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Missão e Evangelização
Rio, 21/10/2011
 

O Novo Testamento é um livro Missionário (Roberto E. Zwetsch)

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O Novo Testamento é um livro missionário. Seus materiais são prédicas, narrações e exortações pra a vida cristã. Os evangelhos, as cartas de Paulo e os demais escritos visavam as comunidades cristãs. Ao mesmo tempo se tornaram documentos de propagação da mensagem do Evangelho. Vejamos alguns pontos que atestam estas afirmações.

1) Após a morte de Jesus, o assustado grupo de discípulos(as) ficou disperso. Algumas mulheres foram ao sepulcro para cuidar do corpo do amigo. Outros ficaram escondidos, com receio das autoridades. Aos poucos voltaram para os seus trabalhos de antes. Estavam decepcionados. Tinham esperança de ver o advento do Reino de Deus. Foi isto que Jesus anunciara. Mas o Reino – como eles imaginavam – não veio. Como foi possível que deste grupo nascesse a missão?

2) A ressurreição foi ação divina. Deus não deixou Jesus na morte. Ele voltou e se reuniu com o grupo dos discípulos. A ressurreição não foi invenção deles. Pelo contrário, é aquele evento-fundante (a Causa) que os reanimou e conduziu à Missão. Esta é, pois, iniciativa divina e chamado para a tarefa de Deus (Mc 16; 1Co 1:21).

3) Paulo mostrou que Deus decidiu salvar o mundo pela loucura da pregação. É preciso distinguir entre missão e ação da Igreja. Normalmente entendemos que missão é nossa tarefa. O verbo grego, porém, realça esse aspecto de ser enviado para proclamar uma boa nova. É o evangelho do Reino como anunciara Jesus (Mc 1:15; Lc 8:1; Rm 1:1,16).

4) Havia na época uma enorme expectativa quanto a vinda iminente do Reino de Deus. Diante disso, a missão foi vista como tarefa de urgência, escatológica. O tempo era pouco para o anúncio do evangelho. Vemos isso na primeira das cartas de Paulo (1Ts). Naqueles primeiros tempos, essa expectativa foi um argumento para que a fé cristã se espalhasse rapidamente pelo mundo conhecido.

5) Outro elemento central da fé cristã é sua perspectiva universal. O fato é que o evangelho transpôs fronteiras e saiu do âmbito judaico-palestinense. Evidentemente, esse passo foi difícil e doloroso. Tratava-se não só da fé, mas de outras culturas que estavam em jogo. A questão mais controvertida no século I foi: para ser cristão precisa ser judeu? Atos 15 e Gálatas mostram detalhes da controvérsia. Em Gl 2 Paulo dá a sua resposta: não há nenhuma condição pra a pregação do evangelho ou para a sua aceitação. Ele tornou-se o mais radical defensor da abertura do evangelho para os outros (não-judeus). Evangelho é graça! Este passo –sair do judaísmo para a gentilidade- foi o primeiro e mais importante para o entendimento da universalidade do evangelho.

6) A obra de Lucas também vai na mesma direção. Neste evangelho o aspecto da universalidade aparece bem cedo. No cântico de Simeão, Jesus é luz para revelação aos gentios. A propósito do centurião romano (Lc 7) que nem queria se aproximar do Mestre, Lucas narra que Jesus decide ir ao seu encontro, mas os mensageiros dizem que não é necessário, que basta a sua palavra. Jesus diz então aos que o acompanhavam: “afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta” (Lc 7:9).

7) Para Lucas, outro ponto é central. A evangelização tem como agentes e destinatários privilegiados os pobres. O termo grego ptochós designa os pobres em sentido social e econômico, incluindo doentes, cegos, paralíticos e leprosos, que em virtude de sua doença e condição física eram expulsos da sociedade. Textos como o de Lc 4:18s e Lc 7:18ss mostram que Jesus imaginava o Jubileu como um programa Messiânico, sinal do Reino de Deus. Nele está reservado um lugar privilegiado aos pobres. Sinais da novidade do Reino são a oferta do evangelho aos pobres e a libertação de suas carências. Por que? Há 3 possibilidades:
a) São estas as pessoas que mais necessitam da graça de Deus;
b) São as que se mostram mais abertas ao projeto do Reino de Deus;
c) Finalmente, estão mais interessadas em mudar a situação.

Na prática cristã, porém, não é fácil definir uma postura ao lado e em favor dos pobres. Isto diz respeito à Missio Dei (Missão de Deus) hoje. O testemunho do evangelho, a marthyría, é um compromisso da pessoa toda. Tal testemunho pode levar a incompreensões, sofrimento, perseguição e morte, como se viu no caso dos mártires da própria Escritura e da América Latina.

8) Em Lucas, outro elemento fundamental da missão é a articulação entre o Espírito Santo e a Missão. Na verdade, o Espírito é o protagonista da missão, como se observa em Atos dos Apóstolos. É o Espírito que criou as condições para que aqueles assustados apóstolos e discípulos passassem a anunciar o Cristo. É o Espírito que mobilizou Estevão e Filipe, que fortaleceu a Barnabé e Paulo, que atuou entre as mulheres e as transformou em líderes e mensageiras do evangelho (como aconteceu, por exemplo, com Lídia e Priscila), que encorajou uma simples doméstica como Rode. É ele, enfim, que cria a comunidade de fé composta por homens e mulheres que crêem em Jesus e aceitam o desafio de se amarem e cuidarem mutuamente como irmãos e irmãs muito amados. É ele que a mantém e faz dela a célula onde o evangelho não só é celebrado (Ceia do Senhor) e anunciado, mas também encarnado (manifestado) em estruturas e serviços em prol do Reino de Deus.

9) A partir do evangelho de Jesus, portanto, há uma valorização dos outros como pessoas iguais. Quebram-se as barreiras de separação entre povos, culturas, classes sociais, religiões, sexos. Judeus e gregos, pagãos e bárbaros, mulheres e homens, crianças e velhos, todas estas diferentes categorias de pessoas têm seu lugar na comunidade cristã por causa desse evangelho. Tal novidade, além de ser anúncio de salvação e libertação, significou uma mudança radical no mundo de então. As estruturas patriarcais e senhoriais ficaram expostas, mostrando toda a sua caducidade.

10) Paulo demonstrou na sua pregação que a universalidade do evangelho e da salvação são dádivas de Deus (Gl 2:11-21). A mensagem da justificação é uma mensagem ancorada na gratuidade do amor de Deus sem pré-requisito religioso, cultural ou moral (Rm e Gl). Por ser assim, uma conclusão é que a comunidade que professa tal fé jamais pode fechar a porta a ninguém. O desafio para a comunidade é ser instrumento de Deus para que até o maior criminoso, se for o caso, possa receber a graça de Deus. Trata-se de aprender a vivenciar a “fé de Jesus Cristo” (Gl 2:16). Quem crê, vive pela fé de Cristo e vive pela fé em Cristo. Esta é a parodoxal teologia da justificação de Paulo.

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