IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 5/7/2014
 

Os 25 Artigos de Religião do Metodismo - Artigos 1º ao 4º - A Santíssima Trindade

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Como já vimos nos dois artigos anteriores, em 1552, o Congresso da Inglaterra decretou os 42 Artigos de Religião, sob a orientação de Arcebispo Protestante da Igreja Anglicana, Tomás Cranmer (1489-1556). Cranmer quis excluir as crenças da Igreja Católica Romana e medievais que não tinham bases bíblicas e, ao mesmo tempo, preservar a igreja inglesa na crença da igreja universal. Portanto, os 42 Artigos não são um Credo da Igreja inglesa, mas uma conservação na fé bíblica do catolicismo (Igreja Universal) e uma exclusão das heresias católicas romanas papal. Em 1570 os Artigos passaram ao número de 39. 

João Wesley, como pastor anglicano, preparando e organizando o movimento metodista (o metodismo era uma "irmandade" dentro da Igreja anglicana) para crescer e ser consolidado, copiou na íntegra 25 dos 39 Artigos de Religião usados pela igreja Anglicana e publicou como os 25 Artigos de Religião e Fé do Movimento (irmandade) Metodista.

Ele não escreveu nenhum artigo novo. Por isso, os 25 artigos de religião não são doutrinas suas ou criadas pelos metodistas. Ele simplesmente copiou integralmente, em geral palavra por palavra, e divulgou como artigo de fé.

Wesley não tinha nenhum problema doutrinário com a Igreja Anglicana. Seu problema era a fé secularizada e sem vida prática. Faltava experiência com Deus. Por isso ele criou esta irmandade chamada metodismo dentro da igreja anglicana. 

Ele omitiu quatorze artigos por entender que não tinham bases bíblicas suficientes ou apenas por não serem uteis a irmandade metodista. Ele conservou os 25 artigos de religião na íntegra porque entendia que era necessária uma base doutrinária para seus filhos e filhas na fé. Era uma base tradicional, bíblica e importante para manter o movimento a salvo das heresias que se propagavam em sua época. 

Qual o valor destas doutrinas anglicanas para nós metodistas? 

Os Cânones da Igreja Metodista, no seu artigo 2º, diz: "Doutrinas e costumes são os princípios e normas pelos quais a Igreja Metodista se orienta e são os mesmos aceitos pelo Metodismo Universal, fundamentados nas Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, única regra de fé e prática dos cristãos. 1º - A tradição doutrinária metodista orienta-se pelo Credo Apostólico, pelos Vinte e Cinco Artigos de Religião do Metodismo histórico e pelos Sermões de João Wesley e suas Notas sobre o Novo Testamento. 2º - Os Sermões de João Wesley e suas Notas sobre o Novo Testamento são publicados em livros. 3º - Os Vinte e Cinco Artigos de Religião do Metodismo histórico são os seguintes:..."

Os Cânones copiam literalmente os 25 Artigos de Religião separados por Wesley para o movimento metodista. Nossa doutrina é a mesma da igreja anglicana. Dos 39 artigos de religião pegamos 25 para nossa caminhada doutrinária. 

Duncan Alexander Reily, no livro "Fundamentos Doutrinários do Metodismo, página 10, fala sobre as duas maneiras principais de usar os Artigos de Religião. Uma maneira, certamente a mais comum, é tratar os Artigos como um compêndio de fé dos metodistas, ou seja, uma série de breves definições das doutrinas principais aceitas pelos metodistas. A segunda é a leitura histórica dos Artigos, e a leitura deles em blocos.

Este é o caminho que seguiremos. Iremos estudar os 25 Artigos em blocos. 

Reily  nos informa que os "Artigos de 1 a 4 tratam da resposta que a Igreja cristã deu à grande pergunta: Quem é Jesus Cristo? Na realidade, essa pergunta tem duas ramificações principais: 1) Quem é Jesus em relação Deus Pai?  2) Quem é Jesus em si mesmo? A primeira pergunta tem a ver com a Santíssima Trindade; a ela, a Igreja, nos primeiros dois Concílios Ecumênicos, respectivamente em Nicéia (325) e em Constantinopla (381), respondeu: "Jesus Cristo é plenamente Deus, a segunda pessoa da Trindade" (ao lado do Pai e do Espírito Santo). A segunda, a Igreja afirmou sua crença na encarnação, a saber, que Jesus é uma só pessoa que possui duas naturezas completas, a humana e a divina. A solução definitiva  dessa questão só se obteve no quarto Concílio Ecumênico, o de Calcedônia (ano 451). Portanto, os Artigos de 1 a 3 colocam os metodistas (seguindo a igreja anglicana) na tradição do cristianismo histórico, o que inclui não apenas as Igrejas Protestantes, mas também a Igreja Ortodoxa e a Católica Romana. O Artigo n° 4 se relaciona à doutrina da Trindade, e lembra a controvérsia no Concílio de Constantinopla onde se defendeu não apenas a plena divindade do Espírito Santo como também o Espírito Santo como pessoa. Mas o Artigo ainda se refere a um momento na história do pensamento cristão, quando Santo Agostinho, grande teólogo do Ocidente, manifestava temor com a tendência Oriental, desde Orígenes, de subordinar hierarquicamente o Filho ao Pai. Para contrabalançar esta tendência, Agostinho insistia que o Espírito Santo procedia igualmente ao Pai e ao Filho. Séculos mais tarde, quando a Igreja já havia assumido um determinado modo de ser compatível com as respectivas culturas do Oeste (Roma) e Leste (Constantinopla), foi este ponto doutrinário (ou seja, a questão da procedência do Espírito Santo) a “gota” que transbordou, resultando na triste ruptura entre o Cristianismo Ocidental e Oriental, em 1054, ou seja, entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa" (Fundamentos Doutrinários do Metodismo). 

O primeiro Artigo fala Da Fé na Santíssima Trindade. Como já informamos anteriormente, Wesley apenas copiou este artigo na íntegra. Esta é a fé Anglicana e a nossa fé. Quando usamos a nomenclatura "Santíssima Trindade" na liturgia, estamos fazendo referência a este artigo "Da Fé na Santíssima Trindade". 

O artigo diz: "Há um só Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo nem partes; de poder, sabedoria e bondade infinitos; criador e conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Na unidade desta Divindade, há três pessoas da mesma substância, poder e eternidade – Pai, Filho e Espírito Santo".

Nossa base doutrinária tem início na Santíssima Trindade: Cremos em um único Deus em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo. 

O segundo Artigo fala Do Verbo ou Filho de Deus que se fez verdadeiro Homem. O Artigo diz: "O Filho, que é o verbo do Pai, verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem, de maneira que duas naturezas inteiras e perfeitas, a saber, a divindade e a humanidade, se uniram em uma só pessoa para que jamais se separem, a qual pessoa é Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que realmente sofreu, foi crucificado, morto e sepultado, para nos reconciliar com seu Pai e para ser um sacrifício não somente pelo pecado original, mas, também, pelos pecados atuais dos homens".

Este artigo fala da encarnação de Jesus, sua natureza, sua morte e sacrifício para nos reconciliar com o Pai e apagarnossos pecados. 

O terceiro Artigo fala Da Ressurreição de Cristo. O Artigo diz: "Cristo, na verdade, ressuscitou dentre os mortos, tomando outra vez o seu corpo com todas as coisas necessárias a uma perfeita natureza humana, com as quais subiu ao Céu e lá está até que volte a julgar os homens, no último dia". O foco é a ressurreição de Cristo e sua ascensão. Está aguardando para voltar e exercer o Juízo final. 

O quarto Artigo fala do Espírito Santo. O Artigo diz: "O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é da mesma substância, majestade e glória com o Pai e com o Filho, verdadeiro e eterno Deus".

Este bloco termina falando do Espírito Santo como pessoa que procede do Pai e do Filho, sendo da mesma substância, majestade e glória. É verdadeiro e eterno Deus. 

Somos igreja em unidade com o cristianismo universal e histórico, por isso cremos na Santíssima Trindade, na Encarnação, Sacrifício, Ressurreição e Ascensão de Cristo, pela nossa salvação. Cremos na Pessoa do Espírito Santo como Deus presente para nos consolar e nos fortalecer para a missão de fazer novos discípulos e discípulas. 

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