IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Rio, 16/2/2007
 

Uma Criança os guiará (Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa)

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UMA CRIANÇA OS GUIARÁ (Isaías 11.6; Mateus 18.1-5)

Introdução:

O Protestantismo Histórico ao enfatizar o sacerdócio universal de todos os cristãos/as proporcionou a livre leitura e interpretação pessoal das Escrituras Sagradas, permitindo que cada cristão e cada cristã possa, diariamente, apropriar-se dos ensinamentos de Cristo para as suas vidas pessoais. Contudo, isto não exime aos vocacionados/as à educação cristã da comunidade de fé, buscar uma chave hermenêutica que lhes permita um melhor entendimento da Palavra de Deus, e, conseqüentemente, compartilhar de forma mais fidedigna o espírito que a permeia. E isso sempre deve ser feito com “temor e tremor”. Cabe a quem ensina, na comunidade de fé, aliar competência teológica, competência pedagógica e dependência do Espírito Santo. Neste sentido, proponho a reflexão sobre o lugar da criança, a partir de sua inserção em nossas comunidades locais pelo batismo.

1. O profeta das Crianças:

Nesta busca, encontramos na Bíblia Isaías: um grande poeta, um religioso autêntico; um verdadeiro profeta orientado pelo Espírito de Deus. Ele viveu por volta do ano 765 a.C., numa época onde co-existiam duas grandes potências militares: a Assíria e o Egito dos grandes Faraós. A Palestina, terra de Isaías, dividida entre os reinos de Judá e o de Israel, vivia em meio a essas nações, exigindo que os hebreus fizessem com elas constantes acordos e planos. As conseqüências foram a crescente dominação e empobrecimento do seu povo. Isto fez com que grupos de crianças, cujas famílias haviam sido mortas e dispersas nos constantes conflitos, perambulassem famintas pelas vielas e becos de Jerusalém; pedindo esmolas, fazendo pequenos trabalhos.

É neste contexto que Deus chama Isaías, desafiando-o a participar das mudanças; e ele responde “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Há, neste chamado, um princípio para a compreensão da vontade de Deus: Ele se faz presente nas transformações necessárias à sociedade humana, agindo na vida das pessoas, das famílias, das crianças. Para isso, o Senhor conta com a sensibilidade e disponibilidade humana – vocação. Certamente que Isaías era um homem sensível às necessidades humanas; as necessidades das crianças das ruas da Palestina. Por esta razão foi vocacionado. Por isso Deus lhes confiou uma missão: falar de salvação, falar de esperança.

A mensagem de esperança trará mudanças, oriundas de uma nova e inesperada fonte. As transformações pretendidas por Deus não sairiam nem da vontade nem dos decretos palacianos. Ela teria como fonte a Jessé: das raízes esquecidas. Ela brotaria do Deus familiar, do clã, da casa; de quem esteve no dia-a-dia do seu povo, peregrinando pelos desertos e vales da vida. É um renovo, uma nova brotação, algo frágil, mas que produzirá frutos.

O mais importante de tudo, é que as crianças dos becos; os pequeninos das ruas da Palestina, serão a chave que abre portas para o Reino do Príncipe da paz, do Messias da justiça divina.. A criança será sujeito da mensagem e protagonista da vontade de Deus para a vida. Através da infância será restaurado o verdadeiro lugar de adoração, ao verdadeiro Deus. O Espírito de Deus será o Espírito da Vida, que sopra sobre o povo, restaurando convivências e relacionamentos humanos, fazendo com que ninguém mais se sinta só, ninguém seja excluído, nem rejeitado, nem órfão.

O Urso e o Leão, animais símbolos da monarquia e do poder econômico; assim como o Lobo, o Leopardo e a Serpente serão guiados pelas mãos de uma criança. A irracionalidade do poder opressor, da violência e da corrupção deste mundo será destruída pelo resgate da infância. Para o profeta, isso acontecerá quando a criança se constituir na chave de compreensão da vontade de Deus. Portanto, o resgate da vida da criança substituirá, com sinais de vida e esperança, os sinais de morte.

2. O Cristo das Crianças

A presença do Emanuel, no Novo Testamento, coloca a encarnação de Deus na condição frágil de uma criança, que é a presença do Deus-entre-nós. Essa imagem profética é essencial para a compreensão da revelação dos mistérios de Cristo, pela fé.

Há algo essencial à Igreja Cristã e à Fé Cristã, sem o qual não há Cristianismo; ou seja, a aceitação de que o mistério da revelação de Deus se manifesta na pessoa de Cristo; que esta revelação conduz a experiência humana de conhecimento e comunhão com Deus. Que ser Igreja é participar deste mistério da revelação, cujo valor descobrimos na medida em que buscamos sua comunhão e nos propormos a andar em fidelidade a missão vocacional.

Assim, o “andar com Deus”, que chamamos de vida de santidade, desvela diante de nós o mistério do amor e da misericórdia divina, tem como uma importante chave de compreensão hermenêutica o batismo das crianças. Sabe-se que alguns grupos evangélicos não batizam crianças baseadas, fundamentalmente, nas afirmações de Jesus, conforme Marcos 16.16 “Quem crer e for batizado será salvo”.Logo, como as crianças não podem expressar verbal e explicitamente o seu “crer”, não podem ser batizadas. Esta leitura olvida que o texto está no contexto de um discurso público de Jesus aos seus onze discípulos, adultos. São estes “que ouvem, mas não crêem”. São estes que rejeitam o Reino de Deus por diferentes motivos: casar, fazer negócios, comprar a casa, cuidar dos pais, enterrar os mortos; ou seja, nós adultos, como relata o Evangelho.

Evidentemente que o batismo é um sinal visível da ação invisível de Deus, expresso na conversão e no arrependimento para ingresso no seu Reino. Porém, este aspecto não esgota a dimensão da graça e da misericórdia. Ficar neste limite será admitir que o Cristianismo não é para ser professado por crianças; é algo só para os adultos. Ao afirmar-se tão somente este aspecto da racionalidade do crer, esvazia-se o valor da ação pedagógica do Evangelho, e da própria comunidade de fé na sua tarefa educativa.

Cremos que o batismo de crianças é chave bíblico-teológica para a compreensão do Reino de Deus e dos ensinos de Cristo. O Batismo define o lugar; ou seja, o espaço que este Reino ocupa na vida das pessoas. Para Jesus, a criança é esta chave de compreensão dos mistérios do Reino. Ela está no centro de sua ação salvífica. Portanto, ele é ritual de iniciação e de acolhimento deste Reino no mundo e na vida humana.

Ao tomar a criança como primícias de seu Reino, Jesus nos mostra que o mesmo amor de Deus, que nos constrange, responsabiliza-nos por vivenciarmos a fé cristã com integridade, ajudando-as a desenvolverem sua espiritualidade, confirmando essa fé a cada dia. John Wesley, ao tratar da Graça Preveniente de Deus, permite-nos inferir que ela nos alcança desde a nossa concepção, e será confirmada pela busca diária de uma vida de santidade.

Ao concluirmos, podemos dizer que ao batizarmos nossas crianças definimos qual é o lugar que elas ocupam em nossa comunidade; pois, “onde está o teu tesouro aí estará o teu coração”, disse Jesus. Portanto, nosso desafio vocacional e missionário é acolhermos as crianças acolhermos as nossas crianças como Cristo fez. Esta é a força profética e as sementes de esperança evangelizadora que como Metodistas precisamos hoje afirmar. Deste modo podemos desconstituir os poderes da morte, que destroem, corrompem e atentam contra a vida em plenitude. Vida que se manifesta na fragilidade das crianças desassistidas, nascidas em lugares humildes, nas vielas e becos de nosso País.

As crianças, com sua presença e inserção entre nós através do Batismo e da ação pedagógica de nossas igrejas, são o centro preferencial da Bíblia, para a compreensão da revelação de Deus, em Cristo, sinalizando, de fato o seu Reino entre nós, em abundância de graça e de verdade.

Na esperança desta plenitude:

Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa

Segunda Região Eclesiástica

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