IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Missão e Evangelização
Rio, 21/10/2011
 

Os inícios da Missão Cristã ( Roberto E. Zwetsch )

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(texto adaptado com acréscimos para uma lição de Escola Dominical)

Missão vem do latim missio, que por sua vez, corresponde ao verbo grego apostéllein, de onde temos a palavra “apóstolo”, em português. Todas estas palavras têm em comum o seguinte: significam “envio”. Missão significa etimologicamente, envio. Alguém é enviado por outra pessoa para realizar alguma ação ou entregar alguma mensagem. Note-se, porém, que originalmente o termo não tinha caráter religioso. Ele procede do âmbito secular, mais propriamente, do militar. E mesmo em nossos dias designa ações de cunho diplomático, comercial, político e até esportivo. O uso do termo na história cristã tem a ver com a própria expansão do evangelho no Império Romano, a partir da comunidade judaico-cristã da Palestina.

Nela, sob a liderança de Tiago, a fé cristã viveu seus primeiros impulsos missionários, embora restritos a grupos judaicos. O livro de Atos narra com detalhes as primeiras viagens missionárias de Pedro e Paulo, para além do meio judaico-cristão. Passo a passo o evangelho foi ganhando lugar no mundo helenístico sob a ação do Espírito Santo de Deus que ia abrindo caminho por onde eles andavam. No caso de Paulo, após a experiência de Damasco (At 9:1-9), é sugestivo verificar que sua atividade missionário só começou após um período de preparação e o devido “envio” (At 13:1s). Ele tivera um encontro com o próprio Jesus ressurreto e tal evento mudou o rumo de sua vida. De perseguidor, tornou-se apóstolo do evangelho para anunciar a palavra do Reino, da Graça e justificação do pecador, isto é, a lei da liberdade mediante a fé no Filho de Deus (cf. Gálatas).

Com Paulo, Siilas, Barnabé, Priscila, Áquila, Lucas, Marcos, Epêneto, Andrônico, Júnia, Evódia, Aristarco, Urbano, Apolo, Narciso, Pérside, Cloé, Ápia, Rufo e tantos outros cristãos anônimos, o evangelho de Jesus começou a se espalhar pelo mundo Greco-romano (para além das terras da Judéia e Samaria) após a ressurreição de Jesus e a experiência do Pentecostes, constituindo comunidades a partir das sinagogas e casas particulares, muitas delas dirigidas por mulheres. Isto mostra que havia uma metodologia própria nesses primeiros tempos, que não privilegiava indivíduos, mas equipes, ainda que Paulo fosse um líder muito reconhecido.

No meio urbano, o evangelho foi constituindo grupos comunidades, que iriam receber o nome de ekklesia (igreja), palavra originária do mundo secular e que recebe uma nova significação a partir da fé. A igreja passou a ser a assembléia ou reunião das pessoas que criam em Jesus de Narazé, chamado Cristo. E essa comunidade dos crentes acolhedora e fraterna passou a atrair gente de fora, precisamente porque soube conjugar a proclamação do evangelho (querigma) com o serviço mútuo (diaconia) como expressão concreta do amor (ágape). A comunidade, portanto, é lugar de comunhão (koinonia). Evidentemente, as comunidades dos crentes tinham tensões e problemas de convivência, como nos mostra Paulo (1Co 11), a propósito da má celebração da Ceia do Senhor. Os problemas eram comuns aos demais homens e mulheres não cristãos, mas o diferencial era o jeito de enfrentá-los e superá-los: com justiça, amor e misericórdia.

A partir desses pequenos grupos e círculos foi gradativamente se configurando a Igreja de Jesus Cristo que se encontrava na Ásia Menor, na Grécia, em Roma, no norte da África e depois em tantos outros lugares nos primeiros séculos da era cristã. Por volta do ano 200, um escritor grego de Atenas, chamado Celso, deixou registrada uma nota surpreendente sobre esses inícios: “Que religião é essa cujos principais divulgadores são mulheres, crianças e artesãos?”

Já no final do século I, no entanto, existia uma estruturação maior das comunidades, com cargos e funções diversas (bispos, presbíteros, diáconos, profetas, mestres e assim por diante). A partir de 325, uma mudança profunda ocorreu na Igreja. Se antes houvera períodos de perseguição, sofrimento e martírio, com o tempo a Igreja Cristã foi tolerada. Finalmente, sob o Imperador romano Constantino, o cristianismo adquiriu status de religião legal, com ampla e total liberdade. Tornou-se religião oficial do Império Romano, de onde surgiu o regime de cristandade, numa estranha aliança entre a cruz (poder eclesiástico cristão) e a espada (o poder militar e político do Império. De modo que a cruz legitimava e abençoava as políticas, guerras, mandos e desmandos do Império e o Império, por sua vez, protegia, dava recursos financeiros e políticos e templos suntuosos à religião cristã. O Imperador tornou-se um governante “legitimado” pelo poder divino e a igreja tinha a garantia de impor-se aos povos dominados pelo Império. Esse regime de cristandade durou por cerca de mil anos. E esta “aliança” significou uma reviravolta profunda para o futuro da missão cristã.

A Igreja saiu das casas (paróquias, ou casa dos pobres) e foi para as basílicas (a casa do rei, os templos). Nos cultos agora participavam os mais ricos e poderosos do império e de cada cidade. Os pobres que até então formavam as igrejas nas casas, por não terem lugar junto aos suntuosos templos, passaram a ser atendidos nos fundos dos templos, numa espécie de ação social.

A Igreja que até então gastava recursos na Missão, seja no cuidado dos irmãos mais pobres, seja no envio e sustento de missionários, passou a gastar mais tempo basicamente consigo mesma e na custosa manutenção dos seus templos, cada vez mais confortáveis, suntuosos e ricos. Ao invés de se continuar a orar o Maranata, pela vinda de Jesus e a consequente plenitude do Reino, passou a se construir templos que abrigassem a igreja por muitos e muitos anos. E a evangelização foi esquecida e não raras vezes transformadas simplesmente em dominação (imposição da fé) dos cristãos sobre os demais povos dominados pelo Império.

Muita coisa havia mudado depois dos primeiros dois séculos. A característica desse “cristianismo imperial” foi o uso das armas e da força como “meios” de “missão”. Eusébio, famoso escritor cristão contemporâneo do Imperador Constantino, chegou a ver no imperador o próprio “poder do Verbo de Deus, Jesus Cristo, agindo em todo o mundo”. De Igreja perseguida pela causa de Cristo o cristianismo passou a ser, tristemente, uma igreja que perseguiu e utilizou força para se impor aos povos não-cristãos. Isso aconteceu por um longo tempo.

Reis e papas da Idade Média, chamada também a Idade das Trevas, fizeram “missão” por meio das armas. As Cruzadas e as injúrias, torturas e mortes praticadas pela chamada Santa Inquisição nesse período são exemplos da distorção a que se pôde chegar. Milhares de pessoas foram condenadas e queimadas vivas nas fogueiras da chamada Santa Inquisição.

A cruz, símbolo do amor misericordioso e redentor de Deus, tornou-se símbolo dos elmos (capacetes) dos soldados, da tomada de posse de terras estranhas. Ou seja, o símbolo do poder político-militar da cristandade ocidental.

A Igreja que naquela época tornou-se rica e opulenta, com grandes quantidades de terra, segundo alguns historiadores, a maior senhora feudal de todos os tempos, que explorava os pobres, era cúmplice dos pecados dos poderosos, ditava as regras e leis em muitos reinos e países (que ela mesma não cumpria), que praticava a simonia (palavra derivada do Simão de Atos 9:18-19 que quis comprar o poder do Espírito Santo e que significa a venda de "favores divinos", benções, cargos eclesiásticos, promessa de prosperidade material, bens espirituais, coisas sagradas, etc). Devemos nos lembrar da venda das indulgências!

Quando a gente se lembra dos bispos e religiosos dos filmes ambientados naquela época (como, por exemplo, “Os 3 mosqueteiros”, “A Cruzada”, “As bruxas de Blair”, “Irmão Sol, Irmã Lua”, “O Feitiço de Áquila”, “Joana Darc”, “Lutero”, “O nome da Rosa”, “Rei Artur”), podemos nos lembrar em o que a igreja se transformou.

Hoje muitos povos se lembram do mal provocado pela igreja e querem se libertar dela. Basta vermos o desprezo que muitos países da Europa têm pela Igreja e pelo cristianismo.

Hoje também há muita coisa errada sendo feita por grupos religiosos e supostamente em nome de Deus. É o que podemos chamar de “anti-missão”, que não contribui para que as pessoas possam conhecer verdadeiramente ao Senhor e Salvador Jesus e serem salvas por ele.

Precisamos, urgentemente, redescobrir o Evangelho como boa nova para as pessoas ao nosso redor e também para as que estão longe de nossas mãos e olhos, inclusive as que vivem “nos confins da terra”, conforme mencionado por Jesus em Atos 1:8.

Precisamos orar para, sob a direção do Espírito Santo, denunciar o pecado e os abusos, inclusive os cometidos em nome de Deus, e fazer a vontade de Deus. Não é porque uns fazem errado que vamos deixar de fazer o que Deus nos ordena que façamos. Precisamos ensinar como comunidades e pessoas que têm a mesma autoridade que estava sobre Jesus (Mc 1:22).

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