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Rio, 28/12/2013
 

A Espiritualidade da Fuga

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Na cidade catalã de Barcelona (Espanha) encontra-se o magnífico Templo Expiatório da Sagrada Família, também conhecido sim-plesmente como Sagrada Família.

É uma igreja católica desenhada pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí, e considerado por muitos críticos como a sua obra-prima e expoente da arqui-tetura modernista catalã.

O projeto foi iniciado em 1882 e assu-mido por Gaudí em 1883, quando tinha 31 anos de idade, dedicando-lhe os seus últimos 40 anos de vida, os últimos quinze de forma exclusiva. A construção teve financiamento privado. Estima-se que a conclusão deverá ser um pouco para antes de 2026, centenário da morte de Gaudí.

O nome do Templo Sagrada Família fala da devoção surgida na Igreja católica no século XVII, quando os cristãos começaram a prestar atenção ao fato de que Jesus, o Filho de Deus, desceu do céu e se fez homem den-tro de uma família. Ele nasceu numa família comum. Seus pais eram pessoas comuns, simples, trabalhadores, como tantas famílias espalhadas pelo mundo. Maria, uma dona de casa, José um carpinteiro e Jesus, um filho exemplar e obediente. Uma família feliz e simples.

A festa da Sagrada Família foi institu-ída pelo papa Leão XIII, em 1883. Depois dis-so, foi estendida pelo papa Bento XV a toda a Igreja. Começaram a vender imagens da sa-grada família e crer no poder mágico das es-culturas.

No primeiro domingo após o Natal meditamos no Evangelho que fala da família de Jesus. Deus desejou ter uma família e escolheu José e Maria como pais terrenos.

Como família simples, humilde e reli-giosa, teve vários problemas e dificuldades, principalmente com relação a perseguição de Herodes e a fuga para o Egito.

O Evangelho deste domingo - Ano A - é Mateus 2.13-15, 19-23. Conta a história desta fuga para salvar a vida do menino Jesus. Este evangelho nos faz muitas provocações.
Somos condicionados a não fugir. A fuga parece não fazer parte do cristão vence-dor. Um líder de verdade nunca foge. São falas longe da realidade.

Na dimensão da fé e da espiritualidade a fuga é importante para o nosso crescimento. As perguntas precisam ser: Fugir por quê? Fugir para onde? O que construir na fuga? Quem está me motivando a fugir?

A Bíblia diz que “um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egi-to, e ali fica até que eu te fale; porque Hero-des há de procurar o menino para o matar. Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. e lá ficou até a morte de Herodes...”. (Mt 2.13-15).
Estas palavras parecem contraditórias diante de nossos vícios pelo sucesso e prosperidade. Parece um anjo fraco! Como isto pode acontecer? Um poderoso anjo, ao invés de matar Herodes, manda José fugir?

Estas aparentes contradições aparecem com frequência em nossa caminhada cristã. Existem tempos que não temos respostas de Deus. Até parece que o mal está prevalecen-do. Herodes continua firme e forte. Continua perseguindo e prevalecendo. Continua sendo o opressor. Nesses tempos a resposta de Deus tem sido: Espere um pouco mais! Outras vezes a resposta é: Olhe a vitória que eu vou te dar! Golias irá morrer! Mas tem vezes que Deus diz: Sebo nas canelas! É momento de fugir para o Egito!

A fuga ocorre de noite. É uma fuga "escondida". É uma fuga para livramento da própria vida. Fico imaginando a cena: noite fria; muito escuro. Maria com o bebê no colo. Uma longa estrada pela frente. Muitos la-drões na estrada.

Deus é poderoso para livrar José e Ma-ria dos ladrões, mas com relação a Herodes o anjo diz: Foge! Isso é fraqueza de Deus? Tem momentos que Deus protege. Tem momentos que Deus te levanta para lutar. Tem momen-tos que Deus abate os inimigos, mas tem momentos que nada acontece. Só ouvimos uma palavra: Foge!

Não era momento para enfrentar He-rodes. Deus iria enfrentá-lo um dia. O mo-mento era para fugir. Existem muitos Hero-des que perseguem o nascimento de Jesus em nosso coração. Existem muitos poderosos Herodes que tentam encardir a fé e descostu-rar a aliança de Jesus em nosso coração. Tenho muitas experiências nesta área. As várias vezes que fui vencido, foi porque não fugi como deveria ter feito. Fiquei espe-rando um anjo do céu e fui abatido. O anjo não veio. Não era para vir. O projeto de Deus era: Foge!

Quando Deus manda o homem fugir, não espere livramento de outro jeito. Não espere milagres maravilhosos. A orientação é clara: Foge.
José e Maria fugiram para o Egito. Ma-teus diz que isso ocorreu para que as Escritu-ras fossem cumpridas. Apesar desta explica-ção, é estranho teologicamente ver o Messias fazer o caminho de volta ao Egito. Na liturgia judaica, Egito é lugar de opressão. Deus nos tirou de lá. Lá éramos escravos, oprimidos, massacrados. O Egito é outra contradição. É o local inesperado. È a via mais imprevisível que poderia ocorrer. Egito é onde nunca es-peraríamos acolhimento. O povo do Messias saiu de lá e agora o Messias busca de lá a segurança e o esconderijo. Egito significa lugar inesperado. O último lugar do mundo para nos acolher.

É isso que Deus está nos falando. Tem momentos onde somos acolhidos e restaura-dos por Deus por pessoas que nunca imagi-návamos. Lembro-me de uma freira que pas-sou mal num curso de liturgia. Estavam pre-sentes diversos padres, freis e freiras e um pastor protestante. Ela buscou auxílio no pastor que a levou para o hospital e depois para o seu convento. Esse pastor foi um “Egito”, a pessoa inesperada, o bom samaritano.

São em momentos de fuga que Deus realiza os milagres de acolhimento no Egito. José teve um grande milagre. O milagre de ser orientado a não esperar milagres. O mila-gre de ser agente do próprio milagre e o mi-lagre de obedecer, mesmo não vendo mila-gres.

Há momentos em que a espiritualida-de nos leva a fugir. Tem Herodes que não se resiste cara a cara. A orientação de Deus é: Foge! Muitas vezes esses Herodes estão muito perto de nós. Precisamos aprender a fugir para o silêncio, a oração e o deserto.

Henri J. M. Nouwen relata a história do abade Macário, um dos padres do deserto:

“Certa vez, depois de dar a bênção aos irmãos na igreja de Scete, o abade Macário lhes disse: Fujam, irmãos. Um dos anciões lhe respondeu: Como podemos fugir além deste ponto, já que estamos no deserto? Então Macário pôs o dedo na boca e falou: Fujam disto. Assim dizendo, entrou em sua cela e fechou a porta”.

Fugir da própria ansiedade de falar e buscar respostas quando não há. Confiar também é fugir e ficar em silêncio.

Que neste novo ano possamos fugir para os braços do Senhor e viver a fidelidade de ser servo. Fidelidade nas orações, na cari-dade, no testemunho, no dízimo e nas ofertas. Assim como Deus providenciou tudo para a família de Jesus, assim também providenciará todas as bênçãos e suprimentos para o caminho.

Feliz Ano Novo!

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