IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Pentecostes
Rio, 29/12/2006
 

Pentecostes: Impulso e Capacitação para uma Igreja Missionária

Bispo Paulo Lockmann


 

(Atos dos Apóstolos 2.1-47)

1. Introdução – A origem da festa
A expressão “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes...” (At 2.1) introduz o relato da descida do Espírito Santo sobre os 120 discípulos(as), mas, na verdade, nos detemos no ocorrido, sem meditarmos no porquê de isso ocorrer no dia de Pentecostes. Qual o propósito de Deus com isso?
Quando retornamos ao Antigo Testamento, ao relato de Êxodo 23.13-16, que fala das festas, em prosseguimento às leis da aliança entre Deus e o seu povo, são ali previstas três festas, dentre elas, a festa das semanas, no hebraico hag sabuôt . O nome Pentecostes é uma versão posterior, usada no período da dominação grega, e que significa qüinquagésimo, ou seja, após sete semanas da Páscoa. Nesse dia, o qüinquagésimo, se celebrava a festa de gratidão a Deus pela colheita. Sem dúvida, como sugere o nome, era uma festa rural judaica, com natureza mais comunitária que a Páscoa, por ser esta realizada no recôndito da família, enquanto o Pentecostes começava com a colheita simbólica (cf. Dt 16.9), seguida de uma peregrinação ao lugar do culto. Esta era uma festa de grande júbilo, pois recordava a gratidão de se ter uma terra onde plantar, e a bênção do fruto dessa terra.
Sim, o Pentecostes, como a segunda grande festa do calendário judaico, era a do tempo da colheita, quando as primícias da ceifa do trigo eram oferecidas ao Senhor. Celebrava-se sete semanas, após o início da ceifa da cevada. “Também guardarás a Festa das Semanas, que é a das primícias da sega do trigo, e a Festa da Colheita no fim do ano.” (Ex 34.22). (Ver, também, Lv 23.15-21; Nm 28.26-31; Dt 16. 9-12).

2. O Pentecostes como uma promessa de fogo.
O Espírito Santo é Aquele que atualiza a presença de Jesus, e, ao mesmo tempo, capacita a Igreja de Cristo para a sua missão. Seu símbolo mais comum é o fogo. Neste sentido, esse fogo é purificador, abrasador e mobilizador. João Batista, quando dá testemunho de Jesus, diz: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (Mt 3.11; Lc 3.16). O próprio Jesus afirmou: “Eu vim lançar fogo sobre a terra” (Lc 12.49). Segundo os melhores intérpretes , Jesus está dizendo que seu batismo não seria somente com água, mas também com fogo, segundo Fitzmyer, reconhecido exegeta do Evangelho de Lucas. O batismo de Jesus tem esta duplicidade: fogo e água, e não se destinam apenas ao povo, mas a ele mesmo, o próprio Jesus. Com isso, reconhecemos que a prometida vinda do Espírito Santo (cf. Lc 24) se realizaria, como sabemos, com o sinal do vento e das labaredas de fogo sobre cada um dos 120 discípulos reunidos no dia de Pentecostes, em Jerusalém.
Assim, seguimos, hoje, crendo que a vinda e a presença do Espírito Santo traz uma sentida sensação de fogo; foi assim com a Igreja Primitiva (cf. At 2.3s). Também com João Wesley, no dia 24 de maio de 1738, quando ele sentiu seu coração estranhamente aquecido, e, na vigília da passagem do ano de 1738 para 1739, já no dia 1º de janeiro, de madrugada, ele declara: “Os srs. Hall, Kinchin, Ingham, Whitefield, Hutchins e meu irmão Charles estiveram presentes à nossa festa de confraternização em Fetter-lane, com cerca de 60 de nossos irmãos. Às três da manhã, aproximadamente, enquanto continuávamos em oração, o poder de Deus veio poderosamente sobre nós, a ponto de muitos clamarem por júbilo e outros tantos caírem ao chão. Tão logo nos recobramos um pouco desse temor e surpresa com a presença de Sua majestade, falamos todos juntos: “Te louvamos, ó Deus, reconhecemos que Tu és o Senhor.” Assim como o Cristianismo ardeu em chamas do Espírito, levando-os às ruas de Jerusalém, João Wesley e seus companheiros arderam em chamas, e puseram fogo santo do Espírito na Inglaterra do século XVIII. Isso é tão visível em nossa herança Metodista que o nosso símbolo é a cruz e a chama.
Benjamin Franklin ia ouvir George Whitefield pregar, e testemunhava que podia vê-lo arder diante de seus olhos. Deus chamando e enviando o profeta Jeremias, declara: “Eis que converterei em fogo as minhas palavras na tua boca.” (Jr 5.14). Quando o Espírito abrasa o nosso coração, Ele torna as nossas palavras ardentes, com o propósito de aquecer o coração do povo, com arrependimento, conversão, consolo, quebrantamento. O famoso pregador inglês Dr. Martyan Lloyd-Jones, dizia: “A pregação é a teologia de alguém que está em chamas ... Digo outra vez que o homem que consegue falar sobre essas coisas (o Evangelho) desapaixonadamente não tem nenhum direito de estar no púlpito, e, estar nele, não lhe deve ser permitido. Qual é o principal objetivo da pregação? Gosto de pensar que é este: dar aos homens e mulheres uma sensação de Deus e da sua presença.” Isso nos coloca a questão se estamos dispostos a arder em chamas por Cristo, no poder do Espírito.

3. O Espírito derramado no Pentecostes nos faz testemunhas.
Jesus, nos Atos dos Apóstolos, ao anunciar a vinda do Espírito, declara: “... mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, Samaria e até os confins da terra.” (At 1.8). Assim, no livro de Atos, são colocadas duas questões iniciais: a) O poder do Espírito Santo é dado à Igreja para que ela seja testemunha. Testemunhar é o seu ministério; b) Ser testemunha e instrumento de Deus para a expansão e crescimento do Reino de Deus, pois não há limites; é de Jerusalém, Judéia, Samaria, e até os confins da terra. Ou como disse Jesus no final de Marcos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.” (Mc 16.15).
Nosso compromisso a partir do Pentecostes não tem limites; somos desafiados, cobrados, mesmo. Entendo que, quando a Igreja, em qualquer lugar, deixa de ser testemunha em constante expansão, não medindo esforços, nem fronteiras e barreiras para anunciar: “As virtudes daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz.” Ela perde a unção, sim, o fogo do Espírito lhe é retirado, porque este lhe é dado conforme Jesus para um propósito específico: ser testemunha em expansão missionária. Sempre que o propósito é esquecido, o Espírito se entristece e se retira. Então, vem a aridez, a ausência dos frutos, dos resultados. Deus nos livre disso. Acendamos a cada dia a chama no altar do Espírito Santo, nos empenhemos em seguir sendo testemunhas de Jesus.
Deixem-me considerar sobre o ser testemunha, estabelecido na palavra de Jesus. O sentido do substantivo grego martyria – testemunha, martys, ou mesmo o verbo martyrein – testemunhar, indica aquele que se dispõe a dar testemunho do que viu e ouviu, da verdade, mesmo que lhe custe a vida. Testemunhar, então, exige coragem e poder. Que tipo de testemunho é esse, que supõe a fidelidade ao mandatário do envio – Jesus – até à morte? Primeiro que o autor do comissionamento deu a sua vida pela mensagem que vivera e pregara: O Reino de Deus. Agora, Ele esperava que seus discípulos fossem fiéis testemunhas dEle e do Reino de Deus. Desse modo, ser testemunha é ter compromisso profundo com Jesus. Crer em sua obra. Confiar na sua Palavra, crer na eficácia de seu sacrifício como expiação pelos pecados de toda a humanidade, especialmente dos meus, dos nossos pecados, e daí crer no novo nascimento, início de uma nova vida, que deve ser vivida no poder do Espírito Santo (cf. Rm 8.1), para testemunhar o nome, a obra, o ensino, enfim, a vida de Jesus.

4. Como a Igreja entendeu e realizou este testemunho após o Pentecostes?
A Igreja declarou, através do testemunho de Pedro, no dia de Pentecostes, que a descida do Espírito era o cumprimento de uma promessa (cf. Jl 2.28). Ou seja, era a Palavra tornando-se realidade, tornando-se carne, vida plena. Seguindo-se o anúncio por Pedro da obra redentora, encerrando seu testemunho com uma confissão de fé: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” (At 2.36). Diante do anúncio feito por Pedro, o povo faz a pergunta com o coração contrito: “Que faremos irmãos?” Ao que Pedro responde: “Arrependei-vos e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo ...” (At 2.37). A Igreja deu seu testemunho com coragem e de maneira muito simples, através de um humilde pescador, Pedro. E o resultado, todos conhecemos: três mil pessoas se converteram. Testemunho intrépido e frutos abundantes foram os efeitos imediatos do Pentecostes na vida da Igreja.
Em seqüência, os convertidos foram sendo reunidos, em grupos, em diferentes casas, é o que sugere o texto de Atos 2.46. Assim, outro modo de testemunho que acompanhou a pregação foi o ensino, quando aprendiam a doutrina dos Apóstolos, ou seja, o ensino de Jesus. Junto ao ensino, havia o partilhar do pão, que caracterizava a comunhão. Se pararmos para examinar os desdobramentos do testemunho da Igreja, veremos que causou muito impacto na vida da cidade de Jerusalém. Esse é sempre o efeito do Evangelho, quando vivido na unção e poder do Espírito Santo. O texto é claro sobre isso: “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (At 2.47).

5. Pentecostes gerou e gera crescimento na vida da Igreja.
Como vimos, o Espírito Santo, sua vinda foi marcada por fogo, concedendo poder à Igreja, poder para testemunhar, poder para ensinar, poder para doar (cf. At 2.45), poder para amar os inimigos (cf. At 7.60). Esse poder do Espírito suscitou um mover em toda a cidade de Jerusalém, e na Judéia e em Samaria (cf. At 8.4-8), e, como vemos em Atos dos Apóstolos, até aos confins da terra. Sempre produzindo frutos abundantes. Vejamos como isso foi acontecendo.
No capítulo 3 de Atos, após a cura do coxo, Pedro prega novo sermão junto ao pórtico de Salomão, e, como resultado do seu testemunho do poder de Deus para curar e salvar, ele e João são presos (cf. At 4.3); o texto segue afirmando: “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra a aceitaram, subindo o número de homens a quase cinco mil.” (At 4.4). Agora, são mais cinco mil convertidos. Em seguida, em Atos 6.1-7, refere-se à eleição dos diáconos, porque: “...multiplicando-se o número dos discípulos...” O crescimento importa em quebra de paradigmas, enfrentar novos problemas, e buscar de Deus a direção. O resultado é que no término do relato da eleição dos diáconos, novo testemunho é dado sobre o crescimento: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.” (At 6.7).
Assim é que, hoje, ao nos aproximarmos da Festa de Pentecostes, precisamos transformá-la numa Festa da Colheita dos nossos dias, recuperando o seu sentido bíblico, a qual seria a colheita de almas (vidas) para Cristo. Sim, no sábado, dia 03, e no domingo, dia 04 de junho, estaremos celebrando uma grande colheita. Todos nós estamos desafiados a isso. As orientações seguem junto a esta carta pastoral.

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