IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
Fundada em 15 de Junho de 1902

Boulevard Vinte e Oito de Setembro, 400
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20551–031     Tel.: 2576–7832


Igreja da Vila

Aniversariantes

Metodismo

Missão

Artigos e Publicações

Galeria de Fotos

Links


Reflexões
Rio, 25/4/2015
 

Quem não sabe perder, perde sempre

Pr. Tiago Medeiros da Costa Silva


 

A máxima vale também para quem não sabe ganhar. Perdemos sempre quando não sabemos lidar com as derrotas e as conquistas que adquirimos na vida. Na sociedade em que estamos inseridos, parece que as pessoas aprenderam a jogar o jogo errado. 

O objetivo desse jogo ruim é conquistar uma vitória pessoal e derrotar todos os seus inimigos, conforme aprendemos nos jogos de tabuleiro que brincávamos quando éramos crianças. O problema é que o jogo da vida se parece muito mais com um jogo de frescobol, onde não existe apenas um vencedor ou um perdedor. Quando a bolinha cai no chão, todo mundo perde. 

Sentimos ódio quando perdemos, porque somos ensinados a ser vitoriosos, somos ensinados a não perder. Precisamos entender que o coletivo deve vir antes do “eu”. O brasileiro desaprendeu a perder, o espírito da vitória pessoal nos dominou de uma maneira tal que não conseguimos aceitar a vitória do outro. É difícil entender isso e é ainda mais difícil pensar que você também é assim. Ninguém gosta de abrir mão. 

E por vivermos em um eterno cabo de guerra, não existe mais o diálogo. O que existe é uma incessante necessidade em fazer o outro engolir o meu ponto de vista. Estamos em uma sociedade onde cada indivíduo se sente na obrigação de dominar a razão, e pensa que tem o direito de ignorar e forçar a sua escolha sobre a da maioria. Talvez o seu ponto de vista seja o mais correto, mas isso não te permite passar por cima do respeito e da educação. Construímos muros entre nós porque não conseguimos abrir mão da nossa razão absoluta. 

E em nosso universo chamado igreja, reproduzimos a ignorância dos diálogos mal construídos no universo chamado sociedade. Somos parte de uma igreja conciliar, onde a maioria tem voz. E ser conciliar é entender que a opinião de todo mundo importa e que nem sempre a opinião de uma pessoa deve prevalecer sobre a opinião de várias pessoas. É ser libertador ao invés de opressor. 

Nossa estrutura de organização já nos fornece material para lutar contra a opinião individual, mas, ainda assim, temos pecado porque não sabemos falar a mesma língua. Desaprendemos de ser humildes, esquecemos que os nossos argumentos podem estar certos, bem como podem estar errados.  Abandonamos o conceito de coletivo quando eu não apoio uma ideia só porque ela não nasceu em mim. 

Quando o próprio Jesus diz: “se alguém quiser vir atrás de mim, que negue a si mesmo, carregue todo dia sua cruz”, entendemos que o sucesso para Cristo é morte para o mundo. A nossa alegria e paz não está no bem-estar ou na vitória material, mas nossa vida se torna plena somente na participação do sofrimento em Cristo, quando olhamos para o sofrimento do próximo e entendemos que esse sofrimento é nossa responsabilidade. Quando estamos em Cristo, a opressão se transforma em desafio e instrumento motivador para manter acesa a chama da fé, da vida e do compromisso em tempos de tremenda maldade e injustiça. 

Somos igreja quando abrimos mão da fofoca, quando abrimos mão da disseminação do ódio e quando rejeitamos o direito de estar sempre certo. Precisamos destruir os muros que nos separam, as picuinhas que nos dividem. É preciso valorizar o outro e largar mão do egoísmo que nos divide e separa. E se alguém tem que ganhar, que seja o projeto da comunidade.  Se a farinha é pouca, meu irmão primeiro. 

Voltar


 

Copyright 2006® todos os direitos reservados.