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Rio, 11/2/2007
 

O compromisso ecumênico é mais necessário do que nunca

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A respeito da minha participação no Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas

Magali do Nascimento Cunha

As palavras entre aspas no título desta memória não são minhas, mas do pastor luterano brasileiro Walter Altmann, moderador do Comitê Central (CC) do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Tomo-lhe emprestadas as palavras e as repito, desafiada por tudo o que tenho refletido nos últimos meses, baseada na conjuntura ecumênica no Brasil, e pelo que experimentei nos dias 30 de agosto a 6 de setembro de 2006, quando participei da primeira reunião plena do CC/CMI eleito na 9ª Assembléia do CMI (Porto Alegre, 14 a 23 de fevereiro de 2006). Este texto é um relato/memória dessa participação, com os destaques, sob minha ótica, daquilo que merece atenção da igreja que represento e das igrejas latino-americanas.

A reunião foi realizada nas dependências do CMI em Genebra, Suíça. O Comitê Central é o segmento que atua nas deliberações para implementação das decisões da assembléia, no planejamento e no acompanhamento da execução das atividades deste organismo e na avaliação dos processos que as envolvem, até o ano de 2013, quando será realizada a 10ª Assembléia.

Como deve ser de conhecimento de quem recebe este texto, naquela ocasião, como delegada da Igreja Metodista no Brasil à 9ª Assembléia, fui eleita para integrar o CC como representante minha igreja e das igrejas-membros do CMI na América Latina, juntamente com outras quatro pessoas: o pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Walter Altmann, escolhido, posteriormente, o moderador do CC; o pastor Hector Precca, da Igreja Cristã Bíblica, da Argentina; o pastor Carlos Duarte, da Igreja Evangélica do Rio da Prata, da Argentina; o bispo Carlos Poma, da Igreja Metodista na Bolívia. Participa ainda das reuniões do CC, como presidente (ex-officio), pela região América Latina e Caribe, a pastora Ofélia Ortega, da Igreja Presbiteriana de Cuba. Vale ressaltar que sou a única mulher e única leiga entre os latino-americanos com assento na membresia plena do CC.

O CC é composto de 150 pessoas distribuídas proporcionalmente ao número de igrejas-membros por regiões do mundo, buscando-se garantir balanços nas representações confessionais, de homens e mulheres, de clérigos e leigos, de jovens (18 a 30 anos), indígenas e pessoas com deficiência. O CC reúne-se a cada ano e meio e no interregno deste período, um Comitê Executivo composto por 25 pessoas encontra-se periodicamente para acompanhar a implementação dos procedimentos deliberados pelo CC. A América Latina está representada nesse comitê executivo pelo moderador Walter Altmann.

Desde 2005, o CC tem experimentado o método de decisão por consenso. Depois de instaurado um processo de estudo e reflexão, resultante do trabalho da Comissão Especial sobre a Participação Ortodoxa no CMI estabelecida em 1999, o CMI desafiou-se a superar o modelo de decisão por maioria e adotar a decisão por consenso. O processo foi aplicado e consolidado na 9ª Assembléia. O método se expressa na busca de concordância coletiva nos encaminhamentos, o que significa que um tema somente é esgotado quando todos os participantes estão satisfeitos e se sentem à vontade com a definição em torno dele. Se persistir algum desconforto e insatisfação com os encaminhamentos indicados, se os participantes aceitarem que assim se realize, o desconforto e a insatisfação são registrados nas atas. É uma experiência de aprendizado e mudança de cultura que muito tem a enriquecer a vida do CMI. Entendo, porém, que nesse aprendizado é preciso reestudar a organização da agenda para dar mais tempo para as manifestações em plenário, explicitação de discordâncias e debate. Penso que a agenda ainda está muito formatada a partir do clássico modelo de decisão por maioria, que não valoriza tanto a exposição de idéias.

Momentos de oração e reflexão

A reunião do CC é uma oportunidade significativa para celebrar a fé, valorizando-se a diversidade cultural, teológica e doutrinária, e refletir sobre temas significativos que alimentam a causa ecumênica. Nesta reunião, além dos ricos momentos cúlticos (incluindo participação em igrejas de Genebra no domingo), três sessões plenárias foram encerradas com a reflexão “O que significa ser cristão/cristã em nossa própria comunidade em meio à uma sociedade pluralista?”. Nesses momentos, pudemos ouvir testemunhos de pessoas de diferentes confissões, de diferentes partes do mundo, com respeito à valorização e ao convívio com as diferenças étnicas, culturais e religiosas. Ouvir, conhecer, respeitar, dialogar, cooperar, foram palavras-chave desses testemunhos partilhados por mulheres, homens, adultos, jovens. Esse espaço foi alimentado com orações, cânticos e expressões simbólicas.

O sermão do moderador do CMI Walter Altmann, proferido no culto de abertura da reunião, merece atenção. Ele pode ser acessado na página http://www.oikoumene.org/es/documentacion/documents/comite-central-del-cmi/ginebra-2006/informes-y-documentos/30-08-06-altmann-sermon-at-opening-worship.html (lamentavelmente só há a versão em inglês).

Outro espaço de reflexão foi oferecido em uma das manhãs, quando se celebrou os 40 anos da Conferência sobre Igreja e Sociedade (Genebra, 1966). Uma sessão denominada “Agindo Juntos pela Transformação” apresentou a memória da histórica conferência por meio de um vídeo-documentário produzido na Alemanha, e contou com as seguintes reflexões:

- do secretário-geral do CMI Samuel Kobia, que destacou as conseqüências da conferência para o trabalho do CMI (como o programa de combate ao racismo e a Comissão sobre a participação das igrejas no desenvolvimento/CCPD) e como os temas tratados na conferência continuam relevantes em nossos dias;

- do ex-secretário-geral Konrad Raiser, que analisou o conteúdo da conferência e os desafios permanentes;

- do teólogo da Igreja da Grécia Ioannis Petrou, que analisou a metodologia da conferência de 1966 e o desafio desde então colocado de que as igrejas devem superar a prática restringida a pronunciamentos e denúncias e trabalhar mais com ações concretas de transformação.

- da teóloga Lenka Bula Puleng, da África do Sul, que apresentou os desafios impostos às igrejas e que não fizeram parte das preocupações da conferência de 1966, como a questão ecológica e a de gênero.

Ao final da reflexão foi manifestado em plenário que o problema da pobreza continua sendo o desafio central da agenda ecumênica. Daí o Processo Agape (Globalização Alternativa dirigida às pessoas e à terra) desenvolvido pelo CMI em parceria com várias organizações ecumênicas e outras da sociedade civil.

Os relatórios do moderador e do secretário-geral são também momentos especiais de reflexão. Trazem indicativos teológicos e pastorais que merecem atenção das igrejas. O relatório do secretário-geral Samuel Kobia, além de destacar o momento de planejamento e reestruturação que vem sendo experimentado pelo CMI, dedicou especial atenção à crise no Oriente Médio e à necessidade de as igrejas intensificarem ações concretas pela superação da violência que atinge as populações daquela região. As novas realidades eclesiais decorrentes da intensificação das correntes migratórias no mundo, também foram objeto de reflexão do rev. Kobia. A íntegra deste pronunciamento (em espanhol) pode ser acessada em http://www.oikoumene.org/es/documentacion/documents/comite-central-del-cmi/ginebra-2006/informes-y-documentos/report-of-the-general-secretary.html

O relatório do moderador Walter Altmann, especialmente, é uma peça significativa a partir do tema da “esperança apesar de”. No caso específico do Brasil, o moderador registrou sua preocupação com movimentos de fechamento para as expressões ecumênicas, especialmente com respeito à decisão da Igreja Metodista no Brasil de se retirar das organizações que tenham a presença oficial da Igreja Católica Romana e de outras confissões religiosas. Reproduzo aqui (acredito que valha a pena) o trecho desse relatório do moderador (versão em espanhol):

7. (...) Hace pocas semanas, a principios de este mes, el Consejo Nacional de Iglesias del Brasil (CONIC) organizó un seminario con objeto examinar y evaluar las consecuencias eclesiológicas de la 9ª Asamblea del CMI para las iglesias de nuestro país. El seminario tuvo lugar en Guarulhos, São Paulo, bajo el tema: “Dios, en tu gracia, transforma nuestro país”. Ciertamente ustedes podrán percibir el trasfondo: una referencia a los graves escándalos de corrupción que se han ido conociendo en el ámbito político del Brasil. Pero también hablamos de las relaciones entre nuestras iglesias, del panorama religioso del Brasil, de la necesidad y las posibilidades de diálogo y cooperación interreligiosas, y de las consecuencias prácticas del documento de la Asamblea Llamadas a ser la Iglesia Una. Fue una reunión muy inspiradora, pero no sólo hubo motivos de alegría. Por el contrario, también sentíamos una enorme tristeza porque nos reuníamos en un momento sombrío, tras la decisión tomada por la Convención de la Iglesia Metodista brasileña en julio de retirarse como miembro de todas las “organizaciones en las que participa la Iglesia Católica Romana y grupos no cristianos”, o sea que se ha retirado del CONIC. (Esta grave decisión me parece ser simbólica de las dificultades con que se enfrenta el movimiento ecuménico hoy, no sólo en el Brasil).

(...)

21. No es extraño que haya surgido una competitividad hostil en el campo religioso, a menudo con formas agresivas de misión y evangelización. Entre las iglesias evangélicas hay a menudo un sentimiento y un discurso fuertemente anticatólicos. Se utilizan sin vacilación palabras como “idolatría”, “sincretismo”, “brujería”, con referencia a otras iglesias o expresiones religiosas. Este “clima religioso” se siente y desarrolla con intensidad creciente, en grado diverso, dentro de algunas de las iglesias más “tradicionales” o “históricas”. En este contexto podemos recordar la decisión de la Iglesia Metodista Brasileña de retirarse del CONIC, tomada paradójicamente pocos días antes de que la Asamblea del Consejo Metodista Mundial, reunida en Seúl, expresara su apoyo a la Declaración Conjunta Luterana-Católico Romana sobre la Doctrina de la Justificación.

22. ¿Estamos destinados a estar en una competición religiosa de todos contra todos? No puede haber la menor duda de que nuestro desafío primordial consiste en reforzar y encontrar nuevos caminos para el diálogo ecuménico y la cooperación entre las iglesias, así como entre diferentes expresiones religiosas. Para evitar la caída en conflictos entre nosotros, cuando no en nuevas formas de “guerras santas” o competición excluyente, la única opción bíblica y teológicamente responsable es la del diálogo y la cooperación ecuménica.

23. Debemos hacer frente a las divergencias dentro del propio cristianismo. Cuestiones candentes y divisivas, así doctrinales como éticas, recorren internamente en medida considerable muchas de nuestras iglesias, con el resultado de tensiones internas e incluso nuevas divisiones. Además, esas tensiones recorren el movimiento ecuménico y el CMI. Un dirigente de iglesia me decía una vez que no podía apoyar el ecumenismo porque el cristianismo crecía de hecho por división, y en particular crecían las iglesias que reconocían ese hecho. Mi respuesta fue que yo no consideraba pertinente discutir la cuestión en el terreno de la fenomenología, pues no podía ver cómo esta posición sería compatible con el testimonio bíblico y la vocación de la iglesia. Sin embargo, él estaba convencido de que no hacía sino tomar en serio el gran encargo de Cristo (y los “ecuménicos”, según él, no lo hacían).

24. Dado este escenario, no es extraño que nuestras iglesias puedan sentir la tentación de dar a su compromiso ecuménico una baja prioridad y de tratar de “defenderse” contra las fuerzas centrífugas de la fragmentación, atrincherándose dentro de sus propios muros teológicos o institucionales. Podríamos pensar que dentro de nuestra propia familia trabajaríamos mejor. Muchos cristianos ven con decepción que las iglesias han sido innecesariamente cautas a la hora de extraer consecuencias prácticas de los resultados positivos alcanzados por los diálogos teológicos. O bien pueden detectar reveses en el proceso ecuménico y percibir la división persistente como una falta de coherencia con las abundantes declaraciones sobre la importancia de avanzar hacia la unidad.

Esse relatório pode ser acessado na íntegra em: http://www.oikoumene.org/es/documentacion/documents/comite-central-del-cmi/ginebra-2006/informes-y-documentos/moderators-report.html

Principal objetivo da reunião: Planejamento 2007-2013

O CC foi desafiado a trabalhar mais intensamente na proposta que o secretário-geral Samuel Kobia submeteu à apreciação: o planejamento das atividades do CMI para o próximo período, desenvolvido pelo staff do organismo a partir das políticas e encaminhamentos aprovados na 9ª Assembléia em Porto Alegre.

Os subcomitês de planejamento, políticas de referência e finanças debruçaram-se sobre um documento que continha a proposta de projetos para 2007-2013. Os dois primeiros trabalharam conjuntamente. Fui indicada para participar do comitê de planejamento e também para atuar como relatora, juntamente com Anne Glynn-Mackoul, do Patriarcado Ecumênico Ortodoxo/EUA.

Após dois dias inteiros de trabalhos nos subcomitês, que fizeram alterações no projeto original, a essência da proposta apresentada foi encaminhada à aprovação em plenário do CC, que também procedeu, no processo de decisão por consenso, a novas alterações. O CC endossou a proposta apresentada, com as devidas emendas, que reorganiza as ações do CMI em seis programas (áreas de ação) sob o lema “Igrejas Juntas Transformando o Mundo”:

O CMI e o movimento ecumênico no século XXI
Unidade, missão, evangelismo e espiritualidade
Testemunho público: confrontar o poder e afirmar a paz
Justiça, diaconia e responsabilidade pela criação
Formação ecumênica e na fé
Diálogo e cooperação inter-religiosos.

As comunicações serão uma prioridade e deverão atuar na integração e no apoio aos seis programas. Integração entre programas é também expressão-chave na concepção do planejamento, que busca responder à avaliação de que o CMI vinha atuando com a fragmentação de áreas e duplicação de esforços.

Relacionado ao planejamento esteve o assunto das finanças. Um subcomitê se dedicou ao estudo da situação financeira e orçamentária do CMI. O relatório indicou que, apesar de uma tendência à diminuição das entradas, o CMI possui estabilidade financeira e é capaz de manter suas prioridades programáticas. Haverá uma reestruturação do quadro de funcionários (hoje composto de 162 pessoas em tempo integral) a partir da nova organização programática.

Muito em breve o relatório sobre os programas e os projetos a eles relacionados será socializado por meio do site do CMI. O relatório do secretário-geral apresentado em plenário, faz uma reflexão sobre este processo de reestruturação do CMI. Veja em: http://www.oikoumene.org/es/documentacion/documents/comite-central-del-cmi/ginebra-2006/informes-y-documentos/report-of-the-general-secretary.html (versão em espanhol).

Pronunciamentos públicos

Um subcomitê que se dedica à indicação de pronunciamentos públicos do CMI sobre questões sociais mundiais de destaque apresentou relatório ao plenário para aprovação. A partir das propostas do Comitê Executivo do CC e também do plenário, foram submetidos e aprovados os seguintes pronunciamentos:

A guerra no Líbano e no Norte de Israel e o trabalho ecumênico pela paz no Oriente Médio: o CMI pede um cessar fogo incondicional e sustentável e o encerramento do embargo ao Líbano;
Infância em situações de conflito com ênfase no norte de Uganda: o CMI expressa sua preocupação frente à ameaça à segurança e à paz internacionais, e frente aos obstáculos ao acesso de ajuda humanitária como resultado do presente conflito;
Comércio justo: o CMI conclama as igrejas a estimularem seus governos para que continuem trabalhando em favor de um novo mecanismo unilateral de comércio, com um novo conjunto de regras para o comércio multilateral que sejam justas e democráticas;
Uma resposta compassiva ao HIV/AIDS: o CMI solicita acesso universal a tratamentos, cuidado e apoio para todas as pessoas que os necessitem e exortou as igrejas a continuarem desempenhando um papel significativo na superação da pandemia, assim como a acolherem as pessoas que vivem com HIV/AIDS;
Assassinatos extrajudiciais nas Filipinas: o CMI demanda ao governo das Filipinas que dissolva os “esquadrões da morte”, as milícias privadas e as forças paramilitares e que se exija dos militares que parem de considerar as igrejas e os agentes eclesiais como “inimigos do Estado”;
Conflito no Sri Lanka: o CMI pede ao governo do Sri Lanka e ao grupo rebelde Tigres Tamilese que ponham fim,imediatamente, a todas as hostilidades e restaurem as negociações de paz;
Sudão: o CMI pede que se considere a viabilidade de organizar uma delegação de alto nível, constituída por representantes de igrejas e membros da comunidade muçulmana, para visitar e reunir-se com funcionários do governo do Sudão, assim como com representantes da região de Darfur;
Kosovo: o CMI exorta os líderes religiosos a continuar trabalhando pela reconciliação;

A íntegra desses pronunciamentos pode ser conhecida ao se acessar “Sumario de las resoluciones sobre assuntos públicos” (em espanhol): http://www.oikoumene.org/es/documentacion/documents/comite-central-del-cmi/ginebra-2006/informes-y-documentos.html

A questão do Oriente Médio

A questão do Oriente Médio teve atenção especial. Além de ser destaque no relatório do moderador (conforme relatei acima), houve dois momentos especiais dedicados ao tema. Um primeiro foi o de partilha da experiência da delegação ecumênica que visitou o Líbano, Israel e os territórios Palestinos. A palavra do líder da delegação rev. Jean-Arnold de Clermont, presidente da Conferência de Igrejas da Europa foi o relato da experiência do grupo de três pessoas formado pelo Conselho Mundial de Igrejas com a missão de expressar solidariedade ecumênica global com as igrejas e as pessoas atingidas pelo conflito no Oriente Médio. Além do rev. Clermont, participou do grupo o monsenhor católico-romano Bernard Aubertin, representante da Conferência de Bispos Católicos da França, e a leiga metodista Marilia Schüller, executiva do Programa de Superação do Racismo do CMI.

A delegação visitou Beirute e Jerusalém de 10 a 15 de agosto. Em Beirute o grupo participou de cultos e reuniões de oração com cristãos libaneses e visitou áreas afetadas pelos bombardeios. A delegação também se encontrou com líderes políticos e religiosos, autoridades governamentais e membros da sociedade civil. A visita pastoral a Jerusalém foi semelhante e incluiu encontros com autoridades dos governos israelita e palestino. O rev. Clermont ressaltou o papel das igrejas e das demais confissões religiosas que atuam pela paz na região e trouxe um pedido forte das igrejas e da população local: que os documentos de denúncia e solidariedade sejam acompanhados de ação concreta de pressão aos organismos e autoridades internacionais pelo fim dos conflitos armados e pela paz com justiça.

O segundo momento foi um encontro do CC com o ministro da cultura do Líbano Tarek Mitri, ex-staff do CMI, executivo do Programa de Diálogo Inter-Religioso. Participou também do encontro ao embaixador no escritório da ONU em Genebra. O ministro Tarek Mitri iniciou suas palavras agradecendo à solidariedade do CMI que apoiou a constituição da delegação cristã internacional que visitou a região. Ele destacou que as ações de solidariedade começam em casa, e relatou, emocionado, como as famílias locais têm acolhido pessoas e famílias desabrigadas a despeito de diferenças regionais ou religiosas. Segundo o ministro, os políticos têm extraído força dessas expressões de solidariedade. Ele ressaltou o papel das igrejas cristãs libanesas que estão comprometidas num esforço comprometido, ecumênico, de redefinição da identidade nacional que trabalhe a harmonia entre as diversas expressões regionais e religiosas: “as igrejas participam desse processo através da educação, dos projetos de desenvolvimento e do diálogo inter-religioso”.

Tarek Mitri denunciou as ações arbitrárias do governo de Israel que violam o direito internacional ao não distinguir civis dos combatentes em seus ataques. O ministro apelou para a ação reparadora que deve vir da comunidade internacional: “Precisamos mais do que facilidades precárias sensacionalistas. Cerca de um milhão de libaneses estão desabrigados (e isto é um quarto da população). Há vilas destruídas, mais de um milhão de casas em ruínas!”. Ele alertou que não basta condenar as ações militares do Hezbollah mas aprofundar a reflexão sobre a história da relação do Líbano com Israel e com outros países da região: “Israel sempre afirma que toda guerra contra o Líbano é defensiva. Justifica-se a prevenção de que o Hezbollah realize ações contra Israel. Aqui não se faz distinção entre defender e prevenir”. Mitri avalia esta atitude como arrogância e intransigência política, pois, relatou, desde 2002 o plano de paz dos países árabes tem sido proposto às autoridades israelenses, que não dão chance a avanços.

Tarek Mitri fez um apelo para que a solidariedade se dê no apoio humanitário mas também nas pressões às autoridades internacionais e à Israel por um processo de paz na região: “O Líbano tem o direito de viver e de ser protegido contra o poder e a postura agressiva do seu vizinho”.

Conseqüência desse processo, o CC aprovou o estabelecimento de uma iniciativa ecumênica de ação pública pela paz no Oriente Médio. Foi aprovada a criação de um Fórum Ecumênico sobre a Palestina e Israel promovido pelo CMI. Este fórum catalizará e coordenará as iniciativas já existentes e as novas frentes implementadas pelas igrejas em favor da paz, buscará o fim da ocupação ilegal dos territórios palestinos em concordância com as resoluções da ONU, e demonstrará o compromisso com uma ação inter-religiosa pela paz e pela justiça em benefício dos povos da região.

Novas adesões à membresia do CMI

Parte da tarefa do CC foi aprovar o relatório das comissões que visitaram duas igrejas que apresentaram solicitação de adesão à membresia do CMI: a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e a Igreja Evangélica de Laos. Tive o prazer de participar da comissão que visitou a IPI.

Aprendi muito com a experiência e me senti revigorada com o que vi e ouvi, e com o compromisso ecumênico que a igreja sempre teve e quer, agora, aprofundar juntando-se às demais igrejas do mundo que fazem parte do CMI.

De acordo com o novo procedimento de recebimento de novas igrejas-membros, aprovado na 9ª Assembléia, em Porto Alegre, o CC aprovou, com muita satisfação, o recebimento dessas igrejas por um período, durante o qual participarão do trabalho do CMI e vão interagir com as outras igrejas-membros. Na próxima reunião do CC (fevereiro de 2008), será considerada, então, a aceitação dessas igrejas como membros plenas da comunidade fraterna do CMI.

Composição dos órgãos consultivos do CMI

O CC discutiu e aprovou nomes para comporem os órgãos consultivos do CMI. O subcomitê de nomeações leva em conta nomes indicados pelas igrejas-membros (a partir de solicitação prévia enviada a todas as igrejas-membros) e acata indicações do CC, submetendo um relatório à discussão em plenário. Procura-se manter o balanço regional, confessional e de gênero e garantir participação a jovens, indígenas e pessoas com deficiência, Destaques:

a) Comissão Permanente de Fé e Ordem: já havia sido aprovada a indicação enviada pelas igrejas à Assembléia de Porto Alegre. A comissão é composta por 30 membros. Da América Latina e do Caribe temos os nomes: Rev. Pablo Andiñach, da Igreja Metodista da Argentina; Prof. Valburga Schmiedt Streck, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil.

b) Comissão Plenária de Fé e Ordem: composta por 90 pessoas. Da América Latina e do Caribe temos os seguintes nomes: Rev. Mário Ferreira Ribas, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; Rev. Ofélia Alvarez Coleman, da Igreja Moravia na Nicarágua; Rev. Gerald A. Klingbeil, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, da Argentina; Rev. Jorge Scampini, da Igreja Católica-Romana, da Argentina (recordando que esta é a única comissão em que a Igreja Católica Romana tem assento pleno); Rev. Reinerio Miguel Arce Valentin, da Igreja Presbiteriana Reformada de Cuba.

c) Comissão de Missão Mundial e Evangelismo: composta por 25 membros. Da América Latina e do Caribe foram aprovados os seguintes nomes: Rev. Tito Paredes, do Centro Evangélico de Missiologia Andino, do Peru; Hesdie Zamuel, da Igreja Moravia do Suriname; Pr. Hector Petrecca,da Igreja Cristã Bíblica da Argentina.

d) Comissão de Igrejas sobre Questões Internacionais (CCIA), que, de acordo com a decisão da 9ª Assembléia do CMI é a unificação de quarto comissões que atuavam separadamente anteriormente com temas semelhantes – a Comissão de Igrejas sobre Questões Internacionais, a Comissão de Igrejas sobre Diaconia e Desenvolvimento; a Comissão das Igrejas sobre Justiça, Paz e Integridade da Criação, e ao Grupo de Referência sobre Relações e Diálogo Inter-Religioso. Esta nova comissão passou a composta por 38 membros. Da América Latina e Caribe foram aprovados os seguintes nomes: Noemi Espinoza, da Comissão Cristã pelo Desenvolvimento (de tradição reformada), Honduras; bispo Carlos Intipampa, da Igreja Metodista na Bolívia; rev. Fernández Collot, Igreja Batista de Cuba; Thomas Kang, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil.

e) Comissão sobre Formação Ecumênica e na fé: composta por 30 membros. Nomes da América Latina e do Caribe aprovados: Rev. Gordon Cowans, da Igreja Unida na Jamaica e nas Ilhas Caiman; Diana Fernandes, da Igreja Metodista no Brasil; Leopoldo Cervantes Ortiz, da Igreja Nacional Presbiteriana do México; Elizabete Salazar, da Igreja Pentecostal do Chile.

f) Grupo de Misto de Trabalho entre a Igreja Católica Romana e o Conselho Mundial de Igrejas: composto por 18 membros. Nomes aprovados da América Latina e do Caribe: Rev. George Mulrain, da Igreja Metodista em Trinidad Tobago; Rev. Juan Sepúlveda, da Missão Igreja Pentecostal, do Chile.

g) Grupo Misto de Trabalho entre Igrejas Pentecostais e o Conselho Mundial de Igrejas: composto por 14 membros. Da América Latina e do Caribe foram aprovados os seguintes nomes: Rev. Lesley Anderson, da Igreja Unida na Jamaica e nas Ilhas Caiman; Rev.Jorge Vaccaro, da Igreja de Deus, da Argentina; Rev. Iara Muller, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil.

h) Comissão Conjunta das Comunhões Cristãs Mundiais e o Conselho Mundial de Igrejas: nova comissão para estreitamento de relações, criada na 9ª Assembléia do CMI. Composta por um representante de cada comunhão de igreja e quatro representantes do CC. Não há nomes da América Latina e do Caribe aprovados.

i) Comissão Permanente sobre Consenso e Colaboração. Aprovada na 9ª Assembléia para dar continuidade ao processo de trabalho conjunto e diálogo entre as Igrejas Ortodoxas e o CMI, iniciado em 1998. É composta por 14 membros: sete da família protestante e sete da família ortodoxa. Na família protestante, um nome da América Latina foi indicado e aprovado: o meu, Magali do Nascimento Cunha.

j) Comissão contínua sobre Ecumenismo no Século XXI: a comissão que organizou a consulta de Dezembro de 2004 sobre o tema continua em atuação. Da América Latina e do Caribe participa pelo CMI Rev. Rudolf Von Sinner, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, juntamente com outras quatro pessoas. Outros membros dessa comissão são indicados por organizações parceiras do CMI.

k) Organismo de Juventude: foi aprovada pela 9ª Assembléia a criação de um órgão para incremento da participação da juventude nas atividades do CMI. A composição será de 25 pessoas de 18 a 30 anos: 5 integrantes do CC; 6 integrantes de comissões do CMI; os demais nomes serão indicados por igrejas-membros, e deverão ser submetidos ao comitê executivo do CC. Entre os membros do CC, um nome é do Caribe: Nerissa Celestine, da Igreja Anglicana. Entre os membros de comissões, foi indicado e aprovado o nome de Diana Fernandes, da Igreja Metodista no Brasil.

A participação latino-americana nas comissões é pequena, em comparação com outras regiões, dada a proporcionalidade (é pequeno o número de igrejas-membros no continente). No entanto, houve poucas indicações da parte das igrejas, o que torna o processo ainda mais difícil para a participação regional. Os latino-americanos presentes no CC, fizemos o possível para estar presentes nos espaços e indicar outros nomes. O resultado está acima.

Sobre minha indicação para a Comissão Permanente sobre Consenso e Colaboração considero um desafio. Confesso conhecer muito pouco a realidade das igrejas ortodoxas e considerei isto ao ser consultada sobre a indicação do meu nome. Mas ouvi o argumento de que a contribuição latino-americana seria muito importante no processo e que o desafio deveria ser aceito. O meu “sim” foi um retorno positivo ao argumento. Antevejo um caminho diferente e de muito aprendizado. Vamos ver o que teremos adiante.

Avaliação da 9ª Assembléia

Um momento da reunião foi dedicado à avaliação da 9ª Assembléia. Uma homenagem foi prestada à comissão organizadora do Brasil, liderada pelo pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana Rui Bernard. No geral a avaliação foi positiva, destacando-se o empenho das igrejas do Brasil e da América Latina em receber evento de tal magnitude. A estrutura foi avaliada positivamente, bem como o “Mutirão”. Detalhes dessa avaliação podem ser conhecidos em http://www.oikoumene.org/es/documentacion/documents/comite-central-del-cmi/ginebra-2006/informes-y-documentos/assembly-evaluation.html

Encontro regional

Latino-americanos presentes à reunião do CC tiveram oportunidade de encontro em duas sessões. Além dos cinco membros do CC e da presidente regional Ofélia Ortega, participaram também outras pessoas presentes à reunião: o pr. Rolf Schunemann, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, que representava o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil; o pr. Rui Bernard, que liderou a comissão nacional de organização da 9ª Assembléia do CMI; o rev. Odair Pedroso, da Igreja Presbiteriana do Brasil, staff da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas. Também participou o staff do CMI ligado à região: Marta Palma (Escritório para a América Latina), Guillermo Keber (Assuntos Internacionais), Marilia Schüller (Superação do Racismo), Eugênio Poma (Povos Indígenas) e Carlos Sintado (tradutor).

Na reunião foram discutidas as seguintes questões: Com o encerramento do contrato de Marta Palma, como será encaminhada a continuidade do trabalho, especialmente as articulações como o Fórum do Compartir Ecumênico de Recursos (FOCER) e as relações, especialmente com pentecostais? Com o encerramento do contrato de Eugênio Poma, como garantir a continuidade do trabalho com povos indígenas (realizado em parceria com o CLAI), diante da nova estrutura programática? FORCER encaminhou uma carta ao secretário-geral do CMI reconhecendo o valor do trabalho de Marta e Eugênio e pedindo prioridade e especial atenção nas definições de nomes para a continuidade.

Outras questões foram consideradas como o trabalho de formação ecumênica na América Latina – como deve acontecer para alcançar as bases? Como reforçar as parcerias regionais? Partilhou-se também as estratégias da Década de Superação da Violência no continente. Por fim, refletiu-se os retrocesso no movimento ecumênico latino-americano, especialmente em relação aos metodistas: a retirada dos metodistas do Seminário de Matanzas (Cuba); o não-retorno da Igreja Metodista do México à membresia do CMI; a retirada da Igreja Metodista do Brasil de organismos onde está presente oficialmente a Igreja Católica Romana e outras religiões.

Como extensão da reflexão, foi realizada uma entrevista reservada dos membros do CC e da presidente com o secretário-geral do CMI para partilhar as considerações e a necessidade de uma atenção especial ao continente. A reunião de uma hora aconteceu em momento alternativo. Samuel Kobia ouviu atentamente as ponderações em relação à importância da continuidade do trabalho de Marta Palma e Eugênio Poma. Argumentou que tudo será considerado a partir da nova estruturação. É certo que nova pessoa será admitida para a vaga de Marta Palma (espera-se indicações), no entanto, não vai haver mais uma pessoa dedicada em tempo integral ao trabalho com o continente. O trabalho regional será mantido mas dividido com trabalho programático. Ainda se avalia se o trabalho com povos indígenas será centralizado em Genebra ou descentralizado como acontece hoje. O que deverá se manter é a continuidade do projeto. Sobre o que o grupo classificou como onda conservadora que atinge o ecumenismo latino-americano, Samuel Kobia indicou que o fato oferece uma pauta para aproximar mais ainda o CMI da América Latina com maior prioridade à formação ecumênica.

Um momento especial celebrativo reuniu os latino-americanos mais uma vez: o lançamento do livro de Charles Harper “O acompanhamento: a ação ecumênica a favor dos Direitos Humanos na América Latina: 1970-1990”. O livro de Charles Harper baseia-se na documentação que o CMI dispõe sobre o tema e é uma homenagem a personalidades ecumênicas e heróis pouco conhecidos que lutaram em defesa da vida no continente. Harper, missionário presbiteriano, foi testemunhados episódios que narra, e também protagonista, a partir de seu trabalho solidário, da luta em favor da causa dos povos latino-americanos. Ele foi diretor executivo do Departamento de Direitos Humanos para a América Latina, e diretor interino da Comissão das Igrejas para Assuntos Internacionais, de 1992 a 1993, ambas do CMI.

Na ocasião também foi feita uma homenagem aos três latino-americanos que deixam este ano o staff do CMI, por encerramento de contratos e realização de novos projetos: Eugênio Poma, Marilia Schüller e Marta Palma.

Encontro de mulheres

Houve um encontro que reuniu as mulheres presentes à reunião do CC – tanto as que são membros, como observadoras e assessoras/convidadas. Este CC é o que mais se aproxima da meta de 50% na composição: são 42% de mulheres (63 em número absoluto). Éramos cerca de 80 mulheres no encontro de uma hora. Foi um momento para integração e partilha de experiências (trabalhamos em pequenos grupos) e para ouvirmos a coordenadora do Programa de Mulheres do CMI Aruna Gnanadason sobre as perspectivas a partir da nova configuração programática do CMI. A questão de gênero deve perpassar todos os programas, como um dos eixos, mas haverá um projeto dedicado às mulheres e à juventude no programa “O CMI e o movimento ecumênico no século XXI”: “Juventude e mulheres: desafios e esperanças”.

Encontro confessional

As famílias confessionais presentes à reunião do CC tiveram seu encontro especial. Nós, metodistas, éramos 23 presentes à reunião: cinco da América Latina e Caribe, cinco dos Estados Unidos, cinco da África, três do Pacífico, dois da Ásia, um da Igreja Unida da Austrália, três da Europa (um desses o secretário-geral do CMI Samuel Kobia e outro o ex-secretário-geral Emílio Castro). Participaram ainda com o grupo um Anglicano e um Quaker. Fui convidada para coordenar a reunião juntamente com o pastor dos EUA Larry Pickens.

Na uma hora que tivemos, houve oportunidade para integração e para ouvir destaques de cada igreja. Da América Latina, os destaques ficaram por conta da decisão da Igreja Metodista no Brasil em retroceder na sua postura ecumênica e dos 100 anos da Igreja Metodista na Bolívia, com seu ministério contextualizado e de valorização à causa indígena (a igreja recebeu uma condecoração do governo pelos serviços prestados à nação boliviana).

O secretário-geral do CMI Samuel Kobia teve uma palavra especial. Ele compartilhou sobre sua participação na Assembléia do Concílio Mundial Metodista, realizada em Seul, em julho passado. Ele foi um dos palestrantes e relatou ter ouvido uma questão que sempre é apresentada: “por que os metodistas têm maioria entre os secretários-gerais do CMI (dos seis que desempenharam a função até hoje, três são metodistas, um foi reformado, outro presbiteriano e um é luterano)? Ele diz ter respondido com uma outra pergunta que se conecta a esta: por que o movimento ecumênico e o metodismo têm uma ligação tão forte? A resposta às duas perguntas, para Kobia, está na famosa frase de John Wesley “O mundo é minha paróquia”. A partir desta frase, o metodismo construiu sua forte conexão com o ecumenismo, segundo o líder do CMI. A partir dela, metodistas encontraram base para seu engajamento no movimento, como John Mott, que pregava: “a Bíblia na mão e o jornal na outra!”. John Mott e outros líderes metodistas em todo o mundo entenderam bem o ensinamento de John Wesley quanto à santidade social. No metodismo, espiritualidade tem a ver com justiça social – caminham juntas. Por isso a conexão tão forte entre metodismo e ecumenismo.

Samuel Kobia destacou duas preocupações fortes do CMI em relação à família metodista no mundo: 1) o fato de o Concílio Mundial Metodista ter fechado o seu escritório no Centro Ecumênico de Genebra. Esta presença faz muita falta ao CMI e aos outros escritórios de famílias confessionais que permanecem como o dos reformados e o dos luteranos; 2) a decisão da Igreja Metodista no Brasil de deixar o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs. Samuel Kobia diz ter conhecimento dos problemas históricos que as igrejas evangélicas latino-americanas têm de relacionamento com a Igreja Católica. Apesar disso, o testemunho ecumênico metodista vinha sendo dado como exemplo para as demais igrejas, na superação de barreiras. É preciso refletir mais sobre as conseqüências disso e de atitudes como a da Igreja Metodista de Cuba, de deixar o Seminário de Matanzas, por exemplo.

O secretário-geral fez um apelo para que os metodistas continuem apoiando o CMI como vêm fazendo ao longo da História. Destaca o apoio à formação ecumênica e o papel do Instituto Ecumênico de Bossey. O CMI está redesenhando a proposta do Instituto Ecumênico para que se torne um verdadeiro laboratório de ecumenismo, que seja um porto seguro para diálogo e reconciliação. A formação ecumênica, para Kobia, é o coração do futuro do ecumenismo.

Visita ao Instituto Ecumênico de Bossey

O domingo, 3 de setembro, foi dedicado a participação em cultos de igrejas da cidade, pela manhã, e uma visita ao Instituto Ecumênico de Bossey à tarde. Lá foi apresentada a proposta de renovação da vocação de Bossey como um centro de formação ecumênica, afinada com as discussões sobre a reconfiguração do movimento ecumênico e sobre o ecumenismo no século XXI. Destacou-se os programas de mestrado e doutorado em ecumenismo em parceria com a Universidade de Genebra e, ainda, os programas de curta duração e a ênfase na questão do diálogo inter-religioso. Detalhes sobre Bossey podem ser conhecidos pelo link: http://www.wcc-coe.org/bossey/index-s.html

Maiores informações sobre a primeira reunião plena do novo CC do CMI podem ser conhecidas por intermédio do link: http://www.oikoumene.org/es/events-sections/cc2006.html

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