IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Liderança
Rio, 29/12/2006
 

Pastor e Pastora – Um ministério decisivo.

Bispo Paulo Lockmann


 

1) Identidade bíblica do pastor e da pastora

No último Concílio Regional, elegemos 30 novos presbíteros e presbíteras, e uma pastora, e, no sábado, dia 18 de fevereiro, tivemos as ordenações e consagração, na igreja de Cascadura; foi uma linda festa. Mais de 800 pessoas, entre familiares e paroquianos dos ordenandos e consagranda, estavam presentes. Dei-me conta, mais uma vez, da responsabilidade do pastoreio, enquanto ministrava aos ordenandos. As referências bíblicas do pastorado têm sido substituídas pelas do líder religioso, que nem sempre dependem de princípios bíblicos; pelo contrário, muitas se guiam pelos modelos da média e seus parâmetros são os gestores de negócios bem sucedidos.
Por isso, deixem-me restabelecer esta figura bíblica, novamente, entre nós.

a) O/A Pastor/a, uma figura bíblica
A figura do/a Pastor/a é, antes de tudo, identificada com Deus no Antigo Testamento. Javé é o único Pastor do seu povo; isso está dito claramente na oração de Jacó, abençoando seus filhos (cf. Gn 49.24). Mas é nos textos pós-exílicos, onde isso se torna muito claro (cf. Sl 23;28.9;74.1;Is 40.10s). Assim, Deus é o paradigma bíblico de Pastor. Do mesmo modo, o povo de Israel é o seu rebanho (cf. Jr 13.17; Ez 34.31; Zc 10.3; Sl 100.3). Se lermos, com cuidado, veremos que esta figura simbólica, além de ter um forte elemento cultural de comunicação, representava o grande guarda do povo, pois seu cuidado garantia a base da economia em uma sociedade nômade e pastoril. Não foi à toa que houve tentativa de transferir essa figura para os reis (cf. 1Cr 11.2), embora não tenha se generalizado. Na verdade, a responsabilidade de cuidar do povo de Deus, e levá-lo a uma vida de confiança e fidelidade a Deus era dos sacerdotes; os profetas foram veementes em sublinhar isso (cf. Jr 2.8; 23.1-4; Ez 34.1-11).
No Novo Testamento, o termo poimên ocorre 9 vezes nos evangelhos sinóticos, 6 vezes em João, uma vez em Hebreus, em 1Pedro e em Efésios. Temos, também, com menor freqüência, a expressão poimnê o poimnion, que significa rebanho, e o verbo poimainô que é o verbo pastorear.
Em todo o Novo Testamento, a figura do pastor é trabalhada positivamente. Uma boa exegese do conceito de pastor deveria trabalhar exegeticamente o campo da palavra, examinando todas as incidências do termo, mas não é esta a natureza deste nosso trabalho. Queremos, tão-somente, sublinhar o significado mais óbvio do termo. Deus, na pessoa de Jesus, é o Bom Pastor (cf. Jo 10.11 e 14). Pedro recebe de Jesus, após a ressurreição, a tarefa de pastorear, como sinal de seu amor ao Senhor (cf. Jo 21.15-17).
Em Atos dos Apóstolos, a expressão ocorre especialmente na mensagem de Paulo aos presbíteros de Éfeso, quando Paulo recorda seu ministério pastoral por três anos entre os irmãos e irmãs em Éfeso (cf. At 20.17-38).
É, no entanto, na carta aos Efésios, onde o termo toùs dè poimenas kaì didaskalous (= outros para pastores e mestres) que deixa claro que há um carisma, trazido por aquele que enche todas as coisas: Jesus. (cf. Ef 4.8-11).
Diante disso, vemos que carisma pastoral é dom do Espírito Santo, dado por Jesus à Igreja, e exercido por homens e mulheres que nela se sintam chamados por Deus, e que neles a Igreja reconheça o carisma dado à Igreja, e constate o serviço dele decorrente. Assim, não há frutos sem o carisma e não há carisma sem frutos.

2) O que Deus espera do Pastor e da Pastora

Se reconhecemos que pastorado é um ministério gerado no coração de Deus, precisamos entender com clareza o que Deus espera do Pastor e da Pastora, que missão Ele lhes reservou.

a) Deus espera que o Pastor/a o ame

Quando Jesus queria dar a Pedro a missão de pastor, e, através dele, a todos nós, não o interrogou sobre a doutrina cristã; tampouco lhe deu um manual de pastoreio. Jesus lhe fez três perguntas semelhantes: “Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. Pela terceira vez, Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (Jo 21.15-17).
Jesus, em todo o tempo, sabia que nós não avançamos muito além do nosso amor; assim era com Pedro, e, o mesmo, conosco. Se amamos a Deus de todo o nosso coração e de toda a nossa alma, faremos a sua vontade, realizaremos a nossa missão, que é: “Apascenta os meus cordeiros [...] pastoreia as minhas ovelhas ...” (Jo 21.15-16).
João Wesley, falando não somente de pastor/a, mas dos metodistas, disse : “Um metodista ama ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, que clama continuamente: Que tenho eu no céu além de ti? Não há outro em quem eu me comprazo na terra. Meu Deus e meu tudo!”
Todas as demais coisas são importantes, doutrina, estratégia pastoral, mas nada acontece sem essa primeira.

b) Deus espera que o/a pastor/a ame as ovelhas que lhe são confiadas.
Jesus nos escolheu, a nós, pastores e pastoras, para cuidar de seu rebanho – a igreja. Paulo nos dá a medida com que devemos exercer nosso pastoreio: “Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém, santa e sem defeito.” (Ef 5.25-27). Jesus espera que nós amemos o rebanho com o seu amor, e que, se necessário, demos a vida por ela. Do mesmo modo, que um comandante não abandona o navio diante do perigo, o bom pastor não abandona o rebanho em hipótese alguma. Temos de cuidar do rebanho como quem cuida de seus próprios filhos e filhas, com todo amor, até que Cristo venha buscar a sua Igreja. Atenção! Nós não escolhemos as ovelhas, nossa tarefa é cuidar, curar e apascentar, ensinando os caminhos de Deus. Sempre prontos a buscar a que se perdeu. Deveria ser dia de choro e tristeza, quando temos de cortar uma ovelha do rebanho. Não aceito medidas pastorais, que se apressam a cortar ovelhas ausentes, sem antes jejuar, orar e se afadigar em trazê-las de volta ao aprisco das ovelhas.

c) Deus espera que o/a Pastor/a ame e busque os perdidos.

Um/a pastor/a é, acima de tudo, um apaixonado pelas vidas (almas) sem Deus. Seu zelo pelas vidas que estão longe de Cristo o faz gemer por elas, se comove ao ver as crianças na rua, os jovens drogados e o mundo sem Deus. Esta paixão o faz apaixonado pela evangelização, pelo serviço ao mundo, pelas missões mundiais.
Não precisamos dizer que os/as pastores/as que, na história da Igreja, fizeram diferença com seus ministérios, lideraram revoluções sociais, plantaram avivamento espiritual, foram marcados pela paixão pelas almas e pelas vidas sem Deus, pelas quais se afadigaram em seus ministérios, contagiaram suas igrejas, afetaram sua geração com imensas paixão e zelo.
Wesley é um exemplo disso: “Vocês não têm nada a fazer, senão salvar almas. Portanto, gastem e sejam gastos nessa obra. Devem ir sempre, não apenas ao encontro, aos que precisam de vocês, mas dos que necessitam mais.”
“Quando William Booth, fundador do Exército da Salvação, foi inquirido pelo rei da Inglaterra, sobre qual a força que dirigia a sua vida, ele respondeu: “Majestade, alguns homens têm paixão pelo ouro, outros pela fama, mas a minha paixão é pelas almas.”
Continuaremos, no próximo mês, quando enviarei, também, notas sobre o ministério pastoral, preparadas pelo Bispo Adriel de Souza Maia e pelo Bispo Josué Adam Lazier, tudo visando aprofundar a natureza e a responsabilidade do nosso ministério pastoral.

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.