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Páscoa
Rio, 4/4/2015
 

Páscoa como Caminho de Transformação

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

No mês de março de 2015 participamos de um retiro de Exercícios Espirituais da Quaresma. Um dos textos estudados pelos retirantes foi o de Anselm Grün, sobre a “Transformação da Ressurreição” do livro “Imagens de Transformação: Impulsos bíblicos para mudar sua vida” 

(Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. PP 68-73).

Neste domingo da Ressurreição compartilho alguns pontos levantados no texto onde apresenta a Páscoa como Caminho da nossa própria Transformação. 

A ressurreição é a transformação em sentido absoluto. Ali Deus transforma a morte em vida, a escuridão em luz, a angústia em confiança, o túmulo no lugar onde habitam anjos. 

Vamos analisar um pouco a história da ressurreição, como nos é descrita por Lucas. De manhã bem cedinho as mulheres vão ao túmulo levando consigo bálsamos e óleos perfumantes. Elas querem embalsamar o morto; querem embelezá-lo para sempre, para guardar dele uma boa recordação. Mas Jesus não se deixa embalsamar, Ele não pode ser encontrado, Ele ressuscitou. 

O primeiro sinal de sua ressurreição é a pedra que foi rolada de seu túmulo. A pedra que protege o túmulo é uma imagem para simbolizar as muitas pedras que carregamos. Em cima de nós está uma pedra, justo onde gostaríamos de viver e florescer, ela é um empecilho em nossa vida. Ela impede que nossos sonhos de vida, que brotam sempre de novo em nós, se tornem realidade. Ela nos bloqueia, nos mantém distantes da ressurreição, não permite que saiamos de nós mesmos e vamos ao encontro dos outros.

Uma tal pedra pode ser a preocupação que temos em relação ao nosso futuro, ou pelo futuro de nossa terra. Pode ser o medo que pesa sobre nós, o medo de fracassar, o medo de dizer o que sentimos, porque poderíamos nos expor ao ridículo, visto que poderíamos perder o respeito e o apoio dos outros. A pedra pode ser a insegurança e o empecilho que não nos deixa fazer a ruptura. Essa pedra que pesa sobre nós pode ser também outras pessoas. Elas podem estar em nosso caminho como pedra de tropeço, elas podem nos barrar o caminho para a vida. Quando temos uma pedra sobre o nosso túmulo, nos apodrecemos e degeneramos. Enquanto mantivermos enterrados em nosso túmulo nossos sentimentos e necessidades mais profundos, vamos continuar excluídos da vida. Aquilo que apodrece ali em nosso túmulo tem cada vez mais efeito também em nossa vida consciente, espalha um cheiro ruim que exala até em nosso corpo.

O primeiro passo que mostra como nós mesmos podemos experimentar a transformação da ressurreição em nós consiste em entrarmos no túmulo. Como fizeram as mulheres, precisamos entrar no túmulo de nosso medo e de nossa tristeza, no túmulo de nossos desejos e necessidades reprimidos, no túmulo de nossas trevas, de nossa resignação e de nossa autopiedade, no túmulo de nossas sombras, onde enterramos tudo o que recordamos da vida. Mas nós só podemos entrar em nosso túmulo porque Jesus já o abriu na ressurreição. Já não é lugar de horrores e medo.

Lucas nos diz que em nosso túmulo, junto com as mulheres, vamos encontrar dois homens com roupas reluzentes. Eles nos anunciam que o Senhor ressuscitou, que Ele transformou nosso túmulo. Quando penetramos com suficiente profundidade em nosso túmulo, em seu fundo vamos encontrar esses dois mensageiros plenos de luz, que nos remeterão para a vida divina que se ergueu e saiu de lá. 

O túmulo representa tudo aquilo que nós excluímos da vida, tudo o que reprimimos, porque era muito desagradável para nós ou porque não combinava com nossa autoimagem. Em nosso túmulo jazem as agressões e necessidades que sonegamos, os sentimentos e desejos reprimidos. 

Quando descemos junto com as mulheres para o túmulo de nossa tristeza e medo, de nossos impulsos de vida reprimidos, e começamos a dialogar em nossa tristeza, em nosso medo, com nossos sentimentos e impulsos reprimidos, só então eles irão transformar-se em mensageiros reluzentes, que nos mostrarão o caminho para a verdadeira vida, nos mostrarão o caminho para o tesouro que está enterrado em nós. 

Os anjos da ressurreição já estão ali dentro de nosso túmulo e nos anunciam que justo ali, onde vemos apenas morte, floresce a vida; que Deus já transformou tudo em nós. Precisam      desses mensageiros de Deus para poder descobrir a vida dentro de nosso túmulo. Sem eles continuaríamos presos na escuridão e dureza de nosso coração. Há pessoas que emitem luz de Deus e que clareiam nosso túmulo. Nós conseguimos entrar em nosso túmulo porque sabemos que esses mensageiros estão ali dentro nos esperando. Podem ser servos de Deus (pastores, discipuladores) que nos abrem os olhos para ver que nosso túmulo a vida já ressuscitou, que no fundo de nosso coração Deus já transformou a morte em vida. 

A fé na ressurreição nos libera da interpelação produtora, como se nós próprios tivéssemos de transformar tudo. Também nos libera da má consciência, quando nós, apesar de estar na Páscoa, não sentimos termos feito a passagem; quando nós, apesar de ter sido aberto o túmulo, vivemos ainda sempre tristes e resignados. No meio de nosso túmulo já aconteceu a ressurreição, e tudo já foi transformado, mesmo que nós ainda não saibamos. Se descermos com as mulheres para dentro do túmulo de nossos sentimentos e necessidades encarcerados, então os anjos virão nos anunciar ali, no interior de nosso túmulo, que Cristo já ressuscitou também em nós.

Os dois mensageiros de Deus abordam as duas mulheres e lhes dizem: “Por que procurais o vivo entre os mortos? Ele não está aqui, Ele ressuscitou” (Jo 24.5). 

Em nosso túmulo podemos encontrar sim os anjos da ressurreição mas não o ressuscitado ele mesmo. Para encontrá-lo, precisamos sair do túmulo e caminhar pela cidade. Não encontramos o ressuscitado em nosso passado, dando voltas repetidas ao redor de nossos sofrimentos e machucados do passado. Precisamos entrar no túmulo de nosso passado, precisamos olhá-lo de frente, mas não devemos instalar-nos ali dentro. 

Ressurreição é a transformação do próprio passado. Ressurreição significa levantar-se em meio aos machucados e ferimentos de meu passado, erguer-se e sair de meus melindres e medos, sair do túmulo de minha tristeza e de minha autopiedade.

Ressurreição é acreditar que Deus pode me tornar totalmente novo, que Ele pode transformar meu assado numa nova vida. 

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