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Rio, 12/9/2015
 

A Influência do Judaísmo na Igreja Cristã: O Luto

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Desejo escrever alguns artigos sobre o judaísmo e sua influência no cristianismo. Algumas influências foram positivas e outras negativas. Dois momentos foram propícios para esta influência: na criação da igreja primitiva (os primeiros discípulos eram judeus e trouxeram suas crenças e práticas) e na reforma litúrgica do século IX, com Carlos Magno, onde foram introduzidos elementos judaicos aos ritos litúrgicos. Hoje estaremos vendo a influência do judaísmo com relação ao luto e as cerimônias fúnebres presentes na Igreja Católica Romana e em algumas igrejas protestantes. No texto apresento o ritual de algumas igrejas cristãs e a tradição judaica que originou tal ritual. 

Ritual de acender velas ao falecido

Os judeus acendem velas ao redor do defunto. Dizem que a luz das boas ações praticadas pelo falecido ao longo da vida o acompanhará ao repouso eterno. De acordo com o pensamento místico judaico, a chama da vela simboliza a alma do ente que partiu, pois ela se dirige sempre para o alto. Dizem que mantendo uma vela acesa durante a primeira semana de luto, e também no dia do aniversário do falecimento, estão ajudando a ascensão da alma aos céus. Como se a vela tivesse o poder de iluminar o morto.  

Ritual de colocar roupas pretas próprias para o luto

Os enlutados judeus têm roupas próprias para o luto. Eles devem fazer um rasgo em suas roupas. Este ritual chamado de keriá é tradicional no judaísmo. Ao rasgar a roupa, o enlutado profere a benção “Baruch Dayan Emet”, “Bendito seja o verdadeiro Juiz”, demonstrando assim que apesar da tragédia, sua crença em Deus e na justiça divina continua inabalável.

Ritual da Missa de sétimo dia e 30 dias em memória ao morto

Os judeus precisam ficar sete dias em casa após a morte de um parente. A palavra “Shivá” significa “sete”, e se refere ao período de sete dias de luto contados a partir do dia do enterro. A tradição tem origem na Torá, quando José “chorou sete dias” pelo seu pai, Jacó (Gênesis 50.10). Durante uma semana, os enlutados ficam em casa, abstendo-se de quaisquer atividades profissionais ou de lazer. Parentes e amigos fazem visitas de condolências à casa dos enlutados, e três vezes por dia (de manhã, à tarde e à noite) realizam-se serviços religiosos. Neste período os espelhos da casa devem ser cobertos. Também devem sentar no chão ou em baquetas baixas. Não poderá também usar nada que lhe traga conforto, roupas novas, cosméticos e sapato de couro. Também não poderá fazer a barba. O Shivá não pode ser observado no sábado nem nos feriados principais. Esta observância de setes dias se estende para o Shloshim. A palavra “Shloshim” significa “trinta” e se refere ao período de luto entre o término da Shivá e o trigésimo dia. 

Ritual da Oração pelos Mortos para expiar seus pecados

Os judeus também têm uma oração pelos mortos chamada Kadish. O Kadish é um hino de louvor a Deus. Por ser tradicionalmente recitado nos enterros e nos serviços comemorativos dos finados, ele é popularmente considerado como uma oração pelos mortos, mesmo não fazendo nenhuma referência à morte ou ao luto. Ele é recitado em aramaico. De acordo com a lei judaica, a obrigação de recitar o Kadish recai sobre os filhos homens, e deve ser cumprida na presença de um minyan (quorum de dez judeus adultos). Quando não há filhos vivos, o parente mais chegado costuma fazê-la. As filhas não são obrigadas a recitar o Kadish. Deve ser recitado durante onze meses depois da morte do pai ou da mãe. Existe na antiga tradição judaica uma crença de que toda pessoa, após a morte, tinha que expiar os pecados cometidos na Terra, antes que sua alma pudesse entrar no Paraíso. E quanto maior o número de pecados, maior o tempo de expiação, sendo que o prazo máximo era de doze meses.

Ritual de Comemoração do aniversário de falecimento e o acendimento de velas ao morto. 

Os judeus guardam também o aniversário do falecido. Esta data é chamada de Yahrzeit. Nesse dia costuma-se visitar o túmulo do falecido e mantém-se uma vela acesa durante 24 horas. Os filhos recitam o Kadish na véspera, à noite, e no próprio dia do Yahrzeit, de manhã e à tarde. Algumas pessoas jejuam no dia do Yahrzeit de um parente chegado, em sinal de pesar. O Yahrzeit é contado a partir do dia da morte, seguindo o calendário judaico. Na sinagoga é feito um tributo aos mortos. Chama-se Yizkor e pode ser recitado em memória de qualquer parente falecido. No entanto, o mais frequente é as pessoas recitarem o Yizkor pelos pais. Daí surgiu o costume de que aqueles cujos pais estão vivos não permanecem na sinagoga durante o serviço comemorativo.

Como protestantes temos costumes bem diferentes destes apresentados acima, contudo a presença judaica nas liturgias católicas e nas tradições populares cristãs é evidente. Não é fruto da entrada do paganismo na igreja, mas da tentativa da leitura judaica pelo cristianismo. Esta tentativa está de volta em muitas comunidades evangélicas.  Que tenhamos discernimento e sabedoria para conhecer nossa história cristã e saber separar o joio do trigo. 

Fonte: Regras do Luto, Chevra Kadish do Rio de janeiro. In: http://www.chevrakadisha.com.br/regras-do-luto/

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