IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 9/8/2014
 

Os 25 Artigos de Religião do Metodismo - Artigos 21º ao 25º - Deveres Religiosos e Civis

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Temos lido os 25 Artigos de Religião da Igreja Metodista. Como vimos anteriormente, eles foram escritos pela Igreja Anglicana. Foi um trabalho do Arcebispo Tomás Cranmer (1489-1556). No ano de 1552, no Reinado de Eduardo VI, Cranmer escreveu os 42 Artigos de Religião. Em 1570, no reinado de Elisabete I, os Artigos foram revisados e passaram ao número de 39 Artigos

Wesley, devido a formação da Igreja Metodista Episcopal na América do Norte (1784), revisou os 39 Artigos, eliminando as partes que não se aplicavam aos Estados Unidos e que favoreciam a predestinação. Mais tarde a nova Igreja americana parafraseou o Artigo 23. No final, a Igreja ficou com apenas 25 Artigos de Religião.  

Hoje iremos reler os últimos artigos: 21º ao 25º que falam dos Deveres Religiosos e Civis.

Artigo 21º - Do casamento dos ministros: "Os ministros de Cristo não são obrigados pela lei de Deus, quer a fazer voto de celibato, quer a abster-se do casamento; portanto, é tão lícito, a eles como aos demais cristãos, o casarem-se à sua vontade, segundo julgarem melhor à prática da piedade".

Este Artigo vai contra a prática adotada pela Igreja Católica Romana. 

O celibato é uma invenção do século XI. Mas já existiam algumas leis com relação à vida conjugal do sacerdote. No ano 306 o Concílio de Elvira proibiu ao sacerdote dormir com sua esposa na noite anterior a celebrar o culto. Dezenove anos mais tarde, o Concílio de Nicea estabeleceu que, uma vez ordenados, os sacerdotes não podiam mais se casar. Finalmente, em 1073, Gregório VII inventou o celibato. 

Definiu-se que o matrimônio dos sacerdotes era herético, porque os "distraía do serviço ao Senhor e contrariava o exemplo de Cristo". Dezenas de historiadores supõem que a decisão de impor o celibato foi também um meio para evitar que os bens dos bispos e sacerdotes casados fossem herdados por seus filhos e viúvas em vez de beneficiar à Igreja. Em 1123 o Concílio de Latrão decretou a invalidade do matrimônio dos clérigos e, dezesseis anos mais tarde, o segundo Concílio de Latrão confirmou.

O Artigo 21º declara que é lícito diante de Deus o ministro de Cristo se casar. 

Artigo 22º - Dos ritos e cerimônias da Igreja: "Não é necessário que os ritos e cerimônias das Igrejas sejam em todos os lugares iguais e exatamente os mesmos, porque sempre têm sido diferentes e podem mudar-se conforme a diversidade dos países, tempos e costumes dos homens, contanto que nada seja estabelecido contra a Palavra de Deus. Entretanto, todo aquele que, voluntária, aberta e propositadamente quebrar os ritos e cerimônias da Igreja a que pertença, os quais, não sendo repugnantes à Palavra de Deus, são ordenados e aprovados à autoridade competente, deve abertamente ser repreendido como ofensor da ordem comum da Igreja e da consciência dos irmãos fracos, para que os outros temam fazer o mesmo. Toda e qualquer Igreja pode estabelecer, mudar ou abolir ritos e cerimônias, contanto que isso se faça para edificação".

Até hoje a Igreja Católica Romana e Ortodoxa têm ritos próprios que são repetidos em todas as igrejas do mundo. 

O 22º Artigo de Religião afirma que não é necessária esta uniformidade litúrgica. Contudo, uma vez que a Comunidade e a Autoridade competente decidem por um determinado rito e cerimônia, a desobediência a esta determinação deve ser reprovada severamente. 

Hoje em dia existem metodistas que desejam assistir aos cultos nas igrejas com uma uniformidade na celebração, cânticos e posturas. Quando encontram igrejas metodistas diferentes das suas, dizem: "Isso não é metodista!". Contudo, seguindo este Artigo, cada Igreja Local tem a liberdade para celebrar ao Senhor, obedecendo contudo à ordem do metodismo mundial: Adoração, confissão, louvor, edificação e dedicação e a Pastoral do Colégio Episcopal para o Culto. 

Artigo 23º - Dos deveres civis dos Cristãos: "É dever dos cristãos, especialmente dos ministros de Cristo, sujeitarem-se à autoridade suprema do país onde residam e empregarem todos os meios louváveis para inculcar obediência aos poderes legitimamente constituídos. Espera-se, portanto, que os ministros e membros da Igreja se portem como cidadãos moderados e pacíficos".

Este artigo fala da obediência às autoridades civis e militares. Somos convocados a ser cidadãos moderados e pacíficos. Isso vai contra as manifestações de desrespeito às autoridades e ao vandalismo que vimos alguns meses atrás em nosso país. O que é diferente de reivindicações legítimas e de forma respeitosa e coerente com o Evangelho.   

Artigo 24º - Dos bens dos Cristãos: "As riquezas e os bens dos cristãos não são comuns, quanto ao direito, título e posse dos mesmos, como falsamente apregoam alguns; não obstante, cada um deve dar liberalmente, do que possui, aos pobres".

Em alguns ramos da Reforma Protestante e até mesmo em muitos movimentos mendicantes medievais, ter bens era considerado pecado. Alguns chegavam a ensinar que o que possuíam deveria ser comum para todos. O artigo orienta o cristão ser zeloso em sua caridade para com o pobre sem precisar desfazer do que tem ou tornar comum seus bens.   

Artigo 25º - Do juramento do Cristão: "Assim como confessamos que é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo e por Tiago, seu apóstolo, o jurar em vão e precipitadamente, assim também julgamos que a Religião Cristã não proíbe o juramento quando um magistrado o requer em causa de fé e caridade, contanto que se faça segundo ensino do profeta, em justiça, juízo e verdade".

Novamente este artigo vai contra alguns movimentos cristãos que proibiam o juramento a um magistrado. 

Pela Justiça e pela Verdade, diante de um tribunal, o cristão pode fazer o juramento sem contrariar o mandamento Bíblico. 

Conclusão:

Os 25 Artigos de Religião da Igreja Metodista são anglicanos na íntegra. Nossa denominação nasceu no berço anglicano e conserva em sua doutrina o protestantismo Inglês. Atualmente o Ritual da Santa Ceia é uma adaptação do Livro de Oração Comum utilizado pela Igreja Anglicana. 

A contribuição do metodismo, no entanto, é a sua busca pela experiência com Deus através do testemunho interior do Espírito Santo, sua preocupação com a santidade bíblica, valorização do ser humano em suas necessidades e o fervor evangelístico. 

Segundo João Wesley, o objetivo do movimento metodista “Não é criar uma nova seita, mas reformar a nação, especialmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra.  

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