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Natal
Rio, 20/12/2015
 

O Natal dos Primeiros Cristãos

Pr. Edson Cortasio Sardinha


 

Os Pais da Igreja (cristãos do II ao V século) deixaram vastos textos sobre a importância do Natal para a Igreja Primitiva.

Embora a máxima atenção dos primeiros cristãos se tenha concentrado na celebração do mistério da Páscoa de Cristo, eles sabiam que esta solenidade é indissociável do Natal e de todo o acontecimento da Encarnação de Jesus. 

Para os cristãos de ontem e de hoje, o Natal assinala o apogeu da história de Deus com os homens. Leão Magno, (séc. V) num dos seus numerosos sermões sobre o Natal, recorda-nos que “a bondade divina sempre olhou de vários modos e de muitas maneiras pelo bem do gênero humano, e são muitos os dons da sua providência, que na sua clemência concedeu nos séculos passados. Porém, nos últimos tempos superou os limites da sua habitual generosidade, quando, em Cristo, a própria Misericórdia desceu aos pecadores, a própria Verdade veio aos extraviados, e aos mortos veio a Vida. O Verbo, coeterno e igual ao Pai, assumiu a humildade da nossa natureza humana para nos unir à sua divindade, e Deus nascido de Deus, também nasceu de homem fazendo-se homem”.

 A Palavra fez-se Carne

O Deus dos cristãos não é um mito nem um livro, mas Palavra encarnada, uma presença interpelante na história dos homens.

E foi assim, em Belém, quando o vagir de um recém-nascido quebrou o silêncio do universo. Deus que, ao longo dos séculos tinha falado de muitos modos e a muitos povos, em Belém fez-se Pessoa. 

Inácio, bispo e mártir de Antioquia, pelos anos 100, fala destes “mistérios clamorosos que se realizaram no silêncio de Deus: a virgindade de Maria, o seu parto e a morte do Senhor”. E logo explica como se revelaram tais mistérios ao mundo:

“No firmamento brilhou uma estrela maior do que todas as outras! A sua luz era indescritível. A sua novidade causou estranheza. Mas todos os demais astros, incluindo o sol e a lua, fizeram coro à estrela. Esta, porém, ia arremessando a sua luz por sobre todos os demais. Houve, por isso, agitação. Donde lhes viria tão estranha novidade? Desde então, desfez-se toda a magia; suprimiram-se todas as algemas do mal. Dissipou-se toda a ignorância; o primitivo reino corrompeu-se, quando Deus se manifestou humanamente para a novidade de uma vida eterna”.

O Natal assinala o triunfo de Cristo e a libertação de todas as formas de opressão, engano, alienação ou superstição. Efrém, teólogo e poeta sírio do século IV que nos deixou um vasto conjunto de poemas e textos sobre o Natal, retoma esta convicção de Inácio quando vê no «menino que se encontra na manjedoura… aquele que rompeu o jugo que a todos oprimia». Como operou tal libertação? “fazendo-se Ele mesmo – continua Efrém - servo para nos chamar à liberdade”. 

Agostinho refere-se frequentemente em seus sermões natalícios ao silêncio elo-quente do bebé de Belém, patente na voz das criaturas que exteriorizam a alegria da sua libertação.

Belém é, pois, para nós, uma lição elo-quente. Com o seu nascimento na silente noite de Belém, o Menino divino, diz Agostinho, “mesmo sem dizer nada, deu-nos uma lição, como se irrompesse num forte grito: que aprendamos a tornar-nos ricos nele que se fez pobre por nós; que busquemos nele a liberdade, tendo Ele mesmo assumido por nós a condição de servo; que entremos na posse do céu, tendo Ele por nós surgido da terra”.

 Nasceu o Sol de Justiça

O dia 25 de dezembro era o dia do nascimento do Deus Sol Invictus. Para destronar a paganização desta data e em um gesto missionário, os cristãos escolheram este dia para celebrar o verdadeiro Sol da Justiça. O Senhor Jesus. Este dia passou ser Dia Santo. 

É frequente encontrar nos escritos patrísticos exortações como esta de Agostinho: “Alegremo-nos, irmãos, rejubilem e alegrem-se os povos. Este dia tornou-se para nós santo não devido ao astro solar que vemos, mas devido ao seu Criador invisível, quando se tornou visível para nós, quando o deu à luz a Virgem Mãe». Prudêncio, poeta hispânico do século IV, exprime essa alegria universal num extenso hino composto para o dia 25 de dezembro. Neste dia, Cristo é apresentado como o verdadeiro “sol invictus”: «Com crescente alegria brilhe o céu/ e dê-se parabéns a si a gozosa terra:/ de novo, passo a passo, sobre o astro/ do dia aos seus caminhos anteriores…/ Oh! Santo berço do teu presépio,/ eterno Rei, para sempre sagrado/ para todos os povos e pelos próprios/ animais sem voz reconhecida”.

Cientes de que a vinda de Cristo não veio negar, mas responder às ânsias ancestrais da humanidade, os pregadores identificam Cristo, que “por nosso amor nasceu no tempo”, com a luz libertadora das trevas do erro e da tirania dos astros:

“Reconheçamos o verdadeiro dia e tornemo-nos dia! Éramos, na verdade, noite quando vivíamos sem a fé em Cristo. E uma vez que a falta de fé envolvia, como uma noite, o mundo inteiro, aumentando a fé a noite veio a diminuir. Por isso, com o dia de Natal de Jesus nosso Senhor, a noite começa a diminuir e o dia cresce. Por isso, irmãos, festejemos solenemente este dia; mas não como os pagãos que o festejam por causa do astro solar; mas festejemo-lo por causa daquele que criou este sol. Aquele que é o Verbo feito carne, para poder viver, em nosso benefício, sob este sol: sob este sol com o corpo, porque o 

seu poder continua a dominar o universo inteiro do qual criou também o sol. Por outro lado, Cristo com o seu corpo está acima deste sol que é adorado, pelos cegos de inteligência, no lugar de Deus que não conseguem ver o verdadeiro sol de justiça”. ( Agostinho).

Segundo Máximo, bispo de Turim no século IV, “Jesus é o novo sol que atravessa as paredes, invade os infernos, perscruta os corações. Ele é o novo sol que com os seus espíritos faz reviver o que está morto, restaura o que está velho, levanta o que está decadente e purifica ainda, com o seu calor, aquilo que é impuro, aquece o que está frio e consome o que o que não presta”.

Como vemos, na pregação dos primeiros cristãos, o presépio está profundamente associado à natureza que, como livro de catequese escrito pelo Criador, nos ensina a celebrar e a viver o Natal do Salvador. Neste sentido, vale a pena continuarmos a ouvir as palavras sempre atuais de Máximo turinense:

“Preparemo-nos pois, irmãos, para acolher o Natal do Senhor, adornemo-nos com vestes puras e elegantes! Falo, claro está, das vestes da alma, não do corpo… Adornemo-nos não com seda, mas com obras boas! Pois as vestes elegantes ornam o corpo,  não podem adornar a consciência; pois seria muito vergonhoso trazer sob vestes elegantes, uma consciência contaminada. Procuremos acima de tudo embelezar os nossos afetos íntimos, e poderemos então vestir belas roupas; lavemos as manchas da alma para usarmos dignamente roupas elegantes! Não adianta dar nas vistas pelas vestes se estamos sujos em pecados, porque quanto a consciência está escura, todo o corpo fica nas trevas”. 

 Obs.: Texto construído sobre os estudos de Fr. Isidro Lamelas, OFM . Professor de Patrística na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Publicado em 24.12.2013. In:

http://www.snpcultura.org/natal_primeiros_cristaos.html - 16 de dezembro de 2015.

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