IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Graša de Deus
Rio, 5/10/2011
 

Presenša renovadora de Deus no mundo (Walter Klaiber e Manfred Marquardt)

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Presença renovadora de Deus no mundo
A fé, que adquire caráter ativo no amor, sabe que depende inteiramente da presença ativa de Deus no mundo e que todos os pressupostos necessários para que seja atuante lhe são dados por Deus. "O melhor de tudo é que Deus está conosco" - tais foram as palavras de Wesley no fim de uma vida longa e rica. 6 Aquilo que designamos com os termos "criação", "aliança", "reconciliação", ou "redenção" - são todos eventos que apontam para o seu causador, Deus, e se realizam no contexto das realidades terrenas. Igreja e mundo são lugares e espaços da ação divina, sem a qual não seriam o que são. A afirmação do Cristo ressurreto: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do mundo" (Mt 28.20), é o pressuposto da missão como o anúncio do Evangelho sobre toda a terra. A atividade diaconal dos cristãos recebe o seu caráter próprio do fato de que é o próprio Cristo que vem a seu encontro nos necessitados e fracos aos quais se dirige o seu serviço.

Finalmente: há um futuro para este mundo, que não acabará no caos mas na nova criação de céus e terra (Ap 21.1) - ainda que seja através do julgamento - o que não seria objeto de esperança firme sem a presença renovadora de Deus no mundo.

O Amor como ato e sinal da presença de Deus
A presença de Deus sempre foi vivida e experimentada pelos homens das mais diferentes formas. Também os sentimentos e as emoções que essas vivências neles desencadearam, foram muito diversas. Isto é atestado também pelos textos bíblicos que narram a respeito de experiências com Deus: podem desencadear medo e desassossego (7), bem como alegria e confiança, 8 questionamentos e diretrizes claras do caminho a seguir. (9)

Não obstante todas essas diferenças nas experiências com Deus e de sua presença - tal como os homens no-las transmitem com expressões diferentes - encontramos algumas características comuns que as distinguem de outras experiências e emoções. A genuína experiência de Deus sempre está aliada ao sentimento de dependência e à consciência de que se foi alcançado, atingido, por uma realidade, a qual não admite uma simples atitude de expectador e que põe a claro a supremacia de Deus, a sua grandeza e poder. Isto também se dá quando Deus aparece na forma de um ser humano. Assim, quando o capitão romano - que testemunhara inumeráveis execuções na cruz - afirma do Cristo crucificado: "Realmente, este é o filho de Deus" (10) suas palavras refletem a experiência de uma grandeza que está acima até mesmo da morte.

Com esses exemplos já nos aproximamos da nota distintiva de toda experiência autêntica de Deus, tal como é atestada na fé cristã: é a experiência do encontro com Deus que é amor. Mesmo quando as atitudes e os comportamentos dos homens se encontram sob o juízo negativo de Deus, Ele não deixa de se dirigir a eles em amor. (11)

Nem por isso devem ser deixadas de lado as passagens da Escritura que falam do julgamento e da ira de Deus; pois elas não têm o seu sentido derradeiro na condenação irrecorrível dos pecadores, mas justamente na salvação da desgraça e no encaminhamento para uma vida nova e verdadeira (12). O amor de Deus pode ser experimentado como um doloroso "não" aos nossos atos e à nossa conduta até então, mas que demonstra ser amor, precisamente, no fato de que ele toma a sério os homens na qualidade de imagens de Deus e criados para serem os seus parceiros na criação.

Será que dessas diferenças suscitadas pela presença de Deus não resultam incertezas inquietantes no que se refere ao sim de Deus ao homem? Será que não deve permanecer - poderiam perguntar homens ao encontro dos quais Deus foi e que tomam suas palavras a sério - um resíduo de temor diante do Deus julgador?

Sobre isto pode-se dizer o seguinte:
1) O amor de Deus não depende da amorabilidade daqueles que ele ama. O que encontramos escrito no quinto livro de Moisés (13), foi assim formulado sinteticamente por Martinho Lutero: "O amor de Deus não encontra, mas cria aquilo que é digno de amor; enquanto que o amor humano resulta daquilo que é digno de amor" (14). Embora já o pensamento da criação exprima o valor de todos os homens, 15 e na qual Deus, por assim dizer, renuncia a uma parte de sua soberania para aceitar seriamente o homem como seu parceiro - a presença de Deus como amor se toma ainda mais clara na visão cristológica e trinitária dos escritos neo-testamentários (16).

(2) Paulo expressou da forma mais explícita possível, a união entre fé em Cristo e certeza do amor de Deus, ao escrever: "Estou certo que nem a morte, nem a vida (...) podem nos separar do amor de Deus que há em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.38s). A mesma certeza é experimentada por João Wesley quando está intimamente convencido - como quer que deva ser avaliada a sua vida até então - que o perdão de Deus era para ele em pessoa, e que ele em pessoa é filho de Deus. Esta certeza da salvação quando enche um homem não deixa mais lugar para a angústia quanto à aceitação por Deus, nem temor perante o seu juízo. É o próprio amor perfeito e invencível de Deus que vence totalmente este temor.

"É evidente que não é o amor como atividade humana que pode conferir esta ilimitada segurança na salvação, mas tão somente a vida no amor experimentado, a partir de Deus" (17).

Na descrição dessa vida no amor de Deus e de suas múltiplas formas práticas se ocupará este derradeiro capítulo de nossa teologia da Igreja Evangélico-Metodista.

O Amor como fruto do Espírito
Quando o Espírito de Deus age em um homem, nasce aquilo que Paulo designou com o transparente termo "fruto do Espírito" (Gl 5.22).

O primeiro fruto, que traz em seu séquito todos os outros, é o amor. Ele tira a sua seiva do profundo enraizamento do homem no amor de Deus, do qual por sua vez nasce o amor a Deus e ao próximo.

Em seu sermão "Sobre o testemunho do Espírito"18 Wesley, numa série de exposições muito claras, explica como o amor de Deus e aos nossos próximos nasce da ação do Espírito Santo, influindo, aos poucos, toda a nossa vida; e como nossa consciência pode verificar os efeitos deste amor (19).

Este amor transformador da vida é recebido pela fé, pois a fé é o órgão receptor até mesmo do amor de Deus (20). Este amor, recebido na fé em Deus e através de homens que agiram amorosamente no seu trato conosco, transforma as pessoas desde o mais profundo de seus sentimentos e de sua vontade até chegarem à sua concretização na vivência com os outros.

Assim começa uma existência nova, marcada pelo amor: "Deus o criador é quem deve infundir o amor em cada homem, Ele é pessoalmente amor” (21). Desta recepção do amor de Deus resultam capacitações e deveres para agir em amor; sem ele, a fé perde a sua força(22); com ele, a fé se torna a marca distintiva e necessária dos cristãos (23), e pela confiança em Deus, mesmo aqueles que por transgressões e desamor se tornaram culpados, podem ser novamente agraciados com a fé que atua pelo amor (24).

Assim, o amor certifica os homens, experimentalmente, de sua aceitação por Deus e os liberta da necessidade de precisar assegurar para si mesmos o sentido de suas vidas; ele os coloca na situação de poder amar sem reservas.

Sem amor ao próximo, o amor a Deus é, ou impossível, ou pervertido, e quando alguém assim desqualifica o amor, ele desacredita a fé cristã e aquele a quem ela se dirige, isto é, o próprio Cristo. Quando a relação dos cristãos com Deus não é qualificada pela mente de Cristo em suas relações com os outros homens - e isto significa a convivência amorosa com eles então os cristãos perdem não só sua credibilidade, mas a sua própria qualidade de cristãos se torna altamente questionável. Um cristianismo que se apresenta como agindo em nome de Cristo, mas cujas ações aparentes estão completamente deformadas pela busca egoísta de poder, não tem razões para apontar para aquele que deu a sua vida pelos outros, por amor a todos os homens.

O amor como norma básica para a vivência diária
Nas duas seções anteriores, tentamos deixar claro que o mandamento do amor dado por Jesus como norma básica da vivência cristã, tem um pressuposto, sem cuja tomada em consideração não pode ser corretamente entendido, nem observado segundo a mente de seu autor. Isto quer dzer que todo amor humano - que não somente é agitação sentimental, mas autêntico interesse e aceitação do próximo - têm suas raízes no amor de Deus. A ética que a fé cristã elabora a partir daí, como orientação para a vivência concreta individual e para a percepção da responsabilidade do cristão em sua vida pessoal, social e pública, pressupõe o amor divino como fundamento e que possibilita tudo isso; somente o amor de Deus pessoalmente experimentado, suscita em nós a capacidade e o prazer para um procedimento amorável com os outros homens (25). Este amor se torna, dentro do espaço dado a cada pessoa para sua vivência diária, o padrão do comportamento e das intenções que se encontram na raiz de suas atividades (26).
A frase: "Deus é o amor" (I Jo 4.8,16) não somente designa a "propriedade" central de Deus, mas - inseparavelmente a ela ligada - a definição fundamental de seu ser, cuja dinâmica se manifesta como amor, isto é, na direção tomada pelo seu amor, o qual cria do nada o seu amado parceiro ("imagem e semelhança"), que se entrega pelos amados à morte na cruz e que funda a comunidade dos que amam, os quais sabem ser amados e querem difundir mais amplamente este amor (27)

Se se considera de mais perto a ética de João Wesley e da Teologia Metodista que busca seguir as suas pegadas, então aparece claramente que o seu princípio fundamental é o do amor ao próximo, que é, como consequência, feito objeto de reflexão e que tem sua origem na experiência do amor de Deus. 28 A aceitação consequente desses princípios constitui a base para uma vida responsável, orientada, antes de mais nada, pela ação prévia de Deus em favor da redenção e da libertação do homem de tudo o que o oprime. Esta responsabilidade se origina da experiência básica de ter sido aceito por Deus e entende o incondicional e ilimitado amor de Deus como base de todos os seus padrões éticos. O Reino do amor de Deus - tal é a sua convicção - transforma os homens e toma possível uma obediência a Deus capaz de mudar o mundo. A confiança no Reino presente e futuro de Deus é o fundamento da ética da conversão, que obriga à solidariedade, sobretudo, com os que sofrem, os fracos e os pobres; entende a ética de Jesus, não como uma "ética interina" de uma época limitada que será superada, mas como exigência e desafio para que os homens meçam pelos seus padrões, os padrões rotineiros de comportamentos e que, dado o caso, também os corrijam. Um único padrão é definitivo: o mandamento do amor, inclusive o amor aos inimigos.

É certo que o mandamento do amor como padrão único de qualquer comportamento responsável, não é em si suficiente, pois isto exigiria que os homens estivessem prontos, em qualquer situação, de tirar, em cada caso particular, as consequências do mandamento do amor, o que seria exigência demasiada, tanto para particulares como para toda uma comunidade. Por isto é natural que sejam estabelecidas normas ulteriores, como concretizações do mandamento do amor.

O perigo de que assim se abram as portas para o legalismo pode ser constatado em muitas observações, tanto dentro do próprio Novo Testamento (29), como no decurso da história da Igreja. Por isto, sempre de novo, foram feitas tentativas de opor a esse perigo uma espécie de "agapismo" (pura ética do amor) cristão. O princípio básico mais conhecido de tal ética é a exortação de Agostinho: "Ama, e faze o que queres” (30). Em nosso século eticistas como Joseph Fletcher ou J. A. T. Robinson, desenvolveram tal tipo de ética, designada, coro pouca felicidade, como "ética da situação” (31).

Não se trata de uma mera ética de situação (como é o caso de J. P. Sartre), mas que reconhece o mandamento do amor como único imperativo válido, sendo ainda tomadas em consideração outras regras éticas; mas estas só têm força "na medida em que estão a serviço do amor, nas circunstâncias predominantes em cada caso” (32).

Portanto, conforme esta visão da ética, a responsabilidade do agente é orientada a partir de cada situação concreta e pelo mandamento do amor. A norma fundamental é assim descrita, epistemologicamente, por Fletcher: "Reafirmo o artigo de fé de que Deus é o amor, elevando assim o amor (ágape) à categoria-chave; daí fluem por consequência lógica os juízos de valor a partir do amor como o maior bem” (33).

A afinidade com a ética vital do cristianismo é aqui evidente - se é que a visão de Fletcher não constitui simplesmente uma variante bem sucedida dessa ética.
Apesar disso, uma ética orientada para o comportamento concreto deve ir além dessa teoria, na medida em que - não levada por motivos de praticabilidade, mas pela exatidão e clareza exigidas - discute a finalidade dos atos, os meios adaptados a este fim e a problemática da concorrência entre fins da mesma ordem - tudo isso dentro da percepção do único dever fundamental que é concretizado em exemplos (34).

Sobretudo em um tempo em que se verificam mudanças rápidas nos valores morais da sociedade, exige-se uma nova orientação das normas de conduta, baseadas tanto em normas propostas pelo mandamento do amor nas situações concretas, como na discussão das regras que refletem a ética tradicional. Ela não pode substituir a responsabilidade individual dos agentes, antes deve servir-lhes como auxílios para a correta percepção da mesma.
O terreno sexual - incluídas as instituições do matrimônio e da família - constitui uma dessas áreas em que as regras tradicionais são questionadas pelo comportamento prático dos homens e mesmo dos cristãos, e onde parece ser necessária uma revisão, uma nova análise. Houve, certamente, tentativas de oferecer orientação prática por parte de textos oficiais da Igreja Metodista, como os chamados "Princípios Sociais", que se referiram ram a aspectos concretos muito específicos (35). Se o mandamento do amor continua sendo o fundamento reconhecido para a formação de normas éticas, constatamos, contudo, que houve submissão e impensada manutenção de normas tradicionais, além da adaptação superficial ao que é meramente costumeiro.
A introdução de normas concretas de comportamento dentro da ética não é tema prioritário para Wesley, tendo como base a sua praticabilidade, embora a sua necessidade fosse compreensível. Os sermões doutrinários 34-36 se ocupam da compreensão da lei, numa amplitude incomum a um tema específico, em Wesley (36) No sentido de se opor à deturpação da mensagem da justificação somente pela fé, e da justiça dada por Cristo na pregação de uma "graça barata" (37) - Wesley (38) acentua a validade continuada da lei, não somente na sua função de convencer do pecado e de seu papel político (39) mas também como norma obrigatória para a condução da vida dos fiéis. Excluída a lei cúltica, tanto a lei moral da antiga aliança como o Sermão do Monte e os textos parenéticos do Novo Testamento, continuam obrigatórios, mesmo depois da justificação, da conversão e do novo nascimento e de todo o processo que introduz na filiação divina (apesar de Rm 10.4), porque atrás dessas normas está a autoridade de Deus. A sua "utilidade" não consiste somente no fato de que - mostrando o pecado que ainda permanece em nós - nos mantém juntos a Cristo e porque para isso buscamos força em Cristo, que fluem da cabeça aos membros - mas sobretudo porque a lei “deve fortalecer-nos na esperança, em vista de nossa incapacidade de cumprirmos perfeitamente os mandamentos, e para que recebamos graça sobre graça (40), até que realmente possuamos a plenitude de suas promessas” (41). A esperança assim suscitada da graça transformadora do homem constitui o impulso para a vida prática na santificação pelos mandamentos de Deus. A finalidade de todos os mandamentos de Deus é, contudo, somente o amor.

Desta forma, também em Wesley fecha-se o círculo: o amor de Deus desperta em mim a fé, a alegria da filiação divina e sobretudo o amor, o qual encontra na sua lei a orientação para a condução da vida em amor e em obediência, pois a lei é vista como dom de Deus, e agora é observada com livre (= porque libertada) vontade. A medida e fim de todos os mandamentos, e seu fundamento e limite, é somente o amor, em casos concretos (42). "O amor é o fim, o único fim de todas as ordens de Deus, e isto desde o começo do mundo até a consumação de todas as coisas” (43).

Através de sua pregação e de sua vida, seu sofrimento e morte, Jesus mostrou o que significa concretamente: "amai a vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos odeiam, abençoai os que vos maldizem, orai por aqueles que vos ofendem" (Lc 6.27). Esta mensagem não deve ser ouvida e recebida, primariamente, como mandamento ou como nova lei, mas como força salvadora e auxiliadora do amor, e como tal pode ser experimentada, pois ela não suscita qualquer nova motivação no indivíduo, mas constitui uma renovada comunhão na caminhada atrás de Cristo (44), no qual experimentamos a força do amor e assim nos capa-citamos a ver os outros com novos olhos e a aceitá-los, não observando os critérios dos atos e dos méritos, como conferindo-lhes valor, mas como amados por Deus com um amor incondicional. Os que experimentaram este amor se veem como instrumentos da ação divina com outros homens, nos quais Deus quer seja experimentado o seu amor libertador e salvador, igualmente.

O agir ético na base e no espírito do amor não pode ter como finalidade o estabelecimento final do Reino de Deus na terra, mas pode tentar - sobre o fundamento da fé no Reino presente de Deus, da experiência de sua proximidade e do conhecimento de sua vontade - torná-lo acessível, como foi na pregação de Jesus, a tirar as consequências para o comportamento ético. É verdade que os cristãos que assim agem têm consciência da provisoriedade e da necessidade de correção de sua conduta e de suas ações. Já que experimentaram neste mundo e neste tempo o amor de Deus, os motivos e os critérios de sua conduta não são indiferentes, nem arbitrários; sabem que também eles devem recorrer ao poder deste amor sobretudo quando fica difícil a compreensão e a aceitação de outros homens, mas que deles é esperada. O "deves, pois podes" não corresponde às suas próprias possibilidades mas às que lhes foram dadas por Deus.

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