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Páscoa
Rio, 3/5/2014
 

No Caminho de Emaús

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Hoje o Livro de Oração Comum (protestante do século XVI) traz a seguinte coleta (oração): “ Deus Todo-poderoso, tu mostras a luz da verdade aos que erram para que regressem ao caminho da retidão; ajuda os que são de Cristo a renunciar a tudo que se oponha à fé que professam e a andar nos passos do divino Mestre. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém”. 

O Evangelho de hoje (Lucas 24.13-25) fala do Senhor auxiliando seus discípulos a voltarem ao caminho da fé. 

O terceiro domingo da Páscoa é um convite a descobrir o Senhor que acompanha os homens e mulheres pelos caminhos da vida, aviva com a sua Palavra os corações magoados, decepcionados e desolados, se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para “partir o pão”; e apela para que todos sejam testemunhas da ressurreição. 

A história que o Evangelho deste domingo nos apresenta é exclusiva de Lucas: nenhum outro evangelista a refere. O texto põe-nos a caminhar com dois discípulos de Jesus que, no dia de Páscoa, vão de Jerusalém para Emaús. 

De acordo com o autor do texto, os dois homens dirigiam-se para uma aldeia chamada Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém (cerca de 10 quilômetros). Uma localidade com esse nome, a essa distância de Jerusalém é, no entanto, desconhecida… Pensou-se que o texto poderia referir-se a Amwas, uma localidade situada a cerca de trinta quilômetros a oeste de Jerusalém (alguns manuscritos antigos não falam de sessenta estádios, mas de cento e sessenta estádios, o que nos colocaria no sítio certo); no entanto, parece ser uma distância excessiva para percorrer num dia, sem paragens e a conversar despreocupadamente.

A cena coloca-nos, em primeiro lugar, diante de dois discípulos que vão a caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas; o outro não é identificado. Os dois estão, nitidamente, tristes e desanimados, pois os seus sonhos de triunfo e de glória ao lado de Jesus ruíram pela base, aos pés de uma cruz. Esse Messias poderoso, capaz de derrotar os opressores, de restaurar o reino grandioso de Davi (”nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel”) e de distribuir benesses e honras aos seus colaboradores diretos revelou-se, afinal, um fracasso. 

Em lugar de triunfar, deixou-Se matar numa cruz; e a sua morte é um fato consumado pois ”é já o terceiro dia depois que isto aconteceu” (o ”terceiro dia” após a morte é o dia da morte definitiva, do não regresso do túmulo). Abandonam a comunidade – que, doravante, não parece fazer qualquer sentido – e regressam à sua aldeia, dispostos a esquecer do sonho, a pôr os pés na terra e a enfrentar, de novo, uma vida dura e sem esperança. 

A discussão entre eles a propósito de ”tudo o que tinha acontecido” (v. 14) deve entender-se neste enquadramento: é essa partilha solidária dos sonhos desfeitos que torna menos doloroso o desencanto.

Na sequência, o autor do relato introduz no quadro uma nova personagem: Jesus. Ele faz-se companheiro de viagem destes discípulos em caminhada, interroga-os sobre ”o que se passou nestes dias” em Jerusalém, escuta as suas preocupações, torna-se o confidente da sua frustração. Os dois homens contam a história do ”mestre” cuja proposta os seduziu; mas a versão que contam termina no túmulo: falta, na sua descrição, a fé no Senhor ressuscitado – ainda que conheçam a tradição do túmulo vazio.

Para responder às inquietações dos dois discípulos e para lhes demonstrar que o projeto de Deus não passava por quadros de triunfo humano, mas pelo amor até às últimas consequências e pelo dom da vida, ”começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito”. É na escuta e na partilha da Palavra que o plano salvador de Deus ganha sentido: só através da Palavra de Deus – explicada, meditada e acolhida – o crente pode perceber que o amor até às últimas consequências e o dom da vida não são um fracasso, mas geram vida nova e definitiva. A escuta da Palavra de Deus dá a entender ao crente a lógica de Deus e demonstra-lhe que a vida oferecida como dom não é perdida, mas é semente de vida plena. Os discípulos percebem, então, que ”o messias tinha de sofrer tudo isso para entrar na glória”: a vida plena e definitiva não está – de acordo com os esquemas de Deus – nos êxitos humanos, nos tronos, no poder; mas está na cruz. 

Os três (Jesus, Cléofas e o discípulo não identificado) chegam, finalmente, a Emaús. Os discípulos continuam a não reconhecer Jesus, mas convidam-no a ficar com eles. Ele aceita e sentam-se à mesa. Enquanto comiam, Jesus ”tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lhes”. As palavras usadas por Lucas para descrever os gestos de Jesus evocam a celebração da Santa Ceia (eucarística) da Igreja primitiva. Dessa forma, Lucas recorda aos membros da sua comunidade que é possível encontrar Jesus vivo e ressuscitado – esse Jesus que por amor enfrentou a cruz, mas que continua a fazer-se companheiro de caminhada dos homens e mulheres nos caminhos da história – na celebração da Santa Ceia, no Culto, adoração, na comunhão da assembleia reunida: sempre que os irmãos se reúnem em nome de Jesus para ”partir o pão”, Jesus lá está, vivo e atuante, no meio deles.

A última cena da nossa história põe os discípulos a retomar o caminho, a regressar a Jerusalém e a anunciar aos irmãos que Jesus está, efetivamente, vivo. 

O texto deixa uma mensagem muito importante: depois de fazer a experiência do encontro com Cristo vivo e ressuscitado na acolhida da Palavra e na celebração do partir o pão, cada crente é, implicitamente, convidado a voltar à estrada, a dirigir-se ao encontro dos irmãos e irmãs, e a testemunhar que Jesus está vivo e presente na história e na caminhada dos homens e mulheres.

Emaús é a nossa história de cada dia: os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado, os nossos corações que duvidam fechados na tristeza, os nossos velhos sonhos vividos com decepção, o nosso caminho, talvez, afastando-se do Ressuscitado. N’Ele, durante este tempo, ajustemos os passos para que Ele possa caminhar junto de nós no caminho da vida. Há urgência em abrir os nossos olhos para reconhecer a sua Presença e a sua ação no coração do mundo e para levar a Boa Notícia: Jesus Ressuscitou! Ele ressuscitou realmente!

Referência: Texto adaptado de Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, José Ornelas Carvalho da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos). LISBOA – Portugal.

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