IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 16/2/2007
 

Carnaval

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Introdução
Dizem que o ano no Brasil começa somente depois do carnaval.Estamos, então, quase começando o ano, pois o carnaval estáchegando.
Já existe uma grande movimentação. As escolas de samba trabalham o ano inteiro confeccionando as fantasias, criando o enredo, trabalhando com a bateria. As pessoas se preparam também. Muitos economizam visando usufruir o carnaval; outros fazem dívidas.
Nas formas as mais diversas, o carnaval é comemorado.
“É carnaval... é carnaval...”, dizia Jorge BenJor.
Muitos afirmam que o carnaval é uma festa “pagã” oferecida aos deuses. Outros afirmam que surgiu de celebrações libertinas que visavam ao prazer a qualquer custo. Sendo originária de uma ou outra forma, o carnaval existe em muitos países, sendo que no Brasil é onde há a maior celebração e o maior destaque.
COMEMORANDO O CARNAVAL...
Semelhantemente a outras festividades, como Natal, final de ano, Semana Santa, a maioria das pessoas usa essas datas para viajar, estar com a família, descansar. O carnaval apresenta outras possibilidades. Os grupos religiosos fazem retiros, acampamentos, encontros de meditação ou lazer. Grupos turísticos programam viagens, cruzeiros, passeios ecológicos, acampamentos para crianças e jovens.
Uma boa parte curte o carnaval com toda a intensidade. Quem fica em casa acompanha pela TV os desfiles, os “flashes” e tudo mais.
Existem os desfiles, vistos por muitos como algo de nossa cultura e folclore. Devido a isso, recebemos, nos grandes centros (Rio, Recife, Salvador, São Paulo...), muitos turistas. Os bailes são os mais procurados, especialmente pela juventude. A música animadora e excitante é convidativa ao movimento e ao prazer. Na tradição nordestina, há o que chamamos de “trios elétricos”, com a presença de grandes cantores/as tendo o povo acompanhando o seu cortejo.
Esse é o tipo mais popular e menos custoso.
TUDO PARECE UMA BELEZA E UMA CURTIÇÃO
Avaliemos um pouco mais profundamente. Os cristãos, especialmente os evangélicos e uma boa parte do catolicismo, consideram o carnaval inadequado para os que seguem a fé de Jesus.
O apóstolo Paulo fala, quanto ao nosso modo de viver e se relacionar, que: “Tudo é lícito, mas nem tudo convém. Tudo é lícito, mas ele não se deixaria dominar por nada. Tudo me é lícito, mas nem tudo edifica o nosso próximo...”.
Essa é uma verdade que poderia orientar outras áreas comportamentais do viver. Jesus dizia: “Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você”...
O QUE É MAIS CONDENADO OU CRITICADO?
1. O ABUSO DO SEXO
Uma das maiores estimulações do carnaval é o prazer do sexo. A sexualidade está na pele do ser humano.
Deus criou o sexo, junto com as demais coisas. Ele criou para o bom relacionamento entre o homem e a mulher, o macho e a fêmea. Ao terminar a obra de Sua criação, a Bíblia nos fala que: “Viu Deus que tudo era bom; muito bom” (Gn. 1 e 2).
O sexo está aqui incluído. Ele é bom, prazeroso, une e satisfaz o ser humano – homem e mulher. Acontece que a sociedade, os meios de comunicação – a mídia – têm estimulado a busca desenfreada pelo prazer do sexo.
No passado, prevaleciam os tabus, as múltiplas proibições. Hoje predomina a plena liberdade, se não a libertinagem. Desde a puberdade, recebe-se o estímulo para buscar a prática do sexo. Adolescentes em grande número já vivem plenamente a sexualidade. Há um tremendo aumento da gravidez na adolescência. O pior: troca-se de parceiro/a seguidamente. Há até preconceito contra o menino ou a menina que ainda não teve a sua experiência sexual. No passado, o preconceito era contra quem não era mais virgem. Hoje, é contra quem é virgem...
Em busca do prazer sexual, cresceu o número de adultérios, de trocas de casais, de casas noturnas e das mais extravagantes experiências. Esse não era o propósito divino para o ser humano. A sexualidade, sim. A libertinagem sexual, não!
Sexo necessita estar ligado diretamente ao amor. Amor, como sentimento, fonte de vida e de relacionamento, em que há amizade, prazer em estar e viver juntos e, se necessário, até o sacrifício. Isso é menosprezado nos dias de hoje.
Sexo também pressupõe compromisso, responsabilidade, cuidado pela outra pessoa, não a usando como um “meio de prazer”.
Sexo, amor e compromisso são um triângulo fundamental para a vivência sexual sadia. Infelizmente, no carnaval, busca-se demasiadamente o sexo a qualquer custo, modo e nas formas as mais impensáveis.
Leve em consideração estas reflexões. Valorize-se e não se entregue a qualquer custo, especialmente as meninas e as mulheres.
2. O PROBLEMA DO ÁLCOOL E DAS DROGAS
No ambiente do carnaval, das diversas festividades, está a presença do álcool. A latinha sempre está nas mãos. Não é apenas a cerveja, mas todo tipo de bebida, em especial a “caninha”, pinga combinada com as mais variadas batidas.
Sabemos que o álcool libera do ser humano parte de sua responsabilidade, de sua consciência, além de diminuir o seu reflexo. A maioria dos acidentes automobilísticos é causada pelo álcool. Não adianta dizer: “Beba com moderação”. Isso é uma hipocrisia e falsidade dos que têm em vista apenas os seus interesses econômicos e lucros. O alcoolismo tem aumentado no mundo, em especial no Brasil. Muitos são escravos do álcool, vitimando a família, si mesmos, o trabalho, os relacionamentos e a pátria, impondo-lhes altos custos.
Infelizmente, o prazer do álcool e a busca pelo esquecimento da dor e dos problemas não param aqui. Eles se tornam um apelo para as drogas, desde a maconha até LSD, crack, anfetaminas e as mais variadas misturas. Álcool, drogas e sexo “são um triângulo” tremendamente presente hoje entre os jovens, e não apenas eles.
Avalie bem a sua caminhada na vida, em especial neste carnaval, quando aumenta o espaço para o álcool e a droga.
3. O LAZER NA BUSCA DO PRAZER PESSOAL
O prazer é um dom de Deus. Muitos são os prazeres que usufruímos: comida, bebida, convivência, esportes, viagens, espiritualidade... A vida tem sido sufocante para todos nós. Alguns sofrem mais do que outros, mas todos estamos sob a possibilidade da sobrecarga e, para nos aliviar, buscamos o prazer. Há vários tipos de prazer. O lazer é hoje muito estimulado. O ser humano necessita de lazer, um lazer sadio, que edifique a si, ao seu próximo e a vida na família e na sociedade.
O grande problema do lazer e do prazer é quando eles são buscados a qualquer preço, usando as pessoas ou grupos como “fonte” disso. Hoje, nos namoricos, no “ficar”, nos relacionamentos heterossexuais e homossexuais, o que domina é a busca do prazer, a qualquer custo.
A pessoa aqui é usada como uma “coisa”, sem personalidade. É uma personagem que existe para dar prazer ao outro. Dessa forma, a pessoa é minimizada, desvalorizada, usada e difamada.
Isso não é justo! Mesmo em acampamentos religiosos, viagens, etc., isso pode acontecer, menosprezando o valor e a dignidade da outra pessoa.
Valorize a si mesmo e a pessoa com quem você se relaciona. Em especial a mulher; rebele-se contra o uso de si e de sua imagem como prazer para o homem. Este continua, apesar da amplitude da liberdade da mulher, sendo um machista, usando a mulher como coisa e seu instrumento de prazer. Cuide de si para que isso não aconteça!
4. OS GASTOS DEMASIADOS
Vivemos uma situação econômica e social dramática. A maioria de nosso povo vive de forma subumana. Falta sensibilidade e solidariedade entre as pessoas e grupos sociais.
A nossa sociedade estimula os gastos, a compra, o ter, o mercado. Dessa forma, vivemos sempre comprometidos com nossos orçamentos quando temos recursos, ou em débitos totais, quando esses nos faltam.
Prefeituras de cidades pobres, muitas vezes, votam verbas altas visando à celebração do carnaval. Claro: no meio de tanto sofrimento, o carnaval é um ópio, uma distração, uma anestesia para a pessoa e a sociedade, levando ao esquecimento dos reais problemas.
Há tanto por fazer nas grandes cidades e em nossa pátria. Mas, mesmo assim, o gasto com verbas governamentais para as celebrações é imensurável, deixando de se aplicar recursos em prioridades inadiáveis.
Apesar do folclore e da propalada beleza das escolas de samba, o sacrifício, a luta, a economia e os gastos que os seus componentes e o seu grupo têm são grandes demais. Além disso, existem financiamentos vindos de origem duvidosa: jogo do bicho, casas de bingo, lavagem de dinheiro, políticos corruptos, vendedores de votos.
Cuide-se! Não se atole em dívidas. Seja moderado/a. Não entre na onda do, a qualquer custo, ter e encontrar prazer, pois os “cartões de crédito”, os financiamentos bancários, os compromissos com o turismo não perdoam e vão cobrar até tirarem o seu sangue. Busque valorizar-se mais... Ser, e não apenas ter.
5. DESGASTES MORAIS, ÉTICOS E RELIGIOSOS
Como conseqüência do carnaval, muitos desgastes, sofrimentos e conseqüências acabam atingindo pessoas, famílias e comunidades, não falando nos aspectos sociais locais e nacionais.
Em todo carnaval, há uma quarta-feira de cinzas. Um dia que no passado era mais respeitado, pois hoje o carnaval continua pela quarta-feira e até no período da Quaresma, que é um momento de avaliação, reflexão e auto-análise à luz da fé.
Famílias são atingidas: gravidez inesperada, enfermidades sexuais e outras, adultério, esfacelamento familiar, afundamento da sociedade e da vida, separações de casais, brigas em família, entre amigos, em grupos e comunidades.
Há muita violência no carnaval. A violência física, emocional, relacional, social e espiritual. Assassinatos, mortes, muitas brigas, acidentes automobilísticos e outros mais. A violência através da palavra tem machucado a muitos, pois gera sentimentos complexos, baixa a auto-estima, quebra a imagem pessoal.
A quarta-feira de cinzas é uma fuga para muitos; uma mentira e ilusão ou um ato obrigatório, corriqueiro, formal, o cumprimento de uma observância, sem profundidade conforme a intenção da Igreja.
No Antigo Testamento, usava-se “cinza”, “pano de saco” e “outras manifestações” como expressão de autêntico arrependimento e quebrantamento perante Deus; um momento de confissão e busca de uma nova vida centrada no amor e na graça dEle.
Gostaríamos que pudéssemos ter o “mínimo de lamentações” pós-carnaval. Infelizmente, isso não tem acontecido.
6. DOENÇAS SEXUAIS: AIDS, SÍFILIS, ETC.
Citamos rapidamente que uma das conseqüências pessoais e sociais do carnaval e do mau uso do sexo são as enfermidades. Inúmeras enfermidades podem surgir ou agravar-se na pessoa e até no casal.
Há diversos tipos de enfermidades sexuais. Algumas são de difícil cura e tratamento; outras são dolorosas. Todavia, a mais temida é a terrível AIDS. Visando evitá-la, o recurso usado e propalado por todos os meios de comunicação é o uso do “preservativo” no ato sexual.
Nas propagandas da televisão, vemos a pessoa tendo um “preservativo nas mãos” e a afirmativa: “Não deixe de usar”; “Leve sempre com você”; “Não se esqueça”, “Não perca a cabeça praticando o sexo com risco, sem o preservativo”.
Essa é mais uma hipocrisia social, pois o que se está dizendo é: “pratique o sexo como quiser, do jeito que quiser, com quem quiser, mas desde que você use o preservativo”.
Isso significa um estímulo e uma liberação para a prática do sexo de forma indevida, em nível de vida animal, sem um relacionamento amoroso, afetivo, comprometido, responsável. Muitos se conhecem e se encontram e, na primeira noite ou ocasião, já transam. Na hora, pode representar prazer, o que nem sempre acontece, pois o sexo não é somente biológico, mas afetivo, emocional, social, ético e espiritual.
Claro que não podemos deixar a descoberto o sexo tomando os devidos cuidados para que as enfermidades não atinjam as pessoas. Mas sempre de forma responsável.
Não se discute o sexo, sua avaliação e reavaliação, em especial com os mais jovens. Não se fala de vidas destroçadas depois de uma seqüência de relacionamentos sexuais, quando há a perda do ânimo, o surgimento da depressão, da baixa auto-estima, da desvalorização pessoal e da destruição psicológica e social. A questão aqui não é a do moralismo, mas da sexualidade responsável, saudável, vivenciada conforme os propósitos do Criador e revalorizada pelo Senhor Jesus.
A sociedade precisa urgentemente discutir e refletir sobre a sexualidade. Não a sexualidade mecânica, fisiológica, anatômica, mas a sexualidade à luz da sua realidade, dos objetivos estabelecidos por Deus, das necessidades pessoais, sociais, familiares e espirituais.
As próprias comunidades de fé, cristãs ou não, deixam de refletir, de educar, de reeducar, de orientar a questão da sexualidade desde a infância até a terceira idade.
VOCÊ É RESPONSAVEL POR SUA VIDA, A VIDA DA FAMÍLIA E
DA SOCIEDADE
Talvez você esteja pensando: “Isso é papo de moralista! Papo de religioso! Conversa de hipócritas!”.
Não sei quem você é. Não conheço a sua vida nem me cabe julgá-la. Você tem a liberdade de decidir como agir em qualquer circunstância de sua vida, especialmente neste momento de carnaval.
Você pode ter uma religião, uma fé centrada em Deus, em Cristo ou em outra coisa, mas mesmo assim é chamado a “refletir e decidir”.
Uma coisa é certa: Deus o/a ama. Quer o melhor para você. Ele Se preocupa com o seu viver, por mais estranho que lhe possa parecer. Visando tirar a pessoa do poder do “pecado” – quebra de comunhão e de relacionamento com Deus, com o próximo, consigo e com a natureza –, Ele veio até nós na pessoa de Jesus Cristo. Em qualquer situação, Ele nos ama e nos acompanha. O Seu desejo é que aceitemos ter um relacionamento com Ele. Viver o dia-a-dia sob a Sua presença, amor e sustentação. O desejo do Pai é a sua salvação, isto é, a concessão de uma nova vida perdoada e restaurada no amor de Cristo, na Sua morte e ressurreição, e a dádiva da vida eterna após a morte. “O amor do Pai é tão grande que Ele nos deu gratuitamente o Seu Filho, para que a pessoa que nEle crer venha a receber a vida eterna” - Uma vida plena e abundante, a partir de agora (evangelho de João 3.16).
Passe um bom carnaval, valorizando a si mesmo, ao próximo e o seu relacionamento com a família e a sociedade.
Um abraço amigo e acolhedor da Igreja Metodista: “A comunidade que ouve, acolhe, ora e é solidária”

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