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Rio, 3/1/2015
 

Quem inventou os Três Reis Magos?

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Lembro-me muito bem das Folias de Reis. Rapa-zes e raparigas com roupas coloridas e estranhas, cantando músicas estranhas como uma antífona. Eram pessoas alegres, desafinadas e muito reli-giosas. Iam de casa em casa. Eu morria de medo. Era uma devoção aos três Reias magos.

Esta festa religiosa, de origem portuguesa, chegou ao Brasil no século XVIII. 

Em Portugal, em meados do século XVII, tinha a principal finalidade de divertir o povo, enquanto aqui no Brasil, passou a ter um caráter mais religioso do que de diversão. 

No período de 24 de dezembro, véspera de Natal, a 06 de janeiro, Dia de Reis, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre a cidade entoando versos relativos à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Passam de porta em porta em busca de oferendas e visitam os presépios das casas.

Infelizmente esta tradição entrou no ima-ginário religioso até mesmo dos protestantes. Em algumas igrejas insistem em chamar de Três Reis Magos o que a Bíblia chama apenas de “Uns ma-gos do Oriente”.

Esta é uma tradição religiosa que nasceu na época das grandes heresias da igreja. A tradição que afirma que eram três Reis magos, deu também a eles os nomes de Melquior, Baltasar e Gaspar. 

Esses nomes aparecem no Evangelho Apó-crifo Armeno da Infância do fim do século VI, (ampliação do Evangelho do Pseudo-Tomé do II século). 

A palavra Apócrifo significa livros ocultos, secretos. Geralmente são livros escritos pelas seitas cristãs do II ao VI séculos depois de Cristo. 

No capítulo 5.10, do Evangelho Apócrifo Armeno da Infância está escrito: 

“Um anjo do Senhor foi depressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nas-cer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Pre-cisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram três irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes”.

Deste texto o cristianismo desviado da verdade incluiu em seu calendário a Festa dos Três reis Magos.

Na realidade, nós comemoramos o Dia da Epifania do Senhor no dia 06 de janeiro. A solenidade é realizada no domingo mais próximo desse dia.  

A palavra Epifania significa "Manifesta-ção". É a festa da manifestação de Jesus como Deus ao mundo. Frequentemente se refere a esta festa como a "Teofanía", tal como se diz nos livros litúrgicos da Igreja Ortodoxa, palavra que significa Manifestação de Deus. 

A celebração da Epifania é o terceiro perí-odo litúrgico do Ciclo do Natal. 

Antes de ser celebrado o dia 25 do dezembro como o dia do Natal, os cristãos do fim do segundo século, já celebravam a Epifania, festa realizada no dia 6 de janeiro. 

A estratégia era a cristianização do paga-nismo. Retirar do Império Romano o paganismo e introduzir celebrações que exaltassem a Cristo como Deus. Era uma estratégia missionária.

No Oriente, o dia 6 de janeiro estava liga-do ao nascimento virginal de Aion/Dionísio e com diversas outras lendas de epifania nas quais os deuses se manifestavam aos seres humanos.  Plínio discorre a respeito dos modos como Dionísio revelava a sua presença naquele dia, transformando água em fontes vinho (Natural History).

Os cristãos, nessa época, perseguidos pelos romanos, tiveram a estratégia de celebrar, na mesma data, a Epifania de Jesus (Manifestação de Jesus). Para confrontar os poderes das trevas, elegeram essa data como especial no calendário da Igreja. 

Nessa festa pregavam o nascimento virginal de Cristo, a visita dos magos a Jesus, seu batismo e seu milagre de transformar a água em vinho em Caná da Galiléia.

Nessa celebração, segundo Jerônimo que morou 24 anos em Belém, o Batismo de Jesus era o con-teúdo principal.

Muitos estudiosos veem na Epifania uma cristianização da festa judaica dos Tabernáculos. 

As duas celebrações (epifania e tabernáculos) incluíam a vigília durante a noite toda, a iluminação de círios e a procissão das luzes, as águas da vida, os ramos de palmeiras e alusões ao matrimônio. 

A Epifania do Senhor é a grande Festa que celebra Jesus o nosso Deus, encarnado com poder e graça, para nos transformar e Salvar. Que a Sua luz nos guia neste ano novo. 

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