IGREJA METODISTA EM VILA ISABEL
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Igreja
Rio, 24/2/2007
 

Pensando nosso culto (Filipe P. de Mesquita)

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Não deve haver dúvida de que a tarefa principal da Igreja é prestar culto a Deus.

Muitas atividades que a Igreja realiza hoje poderão, um dia, deixar de ser realizadas por ela. Por exemplo: A Igreja possui escolas de todos os níveis; mas se, um dia, o Estado construir escolas gratuitas e de boa qualidade para todas as pessoas, a Igreja poderá ficar sem condições de manter suas escolas e, por aquela razão, não há nenhum problema em que deixe de as ter. A Igreja distribui alimentos aos pobres por causa da pobreza reinante. Todavia, se um dia houver emprego para todos e não houver mais fome, a Igreja não precisará mais fazer distribuição de alimentos. Ela, no entanto, continuará a prestar seu serviço: o culto a Deus.

O culto permanecerá para sempre, porque, eternamente, Deus é e será adorado e louvado; e não só pelos seres humanos, mas, também, pelos anjos e por outros seres (cf. Ap 19.4).

Portanto, culto e Igreja são inseparáveis.

A origem do culto cristão não foi iniciativa da Igreja; não foi o povo israelita ou a Igreja cristã que decidiram prestar culto a Deus. Mas Deus se revelou e se revela, e vem ao nosso encontro. O culto é exigência de Deus e é a nossa resposta a essa revelação divina.

Deus, portanto, é quem nos chama a Lhe prestarmos culto. O culto nasce no coração de Deus, envolve-nos profundamente e volta-se para Deus. Nós não adoramos a nós mesmos, nem a qualquer outro ser, a não ser a Deus, o Deus que se revelou ao seu povo, aos profetas e, poderosamente, em Jesus Cristo, cuja história e obra nos alcançam e nos motivam a exaltarmos e servirmos (inclusive com o culto) a Deus.

É o Espírito Santo, pelas Escrituras Sagradas, que mantém viva a memória dos atos salvíficos de Deus, inclusive da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

O culto cristão não é realizado para solicitar favores a Deus (uma espécie de toma-lá-dá-cá) ou para manipular a Deus (como em diversas religiões não-cristãs), mas para adorá-Lo, reconhecendo Sua soberania, Seu poder, Sua misericórdia, Sua justiça, Sua santidade, Sua glória, e para louvá-Lo por Seus feitos, tanto do passado como do presente.

O culto judaico e o culto cristão, portanto, estão ligados à história e não à natureza. Deus não se revela na natureza (uma espécie de panteísmo); a natureza é criação de Deus e não parte ou manifestação dEle. O verdadeiro culto é uma resposta que a comunidade cristã dá à revelação de Deus na história humana. Essa resposta toma a forma de orações, leituras bíblicas e sua explicação (pregação), ofertas de bens e de si mesmo(a), cânticos e danças*.

O culto cristão não é uma reunião que tem a ver apenas com a comunidade local ou mesmo tão-somente com a Igreja como um todo. O culto questiona a justiça dos homens e exalta a justiça de Deus. É isso que nós temos que aprender dos profetas do Antigo Testamento, do cântico de Maria (cf. Lc 1.46-55), etc. O culto é o memorial do corpo de Cristo maltratado e do Seu sangue derramado pela salvação do mundo. Os homens são injustos, e a morte de Jesus é, em parte, o resultado disso. Todavia, a justiça e a misericórdia de Deus nos alcançam e Ele nos perdoa e nos acolhe como Seus filhos e filhas.

No culto, nós anunciamos que Deus julga o mundo e, em Jesus Cristo, Deus reivindica todo o poder para Si. Os poderosos do mundo devem reconhecer que todo o poder vem de Deus e que é para o bem de todos.

Quando a Igreja dá glória a Deus, ela está protestando contra os poderes usurpadores deste mundo, e reafirma o senhorio de Deus. No Novo Testamento, a Igreja reafirma seu reconhecimento da supremacia e soberania absoluta de Deus, designando a Jesus como Senhor dos senhores – KÚRIOS KURION (Kurios kuriwn) e Rei dos reis – BASILEUS BASILEON (Basileus basilewn ) (cf. Ap 17.14; 19.16).

O culto lembra aos próprios crentes que eles devem permanecer fiéis a Jesus Cristo (cf. Ap 2.10c). A oração do Pai Nosso proclama “...teu é o reino e o poder...” (Mt 6.13b). A Igreja, no culto, e ao repetir essa oração, reafirma essa declaração e desafio.

Sem sombra de dúvida, o culto cristão é a celebração de um novo mundo de justiça, alegria, amor, sem morte – o Reino de Deus; a “nova Jerusalém”, em contraste com a cidade marcada pela injustiça, falsa alegria, ódio, violência, morte – “a Babilônia” – Roma, capital do império romano (cf. Ap 18.21; 21.1s) ou outra cidade ou império construídos do mesmo modo.

O pecado colocou o mundo e o ser humano em desarmonia com Deus e com sua vontade. O culto é, no entanto, o espaço e o momento em que a comunidade cristã redescobre a finalidade de toda a humanidade e do mundo: Adorar o Criador . Por isso, o culto não termina no “culto”, mas deve ter sua continuidade e seus reflexos na nossa vida diária no mundo: “...para que [os homens] vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”

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* Embora muitos cristãos sinceros façam restrição à dança no culto, entretanto, ela acontecia nos atos litúrgicos do Antigo Testamento e nos atos litúrgicos antigos de algumas comunidades cristãs: cf. Clemente de Alexandria, in Alexander Roberts & James Donaldson, dir. The writings of Clement of Alexandria. Edinburgo: T.& T. Clark, 1871 (Col. Ante-Nicene Christian Library. v.4. p.107).

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