IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Missão e Evangelização
Rio, 31/10/2011
 

“Socorro, SENHOR! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” ( Sl 12.1)

Bispo Paulo Lockmann


 

1) Escrevi há cinco anos sobre este Salmo; no domingo passado, na abertura do culto à noite, na Igreja Metodista de Iguaba, o Pastor Bruno Leonardo leu este Salmo no momento de invocação. Reacendeu no meu coração a indignação do salmista. Sim, estou indignado, não preocupado, pois preocupação dá e passa. Indignação é um clamor da alma e do espírito; Paulo sentiu isso ao chegar a Atenas.

“Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns
irmãos perante as autoridades,clamando: Estes que têm
transtornado o mundo chegaram também aqui,”
(At 17.6).

Quando ouço o noticiário, fico assustado: se mata, se rouba, se corrompem por todo lado neste país. Homens e mulheres que deveriam praticar a justiça, o direito e o bem do povo, são acusados de prostituição e corrupção.

Nos acostumamos com as denúncias, isso virou rotina, e o que é pior, não nos escandalizam mais, pois se incorporaram ao nosso dia a dia; nossa capacidade de indignação diminuiu, por isso não reagimos, e, com isso, nos fazemos cúmplices, afinal, “quem cala consente”. Precisamos levantar a bandeira da honestidade, do temor de Deus, e da vida íntegra e santa. Recomendo a leitura dos Salmos 11, 12, 14, 15 e 16.
Precisamos urgentemente restabelecer com voz e testemunho profético, a verdade da Palavra, o poder do Evangelho, a eficácia de uma vida com Cristo.


2) O que nos faz cristãos?
É o fato de que um dia nos reconhecemos como pecadores:
“Pois todos pecaram e carecem
da glória de Deus,”
(Rm 3.23).

Sentimos nosso fracasso, ao tentar vencer o pecado, como Paulo, sofríamos os efeitos de uma vida dominada pelos impulsos da nossa carne.
“Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal
que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que
não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o
pecado que habita em mim.”
(Rm 7.19-20).

Assim que fomos atraídos pelo amor de Deus em Cristo, e a graça moveu nossos corações a receber a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, nascemos de novo:
“O que é nascido da carne é carne; e o que é
nascido do Espírito é espírito. Não te admires de
eu te dizer: importa-vos nascer de novo.”
(Jo 3.6-7).

Esta Salvação nos é dada pela graça, mediante a fé:
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé;
e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de
obras, para que ninguém se glorie”.
(Ef 2.8-9).

Por que estou recordando isso? Porque nós somos cristãos metodistas, e sabemos que podemos esfriar na fé, e, sem perceber, perder a salvação. Como está escrito:

“Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações
do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador
Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos,
tornou-se o seu último estado pior do que o primeiro.”
(2 Pe 2.20).

“Tenho, porém, contra ti que abandonaste
o teu primeiro amor.”
(Ap 2.4).

Sim, avaliemos o efeito da nossa fé. Produz testemunhas e frutos do Espírito?
O Brasil precisa muito ver vidas convertidas e transformadas. Há muitas pessoas no Brasil tocadas por Jesus, mas poucas realmente transformadas.

Sejamos cristãos como ensinou Wesley: “Um metodista ama ao Senhor seu Deus com todo seu coração, com toda sua alma, com todo seu entendimento, e com todas as suas forças. Deus é a alegria do seu coração, e o desejo da sua alma, que clama continuamente: Quem tenho eu no Céu além de Ti? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Meu Deus e meu tudo! (1)

Além disso, o testemunho de um convertido no ministério de Wesley: “O barbeiro que me barbeava disse: “Senhor, eu louvo a Deus por sua causa. Quando o senhor estava em Bolton, a última vez, eu era o ébrio mais notável da cidade; fui ouvi-lo pregar, fiquei perto da janela e Deus me feriu no coração. Então orei, pedindo poder sobre o meu vício de beber, e Deus me deu mais do que eu pedira, tirou-me o desejo de beber; contudo, eu me sentia pior, sempre pior, até que no dia 5 de abril p.p. não me aguentava mais. Sabia que cairia no inferno naquele instante, se Deus não me socorresse; mas Ele me apareceu, e me fez saber que me amava; então senti a doce paz. No entanto não podia eu dizer que tinha fé; mas ontem fez um ano que Deus me deu fé, e seu amor me tem transbordado o coração até agora. (2)

3) O que nos faz discípulos/as?
Primeiro, como a palavra designa, discípulo/a é um aluno/a aprendiz. Quem é arrogante, não tem um coração quebrantado e ensinável, não consegue ser discípulo. Temos pessoas na Igreja, e ocasionalmente no ministério, que não aprenderam as verdades básicas do Evangelho. Por exemplo, não perdoam quem as feriu; essas pessoas carregam uma doença espiritual e emocional; enquanto não forem libertas, não vão ganhar o céu (cf. Mt 6.14). Outros não conseguem amar os inimigos, pelo contrário, fazem tudo para aniquilar os seus inimigos, seguem o caminho inverso de Jesus. Elas são amargas e pouco ensináveis.

Segundo, o verdadeiro discípulo e discípula, está sempre aprendendo. Tem sede de Deus, quer crescer nas coisas de Deus:

“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas
uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás
ficam e avançando para as que diante de mim estão,
prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana
vocação de Deus em Cristo Jesus.”

(Fp 3.13-14).

Wesley dá testemunho de irmãos/ãs que se tornaram discípulos/as diligentes: “Porém, à noite, fiquei completamente convencida da necessidade de uma mudança mais profunda. Sentia os restos do pecado em meu coração e queria limpeza completa. Ansiava ser salva de todo pecado e limpa de toda injustiça. No momento em que Thomas Rankin estava pregando, o desejo aumentou muito. Depois me reuni com a sociedade. Na última oração, senti-me sobrecarregada com o poder de Deus. Percebi uma mudança inexplicável no mais profundo do meu coração. Desde aquele momento, não mais senti cólera, orgulho, mau-caratismo de nenhuma classe, nada contrário ao amor puro de Deus, que sinto continuamente. Não desejo outra coisa senão a Cristo e o tenho sempre reinando no meu coração. Não desejo nada. Ele é tudo o de que necessito no presente e para a eternidade. (3)

Hoje, a melhor maneira de conseguir isso é formando grupos de discipulado. Não dá para ser cristão frutífero com uma vida cristã madura, em constante crescimento, fora deste processo de santificação e evangelização que o grupo de discipulado propicia. Ali, mais do que em outros espaços de discipulado na igreja local, há oportunidade maior de se expor a vida que vivemos, sermos advertidos/as em amor a mudanças, e crescermos. Sim, como discípulos/as vamos mais e mais sentindo a alegria de ser discípulo/a, e começamos a falar da nossa fé, trazendo vizinhos e familiares para experimentar a vida com Deus e no seguir a Cristo.

4) O que nos faz discipuladores? Evangelizadores?

É preciso deixar claro que nossa ênfase de discipulado são grupos de santidade, comunhão e multiplicação. Não dá para segurar o “bom perfume de Cristo”, tampouco os “rios de água viva que brotam dos corações dos discípulos e discípulas”

“Quem crer em mim, como diz a Escritura,
do seu interior fluirão rios de água viva.”
(Jo 7.38).

Assim que todo discípulo/a precisa se tornar um discipulador. Irmãos e irmãs é essencial para a Igreja do Senhor cumprir o mandato missionário de: “ir e fazer discípulos.” Nosso único objetivo é o objetivo de Deus: ir e salvar e discipular os perdidos:

“[Pois o Filho do Homem não veio para destruir
as almas dos homens, mas para salvá-las.]
E seguiram para outra aldeia”.

(Lc 9.56).

Deus nos criou, nos salvou, nos fez discípulos e discipuladores para sermos cheios e ungidos pelo Seu Espírito Santo. A melhor maneira de ser santo é ter intimidade com o Deus Santo e seu Espírito. Nenhum discípulo/a, discipulador/a pode ficar continuamente satisfeito sem a plenitude interior, a capacitação divina, o brilho, o fogo e o poder do Espírito.

Não é possível passar o que não temos, nem ensinar sem a graça e o poder do Espírito Ensinador. Atenção! Cale-se diante d’Ele toda terra, só o Senhor é Deus e tem o caminho ao coração dos pecadores.

“É belo e desafiador ver uma vida resplandecendo para Deus e sendo uma inspiração para outros. Isso proporciona fé às pessoas para crerem que Deus opera na vida daqueles a quem amam e nas situações que as preocupam. Dá-lhes a confiança de que Deus irá responder à oração e fazer com que outros desejem aproximar-se d’Ele e obedecê-Lo. Uma vida resplandecente é sempre uma bênção muito maior que a mesma vida sem a chama do Espírito.” (4)

Lembrem, é com discípulos/as e discipuladores que levaremos:

“O Evangelho para cada pessoa, um grupo de discipulado
em cada rua e uma igreja em cada bairro ou cidade.”

Deus nos abençoe!

___________________________________________________________
(1) Wesley J. A - Perfeição Cristã. EUA: Ed. Casa Nazarena de Publicações, 1981. p.18.
(2) Wesley J. – Trechos do Diário de João Wesley. São Paulo: Junta Geral de Educação Cristã, 1965. p. 88.
(3) Barbosa J. C. – Adoro a Sabedoria de Deus. Piracicaba: Ed. UNIMEP, 2002. p. 261.
(4) Duewel, Wesley L. – Em Chamas para Deus. São Paulo. Ed. Candeia. 1996. p. 13

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.