IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Reflexões
Rio, 28/3/2015
 

A Via-Sacra dos Evangelhos

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Desde os primórdios do Cristianismo, os cristãos dedicaram profundo respeito pelos lugares onde Jesus nasceu, cresceu e morreu. Peregrinos do mundo todo foram atraídos por estes lugares e deixaram escritos, nos diários, suas aventuras espirituais. As mais famosas são a de Etéria (ou Egéria) e a do peregrino de Bordéus (séc. IV). 

Um dos lugares mais conhecidos é a chamada Via Dolorosa de Jerusalém, que foi sinalizada desde os primeiros tempos e principalmente nos dias do imperador Constantino (Século IV). 

Jerônimo (347-420 d.C) fala das multidões de peregrinos de todos os países que costumavam visitar os lugares santos e percorriam em oração a Via da Paixão de Cristo. Foi na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII) que esta tradição passou a ser introduzidas nas igrejas e nos mosteiros da Europa.

Esta reflexão é baseada em quatorze estações ou etapas, em que cada uma apresenta uma cena da Paixão a ser meditada: (1)  Jesus é condenado à morte; (2) Jesus carrega a cruz às costas; (3) Jesus cai pela primeira vez; (4) Jesus encontra a sua mãe; (5) Simão Cirineu ajuda a Jesus; (6)  Verônica limpa o rosto de Jesus; (7) Jesus cai pela segunda vez; (8) Jesus encontra as mulheres de Jerusalém; (9) Jesus cai pela terceira vez; (10) Jesus é despojado de suas vestes; (11)  Jesus é pregado na cruz; (12) Jesus morre na cruz; (13) Jesus é descido da cruz; (14) Jesus é sepultado. 

Como estas Estações refletem a devoção popular medieval, várias passagens não têm base bíblica. Mas, relendo os Evangelhos, encontramos a seguinte sequencia do Caminho de Dor do Senhor Jesus: 

1. Jesus ora no Horto de Getsêmani, Monte das Oliveiras (Mt 26.36-46). O Senhor Jesus vai com os apóstolos ao Getsêmani orar ao Pai e se entregar definitivamente ao caminho do sofrimento.

2. Jesus, traído por Judas, é aprisionado (Mt 26.47-56). Judas leva os soldados do Templo ao jardim do Getsêmani, pois ali era um local onde Jesus costumava orar. Jesus é preso e levado para a casa de Caifás. 

3. A condenação de Jesus perante o Sinédrio (Mt 26.57-66). Na casa de Caifás, sumo sacerdote, o Sinédrio se reúne para condenar Jesus. O Sinédrio era formado por 71 anciões e principais líderes dos judeus. Sinédrio significa “sentar junto”. Era um tribunal civil e religioso, paralelo com o tribunal de César, dos romanos. 

4. As negações do Apóstolo Pedro (Mt 26.69-75). Junto a Casa de Caifás Pedro, acompanhado Jesus secretamente, quando descoberto, o nega três vezes. 

5. Jesus entregue a Pilatos (Jo 18.28 -40). O Sinédrio, na Sexta-feira Santa, conduz Jesus para o governador Pilatos. Jesus é condenado a morte.

6. A flagelação e a coroação de espinhos de Jesus ( Mc 15.15-20) . Jesus é levado ao pelourinho e PE flagelado pelos soldados de Pilatos. 

7. Jesus carrega a cruz (Mt 27.31). Jesus recebe a pesada cruz e carrega em direção ao Calvário, do lado de fora da cidade de Jerusalém.

8. Jesus e Simão Cirineu (Mc 15.21,22). Simão o Cirineu, no Caminho do Calvário, é obrigado a carregar a cruz do Senhor. 

9. O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém (Lc 23.27-31). Jesus, vendo as mulheres chorando, fala do grande sofrimento que viria sobre Jerusalém. 

10. A crucificação de Jesus (Mc 15.24). Os soldados pregam Jesus na cruz. 

11. Jesus e o ladrão convertido (Lc 23.32-43). Na cruz um ladrão se arrepende de seus pecados e encontra a salvação em Jesus. 

12. Maria e o Apóstolo João ao pé da Cruz de Jesus (Jo 19.25-27). Jesus encontra com sua mãe e com o apóstolo e dá as últimas instruções.

13. A morte de Jesus (Jo 19.28 – 34). Jesus morre na cruz, pela nossa salvação.

14. Jesus deposto no sepulcro (Jo 19.38-42). O Corpo do Senhor é colocado no sepulcro novo próximo ao Calvário.  

Para João Wesley, Cristo Crucificado é a maior glória e maior alegria dos santos na terra e no céu. Esta bendita morte e gesto de amor só foram possíveis porque Adão pecou; por isso ele entende a palavra que diz: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.10). Ele diz:

“Se Adão não tivesse pecado, o Filho de Deus não teria morrido e consequentemente aquele surpreendente exemplo do amor de Deus para com o homem não teria existido, o qual tem, em todos os tempos, provocado nos seus filhos grande alegria, amor e gratidão. Poderíamos amar a Deus, o criador, o conservador e o governador, mas não haveria lugar para o amor a Deus, o redentor. Este poderia não ter existido. Faltariam a maior glória e a maior alegria dos santos na terra e dos santos nos céus - Cristo crucificado. Nós poderíamos não ter louvado aquele que, não tendo por usurpação o ser igual a Deus, esvaziou-se a si mesmo, tomou a forma de servo e foi obediente à morte e morte de cruz!”  (Sermões: "Sobre a queda do homem").

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