26 a 29 de maio de 2009, para abordar a representação evangélica na série e algumas possíveis repercussões identitárias, bem como o papel fundamental da mídia, em particular a televisão e, nela, o telejornalismo, no processo da formação das identidades.

O crescimento deste segmento na sociedade, segundo o último censo do IBGE, bem como a participação cada vez maior nos meios de comunicação massivos como rádio, internet e televisão, as novas formas de apropriação da religiosidade por meio desses grupos, entre outros fatores, tem sido objeto de interesse de diversas ciências, para além daquelas ligadas à religião, tais como a Sociologia, a Psicologia e também a Comunicação.

Existem uma série de denominações religiosas cristãs que se enquadram numa definição do senso comum do que seriam os evangélicos. Isso, a grosso modo, significa, no universo cristão, quase que exclusivamente o indivíduo não-católico. Ressaltada a evidente esteriotipização e redução dessa definição, ela nos serve de ponto de partida para marcar as características da identidade social ou coletiva que se forma em torno dos aspectos religiosos desses grupos sociais.

Considerando a variedade das experiências religiosas tidas popularmente como evangélicas, cabe ainda ressaltar que:

A identidade evangélica não é tida como um dado natural e imutável, caracterizada por cristãos herdeiros da Reforma, que não acreditam em santos, que não cultuam imagens, que não aceitam mediação entre o ser humano e Deus, por exemplo. A identidade evangélica é, sim, tomada como algo que se constitui de forma relacional. O sentimento de pertença precisa ser renovado todo dia, a cada culto, a cada oração, a cada confronto com aquele que possui uma crença diferente. No Brasil, ser evangélico significa, muitas vezes, não ser católico, nem espírita e nem umbandista. Num país de cultura católica, ser evangélico requer um constante aprendizado, feito, dentre outras coisas, por meio de produtos de mídia. Por outro lado, é preciso ter cuidado ao lidar com uma suposta dicotomia entre "evangélicos" e "não-evangélicos", pois, da mesma forma que o protestantismo é caracterizado pela diversidade de denominações, a religiosidade dos não evangélicos é múltipla. Com a pluralidade de crenças, o trânsito religioso faz parte da constituição da identidade religiosa de muitos brasileiros: "já que as pessoas possuem religiões e não vice-versa, a identidade religiosa é uma trajetória que pode incluir idas e voltas" (BELLOTTI, 2004)


Identidade coletiva e a noção de comunidade

Os seres humanos manifestadamente denotam seu desejo por um senso de pertencimento. Tal pertencimento se dá, em grande medida, pela capacidade discursiva de estabelecer elos entre os diversos indivíduos, discursos agregadores que lhes permitem uma ancoragem, particularmente no contexto da sociedade pós-moderna e seu constante e ininterrupto movimento e fragmentação. A identidade social, portanto, “é a representação que um indivíduo dá de si mesmo por pertencer a um grupo (...) Trata-se de um processo social dinâmico, em contínua evolução, que se constrói por semelhança e oposição” (MACHADO E KOPITTKE, 2002).

Isso significa que um grupo de indivíduos constrói, a partir de ideais, discursos, rituais ou práticas partilhadas, uma ideia de comunidade. Esse conceito possui diferentes conotações, conforme a diversidade dos autores que o analisam. Aqui, ficamos com a definição de Leal, para quem “a imagem de comunidade, grosso modo, é a de um grupo de pessoas vinculadas umas às outras por tradição e laços de solidariedade” (...), bem como a “comunidade seria uma forma de garantir a sobrevivência do grupo, ou seja, possibilitaria condições de vida a todos diante de duras circunstâncias, naturais ou não” (LEAL, 2006, p.183-184). Pertencer a essa comunidade tem, para o sujeito, a capacidade de dizer o que ele é – por associação aos demais do grupo e o que ele não é – pela alteridade em relação a outro grupo.

Entretanto, no contexto da Pós-Modernidade, a visibilidade do que seria alteridade e identidade vem sendo dificultada, a partir dos próprios grupos religiosos, devido a uma série de fatores que vêm sendo observado e estudado por diversos pesquisadores, em muitas áreas do conhecimento humano. Em geral, observa-se que

A dinâmica peculiar do campo religioso brasileiro está relacionada a vários fatores, dentre eles, a perda do monopólio das antigas tradições religiosas como as únicas produtoras de sentido, o trânsito religioso e a atomização da matriz religiosa. Todos esses elementos estão relacionados entre si. A quebra do monopólio de produção das grandes e antigas tradições religiosas permitiu, por um lado, que novos grupos se desprendessem desse meio, ao mesmo tempo em que proporcionou uma certa autonomia dos sujeitos religiosos. Neste processo, os sujeitos se sentiram mais livres para buscarem novas propostas mais adaptadas a sua realidade de vida presente. Dessa forma, surgiram novos grupos contestatórios das antigas identidades religiosas e que proporcionaram o desenvolvimento de novos grupos, baseadas em modelos que acompanhavam a pluralidade de práticas dos sujeitos religiosos e suas trajetórias de vida. Junto com isso há também uma difusão cada vez maior de grupos religiosos especializados em setores específicos da sociedade, “pulverizando” a antiga matriz de sentido religioso em uma infinidade de grupos diferentes que competem entre si: igrejas para skatistas, surfistas, celebridades do futebol e da TV, góticos. Mas ao mesmo tempo em que vão para mais perto de fatias específicas da sociedade desenvolvendo novas identidades, tais grupos religiosos se aproximam também de crenças e práticas que eram mantidas a distância umas das outras dentro dos grupos religiosos distintos. (MODES, 2007, p.16)

Nesse sentido, as mídias ocupam lugar de extrema importância nas novas configurações de identidade, não apenas individual mas também coletivas. Isso pode ser percebido, inclusive, no aspecto das novas espacialidades:
A identificação territorial, tradicionalmente vinculada à cidade e à nação, por exemplo, cede lugar hoje em dia a identificações de outra natureza, nas quais os meios de comunicação têm importância decisiva. (...) Nessas circunstâncias, os laços de fraternidade, de solidariedade se esvaziam ou se plurarizam ao extremo. (LEAL, 2006, p.184).

Apesar disso, persiste, ainda que fragilizada, a necessidade do indivíduo em ser parte do mundo, em pertencer a grupamentos sociais, sejam eles institucionais, profissionais, de interesses ou religiosos, entre outros. De fato,

Não só o sentimento de pertencimento, mas também sua auto-percepção como membro do grupo são as bases requeridas para a identificação social, propiciando assim uma orientação para a ação compatível com sua participação no grupo. A adesão ao grupo requer assim um pensar, agir e sentir-se como integrante, a fim de que todos tenham em comum uma mesma lógica de atuar nas posições sociais que ocupam (Sainsaulieu, 1977). A representação de um grupo é comum porque deriva de histórias vividas em comum e de saberes comuns. As crenças constituem a característica mental de um grupo e exprimem a experiência comum de seus membros. (MACHADO e KOPITTKE, 2002, p.4)

Por meio da televisão, os atuais grupos religiosos identificados como evangélicos experimentam uma nova espacialidade, na qual, mediados por imagens, também são capazes de “pensar, agir e sentir-se como integrante”. A pertença ao grupo se dá, agora, para além das dimensões geográficas do templo ou da comunidade imediata, aquelas do convívio cotidiano ou do encontro face a face nas reuniões e cultos. As histórias e os saberes comuns se dão no espaço midiatizado, quando o púlpito se torna a câmera e o templo é, ao mesmo tempo, o estúdio televisivo e a sala de estar do telespectador. A presença na mídia reforça a auto-estima pessoal e coletiva, o sentimento de pertença em relação ao grupo.

As séries especiais do telejornalismo e sua produção de sentido

O Jornal Nacional é, ainda na atualidade, o maior ponto de referência do telejornalismo brasileiro, no ar há 40 anos, desde 1969. Embora o enfoque da cobertura jornalística esteja no eixo Rio-São Paulo, o jornal se propõe a trazer para a tela a realidade do país como um todo. As reportagens diárias procuram trazer, em primeira mão, os assuntos de maior destaque no momento, traduzindo, assim, a característica pós-moderna da superficialidade, da cotidianeidade e da fragmentação, gerando visões parciais do todo pela incapacidade de aprofundar os temas para além da informação e entretenimento. Contudo,

Esporadicamente, o JN produz séries de reportagens especiais para tratar temas variados. As séries vão ao ar durante uma semana, em reportagens de 3 a 6 minutos de duração, com uma estrutura independente do jornal, em que os assuntos podem ser mais aprofundados do que em matérias comuns. As séries ora tratam de assuntos que estão em pauta em determinadas épocas como “Eleições municipais”, ora referem-se a macrotemas, como “Educação no Brasil”. Elas se caracterizam também por ter começo, meio e fim em cada reportagem, sendo desnecessário conhecimento prévio das reportagens anteriores, ainda que isso enriqueça a forma como o telespectador a recebe. (ROCHA, ALBUQUERQUE e OLIVEIRA, 2008, p.7)

Nesse formato, tem-se maior tempo para explorar o assunto dado, relativa liberdade em relação ao tema (não necessariamente precisa ser algo em foco no momento), novas perspectivas de aproximação e abordagem, maior elaboração na edição, explorando-se, desta forma também, as possibilidades de exercitar a dramaturgia no telejornalismo. As séries especiais contam com trilhas sonoras, vinhetas de abertura e “cenas dos próximos capítulos” numa estrutura que evoca as telenovelas, conforme Coutinho:

O formato série de reportagem, para utilizar o termo com que os apresentadores dos telejornais da Rede Globo anunciam este tipo de material jornalístico, se aproximaria de uma espécie de novela informativa, em que cada capítulo possibilitaria o aprofundamento de um tema ou aspecto da realidade retratado na TV. (...) É importante considerar aqui que a própria existência de uma vinheta já denota a importância atribuída ao tema pela emissora, na edição do telejornal. Isso porque a criação de uma vinheta envolve outros setores da emissora, como o departamento de arte, que é acionado pelos editores do telejornal que utilizará a marca, desenvolvida a partir de uma descrição do caráter da cobertura, emoção que se pretende destacar. (COUTINHO, 2008, p.4-5; 12).

Para esta autora, as séries de reportagens estariam próximas ao conceito de jornalismo interpretativo de Luiz Beltrão, pois apresentam um maior aprofundamento na abordagem das matérias. Possuem também maior ênfase didática em sua própria constituição, contando ainda com os recursos gráficos diferenciados, uma apreciação maior dos contextos e maior perenidade, uma vez que algumas dessas séries são disponibilizadas via web, bem como em pontos de vendas, em formato de DVD, como bancas de jornais, etc.

Para além de se potencializar o tempo de exibição, ampliado por meio da divisão da narrativa em capítulo, com a serialização das informações haveria uma maior adaptação destas às características da televisão como mídia. Consumidas em capítulos as reportagens seriam acompanhadas e aguardadas pelos telespectadores, aproximando-se de um consumo televisivo que já está incorporada ao seu cotidiano. (COUTINHO, 2008, p.11)

De fato, houve uma intensa mobilização por parte dos evangélicos quando da exibição da série em análise neste artigo. Foi possível acompanhar, em blogs e orkut, por exemplo, o anúncio de que a reportagem daquele dia seria sobre esta ou denominação à qual o fiel pertencia. Na análise deste material, tivemos conhecimento de telefonemas dados entre os fiéis para alertar sobre o assunto do dia, reuniões em casa para assistir às matérias, exibição das matérias em igrejas e encontros, e até mesmo o fato da rápida disponibilização no youtube, cerca de quarenta minutos após a exibição da matéria do dia, com inúmeros comentários sendo acrescidos em questão de horas!


Análise da série de reportagens sobre os evangélicos no Jornal Nacional

A série “Os evangélicos” foi exibida entre os dias 26 e 29 de maio de 2009, para abordar o trabalho social desenvolvido pelos evangélicos no País. Foram apresentados projetos sociais dos presbiterianos, assembleianos, batistas, metodistas, adventistas e luteranos. As matérias podem ser encontradas no site da Rede Globo, onde também se encontram os textos jornalísticos e outras informações relacionadas com a série. Na abertura da série, os apresentadores justificam o tema da seguinte forma:

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a população brasileira cresceu 15,5% entre os dois últimos censos, o número de evangélicos dobrou. Hoje, são cerca de 15% dos brasileiros. Como a maioria católica representa 73% da população, as obras da Igreja Católica são mais conhecidas.

A estrutura das reportagens mantém-se a mesma em todos os dias. Os âncoras recuperam o assunto e introduzem a igreja que será o tema do dia. A seguir, é exibida uma vinheta, na qual aparecem anônimos de mãos erguidas, passando uma ideia de que se trata de um momento cúltico. A seguir, aparecem duas pessoas dando-se as mãos (com close apenas nos braços delas), tendo ao fundo o sol. Em letras douradas, vem a expressão: “Os evangélicos”. As matérias são de autoria de Flávio Fachel, que atua desde 2000 como repórter especial da Rede Globo no Rio de Janeiro e foram produzidas por Tyndaro Menezes. A equipe viajou do Rio de Janeiro aos diversos locais onde as igrejas apresentadas promovem seus trabalhos sociais.

É interessante observar o tom emocional com que o repórter conduz o tema. As músicas de fundo são suaves, instrumentais, e o tom de voz adotado é um indicativo da esperada conexão com o telespectador. Há uma série de frases poéticas no decorrer do texto: “A harmonia dos sons vale por uma prece.” (26/05); “Vidas estacionadas nas calçadas, presas no beco escuro da indiferença” (27/05); “Jovens demais para ter lembranças que só existem em sonhos” (28/05); “A rua encantada construída com o cimento da fé no evangelho só existe graças à assistente social Gislaine Monteiro Freitas, coordenadora do REAME (28/05); “Uma lição de amor e solidariedade” (29/05).

Também se observa uma tentativa do repórter em estabelecer uma conexão com o telespectador evangélico por meio da linguagem, apropriando-se de termos utilizados comumente no discurso desses grupos. Na primeira reportagem, Fachel deixa a conclusão religiosa para a entrevistada, uma índia atendida na missão presbiteriana, mas a introdução da fala é clara nesta direção: (fala do repórter) Ensinar, aprender, proteger e ajudar. Na missão evangélica encravada no cerrado, são os próprios índios os primeiros a reconhecer... (fala da entrevistada) “Foi Deus que mandou a missão, tanto os caciques, os rezadores falam disso também”. Na segunda reportagem, o repórter faz uso de expressões como: “De ex-detento, o antigo capitão passou a ser salvador de almas”; na terceira, “o abençoado pão de cada dia vem pelas mãos dos integrantes da Igreja Batista” e “seguidores do Evangelho viraram pescadores de crianças”; “quem vive na prática os ensinamentos de Jesus” e na quarta, “Uma bênção que ecoa há 15 décadas”; “Nos corações, traziam uma fé incomum no Evangelho”.

Talvez para os não-iniciados na religiosidade evangélica, as expressões nada tenham de extraordinário, mas para esses grupos religiosos, são termos de uso constante, enraizados tanto nas tradições religiosas quanto na própria Bíblia. Desta forma, cria-se um vínculo intenso com os evangélicos, a ponto de, numa página de perguntas na internet, um/a telespectador/a do jornal perguntar se os repórteres são evangélicos:

A Rede globo, (pasmem) apresentou uma série de reportagens sobre o trabalho dos evangélicos no Brasil, e pela primeira vez (graças a Deus) uma reportagem verdadeira, isenta de preconceitos. Deus abençoe aqueles repórteres. Acho inclusive pela construção dos textos que são evangélicos. Flávio Fachel e William Torgano são os repórteres que produziram a matéria. Oremos por eles. Não somente por eles mas por todos que venham a ter conhecimento do Reino de Deus (sic) a terra. Gostei muito dos comentários de William Bonner e Fátima Bernardes depois de cada reportagem. Deus faz milagres. Aleluia! (grifo meu) (2)

De fato, “a linguagem enquanto discurso não constitui um universo de signos que serve apenas como instrumento de comunicação ou suporte de pensamento; a linguagem enquanto discurso é interação; e um modo de produção social” (BRANDÃO, 1998, p.12). Durante toda a série, cada vez que o repórter ou os âncoras usam a expressão “evangélico” o fazem de forma reforçada, quase que musicando a palavra, destacando-a no contexto. Desta forma, pretende-se que aquilo que será apresentado seja entendido como o ser evangélico – e não qualquer outra coisa – determinando, portanto, por meio das imagens e dos textos, o que seria a identidade evangélica na concepção global, isto é, elegendo uma representação da mesma:

É por meio da representação (...) que a identidade e a diferença adquirem sentido. É por meio da representação que, por assim dizer, a identidade e a diferença passam a existir. Representar, neste caso, significa dizer: “essa é a identidade”; “identidade é isso”. É também por meio da representação que a identidade e a diferença se ligam a sistemas de poder. Quem tem o poder de representar tem o poder de definir e determinar a identidade.” (SILVA, 2000, p.91).

Neste caso, trata-se da opção do reporter/da emissora por determinar quem é este evangélico cuja representação pretende estabelecer. Portanto, cabe aqui perguntar também pelas ausências. Quem são os evangélicos não-retratados? Que razões levam alguns grupos a estarem presentes na telinha global e outros não? As igrejas abordadas na matéria são as chamadas “históricas”: do protestantismo (Metodista, Batista, Luterana, Presbiteriana), do pentecostalismo (Assembleia de Deus) e, ainda, a Adventista que não encontraria classificação entre as anteriores, devido tanto a fatores históricos quanto teológicos que não cabem no escopo deste artigo. Mas é notória a ausência das neo-pentecostais, muito embora essas igrejas mantenham trabalhos sociais, como a Fazenda Canaã (Universal do Reino de Deus) ou a Fundação Renascer (do mesmo nome da Igreja). Ainda assim, como vimos no exemplo do internauta, quando a linguagem própria de um grupo é assumida por um veículo midiático de tamanha significância como a televisão e, nela, a Rede Globo, com seu Jornal Nacional, ocorre um processo de identificação, expresso de modo eufórico: “Deus faz milagres! Aleluia!”.

O uso das imagens na série vem somente para corroborar a fala, nada acrescendo em termos de conteúdo para o telespectador, sempre numa perspectiva positiva. Ainda assim, é possível perceber uma crítica sutil, no caso da matéria sobre a presença evangélica na tribo indígena: “Hoje, são dois caciques e nenhum pajé, o líder espiritual. O último morreu há cinco anos. Os chocalhos sagrados dos rituais criaram teias de aranha” – esta fala é reforçada pela imagem da oca, à frente da qual há duas cruzes. Por outro lado, uma imagem já usada de modo crítico em outros contextos, aparece aqui retratada de modo afirmativo: a entrega dos dízimos e ofertas pelos fiéis, filmada durante o culto, vem somada à explicação de que se trata de manter as atividades da orquestra da igreja Assembleia de Deus.

Logo a seguir, o repórter pergunta ao pastor: “O que as pessoas costumam ouvir, que acabam ouvindo errado?”, ao que o pastor responde: “que a igreja só existe para pegar dinheiro do povo, enganar o povo, os pastores são charlatões, pegadores de dinheiro, mas ninguém vê o trabalho social que a igreja desenvolve”. Na sequência, a origem histórica das igrejas evangélicas é resgatada, com uma rápida e superficial menção a Lutero e Calvino, introduzida pela expressão: “A origem das igrejas evangélicas está no distante século 16, na decisão de homens como Martinho Lutero e Calvino, em romper com a Igreja Católica (...) O movimento é conhecido como Protestantismo, de onde derivam a imensa maioria dos evangélicos de hoje”. Esta é outra forma de promover uma conexão entre os grupos evangélicos distintos, reunidos pela reportagem num único bloco, caracterizando-os com uma herança histórica comum. De fato, “para se ter uma memória coletiva, é preciso interligar as diversas memórias dos indivíduos que fazem parte do grupo identificado como proprietário daquela memória” (ENNE, 2004, p.103). Porém, a forma como essa memória é construída e os discursos produzidos acerca do passado são muito importantes na percepção identitária. Enne afirma, por exemplo, “que conhecimentos sobre o passado dão ao seu portador autoridade” – e é o que acontece no jornalismo.

Ao recontar o passado, muito embora seu discurso seja apenas uma versão, uma possibilidade, uma apropriação e uma forma de atuar como “guardião da memória”, o jornalista posta-se como autoridade sobre o tema e adquire a confiança do telespectador quanto à informação. Assim, por exemplo, não são discutidas outras questões que, num dado momento histórico, foram mais relevantes. Por exemplo, o fato de que Martinho Lutero não “decidiu romper” com a Igreja Católica, mas, de fato, foi por ela excomungado. Se a maioria da população é católica, esta informação tem um peso bastante diferenciado, mudando a forma como a questão é absorvida. Enne chama a isso de “enquadramento da memória. É preciso escolher o que vai ser lembrado e o que deve ser esquecido” (ENNE, 2004, p.105). Aqui se estabelece uma questão de poder que se pode notar muito fortemente na mídia:

Há sempre um saber em disputa quando se configuram as redes de memória e identidade. E esse saber, objeto de conflitos, é revestido por um status de verdade, como indica Foucault. Portanto, a disputa por saber é relevadora de uma disputa por poder, pelo controle da informação, pela construção de uma versão que se sobreponha às demais e receba o estatuto de verdade, o que implica uma disputa pela própria posição social ocupada por esses agentes (ENNE, 2004, p.109, grifos da autora).

Enne fala ainda que as estratégias usadas pelos agentes podem ser entendidas como parte de uma estratégia maior, qual seja, de controle do saber acerca da história, que podem levar tais agentes a conquistas coletivas, como a penetração junto a outras esferas de poder (ENNE, 2004, p.109-110). Sendo a religiosidade uma grande força mobilizadora na sociedade, tendo em vista a ascenção midiática dos grupos evangélicos, não seria de surpreender a preocupação da Rede Globo em estabelecer um relacionamento em novas bases com este grupo, dada a histórica indisposição para com os segmentos evangélicos, notadamente a partir do advento da Igreja Universal do Reino de Deus (3). Enne destaca, em seu artigo, o papel do jornalismo nesse processo de construção social da memória como sendo um aspecto central. Ela afirma que “os agentes ligados aos processos midiáticos exercem um papel fundamental, pela forte penetração dos seus discursos e pela configuração de um senso comum avalizado pela categoria sancionada da objetividade” (ENNE, 2004, p.115).

Além desse aspecto memorial, a série de reportagens sobre os evangélicos traz também uma nova forma de abordagem acerca da presença social desses grupos –que os apresenta como relevantes à sociedade, uma vez que, no dizer de William Bonner, eles estão “não só em cidades grandes como o Rio de Janeiro, mas também em comunidades menores, do interior do país, apoiando populações que frequentemente são esquecidas pelo poder público”. Esta fala evoca a forma pela qual os meios de comunicação contribuem, de modo efetivo, para a construção social da realidade (BERGER e LUCKMANN, 2004). Costa, em artigo, apresenta o processo de transformação por que uma cidade portuguesa passou quando foi alvo da construção midiática de sua realidade. Sob o crivo da mídia, o que era um costume local foi elevado a categoria de problema continental, saindo dos limites portugueses e se projetando em toda a Europa (COSTA, 2002). Ao analisar esse fenômeno, ele fala das identidades tematizadas, que “seriam estratégias deliberadas e reflexivas de colocação pública de uma situação social qualquer sob a égide da problemática identitária, em geral com vistas à constituição ou à potenciação de dinâmicas de ação social”.

Para ele, “ser capaz de mobilizar para a ação coletiva parece requerer o estímulo à constituição de identidades culturais redutoras e reificadas” (COSTA, 2002, p.27-28). Neste contexto, cabe indagar em que medida as séries especiais do telejornalismo podem servir a essa prerrogativa jornalística de construir socialmente a realidade, ao mesmo tempo em que promove, por meio da uniformização e da supressão de conflitos, representações identitárias redutoras e homogeneizantes. Como é algo reconhecido que o relacionamento entre Globo e evangélicos sempre teve momentos de grande tensão, seria essa série de reportagens uma tentativa de, conforme Costa, “mobilizar para uma ação coletiva”, no sentido de adotar-se novas posturas de tratamento frente a esse grupo, não somente da emissora em si, mas também pela projeção de um estereótipo diferenciado dos evangélicos para o todo social?

De fato, as matérias sempre terminam a palavra dos religiosos, reafirmando sua preocupação com o bem-estar das outras pessoas ou com um aspecto testemunhal de como a ação dos evangélicos mudou sua vida para melhor, reafirmando uma identidade positiva desses sujeitos na discursividade das matérias. Existe uma predominância na fala dos entrevistados em locais abertos, usando-se também bastante o recurso dos closes, especialmente no final das matérias, quando são mostrados rostos sorridentes ou mãos erguidas em momentos de culto.

Outro ponto a considerar é a presença dos especialistas na constituição da matéria, cujas participações “muitas vezes se prestam apenas para reiterar o enquadramento do Jornal, criar maior identificação com o público telespectador ou abrir a possibilidade de que aquele tema possa ser visto sob outra perspectiva” (ROCHA, ALBUQUERQUE e OLIVEIRA, 2008, p.10-11). Esses especialistas são entrevistados, sendo sua imagem acompanhada pela legenda de seus nomes e profissões, “donde podemos inferir que elas recebem uma espécie de ‘autorização’ para falar” acerca do tema proposto (ROCHA, ALBUQUERQUE e OLIVEIRA, 2008, p.8).

Por isso mesmo, é interessante destacar, nesse sentido, que todas as igrejas abordadas nas matérias foram tratadas a partir de suas localidades, sem considerar a hierarquia presente em cada uma delas. Presidentes, líderes nacionais ou bispos não são convocados a falar em nome de suas denominações acerca das ações que desenvolvem. Também, nesse sentido, não se tem a fala do especialista em Ciências da Religião ou Teologia, senão outros, os quais teriam um olhar externo ao fenômeno, já que são pertencentes ao campo da Sociologia e Antropologia. Assim, mantém-se uma identidade evangélica calcada na alteridade, a partir das falas de autoridade dos portadores do saber e, portanto, do poder no discurso sobre esses grupos.


A produção da série especial, suas expectativas e impactos identitários

No site do CLAI, Conselho Latino-americano de Igrejas, há um release enviado pela assessora de imprensa da Igreja Luterana, contando como foi o processo de produção da matéria sobre o trabalho agrícola desenvolvido pelos luteranos:

A vinda da equipe do Rio de Janeiro (quatro pessoas do Rio de Janeiro e uma pessoa da RBS TV de Porto Alegre) foi marcada para os dias 23 a 25 de abril. Devido às características do trabalho e por uma questão de proximidade geográfica, a visita foi organizada junto ao núcleo Pelotas (RS) do Consórcio CAPA.

O roteiro contemplou a diversidade étnica e produtiva da região sul do Rio Grande do Sul, com visitas a agricultores familiares, quilombolas, indígenas e comunidades urbanas da periferia que recebem alimentos da agricultura familiar através do programa Fome Zero, além de entrevistas com consumidores em pontos de comercialização e feiras assessoradas pelo Consórcio CAPA.

Tanto a assessora de imprensa do núcleo Pelotas, Rocheli Wachholz, quanto a jornalista da IECLB/FLD, Susanne Buchweitz, depois com o apoio do assessor de imprensa do núcleo de Santa Cruz do Sul, Batista Weber – acompanharam a equipe da Globo durante os três dias e conversaram muito com a produtora Rosângela e pessoalmente com o jornalista Flavio Fachel e o produtor Tyndaro Menezes sobre características dos projetos sociais da IECLB semelhantes ao CAPA e outros apoiados pela FLD. (http://www.claibrasil.org.br)

Certa reserva da Igreja aparece no fato de que, antes de acertarem a vinda da equipe, a liderança da Igreja discutiu acerca do “sobre o significado de ‘estar na Globo’ - as possibilidades e as responsabilidades”, conforme consta no referido release. Também as questões identitárias aparecem na firmeza com que se informou a reportagem acerca da posição da Igreja no cenário religioso evangélico: “Insistimos muito nas diferenças entre a IECLB e as igrejas evangélicas/pentecostais e nas características ecumênicas do trabalho do CAPA, que busca fortalecer o protagonismo do público atendido” (http://www.claibrasil.org.br).

Também no site da Igreja Adventista foi possível encontrar informações adicionais sobre a produção da matéria que apresentou o trabalho desenvolvido junto a crianças em situação de risco:

As gravações foram realizadas enquanto as crianças participavam das atividades oferecidas pelo núcleo, tais como: reforço escolar e alimentar, atendimento odontológico, fonoaudiológico, nutricional, psicológico, aulas de culinária e informática. O repórter Flávio Fachel, entrevistou diversas crianças, incluindo a diretora Glaucieth Batista para conhecer a respeito das atividades desenvolvidas e sua importância a curto, médio e longo prazo. A maratona de gravações começou por volta das 12h e terminou as 19h30. Ao final das gravações a equipe de funcionários do Cadec Magarça agradeceu a presença do grupo e lhes presenteou com o livro Sinais de Esperança. Emocionados os repórteres pediram que orassem eles e seus familiares. (www.portaladventista.org)

O site informa que a produção da matéria foi acompanhada por uma jornalista da instituição. Interessante também é destacar que o projeto foi encontrado, segundo o site, por causa do trabalho “dos assistentes da TV Globo que visitaram inúmeros sites em busca de projetos sociais que realizassem trabalhos sérios”. Vemos aqui, como no exemplo anterior, uma preocupação desses grupos evangélicos em não serem inseridos numa perspectiva identitária uniformizante sobre o que seria o evangélico na sociedade brasileira ou, ao menos, na acepção que lhes é muitas vezes atribuída no noticiário nacional.

Contudo, a repercussão da série especial demonstra também a importância do telejornalismo e, dentro dele, do Jornal Nacional, para mobilizar pessoas, reforçando nossa premissa inicial de que a mídia exerce um papel fundamental nas relações sociais e nas formações identitárias dos grupos sociais. Na data de fechamento deste artigo, por exemplo, na postagem da primeira matéria da série no site youtube, havia 130 reações, entre pessoas evangélicas ou não, com as mais diversas posturas acerca da reportagem, da Rede Globo e dos próprios evangélicos.

É interessante destacar que, havendo a abordagem da série especial optado pelo viés do elogio, do reconhecimento, uma série de telespectadores religiosos viram nisso indício de um “milagre divino”. Logo, a pretensão dos veículos de comunicação, de produzir uma identificação no público-alvo, mostra-se, ao menos em parte, alcançada. Gera-se um processo de auto-percepção frente ao discurso jornalístico que retrata esses grupos. Isso interessa particularmente aos estudos de comunicação, pois os indivíduos

forjam identidades a partir de marcadores que culturalmente passam a ser definidos como relevantes. (...) À medida que essa discursividade encontra repercussão no tecido social, ela alimenta práticas e produz sujeitos que passam a agir e a reconhecer-se a partir de determinadas posições (GUARESCHI, 2006, p.84).

Por meio de seu discurso, a série especial do Jornal Nacional, durante quase toda a semana, postulou marcadores para a auto-percepção dos evangélicos, afetando sua identidade e sua discursividade a esse respeito. De acordo com a acepção do jornal, sua atuação consiste em “ensinar, aprender, proteger e ajudar” (26/05); são conhecidos “por não perderem a esperança nas pessoas” e por demonstrarem “compaixão” capaz de mudar a vida das pessoas (27/05); são “uma grande família unida pela fé, que tem suas regras” e suas atividades têm a função “de ensinar a palavra de Deus e fazer sorrir, por dentro e por fora” (28/05) e as pessoas atendidas têm a oportunidade de “crescer no rumo do bem, pelas mãos de quem vive na prática os ensinamentos de Jesus” (29/05).

A religiosidade brasileira é variada e, dentro dela, o que pode ser entendido como evangélico possui nuanças discursivas as mais variadas. Notamos, na preocupação apontada nos sites das igrejas apresentadas nas matérias, o anseio em mostrar-se “diferentes” de certo discurso sobre o que é ser evangélico presente na mídia e no tecido social.

Nas falas dos entrevistados, os eventuais conflitos identitários, especialmente os relacionados com a prática cotidiana e as dificuldades de interação social com outros segmentos sociais foram superados num discurso unificador do evangélico como pacificador, doador, voluntário e genuinamente preocupado com o bem-estar do próximo. Ainda que este seja o discurso evangélico, a sua identidade também se manifesta de outras formas, até mesmo contrárias a esta, postulada no corpo da série especial, a qual também, do lado midiático, procurou produzir um discurso acerca do que é ser evangélico no Brasil a partir do ponto de vista do telejornalismo global. Mas cabe deixar no ar a pergunta: será este o mesmo discurso que encontraremos numa eventual pesquisa acerca da representação evangélica na cotidianidade do Jornal Nacional? Caso contrário, o que isso nos indica sobre a representação deste grupo no telejornalismo global?

CITAÇÕES:
1) Artigo apresentado ao prof. Paulo Figueira Leal em cumprimento parcial às exigências da Disciplina Comunicação e Identidades, do Mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora.
2) Disponível em , acesso em 25 de julho de 2009.
3) De fato, em palestra proferida durante o Seminário Globo/Intercom 2009, um dos dirigentes de jornalismo daquela empresa afirmou a atenção dada pela Globo a este segmento, uma vez que, nas palavras dele, “num país democrático, não estamos isentos da possibilidade de ter um presidente evangélico”.


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www.portaladventista.org
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