IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 19/7/2014
 

Os 25 Artigos de Religião do Metodismo - Artigos 7º ao 12º - Pecado e Salvação

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Como vimos nos artigos anteriores, a Igreja Anglicana escreveu, no Reinado de Eduardo VI, os 42 Artigos de Religião em 1552, com o apoio do Arcebispo Tomás Cranmer (1489-1556). Cranmer escreveu os Artigos de acordo com a Reforma Protestante. Em 1570, no reinado de Elisabete I, os Artigos foram revisados e passaram ao número 39.

  Duncan Alexander Reily informa que "Por ocasião da formação da Igreja Metodista Episcopal na América do Norte (1784), João Wesley revisou os 39 Artigos, eliminando as partes que não se aplicavam aos Estados Unidos, tão recentemente independente da Inglaterra, e também eliminando artigos que favoreciam a predestinação. Assim ele dotou a nova Igreja Metodista Episcopal com 24 Artigos, aos quais a jovem Igreja acrescentou um, "Dos Deveres civis dos Cristãos", e que recebeu o número 23".

Na realidade este Artigo 23 foi parafraseado do Artigo 37 da Igreja Anglicana e colocado segundo a nova visão de sociedade e igreja (Veja meu artigo publicado no Jornal da Vila com o título: "Os 14 Artigos de Religião que Wesley não citou"). 

Como já vimos no Jornal da Vila, os Artigos 1º ao 4º falam da Santíssima Trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo; os artigos 5º e 6º falam da Bíblia Sagrada como nossa única Regra de fé e prática. 

Hoje iremos reler os Artigos 7º ao 12º que falam do Pecado e a da Salvação.  

Artigo 7º - Do pecado original: "O pecado original não está em imitar a Adão, como erradamente dizem os Pelagianos, mas é a corrupção da natureza de todo o descendente de Adão, pela qual o homem está muito longe da retidão original e é de sua própria natureza inclinado ao mal e isto continuamente".

O pecado original não é pecar como Adão pecou, mas é a natureza pecaminosa do ser humano.

Duncan Alexander Reily, no livro "Fundamentos Doutrinários do Metodismo" diz que este Artigo lembra a luta entre Agostinho e o monge irlandês Pelágio, no Século V.

Agostinho entendeu que o pecado original havia tornado o ser humano incapaz de alcançar a salvação sem a graça de Deus, enquanto Pelágio confiava grandemente na capacidade do ser humano se salvar pelas obras. 

Os metodistas, em comum com os Protestantes em geral (que seguem Agostinho no seu ensino de salvação pela graça), creem que a posição de Agostinho está mais de acordo com o ensino bíblico.

Estes Artigos são fundamentais para entendermos as doutrinas de João Wesley de “graça preveniente e arrependimento".

Artigo 8º - Do livre arbítrio: "A condição do homem, depois da queda de Adão, é tal que ele não pode converter-se e preparar-se pelo seu próprio poder e obras, para a fé e invocação de Deus; portanto, não temos forças para fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus sem a Sua graça por Cristo, predispondo-nos para que tenhamos boa vontade e operando em nós quando temos essa boa vontade".

É impossível o ser humano chegar a conversão sem a graça do Senhor. Qualquer esforço é em vão. É a graça que nos faz desejar a salvação. E depois a própria graça opera neste desejo. 

Artigo 9º - Da justificação do homem: "Somos reputados justos perante Deus somente pelos merecimentos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, por fé e não por obras ou merecimentos nossos; portanto, a doutrina de que somos justificados somente pela Fé é mui sã e cheia de conforto".

Seguindo a Doutrina dos Reformadores, somos salvos e justificados apenas pela fé. 

Artigo 10º - Das boas obras: "Posto que as boas obras, que são o fruto da fé e seguem a justificação, não possam tirar os nossos pecados, nem suportar a severidade do juízo de Deus, contudo são agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo, e nascem de uma viva e verdadeira fé, tanto assim que uma fé viva é por elas conhecida como a árvore o é pelos seus frutos".

As boas obras não nos salvam, mas são frutos da pessoa salva pela graça e justificada pela fé. 

Artigo 11º - Das obras de super-rogação: "As obras voluntárias que não se achem compreendidas nos mandamentos de Deus, as quais se chamam obras de superrogação, não se podem ensinar sem arrogância e impiedade; pois, por elas, declaram os homens que não só rendem a Deus tudo quanto lhe é devido, mas também da sua parte fazem ainda mais do que devem, embora Cristo claramente diga: “Quando tiverdes feito tudo o que se vos manda, dizei: somos servos inúteis”.

               O Artigo 11 é contra os obras de super-rogação. A Igreja Católica Romana sustenta que as obras realizadas depois da regeneração possuem  mérito (meritum condigni) e compõem a base da justificação do pecador diante de Deus. Alegam que uma pessoa pode fazer mais do que a lei requer dela, e realizar obras de super-rogação, e assim obter mais mérito do que é necessário para sua própria salvação e beatificação. Este mérito excedente vai para o tesouro da igreja e pode ser distribuído para o benefício de outros. Com base nesse ensino, as indulgências são concedidas ou vendidas até hoje, para fazer efeito não só nesta vida, mas também na vindoura.

Artigo 12º-Do pecado depois da justificação: "Nem todo o pecado, voluntariamente cometido depois da justificação, é pecado contra o Espírito Santo e imperdoável; logo, não se deve negar a possibilidade de arrependimento aos que caem em pecado depois da justificação. Depois de termos recebido o Espírito Santo, é possível apartar-nos da graça recebida e cair em pecado, e pela graça de Deus levantar-nos de novo e emendar nossa vida. Devem, portanto, ser condenados os que digam que não podem mais pecar enquanto aqui vivem, ou que neguem a possibilidade de perdão àqueles que verdadeiramente se arrependam".

Após a salvação passamos a ser pecadores salvos. Podemos pecar e cair da graça. Mas ainda assim é nos concedido o arrependimento e o perdão. Toda a pessoa realmente arrependida pode voltar aos braços do Senhor pela graça. 

Conclusão:

Vimos nestes Artigos 7º ao 12º a resposta protestante à questão do pecado e da salvação. Todos nascemos no Pecado Original e é impossível a conversão humana sem a graça divina.  A justificação humana é fruto unicamente dos méritos de Cristo. Pela graça somos sempre restaurados, mesmo depois da regeneração, quando há genuíno arrependimento. 

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