IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 6/6/2015
 

A História do Credo Apostólico, a Tradição de Wesley e o poder do Redator dos Cânones

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Sabemos que o termo "credo", é um vocábulo latino que significa "eu creio". Os israelitas possuíam um credo que consistia nas palavras, "Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor" (Dt 6:4). 

O primeiro credo da igreja cristã era "Jesus é Senhor" (Rm 10:9; 1Co 12:3). Nestas curtas palavras encontramos o cerne da crença da Igreja primitiva a respeito de Jesus.

Para Policarpo (69-155), o credo era também uma declaração de lealdade pessoal. Quem afirmava "Jesus é Senhor" estava dizendo "Jesus é meu Senhor; eu sou o servo dele. Não estou mais a serviço do meu próprio "eu", do mundo ou mesmo da estrutura política do mundo, pois meu Senhor é Jesus Cristo." 

No ano 107 d.C., Inácio (35-107) bispo de Antioquia,  expunha a doutrina verdadeira contra a heresia docética (esta seita defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas aparente). Para expor a regra de fé da Igreja usou as seguintes palavras: 

De maneira que, sejam surdos quando alguém vos fale sem Jesus Cristo, o qual foi da linhagem de Davi,

de Maria, quem verdadeiramente nasceu, comeu como também bebeu,

foi verdadeiramente perseguido sob Pôncio Pilatos, foi verdadeiramente crucificado e morreu tendo por testemunhas os céus, a terra e o que há sob a terra; quem também verdadeiramente ressuscitou dos mortos, quando o seu Pai o levantou.

Seu Pai, a sua semelhança, a nós os que nele cremos, nos ressuscitará da mesma forma em Cristo Jesus, sem o qual não temos vida verdadeira.”

Justino (cerca de 100-165), outro mártir antigo, disse em sua Apologia que entre os cristãos no batismo se pronuncia “...em nome do Pai do universo e Deus soberano... em nome de Jesus Cristo, que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, e em nome do Espírito Santo.” 

Também Irineu (bispo de Lyon, cerca de 175-195) disse em sua obra Adversus haereses  que: 

“A Igreja... recebeu dos apóstolos e seus discípulos 

a fé em um Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra...

 e em um Espírito Santo, o qual através dos profetas proclamou... e no nascimento virginal, a paixão, 

e a ressurreição de entre os mortos,

 e a ascensão em carne ao céu do amado Cristo Jesus, nosso Senhor

 e seu retorno do céu na glória do Pai, para recapitular toda as coisas em um

 e ressuscitar toda a carne de toda a raça humana.” 

O primeiro escritor no Ocidente que nos deu o texto do credo latino, com um comentário, é Rufino de Aquileia (340-410), perto do fim do quarto século.

Atualmente conhecemos o texto latino de Rufino (390), e o grego de Marcelo de Ancyra (341). O texto grego é usualmente observado como uma tradução, mas é provavelmente mais antigo que o latino, e poderia ser datado do segundo século, quando a linguagem grega prevalecia na congregação romana.

Este credo romano foi gradualmente crescendo por várias cláusulas de formas mais antigas ou contemporâneas, a saber, o artigo "desceu ao Hades" (pego do credo de Aquiléia), o predicado "católico" ou "geral", no artigo da Igreja (emprestado dos credos orientais), "a comunhão dos santos" (de fontes Gálicas), e a conclusão "vida eterna" (provavelmente dos símbolos das igrejas de Ravena e Antioquia). 

Estas cláusulas adicionais foram sem dúvida parte da fé geral, pois eram ensinadas nas Escrituras, mas eles foram primeiramente expressos nos credos locais, e passou algum tempo antes que eles achassem um lugar na fórmula autorizada.

Como já dissemos, as cópias mais antigas que possuímos são de Rufino (em latim 390), e a de Marcelo (em grego, 341). Estas duas versões são mais breves que o Credo que conhecemos hoje. 

Marcelo, que foi o bispo de Ancira (capital da Galácia). Aproximadamente nos anos 337-341 d.C., Marcelo escreveu uma carta ao bispo Júlio I, com o fim de provar-lhe a sua ortodoxia. É com esta finalidade que inclui nela o que é a versão mais antiga do Credo Apostólico. Toda a carta está em grego, sendo que nesse tempo era a língua oficial da igreja. O Credo de Marcelo é claramente trinitário. Todavia, a parte cristológica é muito mais ampla que a referente ao Pai e ao Espírito. A estes três artigos trinitários básicos, Marcelo lhes acrescenta outros. O texto mais breve de Marcelo diz assim: 

Creio em Deus todo-poderoso 

E em Cristo Jesus, seu único Filho, nosso Senhor, 

Concebido pelo Espírito Santo e Maria virgem, 

Crucificado sob Pôncio Pilatos, e sepultado, 

E ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, 

Subiu ao céu e está sentado à destra do Pai, 

De onde virá para julgar aos vivos e mortos; 

E no Espírito Santo, 

Una Igreja santa, 

O perdão dos pecados, 

A ressurreição do corpo, 

A vida eterna.”

  A versão que é conhecida hoje, e é aceita por toda a Igreja cristã em todo o mundo, e chamada de “Texto Recebido” (650). 

Em sua divisão tradicional de 12 artigos, o Texto Recebido declara:

 

1. Creio em Deus Pai Todo-poderoso, o Criador dos Céus e da terra. 

2. E em Jesus Cristo, o seu único Filho, o nosso Senhor; 

3. que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; 

4. padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; 

5. desceu aos inferno, e ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos; 

6. subiu ao céu e está assentado a direita de Deus Pai Todo-poderoso; 

7. dali virá para julgar os vivos e os mortos. 

8. Creio no Espírito Santo; 

9. na santa Igreja católica, a comunhão dos santos; 

10. o perdão dos pecados; 

11. a ressurreição do corpo 

12. e a vida eterna. Amém.” 

Segundo o historiador Duncan Alexander Reily, no ritual que João Wesley preparou para os metodistas norte-americanos, em 1784, celebrarem o "Culto Dominical", a frase "desceu ao Hades" fazia parte, mas a Igreja Metodista Episcopal, na segunda edição da sua liturgia, eliminou-a. Desta forma contrariou o desejo e a tradição de Wesley.

Reily revelou que no Brasil aconteceu algo interessante. O que foi preservado foi o desejo do redator dos Cânones e não do Concílio Geral. 

O Primeiro Concílio Geral da Igreja Metodista no Brasil, em 1930, decidiu restaurar a frase “desceu ao Hades” mas, curiosamente, o Credo aparece nos Cânones de 1934 sem a frase, apesar de o 2° Concílio reiterar a decisão. O que ficou valendo foi o desejo do redator. Aproveitou a oportunidade para colocar o que ele queria e não o que a igreja em Concílio havia decidido.

Fontes: 

• REILY, Duncan Alexander FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS DO METODISMO .

• CASANOVA, Humberto e STAM Jeff. INTRODUÇÃO AO CREDO APOSTÓLICO.  El Credo Apostólico (Grand Rapids, Libros Desafio, 1998), pp. 14-22.

• SCHAFF, Phillip. CREDO APOSTÓLICO – Pesquisado no dia 02 de junho de 2015, às 12 horas, em http://www.e-cristianismo.com.br/pt/documentos/51-credo-apostolico-phillip-schaff.

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