IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 29/12/2006
 

Três Conselhos de Paulo aos Servos de Deus

Bispo Paulo Lockmann


 

Introdução:
Estamos carentes de referências bíblicas que fortaleçam o perfil de um/a servo/a de Deus, conforme a Palavra de Deus. Comentários e denúncias contra pastores/as e/ou líderes das nossas igrejas nos apontam a necessidade de buscarmos nas Escrituras esses fundamentos, a fim de caracterizarmos melhor nosso ministério como pastores/as e líderes na casa de Deus.
Para isso, selecionei três conselhos de Paulo a Timóteo, mestre e discípulo, nos quais o Apóstolo Paulo identifica características e ênfases que precisam estar presentes na vida e ministério de um/a líder na obra de Deus.

1) “Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.” (2 Tm 1.6-7)
Reavives o dom de Deus. Esta recomendação tem como causa uma possível timidez de Timóteo em exercer seu ministério com ousadia e intrepidez. Como exemplo, vemos que na primeira carta a Timóteo, Paulo o estimula a assumir seu ministério, mesmo sendo muito jovem: “Ninguém despreze a tua mocidade ...” (2Tm 4.12a). Havia um conceito no mundo bíblico, onde os jovens eram considerados pouco sábios, inexperientes, pouco capazes. Isso, em geral, há ainda hoje. Dentro desse quadro, era natural uma certa insegurança de um jovem como Timóteo. Some-se a isso o fato de ter sido ele criado por sua mãe Eunice e sua avó Loide, o que tem feito alguns exegetas identificarem, pela falta de referência ao pai, o fato de Timóteo ter sido órfão de pai. O que numa sociedade patriarcal pode ter marcado Timóteo com uma insegurança, dada a ausência da figura paterna.
Mas isso, na verdade, é o contexto sociohistórico, que está posto para afirmar que não é a faixa etária: jovem, adulto ou idoso, que garante um testemunho santo e um ministério eficiente. O que nos faz servos de Deus, abençoados, não são, tampouco, nossos talentos naturais, simpatia, oratória, talento musical. A questão decisiva é o Dom de Deus em nós. Ao que parece, estava faltando a Timóteo mais evidência deste dom do Espírito capacitador, que realmente faz nossa vida frutificar, sem o qual nenhum ministro/a produz frutos. Por isso, a exortação de Paulo: “ ... reavives o dom de Deus.” (2Tm 1.6).
Reflita comigo: Como está o dom de Deus em você? O dom de Deus em Moisés fez seu rosto brilhar (cf. Ex 34.29). O dom de Deus em Elias fez o profeta enfrentar os profetas de baal em muito maior número, e vencê-los (cf. 1Rs 18.30). O dom de Deus em Jesus fazia os enfermos serem curados, e os demônios fugirem, e o povo concordar que Ele: “ ... os ensinava como quem tem autoridade.” (Mc 1.29). Hoje, queremos que o povo saia às ruas, evangelize, ore faça discípulos. Com quantas pessoas na semana você compartilha o amor de Jesus? Po quantas horas por dia você ora? A quantas pessoas está discipulando? Seu coração está em chamas, seu rosto brilha, quando você fala do Senhor? Nosso povo não irá além de onde já fomos em nossa vida e ministério. Portanto, reaviva o dom que há em ti!

2) “Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” (2Tm 2.1-2).
Paulo inicia este capítulo, retomando, de modo prático, a ordem contida na grande comissão dada por Jesus. Não é opção, é ordem, o tempo do verbo é imperativo, que se impõe pela urgência: “Ide e fazei discípulos/as de todas as nações.” (Mt 28.19).
Nosso Plano Nacional afirma: “... o nosso discipulado é prioridade. Ele deve ser agregador e, seguindo a tradição bíblica e metodista que herdamos, deve fortalecer nossa identidade, nossa eclesiologia e promover a dinâmica de dons e ministérios, preparando nossa membresia para o cumprimento da missão.”
Nosso planejamento estratégico regional também afirma: “A missão da Igreja Metodista na 1.ª Região Eclesiástica é participar da ação de Deus no seu propósito de salvar o mundo, e, particularmente, o povo do Estado do Rio de Janeiro. A Igreja Metodista cumpre a sua missão, realizando o culto de Deus, pregando a sua Palavra, ministrando os sacramentos, promovendo a fraternidade e a disciplina cristãs e proporcionando, a seus membros, meios para alcançar uma experiência cristã progressiva, de modo que estes sejam discípulos de Cristo e alcancem o mundo através de seus dons e ministérios. A visão da Igreja Metodista é que venhamos a nos empenhar em fazer, amadurecer e enviar discípulos para estabelecer ou revitalizar a presença do testemunho e serviço metodistas em todos os bairros, povoados e cidades do Estado do Rio de Janeiro.”
Se isso já não fosse suficiente, João Wesley, o servo de Deus que Ele levantou para iniciar o movimento de renovação espiritual, que deu origem ao Metodismo, orienta: “Os metodistas são pessoas privilegiadas, pois dispõem de um modelo de disciplina extremamente simples e racional, totalmente fundamentado no bom senso e nas Escrituras. São normas disciplinares que qualquer pessoa disposta e decidida a salvar sua alma poderá cumprir, sem maiores dificuldades. Tal disposição deve ser demonstrada de três maneiras: apartar-se de todo pecado, fazer todo o bem ao seu alcance e cumprir os mandamentos de Deus. Depois da primeira decisão, a pessoa é integrada a um grupo, com o qual se reunirá semanalmente, por uma hora. Após três meses, se não houver nada a objetar em sua conduta, ela é admitida como membro da sociedade. A partir daí, poderá continuar, com a condição de reunir-se com seus irmãos, e viver de acordo com a fé que professa.”
Depois de organizar as classes (grupos pequenos), ele definiu assim o objetivo desses grupos de discipulado: “Tal sociedade não é outra coisa, que um grupo de pessoas que, tendo a experiência de conversão, buscam a eficácia da piedade, unidos com o propósito de orar juntos, de receber a palavra de exortação e de cuidar-se mutuamente em amor, ajudando umas às outras a ocupar-se de sua salvação.” Era a busca da santidade de vida e de coração ensinada e buscada por Wesley e pelos metodistas primitivos.
Diante disso, se torna atual a recomendação de Paulo a Timóteo: “ ... o que de minha parte ouviste ...” (2 Tm 2.2.) torna-se o objetivo do ministério de Paulo, de Timóteo e da Igreja.
Assim, quero começar este novo mandato como Bispo da Primeira Região Eclesiástica, deixando claro que não vou tolerar desobediência de forma alguma a esta prioridade. Você precisa começar um estilo de ministério pastoral discipulador. Como já mostrei, comece com sua CLAM, crie uma disciplina de estudo bíblico e oração com seus líderes, recuse planejar, aprovar agendas e construções, sem antes pôr a boca no pó, estudar a palavra, enfim, serem todos discípulos e discípulas em crescimento diante de Deus. Você será cobrado para pôr em prática isso; primeiro por Deus, depois pelo Bispo.

3) “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2Tm 2.15), e “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2 Tm 4.2).
Por fim, temos o conselho que é o objetivo do nosso ministério, já que reavivar o dom é meio, e discipulado em grupos pequenos também é meio. Qual é o fim, então, desta obra de Deus? Wesley dizia aos pregadores leigos: “Salvar as nossas almas, e a dos que nos ouvem.”, ou seja, manejar bem a Palavra da Verdade, apresentar-se a Deus diariamente como obreiro aprovado, pregar a palavra do Senhor a tempo e a fora de tempo, corrigir, repreender a todos que se dispõem a nos ouvir. Corrigir do quê? Da prática do pecado; denunciar, como Wesley, que, no pecado, não escaparemos da ira vindoura. Advertir como Paulo: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6.23). E, para que não tenhamos dúvida, o que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, considerava práticas pecaminosas, ouçamos ele mesmo dizer: “Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia. Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações. Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus bendito, do qual fui encarregado.” (1 Tm 1.5-11).
Sim, precisamos restabelecer entre nós a denúncia do pecado, dando nome a ele. Costumamos falar em tese, simbolicamente. Nós mesmos e o povo de Deus precisamos ser confrontados com a Palavra, com o nosso pecado, receber o anúncio do amor e da graça de Deus, perdoadora e santificadora.
Para isto devemos restabelecer o primado protestante da autoridade da Palavra de Deus. Paulo, escrevendo a Timóteo, afirma várias vezes isto: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação ...” (1 Tm 1.15). “Fiel é a palavra ...” (1 Tm 3.1). “Expondo estas cousas aos irmãos e irmãs, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com a palavra da fé da boa doutrina que tens seguido.” (1 Tm 4.6). “Fiel é a palavra e diga de inteira aceitação.” (1 Tm 4.9). E, finalmente, passo para o texto base que é a definição do porquê da palavra ser autoridade decisiva em nossa vida como cristãos e como Igreja do Senhor: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Tm 3.14-17).
Preciso dizer mais alguma coisa? O certo é que nossas pregações devem abandonar palavras humanas repetidas várias vezes, muitas vezes meras filosofias “evangélicas”. E nos atermos a ler e expor as Escrituras Sagradas. É isso que Deus espera de nós, é isso que há de mudar a vida do nosso povo.

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