IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Liturgia
Rio, 7/3/2015
 

Os dias da semana na liturgia da Igreja

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Os dias da Semana sempre foram Sagrados para a Liturgia cristã. Este texto trabalha alguns principais dias dentro do contexto bíblico e histórico.  

I. O Domingo

Como Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana (Mc 16.2), a igreja passou a se reunir no primeiro dia para a celebração do culto e da Eucaristia (I Co 16.2). O primeiro dia passou a se chamar Dia do Senhor, Domingo. 

 A ordem de observar o sábado era rigorosa-mente cumprida pelos Judeus. Aliás, foi no sábado que eles saíram do Egito rumo à Terra prometida. 

 O primeiro dia da semana judaica, posterior ao sábado, quando Cristo ressuscitou, tornou-se o dia de culto dos cristãos ou o dia do Senhor. No ano de 57/58, em Trôade, na Ásia Menor, os cristãos se reuniam no primeiro dia da semana, conforme At 20, 7, para cele-brar a Ceia do Senhor. Em 1Cor 16, 2, S. Paulo reco-menda aos fiéis a coleta em favor dos pobres no primei-ro dia da semana - o que supõe uma assembleia religio-sa realizada naquele dia. 

 O Domingo é o dia dedicado à glorificação do Senhor vitorioso sobre a morte, tomou adequadamente o nome de "Kyriaké heméra", dia do Senhor, como se depreende de Ap 1, 10: "Fui arrebatado em espírito no dia do Senhor". O grego "Kyriaké heméra" deu em latim "Dominica dies", donde, em português, domiga ou domingo. 

 A celebração do domingo tem origem na pró-pria Igreja-mãe de Jerusalém, pois os apóstolos estavam reunidos no 50o. dia (Pentecostes), que era domingo, quando receberam o Espírito Santo (At 2, 1-3). Este quis se comunicar não num sábado, como Cristo tam-bém não quis ressuscitar num sábado, mas no dia se-guinte, domingo. O dia da "santificação" de sua Igreja foi o domingo e não o sábado. 

 Desde o século II, há depoimentos que atestam a celebração do domingo tal como foi instituída pelos apóstolos, conscientes do significado da ressurreição de Cristo. Assim Santo Inácio de Antioquia (+110, apro-ximadamente) escrevia aos Magnésios: "Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas, chegaram à nova esperança, não observando mais o sábado, mas vivendo segundo o dia do Senhor, dia em que nossa vida se levantou mediante Cristo e sua morte" (9, 1) 

 O Catecismo dos Apóstolos, chamado de "Di-daqué", escrito no primeiro século de nossa era, também prescreve, em seu artigo XIV: "Reúnam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro.

 Em meados do século II, encontra-se o famoso depoimento de S. Jusitino, escrito entre 153 e 155: "No dia dito do sol, todos aqueles dos nossos que habitam as cidades ou os campos, se reunam num mesmo lugar. Lêem-se as memórias dos apóstolos e os escritos dos profetas... Quando a oração está terminada, são trazi-dos e vinho e água... Nós nos reunimos todos no dia do sol, porque é o primeiro dia, aquele em que Deus trans-formou as trevas e a matéria para criar o mundo, e também porque Jesus Cristo Salvador, ressuscitou dos mortos nesse dia mesmo" (I Apologia 67, 3. 7). 

 Nessa passagem, S. Justino atesta a celebração da Eucaristia no domingo. Chama-o "dia do sol" porque se dirige a pagãos; faz questão, porém, de lembrar que tal designação é de origem alheia, não cristã: "no dia dito do sol". 

 O Imperador Constantino apenas legitimou a data do descanso no domingo para o Império Romano no ano de 321 d.C. Os adventistas dizem que foi o Im-perador que inventou essa data como dia de descanso. Mas erram gravemente. O domingo já era um dia santo de descanso para a Igreja Primitiva e deve ser guardado por nós como o nosso sétimo dia. Dia do Senhor. Dia de louvar ao Senhor. 

Para os judeus, o primeiro dia da semana co-memorava a criação. Esta simbologia rapidamente pas-sou a fazer parte do pensamento cristo. O Domingo também passou a Ter significado escatológico: “era o oitavo dia no qual Deus inaugurou o novo mundo” (Ep. De Barnabé), “imagem da era vindoura” (Basílio), “prefigurava o descanso eterno” (Agostinho). 

Vários eventos históricos passaram a ser co-memorados no Domingo. Teodolfo, no seu livro liturgico Capitular, escrito no ano 800 d.C e muito usado na Idade Média, escreveu: “Nesse dia Deus estabeleceu luz; nele fez cair maná no deserto; nele o redentor da raça humana voluntariamente ressuscitou para a nossa salvação; nele derramou o Espírito Santo sobre os discípulos”.

Não conhecemos, na história, Domingo onde a Santa Ceia não foi celebrada. A freqüência no Domingo era considerada obrigatória, mesmo na época da perse-guição. Os mártires da Abissínia testemunharam: “Não poderíamos viver sem celebrar o Dia do Senhor”. 

Crisóstomo dizia: “Abster-se desta refeição significa separar-se do Senhor”.

Como nos conta Tertuliano, nesse dia era proi-bido jejuar, pois era um dia de festa. O Cânone 20 do Concílio de Nicéia proibia ajoelhar neste dia. Por causa da sua importância singular, desenvolveu-se um ofício da vigília de Sábado para Domingo. 

Egeria, no século quarto, atesta este costume no Oriente. Quando o batismo deixou de ser praticado somente na vigília da páscoa, passou a ser realizado obrigatoriamente no Domingo. Nos séculos nono e décimo, no Ocidente o rito de Asperges, lembrando o batismo era praticado no Domingo.  

II. O Sábado

Alguns grupos de judaizantes do Novo Testa-mento preferiam observar o sábado na Igreja (Cl 2.16; Gl 4.10). Por volta da metade do século quarto, em alguns lugares, a eucaristia era regularmente celebrada também no Sábado. Segundo o concílio de Laodicéia esta eucaristia era celebrada até mesmo na quaresma.

III. Quartas e Sextas-feiras

Os judeus tinham dois dias de jejum: segundas e quintas-feiras. Os cristãos primitivos separam as quartas e sextas-feiras.  A Quarta-feira era o dia da traição de Jesus, e a Sexta o dia da crucificação.  Estes dois dias eram observados pelos primeiros metodistas.

Gregório magno durante as invasões bárbaras sugerira aos bispos da Sicília o uso de uma litania de intercessão a ser cantada nesses dias durante todo o ano. Na Inglaterra medieval estes dias eram marcados pelo Cântico da litania, em geral em procissão, e Cranmer continuou a tradição no Livro de Oração Comum.

Conclusão:

Celebramos todos os dias como dádivas de Deus, mas o Domingo é nossa eterna Páscoa. Todo domingo celebramos a ressurreição do Senhor. A Igreja se reúne, toma a Santa Ceia, ouve a Palavra, ora o Pai Nosso e Celebra a vida de Cristo buscando forças para o trabalho e os desafios da Semana. Louvado seja o Senhor!

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